Seguidores

quarta-feira, 21 de março de 2018

EUROPOLITIQUE: Os chineses não pagam impostos na EDP? - Ou, o Estado tem direito a 60% em impostos na EDP?


 
Se a EDP teve lucros de 1.113 milhões de euros, em 2017, levantam-se vozes contra os “benefícios fiscais” da ordem dos 0,7/% pagos, quando devia entregar 29,5% ao Estado de IRC, ou seja, 348 milhões de euros.
Se o Estado Português tem direito a 60% dos lucros de uma empresa, cuja dívida líquida é da ordem dos 13,9 milhões de euros, em que paga de juros 813 milhões de euros em 2016, e, 691 milhões de euros em 2017, como pode singrar esta “holding” com tamanha carga de impostos?
Nesta lógica, o Estado sobre os 1113 milhões receberia 667,8 milhões de euros; enquanto que os seus accionistas ficavam com 445,2 milhões de euros. O lucro da empresa desceria para mais de metade.
É que os accionistas da EDP pagam 28,5% e imposto de selo sobre as suas acções, de forma que juntando mais 29,5% de IRC atinge a fasquia de 60% de impostos, a não ser que os estrangeiros, ou, os chineses não paguem.
Os nosso recursos de economia são fracos, mas torna-se evidente que algo corre mal neste imbróglio.
Se o mercado da habitação não funciona em Portugal, (a não ser o sector turístico), se não há esquemas de “rentabilidade da poupança dos portugueses” como pode avanças a economia lusa?
Se, os bancos são o que são, se as empresas portuguesas de renome desapareceram, que resta aos portugueses fazerem?
Guardar as suas parcas economias debaixo do colchão, ou, pagarem aos bancos para que guarde o seu dinheiro?
A primeira regra é que o dinheiro não pode estar parado. O dinheiro tem de funcionar, e dá trabalho e canseiras às pessoas se querem ganhar alguma coisa, mas neste sistema que não funciona, nem está bem oleado, só resta “olhar para o céu”.
Simplesmente, olhemos para a Suíça que o senso comum pensa que é rica porque depositam lá muito dinheiro. A Suiça, efectivamente, beneficia com o muito dinheiro depositado, mas a riqueza do Estado Helvético reside no turismo e nas mais de 10 empresas de renome internacional.

sexta-feira, 16 de março de 2018

EUROPOLITIQUE: (1) Hermenêutica do Refrão do Fado de "Vim morrer a Gondarém" de Pedro Homem de Melo - 1


Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas.
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas
.


Fisicamente exaurido, o poeta jaz em “campa rasa”, em Afife, cuja estátua local é do famoso escultor José Rodrigues. Poeticamente, pretende “morrer em Gondarém”, ao ritmo dos seus diritambos e ao passo da dança das suas bacantes. 
A “Gota” de Gondarém, cujo nome deriva de Gunderedo, porventura, aquele “Homem do Norte” que semeou o terror sobre a cidade de Compostela, ironicamente, pelo seu nome e pela sua genealogia, torna-se o destino da "porta do poeta".
Se é “pátria, lugar ou matriz” refúgio de contrabandistas, ou, “estadia de piratas ou destemidos guerreiros” dos “Homens do Norte”, perpassa inconscientemente que o poeta parece incrustar-se nessa sorte. 
Incrustar-se significa adquirir uma certa identidade; identificar-se com uma certa causa.
A transgressão e identificação com o contrabandista assume-se como luta pela sobrevivência, que não se alimenta da traição da “farda de bandoleiro”. O fardo do contrabandista é o peso da mercadoria, da troca de produtos  e bens que exprimem a luta pelo pão. Uma luta destemida pela existência, que implica ousadia, “desafio da lei”, transgressão, em que o medo se transforma em coragem.
Esta coragem, esta ousadia transgressora  implicava a própria morte a que estava condenado o contrabandista., mesmo assumida no seu derradeiro momento.

“Vim morrer a Gondarém”

Vim a correr a Gondarém, (e, tantas vezes viestes!... - poeta), que os incautos diritambos e suas bacantes tinham de deixar os seus labores, para atender os teus clamores que do “Monte da Virgem” seguiam e erguiam nos teus programas, na tua locução, na “ programação de certos senhores”.
Gente simples e humilde dava-te cor, veludo na voz e no cinzento écran da TV, porque as cores esbatiam na seiva dos seus actores.
E, tu,  com a tua voz colorida e sonora deambulavas nos espaços da música e nos passos da dança, enquanto te embebias e te despertavas pelas  emoções, pelos sentimentos. Fluía o entusiasmo por uma vivência em palco que, infelizmente as “cores” esmoreciam perante o cinzento do “preto e branco” que écran sustinha.
Prolongava-se a emoção, soltava-se o sentimento, (como lamento), que encontrava na tua voz o seu canto sonoro e clamoroso.
Eram impressões sugestivas, eram sensações emocionais que se construíam através dos teus versos e do teu fado, mergulhado no destino de “vim morrer a Gondarém”.
Perguntar-se-á: «mas que desejo tétrico se mesclava na tua vontade»?
Alguém responde: «não sei se podes, ò poeta, “morrer em Gondarém”, nem sei se esta é a tua morada de destino».
Mas, tu dizes “a Gondarém”, como um sujeito ou desejo em movimento, como se o movimento não acompanhasse a tua morte. Simbolicamente é a signa do teu destino, em que misturas o desafio e a revolta como porta de um lugar, como imagem de marca registada.
Será o teu registo poético em que uma morada se ergue como símbolo que pretendes evocar?
Será que reclamas uma bandeira, uma “pátria transgressora”, a cujo destino e percurso te ousas agarrar?
Ou, será o último passo da dança em que se esgota o enlevo da música e do teu cantar?
“Cantam os poetas”, mas tu não queres estar só, queres os contrabandistas!...
- Marco, fronteira, limite de um espaço poético que somente aí, encontra os seus homens, revela o seu fim, e, exprime a tua finalidade como expressão de um esgotamento, através da música e da dança.
“Vim morrer a Gondarém
 Pátria de contrabandistas».
”
A diva – Amália Rodrigues - canta e apregoa a tua angústia no fado, no destino simbólico da tua morte. Mas não é nenhuma fatalidade, não é vida nem morte, é um simples murmúrio de búzio cantante. É um suspiro agonizante que se ergue como em voz de tormento, que expressa a tua condenação na condição de poeta.
Encarnas uma condenação para te libertares na altivez da transgressão.
A diva ergue a tua voz, sacraliza o teu desejo, prolonga o teu gemido, o teu verso; porque da palavra brota a seiva da tua angustiada sofreguidão.
A diva anuncia o teu local, a tua toca, o teu refúgio. Quase não é um lugar físico, mas a origem ou a proveniência de uma terra, daqueles que pertencem à transgressão de serem contrabandistas.
Não é um covil, nem um bando, é um grupo destemido e socialmente desviante, que na sua deserção, quase tem por desafio, reacender a expressão da uma luta pelo seu pão.
 A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas».
Não queres ser um poeta fingidor, que ousem vestir-te em certa vestimenta. A tua ousadia de “intacto e nu”, a tua nudez de poeta não aceita fardas. Queres ser genuíno, autêntico
Não estás nos “salteadores de estrada” de Camilo Castelo Branco, nem nas figuras de “mentiroso”, “trapaceiro”, ou, qualquer “errante sem paradeiro”. Queres ser puro, digno de ti mesmo, com a força daqueles que lutam pela existência.
Desdenhas ser “bandido” ou “ladrão”; “volúvel” ou “instável”, porque ancorado numa “pátria” reivindicas a tua luta, a tua transgressão.
Se há um comportamento desviante, este está longe da “farda de bandoleiro”.
  - Poeta é aquele que rasga as suas vestes,
     que revela o seu sentido,
     e, que sabe dizer não.

sábado, 10 de março de 2018

EUROPOLITIQUE: A DESINTEGRAÇÃO DA EUROPA na pena e na escrita de Miguel Sousa Tavares no jornal EXPRESSO


Comecei a conhecer Sofia Melo Breyner pela leitura, feita em Paris, como vou conhecendo Miguel Sousa Tavares, quer pelos seus livros, quer pelos seus escritos, no Jornal Expresso.

Se as “redes sociais” minaram a informação tradicional (livros e jornais), e, por consequência, as sociedades democráticas, de tal forma que 56% dos americanos estão dependentes do Facebook, é porque a “ignorância popular” se instalou, presumivelmente, com direito de voto. Confesso que não sou muito adepto do Facebook, cuja exposição de “egoísmo”, “egocentrismo” e “narcisismo”, ou, “feira de vaidades” não cumprem os requisitos de certos “deveres jurídicos”. Este facilitismo de “exposição e imagem” faz-me lembrar o estado invertido da “Alegoria da Caverna” e sua condição. Se o nosso cérebro antes de dar um passo, já criou a sua imagem, estamos também no “mundo da imagem”, em que ela se propaga à velocidade da luz. Esta rapidez desmoronou o sistema centralizador dos jornais e dos livros.

“A desintegração da Europa”, é um título que as “redes socias” francesas discutiam muito antes da “troika”. E, a sensação de muitos europeus é sua desconfiança com a União Europeia. Falta de correspondência, falta de identidade comunitária, falta de “cidadania europeia. Se as pessoas não se identificam com um projeto, surgem as reações positivas, negativas ou neutras, tal como na imagem. A rapidez da imagem e da informação contrasta com o peso e lentidão das estruturas. Isto, não quer dizer, uma mudança contínua, um movimento bruto e genuíno, simplório e ignorante, mas um acompanhamento das perceções que se levantam como inquietação.


«O povo é quem mais ordena e se o povo quer o fim da Europa, que pode a Europa fazer?». Quem dialoga com pessoas de vários países, certamente que não aceita este discurso, sobretudo quando os europeus estão fora da Europa. Aí, encontra-se um sentido de "ser europeu".                              

" E, vós europeus!"...  dizem os americanos.



quinta-feira, 8 de março de 2018

EUROPOLITIQUE:(3) Fado : "Vim morrer a Gondarém" e poema "Fronteira" de Pedro Homem de Melo



........./...............

«Onde estás Artemisa
Leandro, Patego e tu
Corpo intacto, intacto e nu
Correndo na praia lisa?
Nada haverá que me açoite
Meu amor! Meu inimigo
E aceito das mãos da noite
A memória por castigo»
 
Não sei se era Artemisa,
nem sei se era “Arte - Musa”
porque um fauno perdido no meio das suas bacantes
se não é deus grego, não é deus nenhum
(já que “poeta do povo” surgias só, tu).
A Artemisa do Penedo
era bailarina e dançarina da “Gota” de Gondarém
e, do quarteto de cuja voz rouca e longa se prolongava no teu verbo.
Não esqueces o Leandro, nem o Ilídio – o Patego
que, da igreja, sete vezes anunciou casamento
e à sétima descansou da dança e do passo, onde por ti andou.

Zurzia-lhe a "vox populi, vox Dei":
"Patego, olhão o balão!...".
O concertista Benigno, de seu nome benquisto,
a “bondade” não lhe faltou,
mas a Cândiada do Guilhadas, se amor proibido era
o tormento da memória te castigou.


- “Corpo intacto, intacto e nu

    Correndo na praia lisa?
     

Nem as bacantes de Dionísios,
nem de Picasso, as “demoiselles d’Avignon”
te disseram -  ò poeta – não.
Não percebo o teu castigo,
Nem a mistura de mendigo!...
No meio do povo, no meio da dança,
no meio da música da concertina.
No meio da “gota”, no meio da alegria/sofrimento
Eis o teu calvário. 
História pequena, singela e simples
Saga de um povo, saga de um povoado
Se a música não chega, fica o fado.
Por causa de ti, poeta malvado!...


......./.......

Por quem?
"Vim morrer a Gondarém..."

quarta-feira, 7 de março de 2018

EUROPOLITIQUE:(2) Fado de "Vim morrer a Gondarém" de Pedro Homem de Melo - 2

  Numa banda a Espanha morta

Noutra Portugal sombrio

Entre ambos galopa um rio

Que não pára à minha porta.

               "Numa banda Espanha morta                                                      Noutra Portugal sombrio

No poema de "Vim morrer a Gondarém", Pedro Homem de Melo, retracta a vizinha Galiza como “Espanha morta”, (parte de um todo), agonizante, decrépita; mas, sobretudo, pela percepção de um regime político, nada condizente com a modernidade.

Moderno - homem da televisão e do “folclore nacional”, os seus holofotes ainda lhe me permitiam ver um “Portugal sombrio”. Pela luz da televisão e pela sombra do País se desenvolveu a emigração, quer em Portugal, quer na Galiza. Por isso, o “poeta menor”, de fraco catálogo, afirma que “entre ambos galopa um rio”. 

 - Rio físico, rio Minho; - rio poético, rio mensageiro - 

Um rio que “não pára à minha porta”, um rio que me ultrapassa, e, do qual desconheço a força da sua corrente. Mas, este rio de movimento, onde o poeta não “pode banhar-se duas vezes”, exprime a dialéctica que envolve um “País sombrio” e uma “Espanha morta”. A força das águas que estão em movimento, que se acalmam ou revoltam, como um toiro em galope. Como um animal, escondido na sua força e pujança, que imprime movimento e mudança.

                     «Numa banda Espanha morta

                       Noutra Portugal sombrio

                       E entre ambos galopa um rio

                       Que não pára à minha porta».

    - À minha porta batiam os excomungados pelo cura, porque ousavam ler jornais; à minha porta batiam os ecos de Humberto Delgado; à minha porta batiam os ecos de mudança. 

Não sei se era um rio em galope, 

nem idade tinha de rapazote. 

Se, alguns “princípios e valores” persistem, deles não maldigo a sorte. Por vezes, vejo “Portugal sombrio”, naquelas sombras platónicas, de “grilhões” aferroados, de cujo ferro não estou liberto. Mas, à minha porta, eu quero um rio, um rio a galope.

À minha porta!... ao meu "ser", ao meu "dasein".

segunda-feira, 5 de março de 2018

EUROPOLITIQUE: O “Fisco Informático” e os pequenos contribuintes

O aparelho legislativo e informático da AT deixa, por vezes, os pequenos contribuintes com a “cabeça à roda”, quer pelo “espartilho” das secções informáticas, quer pelo sistema de “medo e receio, ou, arrogância” dos seus funcionários.

O insuspeito Correio da Manhã (05.03.2018) relata o caso de um “consciencioso contribuinte” que para pagar 3 cêntimos, não conseguiu resolver o problema com a AT; teve de parar na Repartição de Finanças. Claro que o problema directo, entre “sujeito passivo” e a sua “entidade cobradora” foi resolvido. E, quando surgem vários contribuintes, e várias entidades?

Em 2012, todos os prédios em Portugal foram alvo de pagamento de IMI. Um trabalho da competência das câmaras e do Fisco. Mas referencia-se que apesar de certa câmara ser detentora de uma “planta de casa”, sem legalização de “propriedade horizontal”, sem “embargo de obras”, sem fiscalização dos seus autores, defrauda o sistema fiscal, com ou sem conivência da própria câmara. Se, o problema fosse direto, como o caso mencionado do CM, estaria resolvido. O problema é que recai sobre outros contribuintes, alheios a tal situação, não sendo os seus autores, mas sim os seus “pagantes”. Quer dizer, o Fisco só arrecada dinheiro? Ora, se a Câmara, como poder de proximidade, deve estar ao corrente do problema, por que razão a própria câmara se defrauda a si mesma, naqueles impostos a que tem direito. 

Existirão, outros “artolas” que dizem que X não paga?


Será com a conivência do Fisco?

domingo, 4 de março de 2018

EUROPOLITIQUE: O Fisco (Rural) e os "Salteadores de Estrada" de Camilo Castelo Branco



A chefe de Finanças ria-se quando se afirmava que a AT desconhecia a morada fiscal de um contribuinte.

Claro que o omnipotente Fisco só “não sabe aquilo que não quer”.
Não quer ter a “imagem ou realidade”, (aqui “estou confuso”) de qualquer “salteador de estrada” que se atravessa no caminho de um contribuinte, por exemplo, obrigando a pagar 800 euros, porque “ouvi dizer que...”.
Mas, se a imagem de “salteador de estrada” atemoriza qualquer incauto contribuinte, dada a sua eficácia, a redobrada atenção merece que os seus contribuintes não sejam apanhados nas suas possíveis ciladas.
Deixemos a “filosofia política” - indivíduo/Estado - de Hobbes a John Locke, (aliás, proibido nos seus escritos em Portugal), para nos situarmos nesta “artilharia pesada” legislativa, e, sobretudo,  informática que dispõe a AT.
Com semelhante “artilharia pesada”, que dialoga com 50 países, é fácil descobrir qualquer  “Rua dos Funileiros e Latoeiros”, que embora se tratando de “artes medievais” se prolongam nos “Salteadores de Estrada” de Camilo Castelo Branco, feliz aprendiz da língua vernácula do famoso “Zé do Telhado”, que segundo Agualusa, escritor angolano, era “bandido” em Portugal e “santo” em Angola.
Esta dicotomia de “santidade” e “bando” (não aceite pela sociedade), e, entre os métodos do século XVIII e do Século XXI parecem não ficar  imunes ao aparelho da AT.
Se, o omnipotente Fisco sabe, e tem a obrigação de saber, porque admite estes  presumíveis “Salteadores de Estrada”?
Será que, também, reclama a sua genealogia, ou, a sua imagem recai como autênticos “Salteadores de Estrada” que se atravessam no caminho de certos contribuintes?
Omnipotente Fisco: não sabes, ou, não queres saber!...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...