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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Lusofonia 2 - Angola e o petróleo




Os prognósticos apontam que na próxima década a zona asiática tenha um crescimento na ordem dos 6% ao ano, alimentada pela economia chinesa.
A zona da África do Sul, com uma população jovem, apesar de uma grande percentagem de desempregados de exíguas e baixas classificações, continuará numa curva ascendente para a classe média na ordem dos 4,5% ao ano, ainda que certos países como Angola, Moçambique, Gana e Nigéria possam atingir os 7 a  8% ao ano.
No debate “Prós e Contras” surgiu a ideia se Angola não estaria a utilizar Portugal como trampolim para entrar na Europa, tese que imediatamente foi combatida pelo seu ministro da economia.
Ora acontece que o maior grupo particular e empresarial da Europa a nível do petróleo, denominado “Petroplus”, com refinarias em Anvers (Bélgica), Cressier (Suiça), Coryton (Inglaterra), Ingolstad (Alemanha), Petit-Couronne (França), se encontra na procura de um parceiro para fornecimento de “crude” na ordem de mil milhões de dólares.
A garantia deste fornecimento acarreta o funcionamento do seu tecido empresarial e industrial, aventando-se a ideia da “simples venda” de uma unidade de refinação. Por isso, actualmente três refinarias estão paradas, ainda que as outras duas continuem em laboração.
Sem dúvida que a Sonangol talvez ainda não reuna as razões necessárias e suficientes para se agigantar a tais negócios.
No entanto, quando se fala numa “lança em África”, não há dúvida que seria uma “bomba” na Europa.
Portanto, se a ambição do ministro da economia angolana, porventura, ainda perspectiva lançar-se em “altos voos” do mundo do petróleo, parece que os ventos correm de feição aos interesses angolanos. Embora, “a parada seja alta”, sempre surgem diversos caminhos que permitem reunir condições de aproximação ao seu voo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Lusofonia. 1 "Os vistos do Soyo"


“Calcula-se que estejam instalados em Angola cerca de 120/140 mil portugueses (100/110 mil em Luanda e 20/30 mil no resto do país)”.(Jornal Sol)
Um fluxo imigratório da mais variada proveniência que suscita, por vezes, uma tipicidade sociológica de variáveis intencionais que se ajustam e contrapõem às simples exigências económicas.
Embora a componente do turismo não esteja muito desenvolvida, ou seja, ainda bastante incipiente, certamente que esporadicamente existirão casos afins neste sentido que merecem uma certa facilidade de burocracia, e, neste sentido surgem algumas novidades.
“Em relação aos vistos de curta duração, que até agora eram de 30 dias, passam a ser de até 90 dias por semestre (180 dias por ano) e poderão ser obtidos no prazo de oito dias. Com o acordo a assinar hoje, o visto de curta duração permite múltiplas entradas, ao contrário do que acontecia até agora, em que a cada entrada era necessário renovar o visto.”(Jornal Sol).
À semelhança de Moçambique, e dos seus itinerários pela África do Sul, Angola reproduz um esquema idêntico de “vistos turísticos”.
O saudosismo é uma marca estampada em muitos portugueses. Todavia, o paradigma de Moçambique, já com estruturas turísticas montadas, não consegue atrair devidamente os saudosistas deste território. Ao medo junta-se a nostalgia do passado que impede o retorno turístico, e possivelmente saudável de muitos portugueses. Além disso as agências turísticas deviam saber captar com “pacotes turísticos” esta franja de saudosistas.
Julga-se que perto de sete mil pequenas empresas trabalhem com Angola.
O conjunto destas empresas não usufruem das benesses das companhias de petróleo, caso da Chevron ou Total, que beneficiem dos “famosos vistos do Soyo”. É evidente que nem todos merecem um “tapete vermelho”, já que não fazem parte da nata de “imigrantes extremamente qualificados”, mas algo tem de ser alterado.
A burocracia e os seus elementos adjacentes nem sempre dão continuidade ao processo evolutivo. À carência presumida de tecnologia que passa evidentemente pelas empresas, acresce-se, modernamente, que também o “know out” está na “cabeça das pessoas”, talvez, digna de uma imigração selectiva. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Euro Politique 262." Prós e Contras" angolano



Apesar de certas limitações técnicas, e de um “começo atribulado” enveredou-se por um debate circunscrito ao politicamente correcto, já que as individualidades assim o condicionavam.
Sem dúvida que as susceptibilidades esgrimiam argumentos que deambulavam nas limitações do que diplomaticamente se tornaria possível.
No entanto, como ensaio de intercâmbios abriu-se uma janela para o despertar de situações que somente se afloraram ao sabor da pele, sem a devida acutilância. Aliás, a participação da sociedade civil quedou-se pela emergência musical e, a sintonia popular.
Sem dúvida, que o tecido empresarial angolano ainda não emergiu no seu papel institucional, cultural e social.
 A reivindicada falta de tecnologia somente emergirá com as devidas parcerias que futuramente se poderão desenvolver.
Todavia o sistema económico financeiro angolano começa a reunir condições de expansão que devidamente apropriadas, podem conduzir àquilo que as carências angolanas procuram.
Embora eleito como decano dos embaixadores ditos “económicos”, o seu representante em Angola quedou-se por um admirável silêncio.


Este pequeno pormenor é sinónimo do  "politicamente correcto" que caracterizou o debate, caindo num “tom morno” e de saudosa convivência. Convenhamos que o percurso do debate permanecia em margens limitadas em que a “liberdade de expressão” ainda não se guindou a um patamar de cultura e de direito pelo respeito das várias opiniões, susceptíveis de polémica.

O confronto, a polémica, o debate e o diálogo foram conduzidos numa única linha da procura de consenso.

Portanto, “morno”, mas com vontade de “mais”!....

sábado, 14 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE 265. Entre o Qatar e Angola


Há quem defenda que a riqueza de Angola advém da sua bacia hidrográfica, contrariamente aos recentes lucros da exploração do petróleo.

Parece que a riqueza petrolífera do Qatar está assegurada por 40 anos do seu futuro, de forma que os seus habitantes com um o PIB “per capite” de 88.000 dólares continuarão a beneficiar os seus 800 mil habitantes, já que 1,5 milhões de estrangeiros gravitam à roda dos beneficiários autóctones, sem os direitos sociais que bafejam os autênticos cidadãos do Qatar.

Ainda que Angola não atinja os 10% do PIB por habitante do Qatar, as suas riquezas atingem, certamente, dez mais os 40 anos das estimativas deste país do deserto.

Além disso, os seus ideias certamente não passam por uma divisão de classes ao estilo da Antiga Grécia, entre senhores e escravos, que a realidade do Qatar parece demonstrar.

Independentemente das analogias entre Angola e o Qatar , cujo referente só podia ser Cabinda, o farol que guindou as “Primaveras árabes” no panorama da comunicação foi a cadeia de televisão “Al Jazera”, como símbolo da “liberdade de informação”.

A realização do Programa da RTP 1 – “Prós e Contra”, é sinal de intercâmbio que, embora modelado pelas cadeias televisas estatais, pode constituir um prenúncio da tal desejada “liberdade de informação” para o espaço da lusofonia.

Apesar dos constrangimentos informativos da realidade angolana, a sua posição geográfica no mundo da língua portuguesa centraliza-se, geograficamente, como um futuro pólo de desenvolvimento do mundo informativo.

A descentralização do mundo ocidental, cada vez mais,  passa pelo papel dos países emergentes, aos quais Angola não pode ficar alheia.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE 261. Allô!...Quai d'Orsay


Orgulhosamente, um amigo meu, telefonava de França, exibindo o triplet AAA das Agências de Rating, criadas especificamente para análise de empresas, enquanto que outros países, em que me situo, se deviam limitar às posses de cada região.

Ora, ainda que pouco perceba da tão famosa taxa “Tobin”, é evidente que me assusta o fluxo de “dinheiro electrónico”, que num ápice de tempo, manipula milhares de milhares de “moedas” ou cifrões, sem que se possa saber o valor e conteúdo dessa grande gigantesca massa monetária flutuante.

É evidente que a “segunda economia europeia” nada tem a ver com “países periféricos”, já que para lá dos Pirinéus “aquilo é África”, embora muitos países africanos ou emergentes crescem na ordem dos 7% ao ano.

É que ainda que estejamos na cauda da Europa, pelo rabo se sustém o toiro. As contínuas chifradas de que somos vítimas têm demonstrado, se não fossem os combustíveis, as nossas exportações seriam excedentárias.

Ora, aqui é que entra o famoso “Quai d’Orsay”.

Para exemplificação do problema, que pressupõe várias teorias, exibem-se os seguintes argumentos:

- Portugal exerceu um papel essencial no Conselho de Segurança em relação à Líbia.

- A Fundação Kadhafi deixou uma quantia razoável na Caixa Geral de Depósitos.

- Portugal tem um enorme déficit de importação de “crude” da Líbia.

- Quais são as estratégias para colmatar tal “décalage”, à francesa?...

É evidente que o MNE português não precisa de pedir lições ao famoso “Quai d’Orsay”, digamos que lá vai o tempo, “green” missiva, e os “dois comendadores”. O MNE tem de saber jogar as suas armas em seu favor.

Portanto, que a “imaginação ao poder”, lema de Maio de 68, funciona na “intelligentsia” diplomática para que do “lixo” caminhemos até ao possível “Triplet AAA” gaulês, sem menosprezar a nossa amizade luso- francesa.


domingo, 8 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE. 202 - Pingo Doce, Pingo Amargo


O funcionamento do capital tem as suas lógicas, que o comum dos mortais não domina. Por isso, qualquer comentário acerca desta instituição empresarial reduz-se aos analistas competentes para tais análises.

Todavia existe um questão que me intriga!...

Qualquer cidadão nacional ficará surpreendido em fazer compras num hipermercado canadiano. É que além dos preços tabelados nos produtos comprados e visionados apanha a linda surpresa ao passar pela caixa de pagamento com a famosa “TAX” (imposto governamental), que pode causar alguns dissabores a compradores incautos.

Claro que isto vem a propósito da lamúria do patrão do “Pingo Doce” de que pagou 11 milhões de euros à SIBS ou Unicre, aliás, situação pouco esclarecida, mas certamente relacionada com o volume de negócios. Portanto, se pagou, algum serviço usufruiu por tal facto.

Todavia, aquilo que ele não disse é quanto pagou ou entregou de IVA dos seus clientes ao Estado. Essa massa salarial de IVA dos seus clientes, entregue ao Estado, é que seria interessante saber.

Existindo uma rede nacional de pagamento de cartões, (facto que até os alemães elogiam), porque é que os cidadãos não sabem quanto entregou o Pingo Doce de IVA, ou até outras empresas, retido aos seus clientes e dado ao Estado?

Por vezes, questiono-me se realmente o IVA pago pelos clientes dos supermercados é entregue ao Estado, ou, se o Estado não deve publicitar que recebeu X ou Y desta ou daquela sociedade comercial.

Se os cidadãos pagam IVA ao Estado pelo consumo dos seus alimentos, isto é, para sobreviver, o mínimo que o Estado deve fazer é elucidar os seus indígenas acerca da recolha deste imposto nos supermercados.

EURO POLITIQUE. 201 - Esperança.2





É evidente que os chineses não colocam Lobito a duas horas e meia do Congo. Vendem comboios e carruagens para o terceiro mundo, ainda que nas suas linhas utilizem tecnologia europeia para gáudio das suas ligações internas a nível da ferrovia, atingindo a módica quilometragem de 500 Km à hora.
Se a Espanha já dispõe de moderna tecnologia ferroviária, procura vendê-la ao estrangeiro. Mas, no caso chinês não acontece o mesmo, já que os indígenas angolanos ficam satisfeitos com dois tipos de classe nos seus comboios, e o tal dito luxo europeu ou asiático quedaria mal empregue nas savanas africanas.
É evidente que a rentabilidade de Madrid a Sevilha não é conciliável entre o Rio de Janeiro e São Paulo, porque não têm a moderna ferrovia, e as cidades angolanas não regurgitam de cidadãos endinheirados para tais percursos.
Claro que esta questão do desenvolvimento convém aos seus actores envolvidos, mas certas contradições são dignas de registo.
O mundo ocidental tem sido generoso com um tipo de economia de “toupeira”. Esta economia de “toupeira” procura sugar a economia mundial de várias formas.
Ao confronto do mundo soviético e do mundo americano, surgiu a habilidade chinesa que procura conciliar o trabalho dos seus cidadãos com o capital estatal de forma esplendorosa. Exploração do trabalho, baseada na sonegação dos direitos humanos dos seus trabalhadores, para obtenção do máximo capital dentro de um Estado socialista, cujo objectivo político é embandeirar-se como potência económica.
Costuma-se dizer que com o mal dos outros se pode bem.
As certezas económicas de um rectângulo à beira-mar plantado é que têm de brilhar no esplendor da confiança financeira.
A moeda europeia, criada para o mercado interno e balizada no seu interior europeu, encontra-se balançada no movimento da globalização. Como moeda cobiçada foi através da fraqueza dos seus estados, que se ressentiu das suas debilidades. Ao mundo restrito da Europa surgiram os tigres asiáticos que conjuntamente com os BIRD desencadearam surtos de desenvolvimento que a letargia europeia foi incapaz de renovação.
Se o império romano tinha no “direito e no braço militar” a sua base de sustentação, o sonho europeu navega na incongruência da sua legislação e da disseminação das suas forças militares.
Uma moeda requer pilares de sustentação que não residem somente no carácter da economia. Outras traves mestras sustentam a sua afirmação. Por mais que a moeda americana seja periclitante, a sua base de sustentação é bem segura.
Face aos novos ventos da globalização cujas bases económicas e financeiras tem como objectivo o lucro imediato e espontâneo, todos os elementos da arquitectura de um moeda são minados na base da sua sustentação.
Com Angola e Moçambique na base da sua sustentação, possivelmente com uma mão de ajuda do Brasil, o pequeno rectângulo encontre ainda forças dinâmicas para qualquer tipo de evolução. A confiança numa economia encontra-se nos caminhos que se possam abrir à sua expansão.
As parcerias económicas e o intercâmbio cultural, alicerçado na mesma língua serão, porventura, uma das tábuas da nossa salvação.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...