Seguidores

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

,“África do Sul e Angola

são geograficamente muito próximas
mas conceptualmente e culturalmente
estão a milhas”




Esta frase de Lyal White do Gordon Institute for Business Sciences, dita ao jornal sul-africano “Mail & Guardian” , revela um contexto relacional de extrema importância.

É evidente que Brasil, China e Portugal se encontram à frente da África do Sul, quer nos investimentos, quer nas mais variadas relações socio-políticas.

As antigas matrizes, quer portuguesa, quer inglesa, ditaram alguns percursos divergentes, que se acentuaram durante e após o regime do “apartheid”.

Longe vão os tempos em que Portugal pagavam 2.50 escudos para a matrícula dos jeeps sudafricanos!...

Por trás das matrizes, as diversas passagens de testemunho, quer nas concepções de poder, identidade e sistemas, existem consagrações políticas e culturais da mais variada índole.

Se a um certo declínio estrutural, quer físico, quer social da parte da África do Sul, Angola exibe uma certa pujança quer territorial, quer mundana. E, neste sentido paulatinamente Angola encaminha-se para atingir um certo apogeu, que a sua vizinha já deteve, embora 10% da riqueza de África se encontre nas suas mãos.

Mas esta divergência cultural, por um lado tipo americanizada (ou inglesa) na África do Sul, por outro lado na procura de uma identidade angolana podem confluir para um sadio e salutar relacionamento. Angola carece de um processo de unificação de identidade assumida, enquanto que a África do Sul necessita de uma certa confluência para as suas divergências.

Ambos os países estão ancorados no Sul de África. Portanto “conceptualmente” muitas afinidades, quer geográficas, quer populacionais, se congregam para que diversos conceitos estratégicos sejam postos ao nível da cooperação.

O desenvolvimento tecnológico ao nível das técnicas de petróleo, da energia, da saúde, da informática, da educação, e, da agricultura da África do Sul torna-se numa certa vantagem para quem carece de matérias primas, e neste caso, Angola é fértil.

A proximidade afasta distâncias, e a divergência mental pode criar proximidades!...

“Audaces fortuna iuvat”.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Algoritmo do Kadafi.65. Filósofo não é embaixador!...

A linguagem retórica ou política tem as suas contradições.


Carrilho “tinha as qualidades e as competências para fazer isso”

- “Fazer isso” é uma indeterminação lógica!...

- “Tinha as qualidades” – certamente

- “E as competências” – certamente que não, pois as competências desenvolvem-se; são habilidades que se adquirem com o ofício. Em inglês técnico "skills"!...

"Um embaixador não pode ser um agente político, que age de acordo com o seu ponto de vista" –

“Um embaixador é um agente político” ao serviço do seu país, da República, e também do povo.(Não é um "agitrop").

Pode e deve ter “ponto de vista” na medida em que respeite certas orientações. Claro que o MNE, quis impor a “lei da rolha”, é preciso recordar-se!..

“Lamento muito que o embaixador não o tenha percebido”

Certamente que percebeu!.... Deveria ter pedido a demissão, mas também existe alguma arrogância, não fosse Cadilho!..

“E era o que faltava que um Governo se comprometesse em determinada direcção e que um embaixador não cumprisse essas orientações”.

Como funcionário do Estado tem de cumprir obrigações, salvo se a sua consciência ético-política, entrarem em confronto ou dilema.

Excepção releva-se em “algoritmo do Kadafi” que não pretende ser nenhum agente político. Somente é um espaço de liberdade, criado pela Internet.

Para saber de biologia é preciso ser biológo. Saber e crer são diferentes, mas um certo tipo de conhecimento perpassa entre as linhas cor de rosa!....

Na Tripolitana, a embaixada chegou "tarde e a más horas", não foi preciso autorização da Administração Americana”!....

Após afundar duas "empresas de construção", cujas dívidas recaírem sobre os cidadãos portugueses!...

Injectámos dinheiro sem retorno!...Há muito petróleo no planeta!..

Desenvolvemos uma política que não sabemos bem a direcção!...

Etc...Etc..

sábado, 11 de dezembro de 2010

A bela economia.7 - "WikiLeaks em Tete".

Apesar de certas diligências em redor de Cahora Bassa, as suas revelações, em redor de tal facto pré anunciado, surgiram nas “vozes dos deuses” que “negócios políticos” não merecem qualquer intromissão da raia miúda, já que este tipo de classe nunca contribuiu para o “erário público”.
Portanto, os negócios serão feitos entre as várias oligarquias, ainda que a WikiLeaks venha, agora, manifestar questões de suborno.

Aliás, não consta que WikiLeaks passou pelo Ministério da Economia!...

Segundo noticia o Expresso: “o estado português já tinha anunciado querer vender a empresas lusas a sua participação no capital da hidroeléctrica". Já que não conseguiu vender à China, ou, a Stanley Hoo, o pouco que resta, é de alienar, sem nunca ter conseguido constituir um certo tipo de empresa!...

Antes do negócio fabuloso para Moçambique a favor de uma determinada oligarquia, ou seja, a “segunda independência de Moçambique” para o partido do poder, outras vozes heréticas levantavam-se com o famoso ouro do BNU, já que “Cahora Bassa” é nossa, apesar das obrigações financeiras portuguesas.

Os dividendos de “Cahora Bassa” poderiam ser outros se existe uma sagacidade no seu planeamento.

Não defendemos a tese de que “aquilo foi dado”. É justo que um país reivindique aquilo que está em território seu, já que não é nenhuma coutada diplomática.

Mas que faltou uma certa diplomacia no tratamento de tal negócio torna-se mais evidente.

“Cahora Bassa” poderia ser um trunfo no diálogo Norte/Sul de África, com grandes vantagens para a sua tripla relação.

Além de fomentar a agricultura e intercâmbio comercial poderia construir pontes no diálogo, muitas vezes,” intestinais” dos países africanos.

De nada vale “chorar por leite derramado” quando as tâmaras parecem secas, e, nada reclamarem!...

Faltou "arte e engenho" para fazer de Cahora Bassa um "novo Macau", mas que se tornou numa árvore das patacas, para alguns, talvez, tenha sido o seu caso.

Algoritmo do Kadafi.63. Tripolitana

Apesar do Parlamento Português votar massivamente contra o ataque dos USA à Líbia, a cotação de Mister Kadafi no País, é demasiado fraca, para não dizer péssima, na chamada élite intelectual, navegando, sociologicamente, na técnica do petróleo, na camada popular.


Além disso, existem audazes “rangers” que aguçam apetites demasiados idílicos para tão digna “raposa do deserto”!...

Tudo isto, vem a propósito da III Cimeira Africana em Trípoli.

Os meios de informação, tanto jornalísticos como televisivos, passaram como raposa por vinha vindimada, ainda que anteriormente Portugal tivesse organizado tal cimeira.

É, sobretudo, um aspecto folclórico para esquecer, já que mais dos 50% dos seus objectivos não foram conseguidos.

Além disso, continuámos na marginalidade de país periférico neste diálogo de Europa/África, excepção feita aos países lusófonos, embora com uma subtil capitalização diplomática.

Portanto, o contexto geral e histórico não favorece muito “lançar lanças” no Norte de África, desde o desastre de Álcáçer Quibir.

Parece uma nostalgia digna de um certo “Sebastionismo” de má memória, embora alguns magros resultados redobrem este misticismo.

Por outro lado, as frequentes visitas de um altivo Sócrates, parecem relembrar a uma certa clique os desejos de um “kaiser quiconque”.

“Deixemos a política e vamos à economia”, dizia Kadhafi, relembrando as palavras de Ronald Reagan “se tens muito dinheiro dá-o aos pobres”. Ora, eis que tal líder ou “guru” exige 5 mil milhões de euros para ser o “polícia” do Norte de África.

É natural que os europeus quiseram mandar o homem às urtigas, por tal exigência, apesar das contínuas e teimosas ameaças do antigo colonialista italiano.

Será que “a voz do deserto” ainda atinge qualquer laivo de messianismo, trocando o “deus dos hebreus” pelo “anátema de Alá!.”

Mas, apesar de todo o fervor de certo líder português neste abençoado “guru”, a sua visita à III Cimeira Africana resultou mais numa espécie de “bisca lambida”.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

EURO POLITIQUE 59. "Ao sabor da crise"


Alguém afirmava que hodiernamente a luta entre países se fazia através da economia.


Bem, recentemente, na III Cimeira Africana, Moummar Kadhafi, dizia:  “deixemos a política e vamos à economia.”

Com um superávit seis vezes superior à sua economia real, a China esconde-se por trás da sua moeda. Desvalorizar ou valorizar a sua moeda segue os impulsos dos seus dirigentes, apesar da inflação que grassa os produtos alimentares.

O ”novo modelo económico” chinês, ao passar de uma “sociedade agrícola” para uma “sociedade urbana” torna-se permeável às “mudanças tecnológicas”, e a um “estilo de vida”, cujas consequências são, de certo modo, imprevisíveis dada a sua arquitectura política.

Um sistema político e socialista, com dois sistemas económicos, caso, por exemplo, de Macau e Hong Kong, até que ponto se mostram conciliáveis na sua dicotomia com um processo de harmonização?

Além disso, a transparência financeira e económica do estatal e privado, das regiões e da nação chinesa, deixam muito a desejar para os peritos financeiros.

Os objectivos de modernização que galopam rápida e avidamente, que sacrifícios e contradições acarretam na ambição da China?

"Um dia na baía de Maputo contemplava o novo edifício dos MNE de Moçambique. Alguém me sussurrava que tinham sido os presos da China que tinham erguido tal obra".

No confronto de ideologias e blocos mundiais, certamente que o modelo chinês não manifesta grande transparência nesta guerra económica.

A globalização sem ética torna-se um caos, ou, obedece à hegemonia dos poderosos.

Sem um conjunto de regras, na economia mundial, entrámos na dança dos “mercados financeiros”, e, ao sabor da crise.

domingo, 5 de dezembro de 2010

EURO POLITIQUE 59. "Chinês, aqui não entra"


“Chinês aqui não entra”, dizia simplesmente uma pessoa tão farta de produtos baratos e fracos, “made in China”.


Parece que o governo chinês, também farto de arremessar divisas estrangeiras, resolveu mudar de rumo.

Nos próximos cinco anos prepara-se para gastar a módica quantia de 1500 mil milhões de euros em novos programas de renovação tecnológica.. Após anunciar comboios de alta velocidade de 500 Km/hora, que está prestes a conseguir, pois só falta 15.

Eis, portanto, as sete propostas: biotecnologia, materiais de ponta, tecnologias verdes, carros de propulsão alternativa, tecnologias de nova geração, energias renováveis e produtos manufacturados de alta qualidade.

Estarão as empresas portuguesas atentas ao “marketing chinês”?

Portanto se alguém disser “chinês aqui não entra”, talvez seja surpreendido pela mudança chinesa, que pretende privilegiar as indústrias de forte valor acrescentado..

Aliás, na tecnologia de alta velocidade, a China prepara-se para dar cartas no mundo exterior.

Mas aquilo que, por vezes, pugnámos por um “modelo europeu”, e um “modelo americano”, eis que a China se apregoa pela defesa do seu “modelo de desenvolvimento económico”, mais flexível e eficaz.

Qual será, portanto, o “modelo chinês” de direitos sociais, políticos e económicos?

EURO POLITIQUE 59. Mar del Plata


Após a Cimeira da Nato em Lisboa é necessário refrescar o ânimo das tropas no Afeganistão. Um antigo dirigente da CIA referencia que a política externa (ou, sobretudo, a política militar dos USA) se mantém nos mesmos objectivos da antiga presidência.


A repartição de poderes e pontos de influência nos grandes organismos mundiais carece de uma melhor repartição, quer devido ao desenvolvimento económico e social, quer ao factor de demografia.

Todavia mexer nessas grandes e poderosas organizações, apesar do apelo de certas individualidades, permanece num jogo de falta de clarificação que a sua ambiguidade favorece para certos e determinados jogos estratégicos.

Nestes jogos estratégicos particulares tende-se arrastar outros países para a manutenção do clima de tensão que satisfaz os interesses individuais de outros.

Os novos e antigos problemas de imigração, terrorismo, pirataria, máfias, tráfico, extorsão, contrabando são epifenómenos que grassam a sociedade civil aos quais os “estados” modernos tem dificuldade de dar resposta.

As sociedades democráticas têm de privilegiar as vias de comunicação e informação para que as pontes de diálogo e consenso se afastem dos meios violentos.

O processo de integração do indivíduo na sociedade e no estado é um processo lento e moroso, quando atinge os seus graus de integração.

Platão tinha razão ao defender a educação, a procura da verdade, fugindo do discurso corruptor do orador, ou, simplesmente da retórica, função essencial do político.

Os discursos demagógicos pouco conduzem à essência da realidade e da verdade, e, por vezes, a ilusão vende-se como força da justiça.

A força da justiça justifica-se com o aparato militar, quer em Cabul ou algures, mas que não atinge os seus objectivos, porque, hodiernamente, as sociedades civis organizadas ou não, não encontram a sua justificação nos estados.

Existem indivíduos cuja vida se faz contra o Estado, conscientemente, e conseguem sobreviver, serão aquilo que os gregos chamam de “selvagens” dada a sua falta de integração na cidade, na pólis, ou, na política do estado.

A dinâmica “sociedade civil” versus “estado” e vice-versa, atingiu em Espanha um clímax de explosão. A média de indivíduos (controladores aéreos) que ganham 200 000 euros anuais, ou, até 600 000 em alguns casos, não condiz com as dificuldades da realidade económica de Espanha.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...