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domingo, 2 de maio de 2010

Staff presidencial.83

Angola
Os desafios que Angola, amigavelmente, coloca a Portugal merecem uma “reflexão política”, que deve ultrapassar os “meros caminhos económicos”.


Certamente que alguns portugueses se sentem atraídos pelo “eldorado” angolano, e, se lançam de “malas e bagagens” numa aventura digna de autênticos aventureiros de D.Quixote. Felizmente, conheço casos concretos, e, paradigmáticos de tal exemplaridade.

Deixando de lado, todo o contexto empresarial, económico, financeiro, político ou diplomático, que requer alguns princípios de orientação humanitária.

Nos meus tempos de juventude tive ocasião de estudar, conjuntamente, com angolanos, de onde advém esta “paixão” inconsolável de uma irmandade, cujo território, ainda não tive a ousadia de pisar.

Num país em crescimento, e, que se revela com grandes potencialidades económicas, certo idealismo” ressurge no imaginário, talvez juvenil.

Com os meios informáticos de hoje, certas tarefas e instrumentos seriam extremamente úteis para debelar certas deficiências.

Alguns portugueses temem que este país não se torna noutra Nigéria, quando 85% da sua população vive abaixo do “limiar da pobreza”

Aliás, o conceito de pobreza também é variável conforme as sociedades, e, por vezes, escapa ao modelo “standard”, que alguns querem aplicar. Também, é evidente que não somos adeptos da chamada “pobreza alegre”.

Todavia, os desígnios, se eles existem, tornam-se imperativos, nesta ansiedade, de um salutar desenvolvimento que deve emergir no contexto angolano.

Por isso, continuaremos a dedicar alguns artigos a Angola.

Staff presidencial.81

República Checa
Confesso que ansiava atempadamente por este tipo de argumentação:


“Portugal foi enxovalhado pelo Presidente da República Checa, perante a passividade do nosso Presidente da República”. (Jornal Expresso, de 1 de Maio de 2010).

A tradição checa reserva alguns sabores de uma bela bebida, concebida através de ameixas verdes, de sabor inqualificável.

E, a República Checa prolonga-se no corredor alemão, de forma que não tem complexos filipinos, mas talvez germânicos.

Ultrapassados os esconsos complexos tradicionalistas e nacionalistas, subjaz a “Europa  - Castelo de Cartas”, planeada, segundo alguns, numa tradição “ultra-liberal”.

Todavia, quem tem um pé na Europa, e, se considera europeu tem todo o direito de questionar o que é seu.

E, Portugal pertence ao “team” europeu.

As formas antigas de "intromissão política" não têm qualquer sentido, na Europa de hoje.

A ousadia é uma natural preocupação, por quem se sente no mesmo barco.

Falámos a mesma linguagem europeia, e vamos construindo e reconstruindo as tábuas do mesmo barco, mal ou bem.

É, neste sistema de linguagem que estamos.

"Ressentimentos bacocos" de nacionalismo, só, visam criar caminhos de xenofobia, que devem ser combatidos na União Europeia.

Por vezes, não é fácil ser um “famoso economista”, e, ao mesmo tempo, “representante máximo de um país”, mas podem existir pontos de conciliação, e, neste caso concreto, também, com a República Checa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sortilégio do poder.1


A cadeia do ser , na filosofia de Plotino, recorre as “cadeias de desenvolvimento” do “múltiplo” ao “ser”. Embora, prefira a sua elaboração ao nível estético, é interessante, no seu pensamento, ultrapassar o famoso dualismo platónico.


Esta pequena introdução vem a propósito da ascendência do “conteúdo informativo”, ao possível “Uno”, ultrapassando as esferas normais das competências do funcionalismo de certa administração portuguesa.

Enredado na multiplicidade intrínseca de certas instâncias, cuja nebulosa rodopiava na hermenêutica jurídica, disparou a parada na “cadeia de ascensão” às esferas próximas do “Uno”. Diz o ditado: “quem rápido sobe, depressa cai”, ou, não fossemos delimitados na linha platónica do “sensível” e do “inteligível”, nem entendêssemos os meandros de certas esferas diplomáticas.

Recaímos, estrondosamente, na multiplicidade plotina, na mais natural confluência de uma imitação de “papel químico”.

Existe um tipo de “linguagem cifrada” que os “negócios políticos” escondem aos mais incautos aventureiros, ou, àqueles que ousam desvendar o seu secretismo, quando ele é digno de tal mérito.

Esta técnica de desqualificação, aliada a uma certa integridade desafiadora não condiz com certos estatutos negociados, que implicam conivência exemplares. Por vezes, implica o afastamento de “companhias”, pouco recomendáveis para ambições projectadas.

A sedução refinada arvora-se em funcionalidades rotineiras que impedem o desenvolvimento salutar de competências pessoais.

Por vezes, a marca indelével estatui-se como anátema de qualquer utopia. E, se ela surge desfaz-se no seu esquecimento.

A noção do poder é um enigma indecifrável, que exige etapas nas “cadeias de desenvolvimento” de Plotino, e, cuja condenação se espia por tal ousadia.

domingo, 25 de abril de 2010

Staff presidencial. 81 - Cravo de Abril



Hoje recebi um cravo do 25 de Abril.


Não estava em nenhum restaurante da OCDE, nem no seu pequeno mercado, com café, mas no Portugal profundo. Não estou ligado às elites, mas convivo nos círculos mais populares e intensos, onde a violência pode irromper, a cada instante.

Os espelhos rodeavam-me repletos de cepticismo, por tal época e memória, e, decorriam em eflúvios ao divino Baco.

O cravo tinha sido distribuído por uma adepta do partido comunista, e, certo público centralizou-se na direcção do poder!...

No “Portugal profundo” tudo acontece, e todos pensam conhecer, quando não conhecem, embora estivesse a ler um artigo de António Barreto, no Diário de Notícias (razão da minha paragem).

Rapidamente surgiu-me à memória o famoso trio de adeptos que foi buscar o passaporte de Álvaro Cunhal, ao terceiro piso, da rua Édouard Fournier, em Paris.

O chanceler do Consulado volta-se para mim, e diz:

“Ali está o Álvaro Cunhal!...”

Fiz que não percebi a interpelação, pois existiam razões para tal facto.

Este facto, nada tem a ver com acontecimentos posteriores, quando se enfrenta os correligionários de tal partido. Nem, quando sabermos a história da libertação de Peniche.

A luta pela liberdade é um "travo amargo" que se afasta deste cálice.

É a cicuta que estamos condenados a beber sistematicamente, porque neste sistema não sabemos quem somos, e, porque lutamos.

E, olhando, para os rostos prepotentes que me ousavam enfrentar, dizia-me comigo mesmo: ”só sei que nada sei”, e, sou obrigado a aceitar as regras do jogo!...

Jaz o cravo frente ao espelho!....








  



sábado, 24 de abril de 2010

EURO POLITIQUE.24 - "O Castelo de Cartas" - Europa

Esteticamente, o famoso filósofo alemão Inmanuel Kant, nas suas dissertações sobre o “juízo de gosto” confunde o vinho da Madeira com o “rum” das Canárias. Filósofo de uma pontualidade que ultrapassava a precisão dos relógios suíços, ainda exerce uma fundamentação na cultura alemã, que admiravelmente se inscreveu , e, instaurou no “espírito alemão”.

Apesar de representarmos 1% da economia europeia, não quer dizer que sejamos obrigados a vender a ilha da Madeira!...

Se como diz Trichet: “financiamos o nosso investimento com as nossas poupanças”, qual a razão de abandonar o projecto Quimonda”?

Será que “cada economia tem as suas próprias características e as suas próprias estruturas”, como diz Trichet, e, que os interesses instalados não correspondem às ambições do projecto "Quimonda"?

No jogo de interesses políticos, económicos, financeiros, e estatais, será que perdura uma diferenciação semelhante à “diferença entre a Europa e os EUA”, ou seja a "flexibilidade da economia” europeia que quer copiar o modelo de “iniciativa privada” americana?

A Quimonda, projecto de engenharia computacional afasta-se totalmente do “algoritmo de Kadafi”.

Relembrando Kant, e a sua tarefa hercúlea, de transformar o “juízo estético” de particular em universal, qual é o problema do 1% da economia europeia, no contexto geral da sua expressão económica?

Como não estamos dispostos a vender “a ilha da Madeira”, nem o “mar português” esperamos que a senhora Alemanha nos veja com outros olhos, e, outros pontos de vista, nesta Europa do “Castelo de Cartas”.

Será que, a pequena gota que somos na Europa, ainda vai dar cartas no “Castelo de Cartas”, ou seja, na Europa?

P.S. "Como disse que Maastricht vai ser a consolidação do império alemão, o IV Reich. Sem os espelhos de Versalhes e sem o conde Von Bismarck. União monetária? Uma fraude. Expulsa as pequenas economias. Corremos esse risco, e será a desgraça. Não temos tecido produtivo. Vamos empobrecer. Por saltos" Excerto da entrevista de Ângelo Correia, na Revista do Expresso, pg. 19.
N.B. Leitura, após este artigo.

EURO POLITIQUE.23 - "O Castelo de Cartas" - Europa

" O Castelo de Cartas"

Os portugueses encantaram-se com a “Auto-Europa” e a "Quimonda”.


A Quimonda de base tecnológica e científica foi o que se viu!....

A “Auto-Europa” revela-se um pequeno castelo, mais frágil, que as muralhas de Palmela.

Símbolo de exportação e de mão-de-obra corresponde aos efémeros interesses portugueses, e às directivas alemães. Quer dizer, fabrica-se um produto que não se inscreve, nem se instaura nas necessidades efectivas lusas.

O famoso filósofo Heidegger afirmava que a língua latina era incapaz de se inscrever na linguagem filosófica. Da mesma forma, o “espírito político, financeiro e económico” germânico olha e perspectiva os latinos.

Os mais famosos ideólogos alemães na campo da filosofia política sempre demonstraram uma supremacia, que no campo da “realidade prática da vida” causou os maiores dissabores da humanidade.

Quase todos os europeus admiram a Alemanha pelo seu “espírito de trabalho”, pela sua tenacidade em enfrentar as dificuldades, pelo sua orgulhosa supremacia intelectual.

Todavia, no campo político, a elegância revolucionária francesa e o seu idealismo, conjuntamente com o pragmatismo inglês, demonstraram uma perspicácia existencial, digna dos mais belos gestos humanitários.

A garantia económica da Alemanha pode funcionar como meio de repensar a Europa.

Por vezes, dar dinheiro às pessoas, somente as embrutece no seu estado abismal.

Os momentos de crise são salutares para que se instaura e se inscreva um autêntica dinâmica do percurso europeu.

A “Europa dos políticos” tem de olhar e enfrentar a “Europa dos cidadãos”, ou seja, “a sociedade política” deve contar com a “sociedade civil”, porque além de ela ser o motor desta dinâmica, é o suporte da “Europa dos políticos”.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...