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terça-feira, 7 de julho de 2020

Convento de Santa Marinha na freguesia de Loivo - V.N.C.







Canta-se pelo poema de Rosa Varela
E pelas “Alminhas do Pedroso”,
E, sem qualquer “Harpa da Tumba”
Que, no teu caminho, nunca esqueças
Esta” terra de lobos” e abadessas.


Remonta aos anos de 1258, a sinalização desta povoação, tendo como origem um “pequeno couto” dependente de seus patronos ou padroeiros, senhores leigos ou eclesiásticos, cuja notoriedade se forja com a fundação de um convento de origem feminina. O “couto per padroes” significa um território privilegiado, muitas vezes, ligado a um mosteiro, cuja entrada estava sob licença do seu mordomo, neste caso, da sua abadessa. Implicava, também, uma separação entre o religioso e o temporal, entre o convento e os casais; por isso, tinha o sentido de marco ou padrão.  A referência documental das Inquirições de 1258 assinala este povoado como um “couto feudal”, que dá origem a um convento de freiras noviças ou seculares, no lugar do Pedroso. Portanto, é desde o século XIII que, através do consagrado Caminho de Santiago, se abriam as portas aos seus peregrinos, cujos cuidados estavam dependentes destas freiras, além do trabalho agrícola que se desenvolvia neste local. Também, desde o ano de 1320 que o Catálogo das Igrejas do Bispado de Tui faz referência ao Mosteiro de “Sancte Marine de Lovho” (Santa Marinha de Loivo), cujas taxas ascendiam às 200 libras.


Como, nestes tempos a riqueza vinha da natureza, certamente que o dito convento tinha rendimentos para pagar essas taxas. Sob a tutela da abadessa do convento de Santa Marinha foi lavrada uma generosa doação de Álvaro Dias, abade de Mangoeiro, a favor de um hospital em Cerveira, no ano de 1444. Todavia, o convento de Santa Marinha, ou, simplesmente, a “casa de religiosas” beneditinas, foi anexado ao mosteiro de Santa Ana de Viana do Castelo, em 2 de outubro de 1529, após a renúncia da sua abadessa D. Francisca da Nóvoa, com o beneplácito do Papa Clemente VII, e, confirmação do rei D. João III, em 1530. A partir do século XVI, “a vigararia” de Loivo foi ocupada por António Enes, e, retificada posteriormente, segundo cópia do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, com data de 1580. Portanto, a jurisdição de vigário implicava uma dependência ou a subordinação a alguém, tal como, anteriormente estava o exercício de poder da abadessa.


O século XVIII marca definitivamente a transição da paróquia de Santa Marinha de Loivo. O lento desaparecimento do seu mosteiro dá origem à construção da igreja atual da paróquia, cuja torre sineira já foi acabada no século XIX. A construção da igreja paroquial é um marco histórico, não só para a freguesia e seus habitantes (pela sua arquitetura), como também para o contributo dado pela família Costa Pereira na continuidade da fé religiosa. Dela rebentam os lídimos defensores ou arautos da sua fé, através da geração de padres que a ela se associam. Sem os brasões de armas da Quinta da Torre ou da Quinta do Vale, esta família burguesa que nada deve à fidalguia, tornou-se o baluarte da fé católica. É de 1802, a Carta de Recomendação, indicando que o Padre Manuel da Costa prestará serviços religiosos à freguesia de São Pedro de Gondarém, pelo tempo de quatro meses. Esta Carta tem a sua origem na comarca de Valença, para recomendação na Igreja e Abadia de Gondarém. O último rebento desta família foi Evaristo José da Costa Pereira, que em 1945, foi presidente da Santa Casa de Misericórdia de Vila Nova de Cerveira, e dedicou-se ao Hospital de Cerveira. Já, em 1915, seu pai, Luís Maria da Costa Pereira (1875/1951) tinha exercido idênticas funções, residente na “Casa da Aldeia”. Família abastada, religiosa convicta, nada devia à nobreza, e, grande parte da sua fortuna e bens tiveram a sua origem em terras do Brasil.

Canta-se pelo poema de Rosa Varela
E pelas “Alminhas do Pedroso”,
E, sem qualquer “Harpa da Tumba”
Que, no teu caminho, nunca esqueças
Esta” terra de lobos” e abadessas.

Rosa Varela, poetisa e prosadora, natural de Ganfei, faleceu em Loivo em 26.09.1968.

Fontes:
Arquivo Distrital de Braga
Arquivo da Freguesia de Santa Marinha de Loivo
Arquivo da Santa Casa de Misericórdia de Cerveira
Jornal Cerveira Nova

segunda-feira, 6 de julho de 2020

EUROPOLITIQUE: "Por terras de lobos e abadessas" - Do convento de São Paio às abadessas de Santa Marinha na freguesia de Loivo - V.N.C



"Terra de lobos e abadessas", a freguesia de Loivo, com os seus dois conventos de São Paio e de Santa Marinha exerceu, com devoção e prestígio, um papel assinalável na religiosidade da Idade Média. De igual modo, Santa Marinha e Santo Ovídio são dois lugares interligados em Vila Nova de Gaia, com esta dedicação. Muito ligada à sua tradição, faz parte desta freguesia de Loivo a devoção Santa Marinha. Aliás, como acontece com a nova cidade ligada ao Porto, na sua toponímia. A devoção a Santa Marinha não é caso único no Norte, e, no resto do País, já que na Galiza, nada menos de 108 paróquias, reclamam a sua proteção. Padroeira, ou, orago desta freguesia de Loivo, somente a sinalética ferroviária assinalava o apeadeiro de Santa Marinha, como ponto de referência da sua existência, longe da medieval "terra de lobos e abadessas". Esta paragem ferroviária contrasta, no tempo, com o movimento e a devoção, que esta santa suscitou na fundação de um convento, em sua memória.

Todavia persiste um dilema acerca da devoção a Santa Marinha. Se, era a santa que “rapou os cabelos e se vestiu de homem” para entrar num convento, cujo nome sonante era Marinho, (era mulher e morreu homem); ou, se era aquela Marinha que pertencendo aos "deuses romanos se tornou santa". A primeira, oriunda do Líbano, viveu no século V, sendo chamada de Santa Marina ou Santa Marina de Bitínia. A segunda, nasceu em Baiona, na Galiza, no ano de 119, filha de um governador romano, de nome Lucio Castelio Severo. A história atribulada desta jovem começa desde o berço até à sua idade adulta. Ameaçada de ser lançada no rio Minho foi salva pela mão protetora da sua aia, que encontrou uma família para seu acolhimento. Batizada por Santo Ovídio, bispo de Braga, abraçou o cristianismo de tal forma que nunca voltou para o paganismo, apesar das ameaças de seu pai. Foi mártir, mas em pleno século II, quando a Galiza procurava resistir ao império romano, o qual já tinha conquistado a Lusitânia, com a celebração da Pax Julia, no ano de 48 A.C.

Longe estávamos de qualquer “Jardim de Delícias”, ou “hortus deliciarum” que uma freira escrevera como apanágio de sabedoria temporal e espiritual, por volta do século XII. E, longe estamos da influência e prestígio das abadessas do convento de Santa Marinha. Se determinada tradição oral aponta para o sítio de Pedroso, onde teria existido uma pequena torre, sem qualquer vestígio evidente, somente nos resta aguardar por desconhecida pedra encaixada, em alguma casa edificada. Augura-se que a fundação de um convento de freiras é bastante anterior ao século XV. Possivelmente, remonta ao século XII, ainda que a única referência da sua existência, surja somente em 1477. Se, do convento de freiras não temos vestígios da sua arqueologia, acerca da sua importância, prestígio e poder, existem vários testemunhos escritos.

O convento de Santa Marinha de Loivo, ou, simplesmente, a “casa de religiosas" beneditinas foi anexado ao mosteiro de Santa Ana de Viana do Castelo, em 2 de outubro de 1529, após a renúncia da sua abadessa D. Francisca da Nóvoa, com o beneplácito do Papa Clemente VII, e, confirmação do rei D. João III, em 1530. Outra referência, datada de 1546, relata a sua anexação de modo definitivo ao convento de Santa Ana de Viana Castelo: («in perpetuum» – ou seja, “para sempre”). O facto mais relevante da sua importância acontece anteriormente. Em 7 de outubro de 1477, no Mosteiro de Santa Maria de Loivo, foi lavrada a escritura da doação feita pelo Abade de Mangoeiro a Cerveira, tendo sido autorizada, por D. Afonso V, em 21 de Fevereiro de 1474. Deste modo, Álvaro Dias doou uma quantia razoável para o carenciado hospital de Cerveira, que prestava cuidados aos peregrinos de Santiago. Augura-se, que a sua abadessa fosse Inês Barbosa, que governou este convento, desde 1444.
Deste modo, o convento de Santa Marinha de Loivo faz jus ao poder de certas abadessas. «Algumas abadessas eram autenticos senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores; algumas usavam báculo, como o bispo; administravam muitas vezes territórios com aldeias, paróquias...» 
(Pernoud, Régine, "O Mito da Idade Média", 2.ª Ed. pág. 95, Pub. Europa América, 1989).





sexta-feira, 3 de julho de 2020

EUROPOLITIQUE: O primeito cativeiro de Fernão Mendes Pinto nos areais de Melides


«Treze vezes cativo, dezassete vezes vendido», (a conta não bate certo), somente Fernão Mendes Pinto pode ombrear nestas façanhas que remontam à história dos nossos Descobrimentos.

Um dia, conversava com um amigo e com saudades de Melides, acerca da audácia dos portugueses no capítulo na navegação. Amante do deus Baco, a sua tese era demasiado simples. Foi graças aos "pipos de vinho e aguardente" (de medronho ou vinícola) que os portugueses realizaram os descobrimentos. O poder do néctar, que “Baco celebra, e, Dionísios canta”, inebriava com tanta força os ardorosos nautas contra as tempestades, que nem Camões com a sua força poética entusiasmava esses navegantes.

Este meu amigo que me falava de Melides, sendo ele do Norte do País, rivaliza nas suas histórias e peripécias, como este senhor de Montemor-o-Velho, cujo nome é Pinto.

Fernão Mendes Pinto, ex-egresso feito jesuíta, que deste poder não escapa por causa dos seus escritos, somente conseguiu publicá-los em 1614, trinta anos após a sua morte.

“O homem que, (na literatura), não tem preço”, e cuja obra desmitifica qualquer critério de verdade, engalanou-se com o título de Fernão Mendes “Minto”.

O seu primeiro cativeiro tem como pano de fundo, os areais de Melides. Se, de Troia a Sines, são 65 quilómetros de areal não deixa de ser natural que a nudez invadisse Mendes Pinto, já que o corsário francês, que lhe levou a roupa, após roubo e açoite, não encontrou qualquer viking; ou, não pagando o bilhete na caravela que o trouxe da Figueira da Foz até Setúbal, quis a fortuna que o seu desterro fosse o areal de Melides. Se encontrou algum honrado lavrador, ou, algum próspero pescador que o protegeu, é mera conjetura deste aventureiro, soldado, mendigo, pirata, cortesão ou embaixador, melhor dito, escritor. 

Nesses longínquos tempos, o vinho branco de Melides não tinha um concorrente que, em vez, da “aguardente de medronho” esvaziava “meio litro da vinícola”, por dia. Mas, o caminho da aventura guiou esse jovem Fernão, que com menos de dezoito anos foi preso, e, por volta de março de 1537 até aos anos de 1557 , ou seja, em vinte anos, escreveu a “Peregrinação”. Mas, o “Mar Amarelo” foi sempre aquele espelho do delicioso néctar de cuja cor somente existia em MELIDES.



N.B. "Fernão, mentes? - Minto!". No entanto, através da história comparada, chegou-se à conclusão de que muitos dos relatos eram verdadeiros e corretos

quarta-feira, 24 de junho de 2020

EUROPOLITIQUE: As três históricas pontes de Santo Tirso: em madeira, metálica,e, de betão armado, sem a do século X de São Rosendo


«A torrente do rio rugia quebrada pelo triângulo dos pegões» (1) A ponte de madeira assentava-se sobre pedras, ou, pegões. Era a ponte inicial de Santo Tirso, na descrição de Camilo Castelo Branco. Esta ponte do século XIX foi substituída, no século seguinte, por uma ponte metálica. Somente, no final do século XX, deu origem a uma ponte de betão armado.

Há muitos anos que grandes plátanos embelezam a sua rua principal, com as suas frondosas copas, em que quase se esconde o Mosteiro de Santo Tirso. Por tradição e costume, a mesma paisagem continua ao longo dos anos. O rio, os campos de um lado do mosteiro; os plátanos e a estrada do outro lado, em que se conjuga a cidade e o campo. No centro, o coração dos frades ergue-se em oração pelo passado e futuro.


Ora, em relação ao passado emerge uma figura fundadora de conventos e mestres da oração, cujo nome dá por D. Rosendo.

Este senhor eclesiástico deve a sua origem a Santo Tirso. A palavra senhor inscreve-se no sentido laico, em que a sua designação se associa ao poder militar. O Bispo era clérigo e ao mesmo tempo militar; ou seja, chefe espiritual e temporal, porque o combate da fé lhe estava implícito.


Três personagens emergem, nesta época, tendo como palco Santiago de Compostela: D. Rosendo, Sisnando e Viking Gunderedo (o terror de Compostela).


Sisnando ” mais militar que bispo” estava em “retiro religioso”, segundo fontes galegas, quando as forças de viking Gunderedo desembarcaram em “Vacariae”, corria o ano de 968.

A rivalidade entre Sisnando e Rosendo não seria alheia a Gunderedo, já que os vikings eram exímios em colher informações, antes de qualquer incursão. Gunderedo, hábil diplomata, com escola de vida no Reino dos Francos, estava ansioso pela hora de pôr à prova os “dotes guerreiros” do impetuoso Bispo-militar Sisnando, que hábil e forçosamente tinha posto de lado por favores  régios e políticos, o seu rival religioso – D. Rosendo. 


Este “mais bispo que militar”, por força do seu opositor, dedicou-se à vida religiosa e à construção de um mosteiro, sem deixar um anátema sobre Sisnando: “quem com o ferro fere, com a espada morre”. Descrente de qualquer maldição, o Bispo-militar não resistiu às forças guerreiras de Viking Gunderedo.



(1) Camilo Castelo Branco, “A Brasileira de Prazins”, pág. 35, Edições Expresso, Lx. 2016.

domingo, 21 de junho de 2020

EUROPOLITIQUE: "Para lá dos Pirenéus, aquilo é África" - Mistérios de Lisboa-l (Camilo Castelo Branco)






No princípio do seu livro “Mistérios de Lisboa – I”, Camilo Castelo Branco, que nunca saiu do País, deixa um “olhar do outro”, ou, uma perspetiva daqueles que nos veem de fora, que, após duas gerações continuará como sendo uma marca ou estigma de uma geração de portugueses. É, já, nos anos sessenta, com a emigração portuguesa, a rebentar pelas costuras, que a cidade de Paris atingirá um milhão de descendentes lusos.

“Para lá dos Pirenéus, aquilo é África” – slogan repetido por várias classes gaulesas, evocando-se, por vezes, a tese de Max Weber, entre a capacidade de criação riqueza pelos protestantes e pelos católicos.

Estes preconceitos de atraso material e cultural estendiam-se até às terras germânicas, em que predominava a visão de Portugal, como país atrasado, digamos, do “terceiro mundo”, na época dos anos de setenta.
Esta imagem de inferioridade cultural é rebatida por Camilo, quando, escreve, precisamente, sobre a sua capital.

«Enganei-me. É que não conhecia Lisboa, ou não era capaz de calcular a potência da imaginação de um homem. Cuidei que os horizontes do mundo fantástico se fechavam nos Pirenéus e que não podia ser-se peninsular e romancista, que não podia ser-se romancista sem ter nascido Cooper ou Sue. Nunca me contristei desta persuasão».

As bidonvilles de Paris não são as quintas de Camilo. Nem a “a potência da imaginação” bafejou muitos homens. Mas, Camilo antecipa-se nesta perceção social, apesar da sua  recusa sistemática nas ideias gaulesas e da influência de certo galicismo.

N.B.  Camilo Castelo Branco morreu um ano após a inauguração da célebre Torre de Paris, na Exposição Universal de 1889, construída por Gustave Eiffel.

sábado, 20 de junho de 2020

EUROPOLITIQUE: "A VOZ DE PRATA" que do Minho a Roma se dirigia...





Em terras lusas, dois estros da oratória refulgem como lídimos cavaleiros destas andanças, a quem a oratória engrandeceu para encantamento dos seus auditórios. O ethos, o pathos e o logos reúnem-se no orador para que  se configure a sua credibilidade, se imponha o seu discurso, se arraste a multidão, como plebe dominada pelo seu senhor .


Por terras brasileiras, o Padre António Vieira, com os seus “Sermões” deixou-se florir em longas explanações na língua de Camões; e, por terras portuguesas e italianas, São António de Pádua ou Lisboa, com as suas “pregações” deslumbrou os seus auditórios. Ainda que o “sermão aos peixes” do Santo de Lisboa se tornou numa parábola portuguesa, digna da ingratidão lusa.

Por terras das novelas do Minho e do próprio Camilo, reluziu, no final do século, outro estro escondido da oratória portuguesa. Do alto da colina, que mais alta se tornava com o sopé do seu espigueiro, pedindo aos deuses e a  Roma a sua bênção, ecoava, este grito estridente, como introito digno dos antigos senadores:

«SENATORI ROMANI…Senatori romani…» o eco ribombava: “senatori romani”…

Com este grito estridente, não era a capital eterna que aos romanos se exigia. Nem era o chamamento para qualquer legião romana adormecida. Era a certeza que um tribuno despontava com a sua toga para eco dos patrícios, a quem a oratória não os tinha bafejado. Se Demóstenes se treinava na praia com seixos na boca, já que de “boca de oiro” se tratava, “a voz de prata”, que de Roma se reclamava, erguia-se maviosa e cantante:

“Senatori romani”. "Senatori romani"

"Tirem-me, daquele poleiro, essa ave cantante" - gemia aquela alma inocente que dos vizinhos tinha dó.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

EUROPOLITIQUE: Wilhelm Reich no "Milagrário Pessoal" de José Eduardo Agualusa




O “Milagrário Pesssoal” de Agualusa causa-me alguma surpresa quando aborda a teoria de Wilhelm Reich, acerca do hipotético “acumulador de orgónio”, cujo pano de fundo reside na "teoria da libido". Aliás, releio, as passagens de Agualusa. 

Não sei se W. Reich queria construir um “orgonómetro”, já que não sou muito adepto das suas teorias, nem defensor das suas ideias. Gosto da psicanálise como teoria, mas não defendo a psicanálise como ciência.

Em boa verdade, fui convidado para uma pequena palestra sobre Reich, na universidade francesa de Paris IV, ilustrada com um conhecido e acérrimo defensor de Reich . O culpado desta sessão foi o meu amigo, estudante de psicologia, que andava entusiasmado com as teorias sobre sexualidade. Na verdade, não faltavam comícios e filmes sobre a teoria do orgasmo que entusiasma plateias de estudantes, e, incendiava auditórios.

“Aquele judeu maluco”, psicanalista, que escreveu “A Função do Orgasmo”, segundo Agualusa não era tão maluco como parece. Talvez tenha levado ao extremismo a sua e própria “teoria da libido”, na nossa modesta opinião, mas o caso paradigmático da história de Agualusa desencadeia a descarga de uma tensão sexual que para lá caminha.

Alias, a teoria da libido, em Freud, é uma descoberta fabulosa nas relações humanas, mas não embarquemos na pan-sexualidade. Resguardando-se da influência psicanalítica, o meu amigo enveredou pela "psicologia social" de quem se tornou um expoente em terras lusas, na região portuense. Pelo menos, bibliografia não lhe falta, quer nacional. quer internacional.



P.S. - Agualusa, José Eduardo, "Milagrário Pessoal", Edições D. Quixote, págs. 49-50, Lx. 2010.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...