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quinta-feira, 25 de março de 2010

EURO POLITIQUE.11

EURO - "Não há bela, sem senão!...." e, a ponta do "iceberg" chinês!...




Fora dos cânones da economia, impõe-se uma hermenêutica dos movimentos financeiros:
O movimento especulativo junto da moeda europeia continua nos mercados internacionais.
É evidente que uma moeda forte não convém em vários palcos financeiros, sobretudo nos meios dependentes do dóllar.
Já que a desvalorização do euro não convém a certos países, com excedentes de exportação, recai sobre os países mais fracos, a factura.
A globalização com os seus efeitos negativos, revela também uma expansão que se repercute nos meios informáticos.
Por um lado, a partilha de informação reduz o apanágio típico dos governos, por outro lado, revela uma maior consciencialização dos direitos humanísticos.
Todavia o gigante chinês desponta com as suas garras:

A crise sem precedentes que atinge a Grécia constituiu apenas a «ponta do iceberg», com o espectro da implosão orçamental a propagar-se ao resto da Europa, advertiu esta quinta-feira o vice-governador do banco central chinês.

«A Grécia é um caso, mas é apenas a ponta do iceberg», declarou Zhu Min, durante uma reunião de investidores em Hong Kong, citado pela Lusa.
«Não penso que a Grécia assista a uma situação de bancarrota porque é de um tamanho relativamente modesto, mas não vemos qualquer medida decisiva que emita um sinal para o mercado e lhe diga: podemos resolver a crise, podemos pôr termo à crise. Assim, o mercado permanece muito volátil», considerou.
«Hoje, a principal preocupação são evidentemente a Espanha e a Itália», acrescentou Zhu, citado pela agência financeira Dow Jones Newswires.

EURO POLITIQUE.10.

A MOEDA ÚNICA: “Não há bela, sem senão...”





A divergência entre a “sociedade civil europeia” e a “classe dirigente, dita europeia” começa a desenhar contornos imprevistos , mas anteriormente já imersos.

Por um lado, temos a dupla “classe política” (governos e U.E.); por outro lado, a sociedade civil (classe média e pensante), e, finalmente a classe trabalhadora, com todos os excluídos da sociedade...

A chamada Europa Federal está bastante longe do seu projecto, se por acaso existe alguma ideia consistente para tal facto.

A “moeda única” começa a ser testada na sua consistência no sistema do mercado e da economia internacional - “Não há bela, sem senão!...”

O projecto económico e o seu alicerce não caminharam conjuntamente com o processo social e político, e na política, o tempo é marca da sua história..

Além dos governos dependentes do apoio social, outros dirigentes europeus confrontam-se com os vários nacionalismos próprios dos países mais fortes: 63% dos alemães não suportam as ajudas à Grécia. . Os países mais fracos rodopiam nas engrenagens do sistema europeu e mundial, sofrendo reveses inconformáveis, ao sabor do contexto internacional..

O funcionamento da economia mundial escapa à compreensão dos mais informados cidadãos, embora tenham de ser vítimas do sistema de globalização.

Os sistema jurídicos de “justiça social” não conseguem acompanhar os fluxos monetários e económicos. E, num mercado sem regras, os imperativos sociais e éticos afundam-se na panaceia de interesses daqueles que impõem as suas regras. Nesta confusão emergem “agências de rating” , cujo poder e capital desponta como uma natureza espontânea.

O modelo social, económico e político europeu, se podemos falar assim, ainda não saiu da gaveta, quando o Norte de África, a América do Sul, e, outros batem à porta. O conforto económico europeu está minado nos seus alicerces, por outros continentes que não esmorecem nos seus interesses.

"E vós europeus?" - questionava um americano.
Portanto: “não há bela, sem senão...”

terça-feira, 23 de março de 2010

EURO POLITIQUE.9

"Kadhafi dá nega a José Sócrates"





"Mouammar Kadhafi recusou uma proposta de José Sócrates para que Portugal encontrasse uma solução bilateral que permitisse ultrapassar a proibição de entrada dos cidadãos líbios na União Europeia (UE), no âmbito do Acordo Schengen."

"O chefe do Governo português, que esteve reunido com o presidente líbio entre a meia-noite e a 01h30 de segunda-feira, disponibilizou-se para resolver a guerra dos vistos entre a UE a Líbia através de um acordo bilateral, mas Kadhafi deixou claro que a resolução do conflito tem que ser encontrada no contexto global da UE. José Sócrates disse ontem, em Argel, nunca ter esperado unanimidade na aprovação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), referindo que a sua ambição é ter apoio no Parlamento".

O pomposo título do "Parisen Liberé" português, ou seja, o "Correio da Manhã" nada condiz com o "trunfo da manga" que poderia ser exibido ao "Princípe dos principes".
O dealbar de um "santa aliança", esgrimida na  "Braca Augusta" remonta aos tempos medievais; e, Príncipe que se preze, "aggionar-se" no devido tempo.
Para encantar mercadores é necessário uma verdadeira sinfonia do deserto, embalada pelos sons agrestes de cabritos, que os oásis raramente têm, mas que os passos de mágica, por vezes, desencantam.
Exigir um regime de excepção, atribui-se quando existem prerrogativas na mão, e, é aqui que entra o "trunfo de algibeira".
Todavia, como a "magia" não entra dos "segredos dos deuses", reservámos as incógnitas para as "kalendas gregas".

domingo, 21 de março de 2010

EURO POLITIQUE.8

“A jihad portuguesa”


(Crítica sarcástica ao "eixo do mal" às sete horas de detenção, no aeroporto de Trípoli!...).

Em vésperas de partir para o Magreb, o mais célebre “Sócrates português” lança uma “santa aliança” contra os inimigos lusos, de esquerda e de direita.

Após afastar todos e mais algum parceiro socialista que tivesse a ousadia de enfrentar o “animal feroz”, nem os mais avisados mentores da era socialista o demovem de tais projectos.

Pena é que no célebre Congresso não tenha aparecido uma voz avisada.

Certamente que encontrará um aliado no Magreb, cujo nome se diz de Kadafi, ainda que a democracia portuguesa não tolere tal conivência, e, por outro lado, o país bem precisasse de um tal “guru” na cena internacional portuguesa.

Recordo-me de um amigo meu, que pelo simples facto de ter escrito um artigo ser convidado pelo ministro da defesa francesa para uma viagem a um país africano.. Todavia, por mais que os aviões passeiam incógnitos funcionários, parece que nunca reconhecerão aqueles que  lhes levantaram as asas!....

Se os acordos com a Líbia, resultarem numa equivalência da “balança de pagamentos”, abençoada seja esta “jihad” e a “santa aliança”; mas tenho sério dúvidas de tal êxito!...

Um dia, a “sociedade civil” será informada de quais são as razões que nos comandam para comprar tanto petróleo ao senhor Kadafi!...

Oxalá semelhante paralelismo ente a "santa aliança" e a "jihad" suiça tenha a sua exuberância em relação a cidadãos lusos!...

Porventura, com estes "petrodollars", o euro sairá mais beneficiado?

CONTRADITÓRIO:


"São países com grande potencialidade e onde nós temos grande capacidade competitiva. Por outro lado são países onde os negócios são tanto mais fáceis quanto mais fáceis forem as relações políticas. E a relação política entre Portugal e os países do Magrebe tem sido muito positiva", diz o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.




Os exportadores portugueses têm vindo a apostar no Magrebe para diversificar as exportações e reduzir o risco em tempos de crise, segundo dados oficiais, que dão conta do aumento de peso da Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos na lista dos mercados emergentes para Portugal.



"Os mercados do Magrebe têm sido muito importantes e têm servido de almofada para a queda que temos verificado nos mercados tradicionais, nomeadamente nos mercados europeus. Têm sido mercados onde a presença portuguesa tem sido muito forte e é cada vez mais forte", considera Basílio Horta.

Os empresários que acompanham o primeiro-ministro na viagem de três dias têm também a esperança de aprofundar a estrutura de vendas portuguesas para o Magrebe com mais força nos sectores dos serviços, da construção civil e Obras Públicas e na exportação de aparelhos e máquinas.



Outro sector que atingiu algum sucesso na região é o agro-alimentar, diz Basílio Horta, dando mesmo como exemplo o investimento da Frulact, a empresa da do sector da fruta com sede na Maia que, para além da uma fábrica na Tunísia tem também unidades na Argélia e em Marrocos.



A proximidade geográfica, considera Basílio Horta, é também um dos factores que torna as exportações portuguesas mais competitivas nos mercados do Magrebe.



"É mais perto daqui a Marrocos que daqui a Madrid", afirma o presidente do AICEP, que realça o bom conhecimento de Portugal que existe no Norte de África por "motivos do relacionamento histórico. Tudo isso conta para que a presença portuguesa seja facilitada".

sábado, 20 de março de 2010

EURO POLITIQUE.7

LOOK TO GERMANY





Fiquei admirado com a chegada de uma alemã aos USA. Sem complexos em relação ao gigante americano, assentou bagagens e bandeira no seu legítimo orgulho germânico.

“A Alemanha orgulha-se , e com razão, da sua capacidade de controlar ao custos e de continuar a exportar. Mas também deve reconhecer que o seu sucesso se deve em parte aos seus vizinhos europeus. Os alemães gostam de pensar que fizeram um enorme sacrifício ao abdicar do seu adorado marco alemão há dez anos, mas na verdade beneficiaram do euro mais do que qualquer outro país. Quase metade das exportações da zona euro destina-se a outros países da zona euro que já não podem recorrer à desvalorização para fazer face à competitividade alemã”, segundo refere “the economist”

A pequena e fugaz referência corresponde praticamente a uma década.

Grosso modo, a França, quase, sempre foi ultrapassada por este dinamismo alemão, apesar de algumas vezes tentar impor as suas regras.

Os países do Sul, Portugal e Espanha, estavam minimamente conscientes deste êxito alemão.

O desenvolvimento tecnológico da Alemanha, alicerçado numa invulgar capacidade de trabalho e de gestão, não se prolongou como forma de alavanca aos países mediterrâneos.

Todavia a aliança empresarial entre portugueses e alemães tem dado alguns frutos!...

Mas numa análise macro económica, a criação de Fundo Monetário Europeu seria desejável, nesta conjectura. Apesar da globalização, as economias caminham para blocos ou “cluters” económicos de desenvolvimento social e político.

A segurança do euro implica uma visão de conjunto que deve abranger os países aderentes, apesar de algumas fragilidades. E, neste campo, a Alemanha continua a ser o motor da Europa, apesar do caminho desviante da Inglaterra.

Os sacrifícios que alguns alemães sofreram, deram-lhe as vantagens de que hoje se podem orgulhar. Todavia, a abertura do espírito alemão deve estender-se à compreensão do seu verdadeiro papel na Europa. Um papel, não só económico ou monetarista, mas também de dinamismo de uma conjectura inovadora de processos tecnológicos que galvanizem os restantes parceiros, ou seja , um "novo modelo estragégico de desenvolvimento".
Não basta ter "quimondas" insanáveis, nem "auto-europas" autóctenes!.... Se uma estrutura metálica pode ser construída em Espanha, porque  importá-la da Alemanha?

terça-feira, 16 de março de 2010

EURO POLITIQUE.6

A arte portuguesa na Política


Maurice Duverger classificava a política como “arte”, ou, como “ciência”.

Na sua essência, a política é uma “arte nobre”.

Todavia ao falar de arte, tanto podemos falar do artista – génio criador; ou, do artesão, aquele que saber-fazer, simplesmente actividade manual.

O dilema entre os princípios da democracia e a sua técnica, ou, planificação originam problemas incalculáveis.

O império romano utilizava a “política como técnica”, alicerçada na engenharia e no direito; o império grego removia-se na “política como arte”, revigorando-se na filosofia e na ética.

Platão desconfiava do puro desenvolvimento económico, enquanto que os romanos o erigiam como motor da sua expansão.

Colocar os portugueses junto ao idealismo grego, tem algumas ressonâncias num País de poetas, exímios em projectos, mas fracos em realização e concretização. Nada nos aproxima ao geometrismo e clarificação cartesiana de França, nem da “política como ciência” do espírito alemão, nem tão pouco do pragmatismo inglês.Ou seja, à bolina, à boleia da Europa.

Aquilo a que nos aproximámos, poeticamente, (salvo, o idealismo de Don Quixote, ou, o materialismo de Sancho), reverte em Ortega y Gasset: “o homem e as suas circunstâncias”, e, num certo individualismo de Unamuno: “cada uno es uno.”

Um crasso individualismo de um “ego” recalcado freudiano enfrenta os duros escolhos que lhe tolhem a vista, pouco perspectivando do “espírito em grupo” e de “trabalhar em cooperação”.

O gosto de navegar à vista, dentro de uma política que não é ciência, mas arte. Arte que mergulha no artesão, e, pouco tem a ver com o artista – criador, por excelência. Pouco sabemos roubar aos deuses, pois logo ficámos castigados por tal ousadia, e, portanto não fugimos da tragédia grega, que em nós é fado.

Corroídos por um destino estóico, recordando a ética romana, desembarcámos num fatalismo genial envolvendo-nos num novelo de intrincadas ressonâncias.

O "olhar europeu" olha, de forma céptica, a “capacidade artística” da política portuguesa.

Pouca ciência, ou, quase nada de sabedoria na “coisa pública”. Após, o glorioso “artista cinzento” surgiram alegres “faunos” artísticos da vida política.

Cultivar é diferente de criar. Urge “pensar” e “aceitar” a portugalidade. Ultrapassar o artesão, para se tornar artista, já que a política como ciência percorre outros caminhos.

“Criar é produzir qualquer coisa a partir do nada”.

Se somos poetas e temos algo de criador, então teremos de encontrar o nosso “Volkgeist”, sem tragédia grega, nem fatalismo estóico.

EURO POLITIQUE.4

Retorno a Africa




Portugal não é um país de ricos, nem tão pouco tem uma classe média baixa, média ou alta bem definida.

Existem 4.000 pessoas que ganham mais de 250.000 euros, e 30.000 que devem chegar aos 150.000 euros. (Além de uma reduzidíssima elite dos chamados ricos).

Com uma população de 18% de pessoas no limiar da pobreza, restam os lutadores da sobrevivência social, económica e política.

Recordo-me do filósofo José Gil quando deambula pela subjectividade humana portuguesa, e pela negação da redução do homem económico, na sua essência. Outros horizontes se inscrevem nesta tímida portugalidade.

O mar continua a ser a nossa fronteira. A aventura marítima desenha-se como nosso sonho. E, o encontro com outros povos sempre nos trouxe a alegria de nos reencontrar-nos.

Quando a Europa definha, estiolada no seu bem-estar, que parece desaparecer dos seus pés, eis que outros calcanhares necessitam no nosso estímulo e ajuda. Por que deixar que o tédio e o ócio invadam os horizontes portugueses?

Recordo-me da canção: “vou levar-te comigo irmão”

Água é sinónimo de energia.

Dois grandes países irmãos abrem-se, estendendo as mãos.

Moçambique prepara-se para construir um caminho de ferro de 2 000 Km , ligando o Norte ao Sul do país. Produtor de electricidade carece de uma linha que ultrapasse os velhinhos trilhos de 25 Km à hora, para um desenvolvimento sustentável das suas potencialidades carboníferas e outras. Cahora Bassa necessita de religar-se com cabos de alta tensão através da sua espinhal dorsal territorial, como forma de desenvolvimento agro-pecuária.

Nos arredores de Maputo observava-se uma pequena escola primária. Do chão emergiam cabeças totalmente atentadas, num silêncio entusiasmado, à explicação do professor. A sua atenção contrasta com o enfado e tédio de muitos alunos europeus. Estão cansados e fartos de um modelo que pouco os entusiasma!...

Ousem aventurar-se, e esventrar-se na sua subjectividade fraternal!...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...