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domingo, 19 de junho de 2011

EURO POLITIQUE 101 - Paulo Portas e Kadafi.






Se a “habilidade diplomática” de Paulo Portas se expuser ao terrível dilema da Líbia com serenidade e ousadia teremos um perspicaz ministro dos MNE.

Todavia a argúcia diplomática na menoridade europeia envida esforços que se subtraem aos legítimos interesses internacionais de potências nucleares de media dimensão que na avidez do seu cinismo jogam com um papel de revelo meritório aos olhos da opinião mundial, acérrimas defensoras de valores democráticos!...

A legitimidade da lusofonia não surtiu os seus devidos efeitos quando certas perspectivas apontavam para um eficaz desenvolvimento, e, por isso, nas horas mais ambiciosas dos mais legítimos intercâmbios, os projectos africanos esfumaram-se como derisórios.

Por outro lado, a megalomania africana criou artificialmente um “eldorado” na riqueza do petróleo, cujas bases não obedeciam a uma certa “lógica dos pequenos países” que atempadamente se frisou diplomaticamente.

Aliada à “lógica dos pequenos países” alvitrava-se que o "sistema político interno" não obedecia às regras elementares de uma saudável democracia.

Os meandros da historia revelaram os contornos mais obscenos de uma política impeditiva dos valores de liberdade e democracia.

Sem embaixador na Líbia, será que o estro de Paulo Portas se vai guindar nas esferas internacionais da política externa ?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Euro-Politique. 100 A Renuncia de Kadafi



Tal como Egas Moniz, de corda ao pescoço, tudo aponta que a rendição de Kadafi surge pelos quinze de Agosto de 2011.

Belos tempos de Marcel Dassault a distribuir notas de cem francos na "comuna" de Beauvais, e mister Kadafi a comprar cem avioes Mirage. Bela e sintomatica analogia!...

Se o vaticínio não se cumprir, deve-se aos alvos que não atingiram os seus objectivos.

Em terras lusitanas, nem basta lembrar as recomendações diplomáticas, na língua de Voltaire, acerca do tão apregoado regime político de exportação internacional, quanto mais na certeza de uma altiva estadia em Penha Longa, relembrando o “green” da sua bandeira.

Apesar das 143,8 toneladas de ouro, em reserva, as "caixas" começam a ficar vazias de dinheiro.

Sem dinheiro, nem gasolina, as coisas complicam-se para o mais famoso “leader” africano, celebre pelas criação das “forças armadas africanas”.

Desde que catorze países reconheceram o CNT como “representante legitimo” do povo da Líbia (Emiratos Unidos, França, Qatar, Reino Unido, Itália, Gâmbia, Malta, Jordania, Senegal, Espanha, Austrália e USA), começam a esgotar-se as possibilidade de manutenção do regime de Tripoli.

Ainda que permaneça a ambiguidade na orientação da política portuguesa, a mira diplomática da “diplomacia do silencio” revelou-se mais eficaz que a pontaria da NATO.

Todavia, o extremismo democratico augura-se com um desfecho nada humanitario.

domingo, 5 de junho de 2011

EURO-POLITIQUE. 75.2 - O Poder está em Massamá?.2



Reler Euro-politique de 20 de Maio.
O plesbicito veio confirmar as nossas análises, após o debate televisivo entre os dois candidatos.
Um país em construção, com as suas limitações, fraquezas e ambições afigura-se como meta a atingir face às tempestades económicas e sociais.
Alguém dizia que após "o consulado de tal líder", uma nova página há que inscrever.
Oxalá a coragem e o esforço de todos os portugueses seja suficiente para ultrapassar as tormentas que envolvem a maioria dos portugueses.

sábado, 4 de junho de 2011

Episódios da Raia - Ilha dos Amores




Alfredo Roque Gameiro nasceu em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril de 1864 e faleceu em Lisboa, a 5 de Agosto de 1935.

Os tons verdes da “Ilha dos Amores” já não reflectem a panóplia de cores do tempo de Roque Gameiro, infelizmente. Os grossos troncos das suas árvores foram abatidos nas carpintarias de Barcelos. Mas ainda permanece fugaz a sua imagem nas memórias de quem avistou tal panóplia colorida.


“Pintar, para ele, não constitui, apenas, um modo de vida, mas uma forma de, eloquentemente, manifestar a sua sensibilidade e a sua afeição pelo que é belo e natural, o meio de veicular a sua verdadeira vocação pela pintura a aguarela. É ele próprio quem confessa: “Tornei-me um carolla da aguarella”.
Mas o dinamismo da natureza interliga-se entre a "figura humana", no "mundo rural" e na paisagem que não se queda estática, mas sujeia ao impacto humano.
O movimento humano insere-se na paisagem, e  a natureza sofre as metamorfoses que o homem lhe imprime.
Por isso, dois elementos se configuram:

A - Figura humana

"A figura humana constitui um elemento de relevo no universo imagético do aguarelista. Por vezes, anonimamente inserida na paisagem, animiza-a e, pelos movimentos que implicitamente executa, deslocando-se ou trabalhando, atenua o estatismo inerente ao espaço natural."

B - O Mundo rural

"O aguarelista procedeu a uma atenta observação do espaço rural, que captou, iconograficamente, em múltiplas variantes. Do seu pincel saiu um infindável registo de paisagens dos nossos campos, de ruas de antigas aldeias, de rios de margens densamente arborizadas, de camponeses entregues às suas tarefas habituais."

domingo, 29 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 90. "Portugal na festa do consumo"

Portugal na “festa do consumo”




1 - "O Portugal do Brasil".

“No princípio do século XIX, o Estado vivia do comércio entre o Brasil e a Europa.
Sem o Brasil, o valor do comércio externo português, diminui 75%."


A falência do Estado pagou-se muito cara, quase três gerações na penúria, já que o Brasil se tornou independente em 1822.

2 - "O Portugal das colónias".

Moeda forte, com um povo demasiado fraco. Tímida recuperação económica.
“Por ironia da história foi Salazar quem pagou o Prec. Entre 1974 e 1975, houve uma festa de consumo”.

3 - "O Portugal da Europa".

Auto-estradas, centro comerciais, viagens, automóveis povoam o imaginário português, com 20% da sua população sem acesso a estas regalias. Procura-se uma qualidade de vida europeia, sem aumento do tecido produtivo, com uma escolarização sem mercado de trabalho, e, com condições de saúde e bem-estar, sem igual nível de comparticipação.

4 - "O Portugal da globalização".

“Portugal e o futuro”, título de um livro, cujas páginas há que escrever e inscrever, apesar do FMI em 1978,1983 e 2011.
"Portugal não é Cuba" - que o diga a Europa civilizada!...
(Aliás, o sonho dos cubanos dirigia-se para os turistas portugueses, como eles estivessem no "Eldorado", mas infelizmente a realidade é outra!...
Tal como os alemães se admiravam de os portugueses conseguirem ter carro, casa própria, com slários tão baixos!... Se calhar, hoje, estão a ver as consequências, com um estado falido?.)
Pelo menos, 5 milhões de portugueses garantem que esta "famosa ilha do Atlântico" não quer ficar pendurada em 25% da sua riqueza, como no tempo de Napoleão. O espaço português, exíguo e limitado, "não tem petróleo, mas deve ter ideias", recordando o ditado francês, ainda que 60% dos portugueses dependam do Estado, e, 50% dos portugueses vivam no limite dos 700 euros, e, sòmente 800 mil atinjam a fasquia de mais de 2.000 euros (2009), com a dita classe das "reformas douradas", ou seja, 5059 com 4 000 euros.

Mas o povo anseia pela contínua “festa do consumo”.

EURO-POLITIQUE. 89 - "As pessoas não votam" - Gilles



“Temos o sentimento de que a democracia é fraca em comparação com o mercado. Há como uma impotência política por oposição à hiperpotência económica. Há uma ferida democrática que se concretiza numa decepção democrática. As pessoas não votam. Há uma grande desconfiança em relação aos políticos, até porque a esquerda e a direita fazem o mesmo” – Gilles Lipovetsky.

“As pessoas não votam”.

Os ideais das pessoas, ou, a sua filosofia de valores submete-se à lei do consumo.

Pouco se compreendem os mercados neste mundo da globalização, embora «o consumo não “esteja” concebido para nos dar felicidade».

Cria-nos a ilusão da felicidade, ancorada na perspectiva do outro, na ânsia da emoção, no gozo do efémero.

Nesta ilusão da felicidade de consumo procura-se, avidamente, a segurança e a estabilidade.

A incerteza, o medo e o pânico sobrevoam esta ilusão de felicidade que a impotência da política não consegue satisfazer.

Por isso, a conciliação entre a “liberdade dos indivíduos”, cada vez, mais ansiosos de felicidade, de consumo, de novidade, de emoção e satisfação contrasta com a “liberdade dos povos” (estado) nas suas funções de modelo de organização económica, social, política e militar .

“O poder do mercado, o liberalismo económico reduziu o outro liberalismo, que é o liberalismo político. O ideal da democracia. O poder do mercado estrangula a liberdade da governação. No mundo de hoje, há uma hipertrofia do mundo capitalista, do mercado, que faz a democracia perder o poder que tinha no que chamo a primeira modernidade. A primeira modernidade foi uma idade revolucionária em que e a política mandava. Hoje não.” – Gilles Lipovetsky

Hoje, os estados tem de entrar numa lógica de rentabilidade, eficácia e lucro. Mas esta não é a função do estado, portanto serão um conjunto de empresas que garantirão ao estado a manutenção do seu aparelho, através do imposto das acções. Sem um conjunto de empresas de “marca” no mercado da globalização, a tarefa de qualquer estado mantém-se inglória. Todavia, este conjunto de empresas tem de se ancorar na força da “sociedade civil”, na capitalização do chamado “capitalismo popular”, como âncora da sua identidade endógena.

Apesar da tendência mundial para o hiper consumo que rodopia na lógica individualista da ânsia da novidade, da emoção, da fugaz felicidade, do efémero consumo, uma certa “liberdade dos povos” passa pela sua capacidade de diferenciação, da sua cultura genuína, do seu potencial turístico, da sua arte culinária, quando a técnica se esvanece do seu astral.

sábado, 21 de maio de 2011

EURO POLITIQUE 95. "La retraite publique portuguaise"


O valor médio dos ex-funcionários do Estado em Portugal é de 1.250 euros, o que comparativamente com um país como a França se situa na média dos reformados da classe mais baixa. Ora, digamos que a maioria dos funcionários públicos em Portugal possui um curso superior. Portanto, a comparação com os países do Centro da Europa fica aquém das respectivas remunerações.

Grosso modo, 67% dos ex-funcionários do Estado em Portugal ganha menos que a classe mais baixa em França.
Há quem alvitre um certo modelo espanhol de 2.500 euros de pensão máxima, ou, porventura, ainda, o estreito modelo social da Suíça de 1.500 euros; todavia as realidades económicas e sociais são diferentes.

A tal dita generosidade dos sistemas sociais do Sul não condiz com a remuneração mensal dos alemães, nem os esquemas de poupança sulistas asseguram uma certa longevidade económica.

O jornal DN de 21.05.11, ilustra-se com o seguinte título :“o número de pensões douradas do Estado aumenta 400% na década”.

Se, em 2010, a Caixa Geral de Aposentações pagou 7,7 milhões de euros é necessário saber onde vai buscar este dinheiro. As despesas implicam receitas, e, o funcionamento das receitas torna-se um problema a solucionar!...

“Quer melhor patrão que o Estado?” – dizia, para alguém, uma funcionária na catedral da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.

Ora, um Estado em falência, que anualmente financia a Caixa Geral de Aposentações, onde vai buscar o dinheiro?

Se estivesse na Alemanha solicitava a totalidade dos seus depósitos, e, certamente embarcaria para o Brasil.

Se estivesse em França saberia o rendimento dos seus descontos ou o “plafond” que teria em caixa.

Se está em Portugal encontra-se simplesmente ligado "à torneira do Estado" (em falência), seguindo cumulativamente a palavra de “histórico”.

Este conceito literário “histórico”, sem qualquer semântica económica, já que o Estado desconta conforme as necessidades, leva-nos para os seguintes números: temos 49.562 funcionários com mais de 2.500 euros, 9.447 entre os 3.000 e 4.000 euros, e com mais de 4.000 euros, nada menos de 4.839, no ano de 2010.
Quer dizer que a chamada “elite” dos funcionários públicos atinge o valor de 63.848 funcionários, ou seja, grosso modo 33% dos seus ex-funcionários. Quer dizer que um terço dos ex-funcionários do Estado em Portugal está acima da classe mais baixa em França.
Além disso, esta chamada "elite portuguesa" paga impostos, e, dá uma média, por ano, de 200 a 300 milhões de euros para a Alemanha, França ou Itália, sómente no sector automóvel.

Num país que desperdiça 20% do seu solo, improdutivo e ao abandono, qual o sistema de produtividade que a legião destes funcionários pode ter?

A legião destes funcionários conseguiria eregir uma nova Portucel?

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...