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terça-feira, 8 de outubro de 2013

EUROPOLITIQUE: Radar dos ricos angolanos

Ainda que «Angola nunca saiu do radar dos portugueses» convém olhar para África no seu todo e nas suas partes. Porém, numa análise muito sumária da constituição das fortunas em África, esconde-se um autêntico "iceberg" em somas declaradas e públicas e o seu "underground" político e marginal. A mulher mais rica de África é Folotunsho Alakija, nigeriana, à frente de uma companhia petrolífera, com uma fortuna avaliada em 7, 3 mil milhões de dólares, que a coloca, precisamente, no quarto lugar do top dos mais ricos africanos, segundo a revista africana Ventures; atingindo, por isso, a fasquia da quarta fortuna africana. O seu compatriota Aliko Dangote, industrial do cimento e agroalimentar encabeça a lista dos 20 mais ricos milionários da Nigéria, com os seus 20,2 mil milhões de dólares, cujo país é o alforge destes milionários, sem dúvida, por causa das suas riquezas petrolíferas. Ora, a Nigéria, baluarte de acumulação deste tipo de riqueza, acolhe os 20 mais ricos africanos, seguida da industrializada África do Sul com 9 candidatos, do Egipto com 6 destes milionários, onde pontifica o Nassef Sawiris, egípcio, como sendo o mais rico de África. Claro que, neste universo classificado dos 55 mais ricos de África, também se encontra Isabel dos Santos, com mais de 2 mil milhões de dólares. Comparativamente com o valor e volume atingido na Nigéria, Angola quase parece um caso esporádico, ainda que as contradições da elite angolana com a sua população sejam muitíssimo desniveladas, mas não atinge o valor e volume da Nigéria. A pobreza em África atinge os 414 milhões dos seus habitantes, e quase duplicou depois dos anos 80, ainda que no continente africano “as pessoas não gostem de falar em fortuna, mas em filantropia”. O novo paradigma mundial é a China que produz, graças ao imobiliário, 315 chineses com mais de mil milhões de dólares, superando os Estados Unidos, ainda que Bill Gates detenha o trono do mais rico do mundo, com os seus 69,6 mil milhões de dólares.

domingo, 22 de setembro de 2013

EUROPOLITIQUE: A Sociedade de Consumo em Luanda

O comércio informal costuma ser o meio de subsistência de muitos africanos, que além da sua luta económica contra a pobreza, põem em causa a saúde publica e os rendimentos do Estado. Por vezes, um empecilho ao desenvolvimento económico que peja ruas e calçadas, sem a melhor condição de higiene, refugiando-se na dita “economia paralela”. Claro que uma política comercial implica “direitos e deveres”, tanto dos comerciantes como dos clientes, que seja salvaguardada por regras e leis implícitas à sua actividade, que somente através do “comércio formal” podem ser estabelecidas. Por isso, a passagem do “comércio informal” ao ”comércio formal” deve ser acompanhada de incentivos financeiros e fiscais e de um enquadramento legal. O poder de compra de muitos angolanos ainda está longe dos melhores patamares, ainda que Luanda, com os seus 4 milhões de habitantes, numa população de 20 milhões, rodopia numa azafama destes tipos de comércio. Com apenas três centros comerciais de concepção moderna em Luanda, o primeiro a ser inaugurado foi o Belas Shopping (em 2007), seguindo-se o Ginga Shoping e o Atrium Nova Vida, a capital angolana prepara-se para inaugurar, nada menos, de seis novos “shoppings” que serão os seguintes: Luanda Park, Luanda Shopping, Ginga Shopping, Centro Comercial Kinaxixi, Shopping Fortaleza, Muxima Plaza e Viana Park, nas respectivas zonas de Luanda Sul, Avenida Comandante Gika, Quilómetros 9, Largo do Kinaxixi, Marginal de Luanda, Largo Lumeji e Zona Industrial de Viana. Em princípio, o número de consumidores de Luanda, talvez, justifique a emergência destes novos centros comerciais. Apesar da inovação inerente à sociedade de consumo, parece que os planos da cadeia alimentar da marca Continente esteja ainda afastada destas novidades, que pela sua experiência comercial e empresarial, com os seus produtores directos e distribuidores associados vem pode ser um elemento inovador como centro comercial.

EUROPOLITIQUE: O Sonho do Turismo em Angola

Contrariamente a Moçambique e à sua capital Maputo, Luanda congrega mais de 80% do seu turismo nas suas redondezas. Com um preço médio, na ordem dos 400 a 500 dólares por dia, afasta-se dos preços da capital portuguesa, Lisboa, na ordem dos 150 dólares. Por isso, aguarda-se, brevemente a abertura de mais de quatro hotéis de luxo em Luanda, onde se inclui o grupo português Pestana. A escassez de oferta hoteleira aumenta os preços de estadia, muitas vezes exclusivamente reservados, a visitas de negócio; mas, sem dúvida, que o preço de construção, falta de mão-de-obra e materiais, tem influência no desenvolvimento hoteleiro. Todavia, as pretensões do turismo não podem cingir-se somente a Luanda com os seus 80% de visitantes. Por outro lado, o preço da restauração atinge preços incomportáveis para qualquer turista normal. Se, por exemplo, a montagem de um restaurante nos arredores de Maputo pode ficar na ordem dos 70.000 dólares, em Luanda atinge os 300.000 a 400.000 dólares, quando não se queda pelos milhões; enquanto que uma refeição na capital moçambicana atinge o valor normal de uma cidade como Lisboa, na capital angolana dispara para valores inconformáveis. Se a capital angolana dispõe nada menos de 1.294 quartos nas suas unidades hoteleiras mais emblemáticas, acrescentando possivelmente mais 2.000 camas, não haja dúvida que tem de encontrar outros modelos de desenvolvimento. Claro que as grandes cadeias turísticas internacionais ainda não descobriram o filão do turismo angolano, dada a sua conjectura e limitação, mas o desenvolvimento de hotéis intermédios tem de ser uma aposta a desenvolver num prazo imediato. Ainda que os chamados “hotéis de charme” não sejam apanágio da capital angolana, os chamados “hotéis de família” podem colmatar o preço elevado dos hotéis de luxo. A escassez hoteleira debate-se com a escassez de promoção turística, de agências de viagens e de pacotes turísticos, associados à questão da problemática dos vistos. Se Luanda pretende abrir-se para o turismo, sem dúvida, que sem vistos turísticos será lenta a sua abertura para a janela do mundo, apesar dos apregoados 140.000 empregos gerados pelas empresas turísticas!...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

EUROPOLITIQUE: O Sonho da Habitação em Angola

O “Jornal de Angola” abre o seu noticiário de 09/09/2013 com o título “preço da habitação baixou em Angola”. As novas centralidades de Luanda parecem que permitiram a alguns angolanos realizar o sonho da casa própria. Se a Grécia regista 73% da sua população com casa própria, e Portugal está na ordem dos 70%, de forma idêntica o sonho dos angolanos divaga e orienta-se neste sentido. O facto de existirem muitos e vastos proprietários é uma das formas de rendimento do Estado, e, sem dúvida, de inserção social. Claro que os vários sectores da sociedade sempre quererão manter o seu estatuto e posição social através do uso e domínio da propriedade. O fenómeno angolano da habitação e o impulso dado pelo Estado fez com que o mercado das habitações de dois e um milhões de dólares passasse para os 500 mil dólares, ainda que o mercado do arrendamento de vivendas se situe ainda nos 1.500 a 2.500 dólares. Face a esta contingência, as agências imobiliárias desesperam do negócio, pretendendo uma melhor organização, ainda que usufruem de percentagens na ordem dos 10% nas suas comissão de vendas. Todavia, a realização do sonho de casa própria implica pagamento de impostos, condomínio, consumos e encargos bancários que exigem uma sociedade organizada e planificada. Se nos cingirmos ao sector educacional angolano, os salários mínimos são da ordem superior a 250 dólares/mês até à categoria máxima, no ensino secundário, da ordem superior a 2.500 dólares/mês (fora os impostos), cujo pagamento é feito através do sistema bancário, mas que origina muitos abandonos nas zonas mais recônditas. Claro que os custos das habitações fornecidas pelo Estado angolano, na sua tabela inferior de qualidade e tipologia, implicam um pagamento médio de 500 dólares/mês. A maioria dos angolanos não atinge este nível salarial. Além de uma elite de vastos recursos financeiros e económicos, nas melhores das hipóteses, Angola deterá 6 milhões de pessoas com alguma capacidade aquisitiva de bens e serviços. Neste universo de 6 milhões de pessoas, somente perto de 1.800.000 angolanos terão capacidade financeira para aceder ao consumo normal de bens e serviços, mas certamente que os meios estatísticos governamentais terão dados suficientes para o cálculo de tais situações. Ainda que os preços da habitação tenham baixado em Angola, o caminho é longo, para que a realização de casa própria para a maior parte dos angolanos seja uma realidade, sobretudo numa capital que se exibe nas cidades mais caras do mundo.

domingo, 8 de setembro de 2013

EUROPOLITIQUE: Mais habitação em Angola

O mercado da habitação em Angola caminha num processo de afirmação pelas suas cidades mais importantes, numa tentativa de satisfazer as ambições da "casa própria", embora com falta de clarividência do "direito privado". Certamente que o mercado está a funcionar, ainda que se desenvolva muito lentamente, no seu sistema financeiro. A Sonangol, baluarte do sistema de crédito angolano, acaba de contrair um empréstimo de 2, 5 mil milhões de dólares, cujo capital certamente será canalizado para a construção de mais habitações. Este empréstimo, por cinco anos, foi obtido a uma taxa de juro de 3,5%, tendo sido coordenado pelo Standard Chartered, com o Banco de Tóquio, o BNP Paribas, o Deutsche Bank e o Natixis, segundo a Bloomberg. O crédito para habitação ronda os 9% ao ano para os angolanos mais felizardos!... Ainda por resolver estão os empreendimentos de Kilamba e Cacuaco, apesar de se manterem novos prolongamentos de edificação. Todavia novas áreas estão prestes a surgir: «para o primeiro semestre de 2014 espera-se iniciar a edificação de mais 23 mil fogos na cidades do Dundo, Saurimo, Malanje, Bengo, Ndalatando, Ongiva e Menongue.” Quer dizer que a implementação de novas edificações deixa os arredores da capital para se estender pelo país. Normalmente as habitações são vendidas entre os 80.000 e 180.000 dólares, segundo a sua tipologia, ainda que permaneçam muitas incertezas ao grau de acesso destas habitações. Estão especificamente reservadas a angolanos, com capacidade financeira, ou a estrangeiros, se por acaso podem beneficiar desses direitos? Certamente que o nível salarial dos angolanos, em geral, não permite a ousadia de casa própria, já que 70% da sua população vive com quase dois dólares, por dia, dentro dos seus 20 milhões de habitantes. Todavia a noção de proprietário, segundo as Finanças ou Registo Predial navega na incerteza que feito o pagamento a agência dá por terminado o seu trabalho?!... A entrevista, concedida por um elemento de vendas da Sonangol, não clarifica verdadeiramente o "direito de propriedade".

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

EUROPOLIQUE: Ao Sul de Angola: a Disneylândia?

As imponentes cascatas de “Victoria’s Falls”, patrimônio mundial da UNESCO desde 1989, na fronteira entre Zâmbia e Zimbabué, são, sem dúvida, o local turístico mais visitado por ambos os países, além dos sul-africanos. Roberto Mugabe, o incontroverso líder africano, ambiciona construir uma nova Disneylândia, à semelhança de outras, como as da Califórnia, Flórida e Paris. Para isso, o governo do Zimbabué disponibiliza 300 milhões de dólares, e 1.200 hectares de terreno, junto ao aeroporto internacional da região, permitindo a instalação de «hotéis, casinos e uma zona franca bancária». Se o governo chinês emprestou à cidade de Xangai 30,7 mil milhões de euros para a construção da sua primeira Disneylândia na China, até que ponto os incentivos de R. Mugabe são suficientes para erigir tal projeto? Se a opinião mundial deste líder não presume credenciais de confiança, até onde irão as ambições ou a megalomania deste projeto? Claro que existem projetos em comum, delineados e pensados por vários países desta zona, nos quais Angola está implicada. Portanto, somente uma ação em conjunto permitirá que se alcance uma mera possibilidade de conjuntamente vários países delinearem estratégias necessárias e suficientes para tão ambicioso projeto, em que a Disney terá uma palavra a dizer, como parte integrante. A confluência do caminho de ferro de Benguela ou Namibe ainda estão distantes desta rica e formosa estância turística. Até lá fica o sonho, utopia ou realidade de uma Disneylândia ao Sul de Angola!...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

EUROPOLITIQUE: TGV in RIO

O Brasil contrapõe-se a Espanha em matéria ferroviária. Enquanto que os espanhóis anseiam por ligações em alta velocidade, o Brasil debate-se em questiúnculas burocráticas, legislativas, empresariais e outras. A ligação em alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo, orçada em 16 mil milhões de dólares, não passa de projetos continuamente adiados. Das atuais seis horas de percurso restariam somente 85 minutos. São Paulo com os seus 20 milhões de habitantes regurgita com os seus 8 milhões de carros, por dia. A ligação rodoviária entre o Rio e São Paulo é, por vezes, caótica. O sistema ferroviário de mercadorias é insuficiente, e o de passageiros é quase inexistente. Além da falta de tecnologia brasileira para tal empreendimento, erguem-se barreiras das próprias construtoras do Brasil ao mercado internacional. Além disso, a burocracia política e social encrava em interesses pouco evidentes. As empresas da indústria automóvel arrefecem o entusiasmo por estes investimentos. Ainda que a meta se mantenha até aos anos 20, não haja dúvidas que a indeterminação contamina a ambição. Todavia, a mobilidade dos brasileiros continua em nítido atraso. A modernização do sector ferroviário brasileiro carece de inovação internacional, sem a qual o marasmo da mata atlântica não encontrará o caminho de um rápido desenvolvimento, já que o tempo urge no Brasil. Um país que detém nada menos de 373,5 mil milhões de dólares, para a estabilização do real, bem pode lançar-se no TGV Rio.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...