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domingo, 18 de julho de 2010

Algoritmo do Kadafi.26 - Angola.2

Legado
Somos detentores de um legado cultural e institucional que deve orientar o nosso relacionamento diplomático.


Angola é fruto do 25 de Abril, e, deve acarretar certos ideais do “dia da liberdade”.

Não nos devemos imiscuir nas relações internas de um país.

Não queremos exportar a democracia, como talvez façam os USA.

Mas temos o dever de zelar para que as suas regas fundamentais sejam respeitadas.

Estabelecer relações bilaterais, única e exclusivamente na perspectiva económica é trair o legado da nação portuguesa, e, o relacionamento entre povos.

Aqueles que lutaram, tanto de um lado como de outro merecem melhor condições de vida.

Ora, o fosso entre a população e a classe rica, faz com que um hambúrguer custe 14 euros. Com o mesmo dinheiro é bem servido num restaurante de Moçambique.

O déficit democrático, ou seja, o peso extremamente reduzido da oposição (Unita), não consegue esgrimir argumentos contra um poder estabelecido. A falta de informação isenta e credível parece ser um dado que surge com toda a evidência.

Falar sobre Angola sem conhecer a sua realidade interna é um contra-senso.

Todavia basta comparar um pouco Angola com Moçambique, para detectar uma série de contradições que necessitam de ser resolvidas.

Existem organizações independentes que podem e devem dar o feed-back destas contradições angolanas.

E, neste sentido, temos o dever de escutá-las, de entender as suas preocupações, de construir um relacionamento mais positivo.

Não queremos exportar a democracia, mas desejamos que ela floresça com certos ideais que derivam de Abril.

sábado, 17 de julho de 2010

Algoritmo de Kadafi.25 - "Angola"

Algoritmo do Kadafi.25




Após reatamento com a Suíça, cujos contornos diplomáticos quedaram-se pouco elucidativos, a Líbia preparava-se para acolher uma nova embaixada.

Os dois leões do petróleo tendem a aproximar-se. Ou seja, a República de Angola prepara-se para abrir uma representação diplomática, junto deste país do Norte de África.

A aproximação ao espaço lusófono parece atrair uma certa diplomacia líbia.

Aliás, os donativos em relação à Guiné Bissau revelam laços de amizade, que ficam solidificados pela presença e tradição árabe.

Todavia a estratégia destas alianças permanece num certo limbo político.

As declarações são exíguas, e o seu contexto pouco revelador.

Os funcionários líbios, sob a batuta de Kadafi não se manifestam abertamente, tudo ficando num certo secretismo.

Aliás, a Líbia poderia ter um salutar relacionamento com Moçambique com trocas comerciais interessantes que não se desenvolveram.

Porventura, com a abertura da nova representação diplomática angolana, algo de novo possa surgir neste contexto internacional, e, também lusófono.

Milagre das finanças.4

O milagre das finanças. 4




Contra certos "técnicos das finanças", sou adepto que todos os contribuintes devem pagar, ainda que se invocam razões de custo burocrático.

Recebi a notícia de uma “alegre isenção”.

Ora, eu sou adepto que eu devo pagar.

Não quero roubar o Estado, nem que o Estado me roube.

Eis, aqui o problema.

Por linhas travessas, demarca-se uma área de superfície dez vezes menos da real.

A bonomia fiscal contrasta com a realidade.

Se todos os contribuintes com “registo predial” pagassem o que deveriam pagar efectivamente em todo o território nacional, estaríamos bem melhor.

Ora, acontece que a faixa marítima continua a ser sacrificada em benefício de outras zonas do país.

Qualquer contribuinte nesta zona não pode exibir a jactância de outros, que orgulhosamente se vangloriam de não pagar, ou, pagar pouco.

Gosto pouco de benesses, quando elas servem para menosprezar contribuintes que procurem ter uma certa "consciência cívica e fiscal".

Portanto, levanta-se, dentro de mim, uma certa repugnância contra este pretenso, fictício, e, irreal “milagre das finanças”.

Portugal-Angola.21

“Portugal empresta dinheiro a Angola para pagar dívida a portugueses”


Ou, “Angola da euforia às dívidas”, “Expresso” de 17.07.10.



Lamento que os meios de informação ligados ao Dr. Balsemão estejam impedidos de exercer cabalmente a sua informação jornalística, por causa de certos contenciosos.

Todavia não é esta a razão das teses que defendemos, embora dando grande valor ao poder da informação..

Aquilo que acontece com Angola não passa somente pelos êxitos económicos e comerciais.

Existe uma linha de demarcação que deveria ser salutar neste relacionamento democrático. Doutra forma, estamos a contribuir para um sistema de grandes injustiças sociais, e, pouco contribuímos para a construção de uma autêntica democracia.

Aquilo que os jornais relatam, e, aquilo que certos políticos defendem não corresponde à política real das carências dos angolanos. Peguemos num caso paradigmático:

Aluga-se uma vivenda (porventura, serão três) por 25.000 dólares, por mês, paga antecipadamente, e, obtém-se um motorista por 350 dólares por mês. Ou, seja, um cidadão angolano ganha três vezes mais num dia, que um outro cidadão ganha num mês. Coloque este exemplo na realidade portuguesa e retire as suas consequências. Além disso, multiplique este exemplo por muitas outras situações!...

Este exemplo é sintomático da realidade de Angola. É evidente que alguns podem frequentar os restaurantes, outros não. E qual é a função do Estado?

Luanda é uma das capitais mais caras do mundo, o que se revela um contra-senso na realidade africana. Dizem que é o petróleo!...

Ora, toda uma determinada sociedade angolana, conjuntamente com a portuguesa está interessada em manter esta camada de contradições que pouco sentido tem, quando não se zela por uma justiça social.

O milagre das finanças.3

Milagre das finanças. 3 - Miguel Sousa Tavares.




“António, classe média, idiota de serviço”, por Miguel Sousa Tavares, expresso de 17.07.10
“Já a minha mãe dizia que o PS lhe fazia lembrar os animais pré-históricos: tem um grande corpo e uma pequena cabeça”.

Caro Miguel:

Apresenta 7 000 euros, mas segundo as minhas contas, um licenciado como o Miguel ganha honestamente, e, de forma líquida, 4 000 euros, por mês, ou seja, o dobro de qualquer licenciado normal deste país, que, por vezes, muito menospreza.

Por isso, você é um privilegiado deste país!...

Talvez mereça pela sua intelectualidade e pela sua função social contra as “redes sociais”, como esta aqui patente.

O Estado ataca os ordenados esquecendo-se de certos pobrezinhos de “barriga cheia”, que não pagam impostos , ou, não são tributados devidamente, e, aí reside grande parte da “justiça fiscal”.

Os privilegiados deste país nasceram em certo berço que lhes deu determinadas garantias, ao contrário daqueles que atravessaram fronteiras para conseguir alguma dignidade, se a isso tiverem direito.

Os privilegiados deste país beneficiaram de formação intelectual e moral que lhes deu armas para se defenderem de certos predadores, como é o seu caso.

A autêntica classe média do trabalho e da luta democrática não está dentro do seu estatuto. Está bem longe e renegada nos quatro cantos do inferno.

O caro Miguel beneficia de uma legítima herança intelectual e económica, e até social, da qual é um privilegiado.

“Pré-histórica” são as heranças, os bens prediais, o “estatuto social” herdado, esse grande corpo que se multiplica contra as “pequenas cabeças” daqueles que diariamente lutam por uma sociedade mais justa, que arriscam a sua vida, e, que ganham metade da sua licenciatura.

Fazer “política fiscal”, somente com os rendimentos do “trabalho”, faz lembrar Marx ao invés. O problema é mais profundo, grave e injusto!...

Continue a lutar contra o Estado, como forma esclarecedora do indivíduo, todavia mantenha bem firme o seu estatuto de “privilegiado deste país”, ainda que consiga fugir ao “milagre das finanças”.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Milagre das finanças"

O milagre das finanças




Alguém me dizia que face a um contribuinte “fora de lei”, teria todos os meus direitos assegurados.

A lei é peremptória na obrigação de “registos de bens” no seu sentido predial, após 2008, ainda que anteriormente perdurasse no limbo jurídico..

Ora, acontece que face a contribuintes “fora de lei” , se consegue tornear a lei com o beneplácito das finanças, sem qualquer indagação de factos suficientemente ilustrativos.

As “pessoas jurídicas” que pagam impostos, que procuram ser correctas com as finanças são enxovalhadas por contribuintes “fora de lei”.

Por pura alquimia não se relata às finanças a evidência e o sentido de “fora de lei”, ainda se inscreva como modelo de cidadão honesto, subscrevendo confrontações com “fora de lei”.

A aberração jurídica nada tem de imoralidade, já que o “fisco” pouco tem a haver, ou, a receber porque o montante é exíguo, todavia acarreta dezenas de anos de incoerência fiscal , e, através disso, de desgaste emocional.

Todavia a aberração moral de “foras de lei”, para quem o fisco devia ser exigente, contra a “consciência fiscal” do que deve ser justo e cumprido remói os mais puros estômagos.

Passar por “santos” quando os diabos se estendem num pandemónio é de salutar indignação, se não for jurídica, é ética e moral.

Quando as instituições não zelam pelo cumprimento legal, jurídico e relacional de contribuintes, pouco se espera da “justiça” que deve imperar em relação aos contribuintes. Em vez de “direitos” instaura a violência, quer psicológica, quer física.

Se as instituições não são sinal de moralidade e justiça, pouco há a esperar de um país democrático.

A democracia é a representação dos direitos e deveres que cada cidadão deve ter, possuir e exibir, com orgulho da sua cidadania.

Enxovalhar “cidadãos” conscientes dos seus direitos e deveres, utilizar o seu nome para fins, ainda que, supostamente honestos é transgredir os elementos essenciais dos direitos humanos e da consciência cívica.

Mas isto, acontece com o beneplácito e “milagre das finanças!”...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

EURO POLITIQUE. 39 - "Déjà vu"

Quatro eminentes intelectuais, especialistas na política portuguesa, foram entrevistados por Fátima Cerqueira, num programa de televisão, emitido pela RTP 1.


Queda-se a sensação do senso comum que os problemas enunciados são analisados por uma panorâmica geral, que qualquer cidadão atento, exclama: “déjà vu”

Aliás, estes debates perfilam-se em tiradas genéricas, que pouco elucidam sobre a profundidade dos problemas expostos.

No entanto, ressalva-se a inquietação interior do Dr. Mário Soares, acerca dos seus amigos africanos, e, acerca da descolonizarão, de que o país mergulharia na mais estranha pobreza, e, logicamente, se incorporaria na saudosa Espanha, como digna província da antiga Lusitânia.

Assaz dizer, que existe uma forma de fazer política que assenta numa mera adição aritmética de dez mais dez, chegando aos cem; e, outro modo de operacionalidade, que consiste numa forma geométrica que ascende do zero aos cem, digna dos bons condutores do movimento em aceleração.

"Quem deteve alguma experiência de poder exibe naturalmente este movimento de poder, implícito à acção política, que não pode quedar-se na simples reflexão de obra já construída".

O movimento em aceleração, ou, em rotatividade, implica quer uma queda, quer uma ascensão, e acarreta outros tipos de progressão. Por vezes, estes movimentos não são visíveis na esfera chamada “pública”; embora, seja um contra senso, para a mais "nobre actividade humana".

A política do “flash” deixa atónito qualquer interveniente pelo poder que a imagem acarreta junto dos seus consumidores.

Os meios de comunicação e a televisão exigem uma mobilidade de acção que se torna “autofágica” dos seus interventores.

O processo de globalização imiscui-se, secretamente, nas correias de transmissão de um poder que se esvazia e rodopia em processos de assimilação, ruptura, esvaziamento, e, endeusamento, ou, queda livre.

Por isso, ressurge uma política instintiva, refeita de adaptação, voraz do seu próprio movimento, que somente uma série de instantes permitir desvelar uma certa continuidade, inerente à rotatividade do seu percurso, e, andamento.

Deste modo, não é só conhecer o caminho, mas também construir o próprio caminho, ou melhor, o caminho vai-se fazendo, caminhando.

Este processo de antecipação no movimento acelerado do nosso tempo necessita de autênticos argonautas que saibam conduzir os vários barcos da armada europeia. No seu interlúdio queda-se a esperança de renovação.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...