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domingo, 23 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: Angola+Moçambique by Rail

Desde Dezembro de 2013, que o combóio chega ao Congo . Do lado angolano, o comboio chega ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo, ao fim de um processo de reabilitação e modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) de, nada menos, de 1.344 quilómetros de linhas ferroviárias que ligam o porto do Lobito ao Luau, fronteira com o Congo Brazaville. Deste modo, as expectativas da Zâmbia estão concretizadas, não só possivelmente a nível comercial, como, hipoteticamente, a nível turístico. Somente falta a plena laboração da refinaria angolana do Lobito para fornecer os produtos petrolíferos de que carece toda esta zona interna e estrangeira. Mas as expectativas alargam-se para uma futura ligação desta via de transporte até Moçambique. Até que ponto os excedentes hidro-eléctricos moçambicanos poderão colmatar as necessidades dos seus congéneres e vizinhos, são expectativas futuras que acalentam grandes esperanças, neste espaço do continente africano. Além disso, os célebres comboios turísticos sul-africanos, que ainda não chegam à capital moçambicana, pretendem despontar nos corredores de Benguela e do Namibe. Aliás, pretende-se que esta linha ferroviária da “Namíbia”, parta da estação do Cuvango, numa extensão de 343 quilómetros, até Oshikango, já em território do sudoeste africano, fronteira com a província angolana do Cunene. Oxalá os bons ventos e os favores dos deuses favoreçam os laços destes países e os sonhos daqueles que sempre levantaram os olhos para a sua realização.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: O I.N.E. Angolano e a Educação

A recente inauguração do edifício do Instituo Nacional de Estatística em Angola, certamente dedicado ao Censo Populacional Angolano e demais actividades económicas, não deve fugir às elementares estatísticas sobre Educação, Saúde e Segurança Social. Aliás, sectores que fogem às reportagens jornalísticas, sobretudo portas fora de Angola, que não fornecem uma real imagem do que é feito em neste país sobre estes sectores, que são essenciais ao desenvolvimento social e económico deste território, por quem de longe procura seguir os seus passos. Com 40% da sua população que tem menos de 14 anos, certamente que a Educação Primária, Secundária, Universitária e Profissional é o sector mais essencial para o desenvolvimento angolano. Aliás, o melhor barómetro de análise social é, sem dúvida, a escola. Nela está a sociedade, os pais, os encarregados de educação e todo aquilo que rodeia a sociedade. Certamente que Angola importou alguns modelos do Brasil que são de inegável valor, como, por exemplo, a “merenda escolar”. Mas, este país debate-se com imensas dificuldades neste sector, alvo de intensa manifestação popular. Escolas públicas degradadas e sem condições, professores mal pagos e mal formados, alunos que reflectem a má formação dos professores. O absentismo dos professores primários em Angola começa a ser combatido, todavia o rigor de formação deve constituir um objectivo a conseguir, embora nesta primeira fase possa ser aceitável. Muitos professores em Portugal tiveram a oportunidade de constatar o déficit de educação brasileira, a nível do secundário, como também reconhecem a boa formação a nível superior de alunos do Leste Europeu. A batalha pela educação em Angola será a melhor bandeira do seu desenvolvimento. Por isso, muito trabalho estatístico aguarda o I.N.E. de Angola.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: A Terra do Cacau e Chocolate - São Tomé e Príncipe

Introduzido no ano de 1822, o cacau tornou-se uma “imagem de marca” de São Tomé e Príncipe; e, as suas roças um expoente máxima desta indústria agrícola. Criadas a partir do século XIX, tiveram no barão Água-Izé, ou seja, Sousa e Almeida, o seu grande impulsionador. Por isso, tornou-se no primeiro produtor mundial de cacau. No entanto, as vicissitudes históricas relegaram para uma efectiva decadência o seu “glamour”, embora o cacau constitua a principal exportação de São Tomé e Príncipe, representando cerca de 97% das suas exportações. Uma razia na exploração varreu as roças, e a destruição causou um autêntico caos, na sua produção e organização, que recentemente conduziu a um "levantamento arquitectónico" por alguns especialistas, já que as suas antigas roças se encontravam num completo abandono. Todavia, os tempos são de mudança, esperança e progresso. Desde 2013, que o consumo mundial atinge mais de 4 milhões de toneladas, com uma procura de quase 40%, e um aumento de consumo na ordem dos 32%, relativamente aos últimos dez anos, cuja subida se deve à chegada de novos consumidores através dos países emergentes. A produção africana de cacau atingiu 70% do seu cultivo a nível mundial, na ordem dos três milhões de toneladas por ano, ou seja, 3/4 partes do consumo universal, onde emergem os seus maiores produtores que são: a Costa do Marfim, Ghana, Nigéria e Camarões. Após a nacionalização das roças, em 1975, com a saída de muitos portugueses e de mais de 15 mil caboverdianos, a produção de cacau em São Tomé e Príncipe nunca mais obteve a pujança de outros tempos. Longe de ser o primeiro produtos mundial de cacau, as expectativas aumentam dada a sua qualidade e apreciação no "mundo do chocolate". Mas, o consumo de chocolate que desperta no mundo da globalização, abre um caminho de esperança para que o território de São Tomé e Príncipe recupere o seu lugar, desde que surjam alguns investimentos, porque o cacau está para durar e temperar o palato de muitos amantes desta iguaria.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

EUROPPOLITIQUE: CUBA: “A ti, querida presença, comandante...”


Quantos se enamoraram com a melodia de “a ti querida presença, comandante...”, que tocada nas ruas de Cuba, bem longe estava dos frémitos de antanho e dos ideais de muita juventude, repleta de idealismo. Como, também observar a longa fila de ávidos turistas para Havana, bem longe está da capacidade financeira de muitos portugueses, neste momento. O cepticismo e a desolação desencontrava-se com a ilusão e o idealismo que mentalmente se reconstruiu na prefiguração de uma nação, de um povo ou de um líder. O bolor e o musgo da decadência retirava o brilho e a refulgência de um dourado inebriado em sonhos de utopia. Qualquer vaga tempestade tinha esvaziado a paisagem de uma terra prometida, que de “leite e mel” exibia restos de sombras e escombros. Esconjurada visão de um utópico idealista, cujo labor se esvaziou da sua plenitude. Por isso, ressurgia a melodia: “a ti, querida presença...”, ou melhor dito, “ausência”. Ausência dos teus ideais por cumprir, por levar, por concretizar!... As cálidas águas de Cuba esmorecem nas frias relações com o seu vizinho de Miami. Todavia a mais recente pesquisa, elaborada pela “Atlantic Council”, reflecte uma mudança de atitude de muitos americanos. Talvez ainda insuficiente para selar efectivamente os cumprimentos diplomáticos entre Raúl de Castro e Obama, lá nos confins da África. Ainda que a maioria dos norte-americanos seja a favor da normalização das relações políticas com Cuba, conforme o jornal “The New York Times”, os passos da diplomacia são lentos neste atravessar de águas que impede a compreensão pelo sofrimento do povo cubano. Graças ao esforço da Venezuela, do beneplácito do Brasil, e à recente abertura da Comunidade Europeia, o isolamento do grito “hasta la muerte” tem subsistido como sinal de uma revolução que mal se encaixa no mundo da globalização. Ainda que possa ressurgir na canto da lamentação: “a ti, querida ausência...”, mas no fundo permanece com as águas e o mar do Caribe esta linda lembrança: “a ti, querida presença...” comandante.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: ANGOLA : "Ganhar duas vezes com o petróleo"

O petróleo angolano galopa a bons passos no sector da balança de transações entre Portugal e Angola. Cada vez mais, o saldo desta balança comercial se estreita na sua relação, reduzindo-se a um saldo favorável de 500 milhões de euros para Portugal, em 2013. Quer dizer, que Portugal exporta bens e mercadorias no valor de 3,1 mil milhões de euros, enquanto importou de Angola 2, 632 mil milhões de euros. Esta relação comercial não continua estática, pelo contrário, apresentação um valor progressivo, ou seja, um certo dinamismo. Enquanto que em Angola se aguarda pela entrada em funcionamento da sua nova refinaria de petróleo no Lobito, e pela renovação da antiga refinaria de Luanda, a Galp investiu 1,4 mil milhões de euros nas obras de renovação das suas duas refinarias de Sines e Matosinhos , com a instalação de um novo equipamento de produção na costa alentejana. Deste modo, as exportações da Galp aumentaram 36,9 % no segundo semestre deste ano, que corresponde a um saldo, muito falacioso, de quase 10% na balança de exportações portuguesas. Quer dizer que, em termos económicos, o seu valor atinge os quatro mil milhões de euros, um pouco acima do valor total da relação comercial entre Angola e Portugal. Todavia, nesta relação comercial, os angolanos galopam com força e arrojo, já que os seus capitais rentabilizam-se duplamente através das exportações portuguesas do petróleo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

EUROPOLITIQUE: A propaganda e o PASQUIM

Não há poema que resista à tua beleza - Ipanema. Mas lá dos confins do outro mundo, se “Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem” “Deus é brasileiro”, mas só de passagem!... Panfleto anónimo, sem hora nem dia, ribombava em eco sarcástico, que sedentos prelos sorviam e ouviam em sonoras gargalhadas, embalados em sôfrega audição, não fosse ele um ultraje à tradição, ou, outro nome assim – o Pasquim. (“Pasquim – escrito que se afixa num lugar público e que contém expressões irónicas e curiosas sobre algum “affaire”, pessoa ou corporação”). Alcoviteiro, por excelência, clamava por digno decoro. O seu anúncio era urgência, declamado em riso e coro. Floriu no Brasil, mas as memórias longínquas inscrevem-no nas tradições populares do Alto Minho. Qualquer escândalo digno de um reconforto moral erguia-se em pluma incandescente, cujo objectivo era despertar a gente. As mais castas e doces donzelas, símbolo de cândida beleza, empalideciam com a esgrima e rima de tão ávidos e audazes faunos e poetas, que despertavam em poemas despidos de pérfidos cupidos. Era assim o popular pasquim que sem levar a mal se tornou internacional na luta do civil parou no Brasil.

EUROPOLITIQUE: Entre o Deus Hebraico, "Elhoim" e "Alá" (al - o / ilad - Deus).


“Estava-se no ano de 622. (...) Yathrib ficou conhecida como Medina al-Nabi, a Cidade do Profeta, e, mais tarde, por contracção, apenas como Medina, «a cidade». Desde a sua chegada, Maomé assumiu um papel diferente. Além das profecias, foi forçado a administrar. O pregador desprezado passou a um político magistral; o profeta transformou-se em homem de estado”. (O Islamismo, pg. 32, by Huston Smith, Edições Expresso). A rápida leitura desta pequena obra sobre o Islamismo causou-me duas surpresas emocinantes. 1) No espaço de um século, os árabes estão na Península Ibérica, espalhando a sua cultura e governação, através da invasão de Tarique no ano de 711. Uma cultura, alicerçada na ciência, em que apesar do combate aos infiéis, o autor reproduz «um lado mais feliz. Houve tempos e locais em que cristãos, muçulmanos e judeus viveram juntos, em harmonia: ocorre-nos de imediato a Espanha muçulmana». O papel dos judeus na cobrança de impostos foi evidente, historicamente, mas esta convivência deveu-se ao reduzido número de árabes na Península, que foram, de certo modo, obrigados a esta saudável coabitação. 2) Religiosamente, o Islamismo parece preencher duas vertentes que escaparam ao cristianismo e ao judaísmo. Se, o judaísmo rejeita Jesus Cristo como Messias, é porque ele não corresponde ao autêntico “Libertador” de Israel. Falta-lhe a faceta de homem político. Duzentos anos, antes de Cristo, a exegese católica, acentua duas correntes espirituais dentro do Povo de Israel. Uma tendência mais espiritual e outra tendência mais material. A tendência mais espiritual corresponde ao desenvolvimento do Cristianismo. Todavia, a expansão do cristianismo relegou para último plano o aspecto material, que não corresponde aos planos de São Paulo na inter-ajuda das suas comunidades. 3) Maomé surge como o último Profeta que busca as suas raízes em Abraão. E tal como Abraão espera pela terra prometida, Maomé incarna este ideal conjugando o plano espiritual e plano material. Para além de toda a hermenêutica religiosa, em 711 estar na Península Ibérica é espantoso.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...