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sábado, 15 de janeiro de 2011

ARMADA AGUALUSA. 6 - "A diplomacia do silêncio" - Quai d'Orsay

A diplomacia do silêncio – Quai d’Orsay




Felizmente temos cidadãos portugueses com passaporte “Chevron”. Quer dizer, não têm, efectivamente, necessidade de ir para lá. Posso, concretizar, em Malange.

Embora, pessoalmente, me sinta muito honrado de chegar aos USA, de passaporte português, com carimbo francês.

Certa arrogância francesa dizia que nada temos a ver com Angola. Precisamente, na cidade de Faro, exibindo as credenciais do marketing de François Miterrand, ao qual se retorquiu: “empresta-me os teus Mirages”.

É claro que esta “diplomacia do silêncio” atravessa os bancos do colégio, as bandeiras da Sorbonne e a constituição de uma “Task Force”, cujo contributo não desprezamos.

Nunca atravessámos os corredores do “Quai d’Orsay”, embora outros fizessem o seu percurso que, felizmente ou infelizmente, a “diplomacia do silêncio” lhe tenha gizado.

É evidente que a “diplomacia do silêncio” está ligada a instituições de cariz humanitário, totalmente, desligada das querelas políticas ou diplomáticas.

Mas convém saber que a deportação camuflada da arrogância francesa não é com a sua exibição de Mirages que atinge determinados objectivos diplomáticos.

O espaço lusófono não desapareceu com o dito colonialismo. A língua une-nos nas nossas ansiedades, lutas, desejos e sonhos.

Tanto vamos para o nosso País, como vamos para a pátria da nossa língua.

Qualquer dia, a “arrogância francesa” tanto olhará para Angola, como olha para o Brasil.

Até lá, estamos simplesmente em pré-aviso e na “Armada Agualusa”

Staff presidencial.91 - Expresso - "Le Bleu du Portugal"

“Aníbal Cavaco Silva, actual e futuro Presidente da República deste país, deve ser dos políticos por quem os portugueses têm menos admiração e menos empatia”


”Sob um céu cinzento”, Expresso, 15 de Janeiro de 2011, by Miguel Sousa Tavares.



Caro escritor:

Esta frase lapidar atravessa um percurso político de insofismável memória!..

“Escavaca este país”, soou pelas ondas hertzianas como grito de angústia, revolta e reposição do lamaçal político, em que a ”ditosa Pátria amada” estava ensombrada.

Todavia, “um céu cinzento” mantém-se impermeável e impenetrável nas profundezas económicas, cujo eco e ressalto ressoa nas nossas margas algibeiras.

O famoso “sonho do Brasil” relançado pelo “eterno animal político” da cena portuguesa refulgiu em terras brasileiras pelas mãos de um simples mecânico dos trabalhadores.

Os arautos da economia não conseguem consertar a engrenagem da máquina monetária e fiscal que devora, continuamente, a classe trabalhadora.

Por vezes, sonha-se com o “Bleu du Portugal”, mas o azul de Portugal está transformado em cinzento. O cinzento é a mistura de todas as cores. As cores não existem no mundo da natureza. Os seres humanos, o nosso cérebro ou mente, transformam o mundo sem cor, num mundo colorido e bonito.

Portanto, nada mais nos resta, de que, com pouco ou muito dinheiro, transformar o cinzento nas mais variadas cores, e que cada um encontre um pouco de felicidade no mundo colorido da sua mente.

Apesar de pairar sobre nós este “céu cinzento”, mantemos sempre um sonho do “Bleu du Portugal”.

Já que, com pouco ou muito dinheiro, a felicidade não se compra, mas que o dinheiro ajuda, isso é verdade.

ARMADA AGUALUSA. 6 - MALA DIPLOMÁTICA


Evidentemente que existem regras diplomáticas que devem ser cumpridas.

O congelamento de contas bancárias da representação angolana nos USA, pela terceira vez consecutiva, não deve fugir a certas regras que envolvem a diplomacia.

Os canais diplomáticos, embora possuem as suas “malas diplomáticas” não devem servir para meios menos lícitos.

Até que ponto o Banco Central de Angola está envolvido nestas situações, isso cabe verdadeiramente às autoridades angolanas.

Qualquer analogia entre a pretensão angolana de reivindicar 1/3 da Petrogal, e a dívida soberana de 1/3 dos USA, financiada pelos chineses, não tem nenhum referente com a diplomacia.

As autoridades portuguesas estão obrigadas a prestar todo o apoio no funcionamento das “malas diplomáticas”, quando estas lesam os direitos e interesses angolanos. Todavia, os agentes federais dos USA estão obrigados a reestabelecer as regras diplomáticas quando qualquer instituição estrangeira ultrapassa os seus limites.

O governo de Angola, felizmente, detém uma “task force” que certamente zelará por certos interesses, se porventura resolver pôr em acção!...

Neste ponto específico não é qualquer “agência credível” que reunirá os elementos necessários para certa concertação.

A complexidade da máquina fiscal exige o contributo de altos e médios quadros, que além do saber técnico, devem reunir qualidades de dedicação ao serviço público.

E, o serviço público, deve estar atento às carências da população.

Confundir a empresa petrolífera “Chevron” (com vistos, a partir do Soyo) com a democracia dos USA, é verdadeiramente arriscar-se às leis do frigorífico.

Algoritmo do Kadafi.72. "Ça bouge" - Quai D'Orsay

"Ça bouge” – Quai d’Orsay




Indirectamente a polémica com o chefe protocolar da Líbia funcionou como rastilho da primeira revolução democrática na Tunísia.

As esperanças depositadas durante 23 anos nas mudanças sociais e políticas deste país do Magrebe esmoreceram de tal forma que o seu líder foi obrigado a procurar qualquer oásis, ainda que este território seja o refúgio mais emergente do turismo europeu.

A comunidade da Tunísia em França não merece o menosprezo, o silêncio ou a marginalização, já que detém uma capacidade de liderança, bem cimentada, em valores de irredutível validade.

A política externa francesa, sofreu, sem dúvida, um certo revés, apesar de todas as suas boas intenções.

Os fenómenos sociais, na época da informação digital, desencadeiam processos que as consagradas estruturas diplomáticas tem dificuldades em acompanhar.

Com 50% da população, numa faixa etária de menos de 30 anos, onde os problemas da juventude se acentuam, a emergência da explosão social na Tunísia, reserva algumas incógnitas que o mundo árabe acarreta.

Para nós, europeus, a Tunísia assume-se como o país mais próximo da cultura europeia.

Os seus processos de liberalização são uma chama de esperança na separação do mundo político e do mundo religioso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ARMADA AGUALUSA. 5 - ANGOLA

ARMADA AGUALUSA. 5



As autoridades angolanas procuram desenvolver um maior intercâmbio com a lusa Lusitânia.

- Esperar "cinco meses" por um visto, é demasiado tempo!...

- Exigir sustentatibilidade aquém e além mar, ultrapassa certos limites!...

Colocam-se várias dúvidas em relação ao grande contingente que harmoniosamente deambulam nos vinte e tal voos semanais entre Luanda e Lisboa.

Até que ponto as autoridades angolanas desejam fortalecer os laços de irmandade entre povos levantam várias algumas questões de melindrosa diplomacia.

Em tempos de crise, o espaço angolano surge nos horizontes de muitas ambições e intenções particulares, mas que carecem de uma sustentação firme e corajosa nas suas várias instituições.

Os mais variados sectores da sociedade civil e política carecem de uma formatação de conhecimentos que muitos portugueses seriam capazes de fomentar.

Todavia este incremento implica certas alterações que porventura gerarão alterações de mudança que afectam interesses instalados.

O estudo de mercado, a planificação e “marketing” parece não fazer apanágio das empresas portuguesas, dadas também as incipientes condições angolanas.

O intercâmbio obedece a lógicas fechadas e enclausuradas. Não existem agências credíveis do mercado de emprego.

Em vez de funcionários exibicionistas de “Mercedes” na mão, aprendizagem lenta, e gastos hoteleiros prolongados, a criação de "agências credíveis" subtrairia os gastos em dispendiosos escritórios de advogados.

Embora, a nível institucional de altas esferas, as coisas funcionem, no intercâmbio da sociedade civil levantam-se enormes obstáculos.

"Portuguese Krugman". 2

A periferia europeia, sempre dominada pela “ideologia católica”, parece ficar, eternamente, dominada pela “ideologia protestante”, sobretudo alemã, já que se preocupa mais com os “voos celestiais” do que com as “realidades mundanas”; para não esquecer a tese de Max Weber de que um fenómeno nunca pode ser explicado por uma única variável, em sociologia, mas que em teoria económica parece reverter em seu favor.


A experiência empírica do senso comum procura demonstrar o contínuo atraso económico e mental desta periferia latina.

Historicamente, a supremacia germânica, quer técnica, quer ideológica, desde Kant a Hegel, e, demais pensadores procura vincar que o espírito alemão e a língua germânica detém a única capacidade fundamental de suster o “ser”, ou “dasein” objectal de Heidegger, do qual provém a produtividade económica.

A experiência empírica, eivada do senso comum, demonstra que a chegada de qualquer alemão aos USA nada tem a ver com o complexo europeu de dependência face ao seu poder económico, político e militar; embora os franceses mantenham a elegância nuclear.

A periferia alegre e tonitruante que enriquece a supremacia alemã, sistematicamente, continua refém dos seus empréstimos e dádivas, já que não consegue emancipar-se e libertar das garras do seu senhor, evocando a dialéctica do senhor e do escravo, no tratamento do objecto, do velho Hegel.

A experiência empírica, protagonizada no mais alto senso comum, lamenta-se na sobrecarga de impostos em caridade católica que escapam ao espirito protestante alemão.

A periferia, amiga do sol e da praia, distrai-se nas suas areias atlânticas, esquecendo-se que o espaço de conquista territorial corre noutras direcções, e, que a “ideologia protestante e rica não está para sustentar povos indolentes e marginais, cujas ambições não correspondem ao espírito alemão.

A experiência empírica e humana demonstra continuamente o atraso económico e mental que se situa para lá dos Pirinéus.

A periferia mantém-se numa lenta escravidão face aos enlaces do senhor no espaço e no tempo, já que a propriedade é sinónimo de poder e moeda.

A experiência empírica que amordaça os latinos, serão sempre latinos, "pobres e incultos", incapazes de ombrear com as forças telúricas que o vulcão alemão projecta na cena mundial, e, que o tempo e espaço jogam a seu favor.

"Portuguese Krugman"

“Portuguese Krugman ”. 1



É salutar ter um “prémio nobel” de economia a falar sobre 1% da economia europeia, ainda que as necessidades financeiras se situem na ordem do 80 mil milhões de euros, para o ano de 2011.

É salutar que o País salte para a ribalta internacional, quando nos velhos tempos se lamentava qualquer notícia, sobretudo, antes do 25 de Abril, na imprensa estrangeira ou europeia, ou mesmo, mundial.

É salutar que os “Certificados do Tesouro” tenham encontrado 44 mil investidores, com uma média de 15 660 euros, apesar dos prognósticos aqui lançados. Ainda bem que existe “classe média”, sem lamentações de ricos ou pobres.

É salutar que apesar da crise, das lamentações, das saudades antigas ainda se ponha em causa os avanços da democracia, apesar dos seus custos.

É salutar que apesar de termos vendido metade das reservas de ouro, ainda consigamos estar no “top” com estas barras reluzentes.

É salutar que o BCE nos acene com 100 mil milhões de euros para garantia da nossa manutenção na moeda europeia.

É salutar ter somente 9% dos portugueses, verdadeiramente preocupados com a sua viatura ou automóvel, quando durante muitos anos este veículo era um luxo.

É salutar que os portugueses possuem casa para “dar e vender” que causa tanto espanto aos alemães e seus vizinhos.

É salutar que os ricos alemães fiquem espantados com os pobres portugueses que conseguem ter carro, casa e alimentar-se.

É salutar que um pequeno País, pela terceira vez consecutiva, permaneça durante dois anos, no Conselho de Segurança.

É salutar ter o “melhor treinador” do Mundo, falando e puxando pelo “ego” lusitano, como outros emigrantes, dizendo:

“Esta ditosa Pátria amada!..”

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...