Seguidores

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

EUROPPOLITIQUE: CUBA: “A ti, querida presença, comandante...”


Quantos se enamoraram com a melodia de “a ti querida presença, comandante...”, que tocada nas ruas de Cuba, bem longe estava dos frémitos de antanho e dos ideais de muita juventude, repleta de idealismo. Como, também observar a longa fila de ávidos turistas para Havana, bem longe está da capacidade financeira de muitos portugueses, neste momento. O cepticismo e a desolação desencontrava-se com a ilusão e o idealismo que mentalmente se reconstruiu na prefiguração de uma nação, de um povo ou de um líder. O bolor e o musgo da decadência retirava o brilho e a refulgência de um dourado inebriado em sonhos de utopia. Qualquer vaga tempestade tinha esvaziado a paisagem de uma terra prometida, que de “leite e mel” exibia restos de sombras e escombros. Esconjurada visão de um utópico idealista, cujo labor se esvaziou da sua plenitude. Por isso, ressurgia a melodia: “a ti, querida presença...”, ou melhor dito, “ausência”. Ausência dos teus ideais por cumprir, por levar, por concretizar!... As cálidas águas de Cuba esmorecem nas frias relações com o seu vizinho de Miami. Todavia a mais recente pesquisa, elaborada pela “Atlantic Council”, reflecte uma mudança de atitude de muitos americanos. Talvez ainda insuficiente para selar efectivamente os cumprimentos diplomáticos entre Raúl de Castro e Obama, lá nos confins da África. Ainda que a maioria dos norte-americanos seja a favor da normalização das relações políticas com Cuba, conforme o jornal “The New York Times”, os passos da diplomacia são lentos neste atravessar de águas que impede a compreensão pelo sofrimento do povo cubano. Graças ao esforço da Venezuela, do beneplácito do Brasil, e à recente abertura da Comunidade Europeia, o isolamento do grito “hasta la muerte” tem subsistido como sinal de uma revolução que mal se encaixa no mundo da globalização. Ainda que possa ressurgir na canto da lamentação: “a ti, querida ausência...”, mas no fundo permanece com as águas e o mar do Caribe esta linda lembrança: “a ti, querida presença...” comandante.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: ANGOLA : "Ganhar duas vezes com o petróleo"

O petróleo angolano galopa a bons passos no sector da balança de transações entre Portugal e Angola. Cada vez mais, o saldo desta balança comercial se estreita na sua relação, reduzindo-se a um saldo favorável de 500 milhões de euros para Portugal, em 2013. Quer dizer, que Portugal exporta bens e mercadorias no valor de 3,1 mil milhões de euros, enquanto importou de Angola 2, 632 mil milhões de euros. Esta relação comercial não continua estática, pelo contrário, apresentação um valor progressivo, ou seja, um certo dinamismo. Enquanto que em Angola se aguarda pela entrada em funcionamento da sua nova refinaria de petróleo no Lobito, e pela renovação da antiga refinaria de Luanda, a Galp investiu 1,4 mil milhões de euros nas obras de renovação das suas duas refinarias de Sines e Matosinhos , com a instalação de um novo equipamento de produção na costa alentejana. Deste modo, as exportações da Galp aumentaram 36,9 % no segundo semestre deste ano, que corresponde a um saldo, muito falacioso, de quase 10% na balança de exportações portuguesas. Quer dizer que, em termos económicos, o seu valor atinge os quatro mil milhões de euros, um pouco acima do valor total da relação comercial entre Angola e Portugal. Todavia, nesta relação comercial, os angolanos galopam com força e arrojo, já que os seus capitais rentabilizam-se duplamente através das exportações portuguesas do petróleo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: A propaganda e o PASQUIM

Não há poema que resista à tua beleza - Ipanema. Mas lá dos confins do outro mundo, se “Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem” “Deus é brasileiro”, mas só de passagem!... Panfleto anónimo, sem hora nem dia, ribombava em eco sarcástico, que sedentos prelos sorviam e ouviam em sonoras gargalhadas, embalados em sôfrega audição, não fosse ele um ultraje à tradição, ou, outro nome assim – o Pasquim. (“Pasquim – escrito que se afixa num lugar público e que contém expressões irónicas e curiosas sobre algum “affaire”, pessoa ou corporação”). Alcoviteiro, por excelência, clamava por digno decoro. O seu anúncio era urgência, declamado em riso e coro. Floriu no Brasil, mas as memórias longínquas inscrevem-no nas tradições populares do Alto Minho. Qualquer escândalo digno de um reconforto moral erguia-se em pluma incandescente, cujo objectivo era despertar a gente. As mais castas e doces donzelas, símbolo de cândida beleza, empalideciam com a esgrima e rima de tão ávidos e audazes faunos e poetas, que despertavam em poemas despidos de pérfidos cupidos. Era assim o popular pasquim que sem levar a mal se tornou internacional na luta do civil parou no Brasil.

EUROPOLITIQUE: Entre o Deus Hebraico, "Elhoim" e "Alá" (al - o / ilad - Deus).


“Estava-se no ano de 622. (...) Yathrib ficou conhecida como Medina al-Nabi, a Cidade do Profeta, e, mais tarde, por contracção, apenas como Medina, «a cidade». Desde a sua chegada, Maomé assumiu um papel diferente. Além das profecias, foi forçado a administrar. O pregador desprezado passou a um político magistral; o profeta transformou-se em homem de estado”. (O Islamismo, pg. 32, by Huston Smith, Edições Expresso). A rápida leitura desta pequena obra sobre o Islamismo causou-me duas surpresas emocinantes. 1) No espaço de um século, os árabes estão na Península Ibérica, espalhando a sua cultura e governação, através da invasão de Tarique no ano de 711. Uma cultura, alicerçada na ciência, em que apesar do combate aos infiéis, o autor reproduz «um lado mais feliz. Houve tempos e locais em que cristãos, muçulmanos e judeus viveram juntos, em harmonia: ocorre-nos de imediato a Espanha muçulmana». O papel dos judeus na cobrança de impostos foi evidente, historicamente, mas esta convivência deveu-se ao reduzido número de árabes na Península, que foram, de certo modo, obrigados a esta saudável coabitação. 2) Religiosamente, o Islamismo parece preencher duas vertentes que escaparam ao cristianismo e ao judaísmo. Se, o judaísmo rejeita Jesus Cristo como Messias, é porque ele não corresponde ao autêntico “Libertador” de Israel. Falta-lhe a faceta de homem político. Duzentos anos, antes de Cristo, a exegese católica, acentua duas correntes espirituais dentro do Povo de Israel. Uma tendência mais espiritual e outra tendência mais material. A tendência mais espiritual corresponde ao desenvolvimento do Cristianismo. Todavia, a expansão do cristianismo relegou para último plano o aspecto material, que não corresponde aos planos de São Paulo na inter-ajuda das suas comunidades. 3) Maomé surge como o último Profeta que busca as suas raízes em Abraão. E tal como Abraão espera pela terra prometida, Maomé incarna este ideal conjugando o plano espiritual e plano material. Para além de toda a hermenêutica religiosa, em 711 estar na Península Ibérica é espantoso.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: "E VÓS, EUROPEUS"? - La Suisse

Em terras do tio Sam, o grupo de “gatos pingados” ainda não acolhia a “gatona alemã” que se envolveu com a “gatinha inglesa”. Claro que da Suíça não existiam representantes. Mas o “gatão americano” rugiu: «e vós, europeus»? O referendo suíço sobre a “imigração” começa a desvendar uma catadupa de reacções nesta Europa de “gatos metidos num saco”. Se os quatro pilares essenciais são: liberdade de circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, como se pode justificar um referendo, tomando como ponto de partida exclusivamente uma componente? A reacção europeia será excluir a Suíça do espaço europeu? Claro que o “egoísmo económico” surge como bandeira para os conservadores da direita que catalisam o descontentamento popular, inscrevendo-se na perspectiva da “gatona alemã”, que não morria de sentimentos pela “gatinha inglesa”. Aliando a sua beleza natural com a sua riqueza “sobrenatural”, a Suíça é um “eldorado” digno de ser visto e admirado, pelos seus "auslanders". As duas passagens pelas suas terras deixaram-me o coração encantado. O seu Natal, antes da Revolução dos Cravos, foi um misto de solidão e conforto, de alegria juvenil e idade adulta, perdido em sonhos de ilusão. E, este “sonho de ilusão”, abrilhantado pela cor dourada do vil metal, ressurge como faceta de uma moeda, que cada vez menos tilinta no bolso daqueles que correm pelo seu pão. E, ruge o “gatão americano”: «e vós, europeus»?

domingo, 9 de fevereiro de 2014

ERUROPOLITIQUE: "A UE que se f... without "ein Fuhrer"

Especialistas em geo-estratégia, qual é o interesse dos USA na Ucrânia?. “Quem tem um olho é rei”, e, nisso, os americanos não brincam em serviço. Economicamente, se a Rússia de Putin cresceu dez vezes, “a pequena Europa” anda aos ziguezagues. Por isso, à falta de um autêntico e digno “Fuhrer” democrático que comandasse a Europa, o terreno está livre para a grande potência americana. Portanto, a Europa que se lixe. Psicanalticamente, o pequeno “f” é a ausência de um grande “F”. Em terras do tio Sam, alguém inquiria: “E vós, europeus!....” Claro que ouvir “a EU que se f...”, não é agradável, sobretudo em pleno “coração” de um espaço que se estende até à Rússia; mas, talvez resida aí o problema – o fantasma da Rússia, e a reminiscência da “guerra fria”, além dos interesses económicos. Afirmar que a Europa é “uma ninhada de ratos” , metidos num saco, roça o cúmulo da injúria, para quem “pelos ossos e ofícios” inscreveu a sua trajectória na cidadania europeia. Ainda me recordo do refrão: “nós sofremos muito com a II Segunda Guerra Mundial”, que não é atributo que se cole ao Sul da Europa. Nem as dificuldades do Sul da Europa são fardo a transportar pelos sofredores da antiga guerra. Desde o “modelo europeu”, da “imagem da Europa” e dos seus “ideais”, nada se conjuga com os três elementos essenciais à sua afirmação, que são o elemento económico, o elemento militar e o elemento político. Se, estes três pilares que carecem de justificação não exprimem uma potenciação, que dizer da Europa? Quando os três pilares essenciais: económico, militar e político não funcionam conjuntamente, nem procuram harmonizar-se, claro que as respostas aos problemas não surjam. Por isso, este anátema de condenação de existência postula que somente nos resta assumir a sua responsabilidade, a sua coerência para nos sentirmos livres. Caso contrário, estaremos dependentes e escravos de outrem.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: A Evocação de uma Europa Federal (Jogar com uma fracção ou jogar com quatro fracções?)

Ao princípio de que a União Europeia não tem dívida pública, junta-se o refrão dos países atolados com enormes déficits. Advogar uma Europa Federal, como meio de “mutualização da dívida”, seria poupar ao Estado português, nada menos de 7, 2 mil milhões de euros. Se os “princípios políticos da alta política europeia” não funcionam nos seus ideais de concretização, da mesma forma eles se revelam, nos pequenos detalhes, com uma percepção medíocre de pequenas questões. Aliás, se contactar com certas organizações americanas, elas revelam um pragmatismo na resolução de certas questões, que se afasta diametralmente com a “percepção medíocre e burocrática” de certas instâncias europeias, que se regozijam numa caridade deprimente. O sistema burocrático e legislativo, com toda a série de tecnocratas diplomáticos e parlamentares demonstram uma teia sem fim de interesses individualistas e nacionalistas, que não permitem erigir os mais simples ideais que percorrem pelo espírito dos vários povos. Na linha da extensão desta problemática, assiste-se a países ricos que quase não sabem como gastar o seu dinheiro, a países mendigantes que reclamam por ajuda. Claro que evocar o modelo americano, nem sempre será a melhor solução. Mais paradigmático, é a seguinte notícia do “Jornal Digital” «A decisão foi tomada esta segunda-feira, 3 de Fevereiro, na capital timorense. Em 2013 Portugal foi fustigado por um elevado número de incêndios. A situação envolveu a alocação de diversas brigadas de incêndios e registaram-se perdas de vidas entre os bombeiros e prejuízos nos equipamentos de vários quartéis. «Nesta situação de proporções sem precedentes, o Governo decidiu aprovar a doação de 500 mil dólares (cerca de 370 mil euros) para apoiar as entidades no reforço da sua capacidade de combate aos incêndios», [disse o Conselho de Ministros]. Do complexo ao simples, aplicando a metodologia cartesiana, as coisas na Europa não funcionam, ou, doutro modo a revisão da Europa, se, porventura se pode falar dessa identidade, impõe-se como uma evidência.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...