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quinta-feira, 10 de março de 2011

EURO-POLITIQUE. 87 - "A Tragédia da Líbia"




1) Ao refugiar-se nos escombros da antiga casa-monumento, Kadhafi temia o pior. Ou seja, simplesmente um ataque idêntico ao anterior.

2) Dado que as forças comandadas pelos seus filhos ripostaram vigorosamente criou-se um “certo alento de resistência”.

3) Passados estes momentos confusos, mas de destemida afirmação, reivindicava-se que “teriam qualquer coisa a dizer” sobre o futuro da Líbia

4) Apesar das ameaças externas e da debandada dos seus representantes diplomáticos, o regime ganha novo fôlego de exibição e propaganda.

5) Surgem as campanhas de propaganda e contra-informação, oficial e não-oficial, com ataques aos redutos da oposição.

6) A comunidade internacional, apesar de passos tímidos, mantém-se num impasse de contra-ataque aos problemas da Líbia.

7) Surgem os defensores da não ingerência nos direitos de escolha livre de cada povo.

8) A guerra civil desponta como única forma de afirmação das forças legítimas a uma emancipação.

9) Certos países (França) começam a legitimar o “Conselho da Revolução” como único e legítimo representante da Líbia.

10) O Califado de Tripoli envia emissários contra a “jihad” que se instaurou no próprio país.


Portanto:


Será Benghasi, a nova capital, de um corredor humanitário internacional, e, de uma ponte aérea de auxílio ao “Conselho da Revolução”?

Conseguirão as “forças ocidentais” reunir os consensos para se impor em territórios da Líbia?

Qual é a legitimidade da afirmação do Califado de Tripoli e “que terá a dizer” este reduto energúmeno na cena nacional?

    -   O tempo urge, as decisões não podem ser adiadas, face à calamidade e drama humanitário.

quarta-feira, 9 de março de 2011

EURO-POLITIQUE. 78. O Drama da Líbia



Os recentes acontecimentos da Líbia deixam à deriva fluxos de emigração de insondável repercussão sobre os holofotes da comunicação social.

As vagas de emigração são uma constante da luta por melhores condições daqueles para quem o trabalho é a única tábua de salvação.

Portugal também não foge destas realidades.

Com a mais numerosa classe trabalhadora estrangeira em França debita uma onda de emigrantes na ordem dos 100.000 pessoas, por ano.

O conjunto de emigrantes portugueses no estrangeiro revertem com uma soma de divisas que atinge 5.000 milhões de euros, por ano; ou seja, na antiga moeda do “escudo”, na ordem, de mil milhões de contos.

Existem aqueles que hesitam em comprar uma casa na Flórida, ou, no seu País; como abundam aqueles que peregrinam numa luta constante entre a submissão ao desemprego, ou, o desejo de encontrar qualquer emprego. Por vezes, a aventura e o sonho recai no desespero das duras realidades encontradas.

Normalmente são vagas de emigração, pouco ou nada politizadas, que não reivindicam os seus direitos, ou, não querem saber dos seus deveres. As estatísticas nem sempre são correctas. Os sistemas de “segurança social” são divergentes, e, pouco convergentes na acumulação dos direitos cívicos.

Por isso, a consciencialização da cidadania, quer nacional, quer estrangeira, deveria ser uma constante premente das autoridades portuguesas.

domingo, 6 de março de 2011

ARMADA AGUALUSA. 9 - "Luanda veio para a rua!...."


Os novos espaços de manifestação e comunicação possibilitados pela Internet conduzem àquilo que Susan Buck-Morss apelida de “uma nova geração que tem a consciência de uma esfera pública global. E esta geração é universal”.


O seu impacto, a nível universal, ampliado pelos próprios meios da Internet, conduz as mudanças sociais e políticas, não só na perspectiva individual e singular, como também na perspectiva social e colectiva.

Cada vez mais o papel do Estado se encontra confrontado com as suas implicações de maior ou menor importância. Os poderes instituídos rodopiam perante a força que este novo poder possibilita de traçar mudanças, e, de se revelar como uma nova forma de poder.

Luanda veio para a rua.

O fenómeno desencadeado no Norte de África, suscitou, em Angola, um desenvolvimento de “stop”, à sua possibilidade de emergência.

A convocação de uma possível manifestação arrastou entre 1 e 3 milhões de pessoas, em jogada de antecipação, face à previsível aglomeração de outros manifestantes.

A novidade deste poder, e, destas possíveis manifestações suscitam ondas de solidariedade não violenta, mas cujos efeitos, a nível de imagem, desencadeiam outras ondas de mudança de insuspeitável repercussão.

Seguindo o conselho de “prevenir é melhor que remediar”, a manifestação explicitada visou colmatar qualquer deficiência que ousasse emergir na sua plenitude. Além disso, os conselhos políticos das várias forças políticas apelaram à manutenção dos “caminhos da paz “.
Por isso, qualquer discurso político não merece consideração face aos efeitos manifestos da adesão da população de Luanda.

Mas como também afirma Susan Buck-Morss:“o dinheiro é produzido globalmente para uma minoria; e essa minoria pode ser chinesa, egípcia, francesa, brasileira, (ou, possivelmente, angolana) mas é uma minoria; e a maioria é excluída, de modo que o abismo entre ambas é cada vez maior”; até que ponto, as contradições do sistema económico e político permanecerão sem as mudanças que os processos históricos escondem.

A questão não é só angolana, mas insere-se nesta lógica da “velha questão da justiça social” que, cada vez mais, cerceia as minorias e os seus estados cúmplices, numa avalanche de exigência, de repartição, e, de implosão.

Os direitos dos trabalhadores à riqueza dos seus países, ao benefício do fruto do seu trabalho, quer na saúde, quer nas reformas, implica que as suas instituições sejam cada vez mais credíveis, honestas e capazes de sustentar todo o conjunto de aquisições que lhe são devidas.

A conexão entre estas minorias e os estados (não esquecendo, o papel das multinacionais) subvertem os ideias de justiça social que, cada vez, se tornam mais visíveis, e de mais fácil revelação face aos novos meios de informação.

sábado, 5 de março de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - O Expresso e a Líbia



“Quem diria?”

Interroga-se o semanário Expresso.

“Ironia ou não, é precisamente Portugal que vai presidir ao Conselho de Sanções para a Líbia no Conselho de Segurança da ONU. Entre outras penas, o Conselho deverá aplicar o embargo de armas, o congelamento de bens e a interdição da concessão de vistos a membros do regime de Kadhafi. Quem diria?”

Quem diria que Kadhafi utilizaria , um dia, “Penha Longa”, em vez da sua tenda de beduíno ?

Quem diria que a detenção do seu chefe de protocolo, em Paris, seria o primeiro rastilho das mudanças que se operam na Líbia?

Quem diria que o “Quai d’Orsay” estava demasiado comprometido com actuações pouco ortodoxas?

Quem diria que Portugal teria um papel a desempenhar nas questões internacionais da Líbia?

Quem diria e anunciaria que no conjunto da Europa, Portugal iria desempenhar um papel de relevo internacional, a nível diplomático?

Quem diria que algumas destas interrogações passariam nos fios hertzianos de instituições credíveis portuguesas?

Quem não diria que:
os pactos de bruxaria, o papel de advinhas, não são sortilégios de qualquer “algoritmo”.

São o resultado de estratégias programáticas que uma "diplomacia pro-activa" deveria conseguir vislumbrar nas suas mudanças de antecipação.

Ironia ou não, só o cinismo ousa sobrepor-se a uma “triste realidade” que infelizmente nos afecta na emancipação dos ideias de uma humanidade mais fraterna e consensual.

Oxalá, a “triste realidade” se torne numa esperança, numa primavera rica de humanismo, onde os “princípios” prevaleçam sobre os “interesses”, embora sem grande complacência com factores de ingenuidade.

Quem diria?

“O Expresso”? Não, qualquer "algoritmo" algures perdido na Internet.


P.S. Le Monde 09-03-2011.

Un autre émissaire était par ailleurs en route pour le Portugal, pour y rencontrer le chef de la diplomatie portugaise, Luis Amado, à la veille d'une réunion à Bruxelles des ministres européens des affaires étrangères consacrée à la Libye. "Le Portugal, membre non-permanent du conseil de sécurité de l'ONU, a été confirmé mardi pour assurer la présidence du comité de sanctions sur la Libye", a expliqué le gouvernement portugais.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 80 - "Família modesta" + Kadafi




Um dos filhos do “Clan Kadafi” declara que são um “família modesta.”

É difícil separar a fronteira entre o “dinheiro privado” e as “economias do Estado”.

Todavia a evidência das benesses contradiz esta argumentação.

O exibicionismo dos aviões particulares no Brasil, as saídas de helicóptero da estrela feminina, a grande quantia hoteleira deixada por causa de distúrbios em unidades hoteleiras, o tratamento “vip” em residências londrinas, demonstram que os benefícios eram generosos.

Claro que este "folclore de play-boys" , aliás, Paris e Londres em nada os ilustraram, pouco diz aos efectivos investimentos em Itália, (Fiat e Juventus, e, outros), na Áustria, no Brasil (terras?...), e demais paragens incógnitas.

O expoente máximo de todo este arco-íris era a "Fundação Kadafi", cujo dirigente não podia senão ser um dos seus filhos, que, juntamente com o "Fundo Soberano Líbio", constituíam uma dupla de respeito.

Apesar do seu caracter humanitário permanecia num secretismo de "extrema confirmação"!...

Esta teia de negócios, pouco claros e transparentes, estendia-se a um séquito de uma centena de funcionários que operavam, discretamente, nos vários pontos do mundo, não esquecendo a famosa petrolífera "Tamoil".

Além disso, o controlo do aparelho empresarial, desde a indústria do petróleo, das comunicações ou telefones, etc... até ao vestuário, pela filha, formavam "verdadeiras cadeias" que engrossavam os bolsos do “clan Kadafi”,e, da sua “entourage”. Somente a "tenda do famoso beduíno" fazia jus de ermitão.

Aliás, “as autoridades britânicas identificaram mais de 23,5 mil milhões de euros em bens financeiros na posse de Kadhafi, a maioria em bancos londrinos”.
Na capital britânica situa-se também a mansão do ditador, melhor dito, do seu filho formado em economia, no valor de 11,75 milhões de euros.

Será pura especulação que a soma do "clan Kadafi"  alcance os "87 mil milhões de euros"?...

Mas, devido à «jihad helvética», somente foram encontrados 630 milhões de francos suiços, mas convenhamos que para quem comprava 100 Mirages, de uma só vez, as torneiras de petróleo debitavam muitos dólares.

Confundir a Cyrenaica com cinismo, é tornar a modéstia imodesta.

Libya's Oil Expt-2010:
Italy 28%, France 15%, China 11%(?), Germany 10%
Spain 10%, Greece 5%, UK 4%, USA 3%, Others 14%.
(Import by Galp - Portugal 10%).



P.S. 28.02.11 (Figaro)

20h18 : Un haut responsable du Trésor à Washington explique que les Etats-Unis ont bloqué 30 milliards de dollars d'actifs libyens depuis les sanctions annoncées vendredi par la Maison-Blanche contre le régime de Mouammar Kadhafi. Les fonds concernés comprenent aussi bien des avoirs du clan Kadhafi que des actifs de l'Etat, notamment «la banque centrale de Libye».
D.N. 01.03.11
Os bens líbios na Áustria estão orçados em 1200 milhões de euros, segundo o OeNB, que não determina se estes pertencem todos a pessoas visadas pelas sanções ou não.
Lusa 01.03.11
Nelly Furtado doa milhão de dólares cobrado a Kadhafi.
Regime de Kadhafi tentou levantar dinheiro no Canadá.
Le Figaro 04.03.11
13h47 : Un bateau contenant des billets de banque libyens d'une valeur de 117 millions d'euros, destinés à la Libye, a été intercepté mercredi par un navire britannique et escorté jusqu'à un port anglais, annoncé le ministère de l'Intérieur. La Grande-Bretagne a interdit l'exportation sans autorisation de billets de banque libyens conformément aux sanctions adoptées à l'ONU.
Semanário "Expresso" -05.03.11
"Financial Times" - A Autoridade Líbia de Investimentos "é" o quinto maior acionista, um valor equivalente a £250 milhões "de libras, ou seja, 293 milhões de euros".
DN. 05.03.11
Austria: 1,2 mil milhões de euros
U.K. 3,2 mil millões de euros (1,6 milhões de euros - famíia Kadhafi)
CANADA: 316 milhões em acções na Verenex Energy.
RUSSIA: 1% da RusAl (maior fabricante mundial de alumínio).





sábado, 26 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 79 - Pela Catedral de Tripoli+Expresso


«Ainda no passado dia 18 em entrevista ao “diário Económico” o embaixador português em Tripoli, Rui Aleixo, considerara improvável um “Dia da Ira” na Líbia.»


Estas declarações demonstram a “redoma de vidro”, em que vivem certas estruturas diplomáticas. Pouco lhes interessa o que se passa ao lado, já que não são, nem devem “ser agentes políticos”. Simplesmente “mangas de alpaca” ao serviço de nobres interesses de insofismável veleidade. Pouco ou nada lhes interessa, qualquer tipo de “mediação protocolar”, publicado por Gunderedo, em 15 de Dezembro.

Revela ainda o “Expresso”, em 26.02.11:

«A ministra dos Negócios Estrangeiros Michèle Alliot-Marie deverá deixar o cargo durante o fim de semana... » e, ainda, «Patrick Pllier, titular dos Assuntos Parlamentares, que presidiu ao Grupo de Amizade Franco-Líbio».

Qualquer cumplicidade de negócios entre estes países também passa pelo desconhecimento, excepção feita aos seus “circuitos turísticos” que dispensam “vistos” de 1500 euros.

E, mais uma vez seguindo jornal Expresso:

«...o ditador se prepara para morrer no seu bunker como Hitler, em 1945».

Um dia a catedral de Tripoli voltará a ter o seu culto!....

O colapso do sistema político da Líbia, implica certamente que «a EU admita uma intervenção militar “com objectivos humanitários” ou mesmo uma zona de exclusão aérea.

Os contornos desta intervenção devem ser bem definidos e clarificados frente à teimosia do grupo resistente. Nada de paternalismos, nem demagogia barata!...

Aliás, a revolução em causa deve ser dada ao povo líbio, único detentor efectivo do poder. Todavia, o seu preço deve recair sobre os ombros desse mesmo povo, e, dos direitos que eles pretendem defender.

É necessário, urgentemente, encontrar os arautos credíveis, e, as forças sociais para firmar a mudança social e política, que todo um povo tem direito.

(P.S. Ressalva-se "a lógica dos interesses e dos princípios", para posterior análise!...)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - "Le Quai d'Orsay c'est moi, et "moi" c'est l'Europe"


Presume-se que a “República Portuguesa” está suficientemente avisada que não serão, nem os italianos, nem os franceses, aqueles que merecem a designação de um “alto representante europeu” para a Líbia .


Apesar da candidatura do “Chefe do Governo da França”, Monsieur Sarkozy, para o cargo de “Ministro das Relações Externas da Europa”, dado que o seu país se afirma como uma “potência nuclear média”, tudo isto não quer dizer que os “famosos petardos lusos” não tenham desmotivado o exército líbio no conflito com o Tchad.

Dado que o exército da Líbia nunca mais se moralizou, e dado que a diplomacia francesa mantém, sistematicamente, uma dualidade de processos, qualquer eminência de “protocolo diplomático”, para não dizer “policial ou jurídico” iria ferir, mortalmente, os pergaminhos da pátria dos embaixadores.

Dizer que um líder “deve partir” significa que ainda pode ter uma saída para tal processo revolucionário, ou, que na mínima das hipóteses, ainda pode constituir uma força de "resistência muscular ou política".

Mais que ninguém, a classe política francesa e os seus meios de comunicação, conheciam bem o sistema político da Líbia.

Seria pura hipocrisia dizer, que não se preocupavam com os acontecimentos da Líbia, quando as "autoridades policiais e militares" colaboravam lado a lado, nas suas fronteiras.

Manter pretensões a ser o “Ministro das Relações Externas da Europa”, porque somos uma “potência nuclear média”, é dizer que até os portugueses acariciam a “bela menina tripartida”, e, suavemente, a deixam descansada na sua base militar.

Fait gâffe – Sarkozy!….

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...