Bafejados pelo rio, onde outrora corria “ouro e
cobre”, os “Almeida Braga”, continuam a
espalhar o seu “dedo de Midas” naquilo que tocam, por terras brasileiras, segundo dizem certos cronistas das revistas cor-de-rosa. Não será o perfume das rubras camélias ou brancas da quinta do Outeiral, que inebriam o seu frenesim
pelo vil metal, mas a “arte e engenho” que os seus dedos tecem nas teias das malhas que tocam.
«Há quem procure e não encontre.
Há quem
ache e não guarde.
Há quem guarde e não desperdice».
Saber "guardar e não desperdiçar", se não for
avareza, pressupõe “alma para o negócio”. Ora, este espírito de negociante (não
de "merceeiro") é uma técnica que se aprende, ou, até pode ser congénita. Quando
ela percorre várias gerações é sinal de eficiência, de brilho, de glamour, que
se adapta a cada momento e a cada situação. Porque nos tempos modernos não se respeitam
linhagens ou castas, embora o seu conservadorismo teime a conservá-lo.
Saber “achar e guardar” é o instinto, a intuição
para o negócio, ao qual certo “farejar” está implícito. Encontrar o rastro de
um negócio, é encontrar um trilho, que se abre como caminho e se transforma em
estrada, para nela caminhar. "O caminho faz-se caminhando".
Saber “procurar e encontrar” é o primeiro passo
para saber andar no mundo dos negócios. “Quem tem dinheiro, faz dinheiro”, se
souber procurar o negócio, e, se encontrou o negócio certo. O incerto não faz
parte do negócio, porque a certeza faz parte de uma certa esperteza. A "esperteza" é o filão inicial do desenvolvimento da capacidade e habilidade do
negócio. Uma dose de esperteza liga-se a esta capacidade de saber negociar.
Saber tocar. Saber tanger os bois, porque o gado é símbolo de pecúnia.
ADRIANA GALISTEU
P.S. Ora, contra estes mandamentos na "troca dos trocos", em vez de quinhentos escudos de "bandeirada", embardam-se ou enfardam-se cinco notas de cinco mil escudos, como prova de correcção e honestidade para taxista honrado, gratificando-o 50 vezes. Só, pode ser à "Almeida Braga"!... Faz relembrar os 50 escudos do óbolo paroquial de seu pai.