Seu nome era “Benigno”
e das notas musicais,
- digno.
Os mancebos apurados
não perdiam a concertina
em rancho desbocados
cantavam a sua sina!...
O abade detestava bailes
e as moças em xailes
fugiam da GNR em surdina
com desgosto da concertina.
Somente nas desfolhadas
os seus trinos ecoavam
entre abraços afogadas
peitos gemiam e soltavam
amores e paixões caladas.
Curvado na sua música
o rancho, por vezes, ensaiava
mas a nota soava pudica,
presa porque não voava!...
Estilava em gorjeio
em rápido timbre lamacento
de qualquer copo cheio
sem toldar o livre pensamento
E a concertina
de que “Benigno”
era digno
seguia esta sina
de calar-se e mostrar-se
de alegrar o povo
com riso e desgosto
com aviso de “posto”
pois soltar o seu trino
somente – tu – Benigno.