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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Sortilégio do poder.1
A cadeia do ser , na filosofia de Plotino, recorre as “cadeias de desenvolvimento” do “múltiplo” ao “ser”. Embora, prefira a sua elaboração ao nível estético, é interessante, no seu pensamento, ultrapassar o famoso dualismo platónico.
Esta pequena introdução vem a propósito da ascendência do “conteúdo informativo”, ao possível “Uno”, ultrapassando as esferas normais das competências do funcionalismo de certa administração portuguesa.
Enredado na multiplicidade intrínseca de certas instâncias, cuja nebulosa rodopiava na hermenêutica jurídica, disparou a parada na “cadeia de ascensão” às esferas próximas do “Uno”. Diz o ditado: “quem rápido sobe, depressa cai”, ou, não fossemos delimitados na linha platónica do “sensível” e do “inteligível”, nem entendêssemos os meandros de certas esferas diplomáticas.
Recaímos, estrondosamente, na multiplicidade plotina, na mais natural confluência de uma imitação de “papel químico”.
Existe um tipo de “linguagem cifrada” que os “negócios políticos” escondem aos mais incautos aventureiros, ou, àqueles que ousam desvendar o seu secretismo, quando ele é digno de tal mérito.
Esta técnica de desqualificação, aliada a uma certa integridade desafiadora não condiz com certos estatutos negociados, que implicam conivência exemplares. Por vezes, implica o afastamento de “companhias”, pouco recomendáveis para ambições projectadas.
A sedução refinada arvora-se em funcionalidades rotineiras que impedem o desenvolvimento salutar de competências pessoais.
Por vezes, a marca indelével estatui-se como anátema de qualquer utopia. E, se ela surge desfaz-se no seu esquecimento.
A noção do poder é um enigma indecifrável, que exige etapas nas “cadeias de desenvolvimento” de Plotino, e, cuja condenação se espia por tal ousadia.
domingo, 25 de abril de 2010
Staff presidencial. 81 - Cravo de Abril
Hoje recebi um cravo do 25 de Abril.
Não estava em nenhum restaurante da OCDE, nem no seu pequeno mercado, com café, mas no Portugal profundo. Não estou ligado às elites, mas convivo nos círculos mais populares e intensos, onde a violência pode irromper, a cada instante.
Os espelhos rodeavam-me repletos de cepticismo, por tal época e memória, e, decorriam em eflúvios ao divino Baco.
O cravo tinha sido distribuído por uma adepta do partido comunista, e, certo público centralizou-se na direcção do poder!...
No “Portugal profundo” tudo acontece, e todos pensam conhecer, quando não conhecem, embora estivesse a ler um artigo de António Barreto, no Diário de Notícias (razão da minha paragem).
Rapidamente surgiu-me à memória o famoso trio de adeptos que foi buscar o passaporte de Álvaro Cunhal, ao terceiro piso, da rua Édouard Fournier, em Paris.
O chanceler do Consulado volta-se para mim, e diz:
“Ali está o Álvaro Cunhal!...”
Fiz que não percebi a interpelação, pois existiam razões para tal facto.
Este facto, nada tem a ver com acontecimentos posteriores, quando se enfrenta os correligionários de tal partido. Nem, quando sabermos a história da libertação de Peniche.
A luta pela liberdade é um "travo amargo" que se afasta deste cálice.
É a cicuta que estamos condenados a beber sistematicamente, porque neste sistema não sabemos quem somos, e, porque lutamos.
E, olhando, para os rostos prepotentes que me ousavam enfrentar, dizia-me comigo mesmo: ”só sei que nada sei”, e, sou obrigado a aceitar as regras do jogo!...
Jaz o cravo frente ao espelho!....
sábado, 24 de abril de 2010
EURO POLITIQUE.24 - "O Castelo de Cartas" - Europa
Esteticamente, o famoso filósofo alemão Inmanuel Kant, nas suas dissertações sobre o “juízo de gosto” confunde o vinho da Madeira com o “rum” das Canárias. Filósofo de uma pontualidade que ultrapassava a precisão dos relógios suíços, ainda exerce uma fundamentação na cultura alemã, que admiravelmente se inscreveu , e, instaurou no “espírito alemão”.
Apesar de representarmos 1% da economia europeia, não quer dizer que sejamos obrigados a vender a ilha da Madeira!...
Se como diz Trichet: “financiamos o nosso investimento com as nossas poupanças”, qual a razão de abandonar o projecto Quimonda”?
Será que “cada economia tem as suas próprias características e as suas próprias estruturas”, como diz Trichet, e, que os interesses instalados não correspondem às ambições do projecto "Quimonda"?
No jogo de interesses políticos, económicos, financeiros, e estatais, será que perdura uma diferenciação semelhante à “diferença entre a Europa e os EUA”, ou seja a "flexibilidade da economia” europeia que quer copiar o modelo de “iniciativa privada” americana?
A Quimonda, projecto de engenharia computacional afasta-se totalmente do “algoritmo de Kadafi”.
Relembrando Kant, e a sua tarefa hercúlea, de transformar o “juízo estético” de particular em universal, qual é o problema do 1% da economia europeia, no contexto geral da sua expressão económica?
Como não estamos dispostos a vender “a ilha da Madeira”, nem o “mar português” esperamos que a senhora Alemanha nos veja com outros olhos, e, outros pontos de vista, nesta Europa do “Castelo de Cartas”.
Será que, a pequena gota que somos na Europa, ainda vai dar cartas no “Castelo de Cartas”, ou seja, na Europa?
P.S. "Como disse que Maastricht vai ser a consolidação do império alemão, o IV Reich. Sem os espelhos de Versalhes e sem o conde Von Bismarck. União monetária? Uma fraude. Expulsa as pequenas economias. Corremos esse risco, e será a desgraça. Não temos tecido produtivo. Vamos empobrecer. Por saltos" Excerto da entrevista de Ângelo Correia, na Revista do Expresso, pg. 19.
N.B. Leitura, após este artigo.
Apesar de representarmos 1% da economia europeia, não quer dizer que sejamos obrigados a vender a ilha da Madeira!...
Se como diz Trichet: “financiamos o nosso investimento com as nossas poupanças”, qual a razão de abandonar o projecto Quimonda”?
Será que “cada economia tem as suas próprias características e as suas próprias estruturas”, como diz Trichet, e, que os interesses instalados não correspondem às ambições do projecto "Quimonda"?
No jogo de interesses políticos, económicos, financeiros, e estatais, será que perdura uma diferenciação semelhante à “diferença entre a Europa e os EUA”, ou seja a "flexibilidade da economia” europeia que quer copiar o modelo de “iniciativa privada” americana?
A Quimonda, projecto de engenharia computacional afasta-se totalmente do “algoritmo de Kadafi”.
Relembrando Kant, e a sua tarefa hercúlea, de transformar o “juízo estético” de particular em universal, qual é o problema do 1% da economia europeia, no contexto geral da sua expressão económica?
Como não estamos dispostos a vender “a ilha da Madeira”, nem o “mar português” esperamos que a senhora Alemanha nos veja com outros olhos, e, outros pontos de vista, nesta Europa do “Castelo de Cartas”.
Será que, a pequena gota que somos na Europa, ainda vai dar cartas no “Castelo de Cartas”, ou seja, na Europa?
P.S. "Como disse que Maastricht vai ser a consolidação do império alemão, o IV Reich. Sem os espelhos de Versalhes e sem o conde Von Bismarck. União monetária? Uma fraude. Expulsa as pequenas economias. Corremos esse risco, e será a desgraça. Não temos tecido produtivo. Vamos empobrecer. Por saltos" Excerto da entrevista de Ângelo Correia, na Revista do Expresso, pg. 19.
N.B. Leitura, após este artigo.
EURO POLITIQUE.23 - "O Castelo de Cartas" - Europa
" O Castelo de Cartas"
Os portugueses encantaram-se com a “Auto-Europa” e a "Quimonda”.
A Quimonda de base tecnológica e científica foi o que se viu!....
A “Auto-Europa” revela-se um pequeno castelo, mais frágil, que as muralhas de Palmela.
Símbolo de exportação e de mão-de-obra corresponde aos efémeros interesses portugueses, e às directivas alemães. Quer dizer, fabrica-se um produto que não se inscreve, nem se instaura nas necessidades efectivas lusas.
O famoso filósofo Heidegger afirmava que a língua latina era incapaz de se inscrever na linguagem filosófica. Da mesma forma, o “espírito político, financeiro e económico” germânico olha e perspectiva os latinos.
Os mais famosos ideólogos alemães na campo da filosofia política sempre demonstraram uma supremacia, que no campo da “realidade prática da vida” causou os maiores dissabores da humanidade.
Quase todos os europeus admiram a Alemanha pelo seu “espírito de trabalho”, pela sua tenacidade em enfrentar as dificuldades, pelo sua orgulhosa supremacia intelectual.
Todavia, no campo político, a elegância revolucionária francesa e o seu idealismo, conjuntamente com o pragmatismo inglês, demonstraram uma perspicácia existencial, digna dos mais belos gestos humanitários.
A garantia económica da Alemanha pode funcionar como meio de repensar a Europa.
Por vezes, dar dinheiro às pessoas, somente as embrutece no seu estado abismal.
Os momentos de crise são salutares para que se instaura e se inscreva um autêntica dinâmica do percurso europeu.
A “Europa dos políticos” tem de olhar e enfrentar a “Europa dos cidadãos”, ou seja, “a sociedade política” deve contar com a “sociedade civil”, porque além de ela ser o motor desta dinâmica, é o suporte da “Europa dos políticos”.
Os portugueses encantaram-se com a “Auto-Europa” e a "Quimonda”.
A Quimonda de base tecnológica e científica foi o que se viu!....
A “Auto-Europa” revela-se um pequeno castelo, mais frágil, que as muralhas de Palmela.
Símbolo de exportação e de mão-de-obra corresponde aos efémeros interesses portugueses, e às directivas alemães. Quer dizer, fabrica-se um produto que não se inscreve, nem se instaura nas necessidades efectivas lusas.
O famoso filósofo Heidegger afirmava que a língua latina era incapaz de se inscrever na linguagem filosófica. Da mesma forma, o “espírito político, financeiro e económico” germânico olha e perspectiva os latinos.
Os mais famosos ideólogos alemães na campo da filosofia política sempre demonstraram uma supremacia, que no campo da “realidade prática da vida” causou os maiores dissabores da humanidade.
Quase todos os europeus admiram a Alemanha pelo seu “espírito de trabalho”, pela sua tenacidade em enfrentar as dificuldades, pelo sua orgulhosa supremacia intelectual.
Todavia, no campo político, a elegância revolucionária francesa e o seu idealismo, conjuntamente com o pragmatismo inglês, demonstraram uma perspicácia existencial, digna dos mais belos gestos humanitários.
A garantia económica da Alemanha pode funcionar como meio de repensar a Europa.
Por vezes, dar dinheiro às pessoas, somente as embrutece no seu estado abismal.
Os momentos de crise são salutares para que se instaura e se inscreva um autêntica dinâmica do percurso europeu.
A “Europa dos políticos” tem de olhar e enfrentar a “Europa dos cidadãos”, ou seja, “a sociedade política” deve contar com a “sociedade civil”, porque além de ela ser o motor desta dinâmica, é o suporte da “Europa dos políticos”.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
EURO POLITIQUE.22 - "O Castelo de Cartas" - Europa
Castelo de Cartas - Europa
Três modelos sociais e económicos de cariz político começam a desenhar-se na senda mundial: o modelo chinês, o modelo americano e o modelo europeu.
Este modelo fundamentado na “liberdade, igualdade e fraternidade”, nas conquistas económicas e sociais, de centenas de anos, nada deve ao pragmatismo económico americano, ou, às “directivas desumanas” chinesas.
Quando surge a crise da Grécia, alguns alemães aconselharam que se vendessem algumas ilhas
Na zona euro, que se pode dizer de “eurolândia”, seria inconcebível tal ideia, se a solidariedade europeia funcionasse, e, oxalá ela funcione; e, se a moeda europeia resistisse à actividade especulativa de outros esconsos mercados, quiçá a Europa estivesse mais tranquila.
Todavia, se olharmos para as localidades americanas, salta à vista o domínio de uma fábrica que se torna no alicerce económico de qualquer comunidade local.
Na Europa, tipo “Castelo de Cartas”, urge a necessidade distribuir competências tecnológicas, industriais e económicas. Torna-se imperioso jogar o jogo, distribuindo funções e competências que certos países podem desenvolver, ultrapassando o egoísmo nacionalista, e, as fronteiras de um certo inconsciente xenófobo.
A Europa detém capacidade tecnológica e desenvolvimento científico suficiente para fazer face aos seus concorrentes, no mundo aberto da globalização.
O seu projecto de desenvolvimento económico e social, resultante de .centenas de anos, necessita de se afirmar no contexto da globalização.
As regras do jogo devem ser definidas, não emancipação saudosista do natural nacionalismo, mas num projecto europeu.
Face à crise, urge repensar a Europa e distribuir os papéis que cada país deve desempenhar no contexto da sua globalidade europeia.
Na sua simplicidade, um dia uma alemão dizia: “Portugal tem tanto mar, porque não vender, um pouco, à Alemanha”.
O motor económico da Europa, em vez de se afirmar com a hegemonia da tese do desenvolvimento, tem de se constituir na sua antítese, como símbolo da dialéctica europeia. É, através da base económica que a Europa deve mostrar o seu rosto de valores face aos outros concorrentes.
O modelo social e económico europeu, apesar das sua vulnerabilidade, continua a ser aquele que corresponde melhor aos ideais pelo qual muitos europeus lutaram.
Três modelos sociais e económicos de cariz político começam a desenhar-se na senda mundial: o modelo chinês, o modelo americano e o modelo europeu.
Este modelo fundamentado na “liberdade, igualdade e fraternidade”, nas conquistas económicas e sociais, de centenas de anos, nada deve ao pragmatismo económico americano, ou, às “directivas desumanas” chinesas.
Quando surge a crise da Grécia, alguns alemães aconselharam que se vendessem algumas ilhas
Na zona euro, que se pode dizer de “eurolândia”, seria inconcebível tal ideia, se a solidariedade europeia funcionasse, e, oxalá ela funcione; e, se a moeda europeia resistisse à actividade especulativa de outros esconsos mercados, quiçá a Europa estivesse mais tranquila.
Todavia, se olharmos para as localidades americanas, salta à vista o domínio de uma fábrica que se torna no alicerce económico de qualquer comunidade local.
Na Europa, tipo “Castelo de Cartas”, urge a necessidade distribuir competências tecnológicas, industriais e económicas. Torna-se imperioso jogar o jogo, distribuindo funções e competências que certos países podem desenvolver, ultrapassando o egoísmo nacionalista, e, as fronteiras de um certo inconsciente xenófobo.
A Europa detém capacidade tecnológica e desenvolvimento científico suficiente para fazer face aos seus concorrentes, no mundo aberto da globalização.
O seu projecto de desenvolvimento económico e social, resultante de .centenas de anos, necessita de se afirmar no contexto da globalização.
As regras do jogo devem ser definidas, não emancipação saudosista do natural nacionalismo, mas num projecto europeu.
Face à crise, urge repensar a Europa e distribuir os papéis que cada país deve desempenhar no contexto da sua globalidade europeia.
Na sua simplicidade, um dia uma alemão dizia: “Portugal tem tanto mar, porque não vender, um pouco, à Alemanha”.
O motor económico da Europa, em vez de se afirmar com a hegemonia da tese do desenvolvimento, tem de se constituir na sua antítese, como símbolo da dialéctica europeia. É, através da base económica que a Europa deve mostrar o seu rosto de valores face aos outros concorrentes.
O modelo social e económico europeu, apesar das sua vulnerabilidade, continua a ser aquele que corresponde melhor aos ideais pelo qual muitos europeus lutaram.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Staff presidencial.66 - a informação
De vez em quando, povo português clama : “poupem-nos”.
Alguns portugueses orientam as possíveis antenas para outros canais para não serem conspurcados com tanta “crónica negra”.
Já chega de tanta informação, e, tanta trapalhada!....
“Deixem-nos trabalhar!....”
O êxito comercial do “Correio da Manhã”, à semelhança do “Parisien Liberé”, persiste em funcionar como “matéria de informação” de muito jornalismo.
Avidamente, a caça aos políticos continua a facturar.
Detentores do poder, tudo vale para a venda do produto verdadeiro ou falso.
É preciso vender, facturar!...
As pulsões inconscientes regurgitam-se nas “crónicas negras” que as imagens puras e imaculadas dos senhores do poder devem exibir.
Deixemos em paz o Ministério Público, que gosta de aparecer nas televisões, ou, o exercício do trabalho das instâncias judiciárias que cumprem o seu ofício.
Esta pretensa moralidade de exibição pública nada tem a ver com a dignidade daqueles que ousam dizer: “deixem-nos trabalhar”, ou, talvez, deixem-nos viver e facturar!...
Certos portugueses admiram-se que, lá fora, os portugueses são os maiores.
E, de facto, por vezes, isso acontece.
A ética do trabalho, a recompensa do esforço, nada condizem com a falta de respeito, de certa mesquinhez à dignidade laboral daqueles que afirmam e querem trabalhar.
Se, à ética do trabalho se associa a metodologia laboral, qualquer empresa estrangeira demonstra a validade deste enunciado.
Se a imagem pura e imaculada dos políticos não existe, em qualquer lado, deixemos, também, um espaço para que a imprensa e a informação cumpram o seu ofício.
Todavia a demonstração de tanta moralidade que não respeita as linhas essenciais do direito não encontra nenhum fundamento daquilo que é justiça.
A justiça no trabalho e o seu mérito associado devem ancorar-se na sua própria ética e moralidade. A dignificação do trabalho é o valor essencial da realização humana, e, portanto, merece todo o seu respeito.
Será que pelo facto de não estarmos imbuídos da ética kantiana (caso da Alemanha), ou, do espírito cartesiano (exemplo françês), navegamos neste jeito de navegação à vista e “desenrascanço”?
Mas se os portugueses sabem trabalhar, qual é a razão por que é que os políticos não sabem trabalhar?...
Alguns portugueses orientam as possíveis antenas para outros canais para não serem conspurcados com tanta “crónica negra”.
Já chega de tanta informação, e, tanta trapalhada!....
“Deixem-nos trabalhar!....”
O êxito comercial do “Correio da Manhã”, à semelhança do “Parisien Liberé”, persiste em funcionar como “matéria de informação” de muito jornalismo.
Avidamente, a caça aos políticos continua a facturar.
Detentores do poder, tudo vale para a venda do produto verdadeiro ou falso.
É preciso vender, facturar!...
As pulsões inconscientes regurgitam-se nas “crónicas negras” que as imagens puras e imaculadas dos senhores do poder devem exibir.
Deixemos em paz o Ministério Público, que gosta de aparecer nas televisões, ou, o exercício do trabalho das instâncias judiciárias que cumprem o seu ofício.
Esta pretensa moralidade de exibição pública nada tem a ver com a dignidade daqueles que ousam dizer: “deixem-nos trabalhar”, ou, talvez, deixem-nos viver e facturar!...
Certos portugueses admiram-se que, lá fora, os portugueses são os maiores.
E, de facto, por vezes, isso acontece.
A ética do trabalho, a recompensa do esforço, nada condizem com a falta de respeito, de certa mesquinhez à dignidade laboral daqueles que afirmam e querem trabalhar.
Se, à ética do trabalho se associa a metodologia laboral, qualquer empresa estrangeira demonstra a validade deste enunciado.
Se a imagem pura e imaculada dos políticos não existe, em qualquer lado, deixemos, também, um espaço para que a imprensa e a informação cumpram o seu ofício.
Todavia a demonstração de tanta moralidade que não respeita as linhas essenciais do direito não encontra nenhum fundamento daquilo que é justiça.
A justiça no trabalho e o seu mérito associado devem ancorar-se na sua própria ética e moralidade. A dignificação do trabalho é o valor essencial da realização humana, e, portanto, merece todo o seu respeito.
Será que pelo facto de não estarmos imbuídos da ética kantiana (caso da Alemanha), ou, do espírito cartesiano (exemplo françês), navegamos neste jeito de navegação à vista e “desenrascanço”?
Mas se os portugueses sabem trabalhar, qual é a razão por que é que os políticos não sabem trabalhar?...
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