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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - "Corredores de Humanidade" - Tripoli


Após dois meses do incidente de Paris, com o chefe de protocolo de Kadafi, anunciava-se que algo de novo aconteceria na Líbia, ora, precisamente em 15 de Fevereiro, começam as manifestações na Líbia.


A cumplicidade da França neste assunto torna-se definitivamente quando, precisamente, hoje, o seu presidente anuncia que Kadafi “deve partir”. Para onde?

Pelas 19h55, segundo relata o jornal francês Figaro, o embaixador da Líbia em Portugal, Ali Ibrahim-Emdored, pede a demissão e anuncia um regime «fascista, tirânico e injusto».

Nunca faltaram os avisos e pré-avisos sobre a eficiência de um regime, no seu contexto internacional, e na lógica do consenso dos pequenos estados.

Não é só a problemática do seu líder que está em jogo. É sobretudo o "clan Kadafi" que gere e domina as riquezas do país.

A falta de modernização de um estado, sem sindicatos, sem sociedade civil, sem uma nova geração de liderança deixa à deriva um povo, que apesar das suas riquezas, se tornará u,m alvo fácil de certas garras de infindos interesses geo-estratégicos.

À “jihad” suiça, à conversão da Europa pelo islamismo, assistimos à derrocada de um regime conduzido por um “guru” que uma hábil seita maneja nos seus interesses.

Por isso, face à teimosia de um “mártir”, relembrando o célebre ataque dos americanos, na sua imagem e apresentação televisiva, impõe-se que se abram corredores humanitários, não só nas fronteiras, como também no terreno da Líbia.

Cabe aos líbios a decisão do seu futuro, mas a humanidade impõe-se em situações de calamidade.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 78 - Angola Jet Soft + Expresso


O funcionário do aeroporto perguntou “se tinha Kwanzas”, e, rapidamente as últimas notas angolanas voaram de” mão para mão”, sem sinal da sua existência.


A “lei da gasosa” é um instrumento de eficácia na distribuição de projectos que atravessa de “mãos em mãos” os empreiteiros e os seus distribuidores oficiais de benesses governamentais.

O desvio de “contas” de certas instituições estatais ou empresariais fazem, por vezes, rodopiar as instâncias policiais, tanto angolanas como portuguesas.

A “exibição fraudulenta” de certas instâncias militares demonstra-se na aquisição de “belas viaturas” que, por vezes, se perdem pelos matagais angolanos, para não se constituírem em quintas portuguesas.

E que dizer das famosas e portentosas empresas petrolíferas, quer nacioanis ou estrangeiras, autênticos “monopólios estatais” que debitam milhões de dólares de jactância financeira e empresarial!...

Quem tem a oportunidade de dialogar com africanos reconhece nas suas vozes o seu desespero que “África está cheia de ditadores”. Por pura coincidência, encontramos em “Angola Acontece”, a possibilidade de uma grande manifestação, marcada para 7 de Março”.

As convulsões sociais e políticas no Norte de África parecem caminhar lentamente para outros pontos da sua latitude. “Após o Cairo...”.

O Jornal Expresso, habilmente publica um artigo de origem estrangeira sobre Angola, em 19.0211, procurando não despertar a susceptibilidade da sensibilidade angolana de sobeja tradição diplomática.

Que dizer do nosso relacionamento social, político e diplomático?....

O diálogo entre países, apesar da autonomia da suas soberanias, deve perpassar também por conteúdos de “ilustração” que confirmem e demarquem um selo e apanágio da sua humanização.

O esforço estatal angolano, apesar de todas as suas virtudes, deve caminhar por esforços de integração do grosso da sua população que pouco beneficia com as suas riquezas.

Com os meios informáticos existentes, com os belos exemplos advindos do Brasil, urge que uma redistribuição social seja mais conseguida, junto das populações mais carenciadas, para que “a maioria dos benefícios desta alta conjectura não seja desfrutada somente por uma pequena elite que vive numa versão africana de St. Tropez”.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - Jet - Bouchon - Kadafi - Twice

Com 136 mil milhões de dólares de reservas financeiras, Mouammar Kadafi parece disposto facilmente a comprar a “paz social” de que carece.


Só por ironia o famoso “guru” não marcaria presença na sua auto-manifestação!...

Na disposição de fazer investimentos na ordem dos 30 a 40 mil milhões de dólares, o seu território torna-se apetecível para as empresas europeias.

Por isso, há quem advogue que Kadafi é “uma máquina de sobrevivência política”, e, que o Ocidente pensa, duas vezes, antes de enfrentar a “velha raposa do deserto”.

Se a tradição diplomática europeia se mantiver nos mesmos cânones tradicionais e económicos, é natural que a “máquina de sobrevivência política” se mantenha por mais algum tempo, até que o “jet-bouchon” funcione como fórmula de certa magia.

Além disso, os acordos com os USA de 2003, fornecem um estímulo suplementar para qualquer tipo de ingerência, susceptível de ferir a sensibilidade do regime da Líbia, já que foi convocado o embaixador da Hungria em Tripoli, representante do Conselho dos Vinte-Sete”.

Consta-se que 84 pessoas perderam as suas vidas em território da Líbia. Todavia as informações não são fornecidas por meios jornalísticos livres e isentos, mas por associações dos direitos humanos. A dita liberdade de informação e expressão continua nas “calendas gregas”!...

Ainda que alguns afirmem que 85% dos recursos do petróleo sejam vendidos à Europa, seria necessário relevar as quantidades fornecidas à China, e, modestamente os 730 milhões a Portugal.

Entre pensar “duas vezes”, e tomar uma decisão de “uma vez” reside o dilema europeu.

EURO-POLITIQUE. 75 - A medusa de Lampedusa


Numa Europa de “geometria variável” assiste-se a um chefe de governo, entronizado Ministro dos Negócios Estrangeiros da CE, assessorado por uma coadjuvante económica, quando não ocupa o seu tempo e o seu espaço a sussurrar com funcionários de elite maior, ou, governamental.


Já que a confluência de acordo entre 19 estados se torna de tarefa hercúlea e árdua, é natural que outros arautos mais audaciosos tomem a dianteira em certas directrizes que o incerto consenso foi incapaz de reunir.

Aliás, o comando da política externa europeia depende da mundividência particular que cada estado ousa imprimir nas suas peculiaridades históricas e nacionalistas.

E, quando a voz de comando não detém pressupostos evidentes de acção externa, recorre-se ao expediente mais simplistas de aceno de uma pequena e caridosa esmola pecuniária.

Lampedusa (ilha italiana, a 117 de Tunes, mais perto do que a Sicília) tornou-se um símbolo do “Êxodo bíblico”, encontrando no Vaticano uma “Europa que não estava preparada”.

Mais uma vez, a diplomacia foi ultrapassada pela história dos acontecimentos, como a Europa não tivesse "informadores credíveis" da confluência destes fenómenos sociais e políticos.

Parece que se torna evidente e necessária uma “diplomacia do silêncio” , (seja ela, do Vaticano!...) que nas margens das suas instituições consiga erguer um grito de esperança para tanto desespero.

O pânico parece invadir as estruturas diplomáticas, pouco habituadas às mudanças sociais e políticas que hodiernamente caracterizam o mundo moderno. A inovação e a falta de agilidade revertem em assinaláveis quantias de dinheiro, quando o desespero das pessoas anseia por formas e meios de emancipação e libertação das condicionantes que impedem o seu autêntico desenvolvimento.

Além disso, muito dos recursos financeiros disponibilizados revertem em esquemas, que, pouco ou nada, auxiliam os autênticos necessitados de ajuda.

Se em 1847 existiam 50 mil “pied-noirs” franceses na Argélia, em 1962 tornaram-se um milhão de “pied-nois” argelinos em França.

Com tanto intercâmbio racial, cultural, social e político, somente uma Europa de “geometria variável”, quase “sem rei nem roque” não consegue encontrar os ventos necessários ao seu levantar de voo.

Deste modo, a Europa torna-se numa medusa adaptada a uma vida errante.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 75 - Jet - Bouchon - Kadafi

Jet – Bouchon- Kadafi - Até que o "champagne" resista!...


A França pouco se inquieta com as manifestações na Líbia, mas resolve cancelar a exportação de “meios de segurança” para aquele país.

Em Portugal sossega-se os 177 portugueses que lá habitam, dado que o país tem óptimos recursos, como afirma o embaixador para lá destacado.

Todavia os 730 milhões de crude, que duplicaram ultimamente não têm nenhuma razão de explicação, a não ser para os “inconformáveis negócios políticos”!....

Como as exportações portuguesas justificassem tal duplicação de importação de “crude”!...

Torna-se evidente, que perante os seus vizinhos, a “famosa Líbia” não permaneça serena e calma, como auguram muitos dos seus defensores, ou, aliados camuflados.

Todavia esta serena e pacata timidez reflecte conluios que devem ser desmascarados, apesar de toda a “bonomia de certa política internacional e diplomática”.

Até que a ilustre “administração americana” ouse pronunciar-se sobre a legitimidade de tal processo político, aguarda-se, silenciosamente, o desenrolar sobre tais acontecimentos.

Ora, digamos que embora haja um território, uma população, a afirmação de de um “Estado”, está dependente da inspiração de um proeminente “guru” que encriptadamente zela e orienta os seus desígnios nacionais e familiares, debaixo de uma astuto sistema de segurança.

O "sistema de segurança interna", aliado a uma “guarda pretorial”, inferiorize qualquer sistema militar, apesar das centenas de milhões gastos em armamento.
Ou seja, é um “campus” de treino de milícias que nada tem a ver coma a constituição de autêntico “Estado de Direito”.

Por isso, aumentar em 100% os funcionários públicos é um meio de cobrir as deficiências de um sistema, que pouco tem de saudável, apesar dos vários “fundos económicos” que uma elite de gestores bem pagos alimenta nos circuitos do seu sistema.

A falta de esclarecimento, ou, de “ilustração” pouco preocupa as oligarquias europeias mais interessadas nos negócios económicos.

Todavia, a chamada “sociedade civil europeia” não se congratula com negócios que nada favorecem a democratização, ou, o conjunto de “liberdades básicas” de que devem usufruir os cidadãos de cada país.

O “Jet-Bouchon-Kadafi” não está longe das linhas de abastecimento do famoso “crude”, de origem líbia já que ele percorre "os sistemas da sua alimentação".

Até que a ilustre “administração americana” forneça os conteúdos da necessária “ilustração” reserva-se nos seus conteúdos kantianos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Port+Export - A Pasta de Papel (50%).


Nos anos setenta, do século passado, enaltecia-se a qualidade de pasta de papel de origem portuguesa, nos areópagos parisienses.


«Em 2010, a Portucel pagou 100 milhões de euros de importações por défice de matéria prima nacional. Um absurdo tendo em conta que a área de floresta pode duplicar», refere o jornal Expresso de 13.02.11.

Quer dizer que passados, precisamente, quarenta anos, parece que o País ainda não acordou, totalmente, para as autênticas fileiras da exportação, neste sector.

Se os terrenos não produtivos pagassem uma taxa pela sua falta de produtividade teríamos um manancial de terra livre própria para a floresta.

Já que, a partir dos anos 70, a agricultura deixou de ser uma "economia de subsistência" para se tornar numa "economia de mercado", tudo aponta para que os vários “serviços estatais e fiscais” se movam no planeamento dos recursos necessários para um aproveitamento industrial que é bem visto e querido no estrangeiro: aliás, “acusam-nos de não quererem vender mais pasta ou papel”.

Perante estas evidências comerciais nada justifica que os "intervenientes particulares e estatais" não encontrem o devido enquadramento, e as vias necessárias para assegurar uma procura firme e sustentável.

Perante certa inércia, por vezes, é necessária uma condução autoritária para que a floresta floresça atempadamente e manifeste os seus frutos. Uma legislação condizente deve mobilizar as forças da "sociedade civil" e os "imperativos estatais" para que a qualidade da pasta portuguesa se afirme, cada vez mais, internacionalmente.

Se, o Estado e o Fisco tardam nestas resoluções, então que os Municípios e Câmaras redobrem de atenção nesta problemática.

Com tantos problemas de exportação e de mercado, as evidências comerciais e empresariais não podem marcar passo durante quarenta anos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Staff presidencial 95. "A ilusão da Auto-Europa".2


Quando a empresa Grundig se instalou em Braga, dois amigos meus não foram admitidos nessa empresa, quando os "recortadores" de serviço lhes comunicaram que a dita multinacional iria pagar salários acima da média nacional, mas, que devido a contingências estruturais, manteriam um nível salarial, aproximado ao nível da média nacional.


Passados 15 anos, a empresa “Auto-Europa”, vende 114.000 carros para o estrangeiro, consagrando a módica e magra quantia de 6.000 para consumo interno.

Ora, já que passaram 15 anos, o Presidente da Alemanha advoga que os portugueses deveriam comprar mais carros desta empresa!...

A lógica da multinacionais, neste caso concreto, da indústria automóvel, move-se por interesses que não encaixam numa certa logística nacional.Aliás, os portugueses nunca tiveram dinheiro e ousadia de comprar uma fábrica de "chaves na mão", fosse ela "Seat", ou "Lada".

Apelar a que os portugueses comprem 20% da sua produção é um desígnio aceitável, dado o ensejo e gosto dos porugueses por automóveis, aliás, como em qualquer parte do mundo.

“Uma quota de exportação de 95 por cento é, talvez, um pouco elevada. Cerca de 20 por cento da produção deveria ficar em Portugal. Este poderia ser um projecto comum, pelo qual nos poderíamos empenhar conjuntamente", disse Christian Wulff.”

A falta de coordenadas por um “projecto comum”, aliciado ao êxito das exportações tem criado ilusões que pouco beneficiam a futuro destas admiráveis instalações.

A avidez do lucro não tem permitido a transferência de tecnologia suficiente para que levante voo esta ideia de “projecto comum”.

Não basta que a “Alemanha e noutras partes do mundo, (se) mostra bem as potencialidades de Portugal para receber investimentos de tecnologia avançada", como afirma Cavaco Silva.

É necessário exigir mais, pressionar muito, evidenciar bem as potencialidades, e , sobretudo prementemente "colaborar", para que o processo comercial atravesse o processo social e político, em termos simples "aprender a pescar".

A colaboração na cooperação, não é no sentido do que o Brasil tem um mercado que vende bem, mas que o território português desempenha uma plataforma, que tanto pode servir os interesses portugueses, como os interesses alemães. "Que o turismo, passa pela utilização do automóvel, tanto na Alemanha, como, em Portugal".

Neste sentido, oxalá, que o Volkswagen represente para Portugal, aquilo que a “Seat” representa para Espanha, mas nesta analogia, estamos tão distantes como da terra para a lua.

Por isso, não queremos a “Auto-Europa” na lua, mas cá na terra de Portugal.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...