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terça-feira, 7 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: O "Independetismo estético" da Catalunha


A expressão de Artur Más sobre a "independência estética" da Catalunha, deve merecer o apoio do cidadão alemão e françês, para não dizer, do português. 
Muitos alemães estão fartos de contribuir para esses cidadãos que se dedicam a "copos e mulheres", ou seja, à diversão política de independências. Não por pactuarem com o "homem unidimensional" de Marcuse, mas por considerarem que os "tempos" não são para brincadeiras. Após os anos de crise, a maioria da população passou alguns calafrios, e, os portugueses muitas angústias. Mas, se o senso comum europeu se aproxima do pensamento comum dos políticos, a independência da Catalunha é meramente estética. 
No plano ético, a vontade de muitos catalães ainda não é suficiente para atingir o plano político, embora a sua expressão seja digna de consideração e não de anátema. O anátema faz lembrar a famosa Inquisição Espanhola. Por isso, a concialiação possível entre o plano ético e político implica que além das suas boas intenções sejam analisadas as consequências. (Além do "ordenamento jurídico" que a vincula às portas de Madrid, não quer dizer que os seus portões se ergam em prisões).
Madrid ordena eleições (apesar de mais dois anos de poder vigente). 
 Quem paga as eleições, ou seja, os 25 milhões de euros no dia 21 de Dezembro?
Resposta: a Catalunha, ou seja, cada votante desembolsa 5 euros. 
Mas, quem manda devia pagar.!...ou seja, Madrid. 
Se a Calalunha gastou 6,5 milhões de euros é bastante rídiculo pedir aos seus autarcas o dinheiro desta despesa. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: O "Iberismo" de Miguel Esteves Cardoso (Jornal Público)



Se, o pretenso "Iberismo" de Miguel Esteves Cardoso (Jornal Público de 02.11.1974) fosse a referendo, certamente que tinha 40% do apoio popular. É que, apesar de nem bom vento, nem ideal casamento, a Espanha paira, muitas vezes, como "tábua de salvação" para as maleitas, ou, atraso endémico português. 
Tanto, Portugal - confundido como província espanhola -
 como a própria Espanha eram vistas para além dos Pirinéus, como qualquer coisa africana. Este preconceito europeu de "pobres e atrasados" ainda está vigente na profundidade de certa mentalidade europeia. Os ventos de Lutero não bafezaram os ares da Península Ibérica, e, na falta de uma brisa fresca, alguns idealistas e combatentes portugueses refrescavam-se em Espanha, como, hoje muitos populares se revêem nesta possível identidade. (Não esqueça que o prognóstico é da ordem dos 40% de portugueses - ou seja, aquilo que a Catalunha desdenha, muitos portugueses anseiam).
Da janela de Luís de Almeida Braga estendia-se uma paisagem bucólica, cujo zénit era a Galiza. Embora procure entender as ideias do "iberismo" ou do "integralismo lusitano" que na infância despontava no meu olhar, hoje, as minhas perpectivas encaminham-se para uma visão mais sistémica e europeia, apesar da latência de um preconceito europeu, difícil de estigmatizar. (Se não é África, são "copos e mulheres" - moderna versão).
 Portugal nem é a Galiza, nem é a Catalunha. Mas, a Catalunha talvez tenha o mérito de espevitar esta identidade portuguesa, que procura a sua âncora na Europa. A busca de uma âncora para o navio português é somente um ponto de apoio para que o navio saiba navegar em alto mar, no seu lugar, caminho ou percurso. Continuámos a navegar à vista, quer em orçamento, quer em visualização de futuro. Ainda não descobrimos os intrumentos de autonomia para navegar em mar alto, (pois a nossa vocação é marítima).
Portugal é demasiado pequeno para uma amplitude que o abarca, que inconscientemente nele se reflecte; e, cuja potencialidade não se limita ao mar dos Romanos, como acontece com a Catalunha. Portugal estende-se neste mar à sua frente, parecendo não ter limites. Mas a ideia de infinito desponta de um finito. A capacidade de ser mais, somente depende da potencialidade de um ser finito em superar-se para o infinito. Seja, o poeta Pessoa, seja cada português, tudo depende da sua capacidade de ser.  

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: "Vinhas Verdes" na Catalunha


Aos olhos dos portugueses, a Espanha parece uma nação tão próxima, mas está tão distante que desconhecemos a sua complexidade. 
Basta dizer que sem governo, a Espanha governa-se. 
Basta dizer que o seu sistema de autoridade é mais complexo que o português. 
Basta dizer que o seu sistema régio, é diferente do luso republicano.
 Basta dizer que o iberismo floresceu, na minha infância, sob a perspectiva da minha paisagem e propagou-se numa certa ansiedade popular.
Basta dizer que Quixote e Sancho parecem inconciliáveis, e que se desconhece se qualquer destas personagens está em Barcelona ou Madrid.
Basta dizer que Espanha é uma potência económica, que somente a Catalunha ultrapassa Portugal.
Basta dizer que se comprava "carmelos" por duas pesetas, quando tínhamos um escudo.
Basta dizer que os combóios de alta velocidade centralizam Madrid, como a capital da sua política.
Basta dizer que o medo de Franco era a unidade espanhola.
Lluís Llach cantava em Paris, e, a Casa dos Estudantes de Espanha na Cité Universitaire estava fechada; e cantar na raia espanhola era parar nos calabouços da "Guarda Civil".
Dá-me a impressão que os portugueses temem e admiram a Espanha. Talvez admirem a Catalunha pela sua audácia, mas temem a Espanha pelo seu poder. 
Se, o iberismo não vingou em Portugal, nas horas das angústias, o poder espanhol sempre ofuscou o pequeno luzeiro português. 
Mas, certamente o senso comum português, e, não só, não legitima que somente a voz dos políticos permaneça como último recurso da condenação da Catalunha. 
Enquanto Barcelona "canta" ou "chora" os seus amanhãs, Madrid fecha as portas!... torna-se difícil viver na "Inquisição Espanhola".

EUROPOLITIQUE: A Inquisição Espanhola e a Catalunha


Embora o senso comum europeu, e, os políticos europeus não concordem com a independência da Catalunha, a expressão da sua vontade pode ser legítima, embora não legitimada, quer dizer, não merecendo o apoio do resto da Espanha,e não só. É, a manifestação de um sentido de afirmação, que carecendo dos seus apoios necessários, quer nacionais, quer internacionais, tem uma força interna que funciona como barómetro de uma temperatura social que se manifesta e percorre certo tecido social catalão. Apagar este fogo, esta chama de nacionalismo, acalentado por várias décadas, somente faz renascer outros fogos em que se consome a Catalunha.
Bastava ao poder político o decreto de eleições, respeitando as várias vontades catalãs para se exprimirem livremente, com a sua imposição de datas e organização. Ou seja, o poder de Madrid já exerceu suficientemente as suas prerrogativas condicionando os catalães, as eleições.
Tudo o que ultrapassa, a decisão madrilena de eleições, é um exercício semelhante à famosa Inquisição Espanhola, que mandava para a fogueira os seus descrentes. Ou seja, tiremos a roupa a esses dirigentes que eles ficarão inocentes como Adão estava no Paraíso. Decapitar, economicamente os seus membros, faz lembrar as pobres viúvas ricas, que eram acusadas de pacto com o diabo.
A teia diabólica, que o direito impõe à política, só merece que os seus dirigentes deixem de ser cidadãos espanhóis para se tornarem apátridas. "Estes mal nascidos em Espanha", dizia um político espanhol, não merecem usufruir do solo espanhol, porque a sua força se não vem da velha Inquisição, não está muito longe dela.

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domingo, 22 de outubro de 2017

EUROPOLITIQUE: A Racionalização da Floresta


Calcula-se que 20% do território português seja do Estado, onde pontifica a floresta.
A separação entre o mundo urbano e o mundo rural é uma contradição do sistema interno português.
A perspectiva estrangeira, a nível do fabrico da pasta de papel, tece elogios à qualidade deste produto. Ou seja, aquilo que é uma riqueza na perspectiva dc outros, é vista, pelos portugueses como uma pobreza. 
Quando atravessei a zona de Lisboa até Aveiro, o meu receio era a extinção da massa verde que bordejava a auto-estrada.
Gosto de eucaliptos, gosto de pinheiros, gosto do verde que cobre o território português. 
Mas, esta riqueza verdejante, que pulula naturalmente, carece de ser afagada e protegida com carinho, com esmero, e, com trabalho, quer pelos municípios que recebem a suas rendas, quer pelos proprietários que tiram dela os seus lucros, quer pelo omnipotente Estado, que desconhecendo os seus reais 20% de território de floresta ou outros, se deixa enredar nas teias dos vários interesses implantados e se torna impotente em relaçãoe aos fenómenos da natureza.
Antigamente, o pastoreio, o mato, carqueija, e, a madeira era a riqueza e sustento dos lavradores. 
A mudança de paradima impõ-se.
Hoje, são as máquinas, o plantio, a recta ordenação do território com a variedade legítima de espécies que deve ordenar a floresta. 
A racionalidade tem de imperar contra a espontaneidade. 
A natureza espontânea deve conciliar-se com a industrialização, com o aproveitamento integrado das várias espécies que o território feliz e abundamente permite obter.
Se, aos olhos dos estrangeiros, a floresta portuguesa é uma riqueza, relançá-la na pobreza é desconhecer as suas potencialidades; e, fazer daquilo que parece pobre uma parte da economia que se pode tornar rica. 
"Rica é a floresta portuguesa", pelo menos, aos olhos de jornalistas franceses, (há mais de 40 anos).

EUROPOLITIQUE: Um "Novo Mónaco" na Catalunha?


"Que me interessa conhecer todo o sistema se não me encontro lá", dizia Soren Kierkegaard acerca do sistema filosófico de Hegel. A mesma questão se coloca àquela catalã que em terras do tio Sam deambulava nas profundezas do pensamento do filósofo dinamarquês. 
Como apaixonado dos vikings estou bem longe da realidade da Catalunha, do sistema político de Hegel, ou, do existencialismo religioso de Kierkegaard, mas unido nesta problemática de "nuestros hermanos", que também nos afecta, quer economicamente, quer socialmente. 
Parece que o sufrágio europeu, a nível dos seus líderes, e a opinião dos seus filiais sul-americanos olha de lado para esta pretensão independista da Catalunha.
 Se a sua pujança económica corresponde somente ao seu desejo de independência, será o puro egoísmo que sobe de tom. Porventura, a Catalunha aspira a torna-se um novo Mónaco, ou, a suavidade de uma pequena Andorra?
As profundezas do seu "Volksgeist" imprimem um tal movimento interno que faça explodir as circunstâncias externas, quer nacionais, quer internacionais?
A unidade de Espanha, um desiderato de um Caudilho testamentário, parece explodir na força democrática de quem se sente amordaçado por correntes de gerações que sempre aspiraram a uma autonomia própria. E, que espécie de autonomia?
Desde a inquisição que o sistema de autoridade em Espanha não é o mais benigno. Por isso, as reacções do poder e a revolta dos seus cidadãos irão fazer correr muita tinta nos jornais e, talvez, outra tinta, nas ruas.
Nada menos, de 300.000 funcionários estão na calha de mudanças!...

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O rigor da Segurança Social em Moçambique?



A crença na Segurança Social, nos países africanos de origem portuguesa, não acompanha os anseios de muitos jovens.
Com um pirâmide social equilibrada, com a existência de muitos jovens no mundo do trabalho, a rentabilidade dos fundos sociais é desbaratada na criação de bancos, cujo destino é a falência, em dois casos, que aconteceram em Moçambique, segundo rezam certas informações.
Em casos mais concretos, nega-se o direito a um pequeno bónus de 150 meticais, ou seja, dois dólares, porque a pessoa em causa é proprietária de uma casa, como uma habitação desse direito à alimentação.
Ou seja, a possível repartição mínima de alguma riqueza nacional esfuma-se em donativos que sendo de três meses se reduzem a um ou dois meses, para facilitar as contas!...
Se, o mercado informal se debate com o mercado formal, a contabilidade financeira a nível de impostos esfuma-se na sua organização, originando a descrença e a falta de rigor na repartição de alguma riqueza que deriva do fruto do trabalho.
Esta situação caricata acarreta a descrença dos jovens moçambicanos na sua Segurança Social, apesar de um pirâmide social no seu sentido perfeita. Ou seja, muitos jovens a contribuir para o bolo social. A palavra de ordem de luta contra a corrupção merece que as instâncias internacionais estejam vigilantes na distribuição de riqueza que afecta a sociedade moçambicana.
O "salve-se quem puder" parece ser o lema de uma organização social, cujos olhos somente estão postos na miragem do gás moçambicano, para os seus dirigentes políticos. Os restantes meios de planificação social e angariação de dinheiro não resistem à avidez e voracidade de certos dirigentes da causa social. 
Parece que os fundos sociais angariados são investidos em bancos cujo fim é a sua falência sistemática. A justiça fiscal e social devem prevalecer sobre intuitos que desvirtuam a sociedade no seu todo.
Se, os sonhos do gás alimentam a classe dirigente, o seu substracto social deve ter leis e princípios que fomentem a dignidade das pessoas que trabalham para que o seu futuro seja mais risonho, afugentando a desc rença nas suas expectativas.
Desbaratar os "fundos sociais" na roleta bancária é tirar a esperança no futuro destes jovens, apesar da apregoada luta contra a corrupção.
O "dinheiro sagrado" da Segurança Social carece de princípios sociais que alimentem e dinamizam a sociedade moçambicana.



EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...