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quinta-feira, 30 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: A Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira: Distinção e Prémios


Faz uma semana, que o museu da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, mais precisamente em 25.05.2019, foi distinguido com o prémio da APOM (Associação Portuguesa de Museologia).
Esta entidade cultural, criada em 1965, atribui anualmente, desde 1997, diversos prémios que contemplam as boas práticas estéticas, desde a exposição e museus, até projectos profissionais e actividades dedicadas à cultura.
O “Prémio Museu do Ano” inscreve-se em várias categorias que abrangem  o melhor catálogo, a melhor exposição, a melhor intervenção, ou, ainda o projecto museográfico e mecenato.
De salientar que “a distinção deste ano, do museu da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, pela APOM, visa a entidade responsável pela organização e gestão do acervo de obras de arte criado ao longo do decurso do certame dedicado à arte contemporânea, que se realiza há mais de 40 anos, em Vila Nova de Cerveira”, segundo relata o Jornal Observador.
O acervo de obras de arte da Bienal de Vila Nova de Cerveira carece de um edifício que legitime a grande e profícua qualidade de trabalhos artísticos que ao longo do tempo tem enriquecido o seu património. A sua visibilidade e demonstração estética requer um autêntico museu que contemple aquilo que foi angariado ao longo de décadas.
Certamente que a “praça forte” de Vila Nova de Cerveira, com os seus ilustres governantes, (cientes do seu património estético), na guisa de um Mecenas, (ainda que de costado brasileiro), e de algum voluntarioso arquitecto, encontrem uma saída airosa e esteticamente válida, para um “forte abandonado”, que pouco dista desta comarca, e, que reúne as condições de um marco cultural desta vila nortenha.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: Caminha-se caminhando na Vila de Caminha

A linha demarcava o espaço na floresta ou savana, que não sendo africana, era alentejana, cuja alvura não era alva, cuja cor não era brancura, mas era pura.

A imagem do sentimento não era quadro de pintor famoso que demarcasse a preto e branco a rotura entre a vida e a morte. A descolorida cor, sem preto nem branco, somente como margem fixa de um rio que avança, onde a foz é onda da bonança.

Era mais uma linha de sina e sorte que separava a vida da morte.

Este espaço aberto, branco e tranquilo, que ao longe era percorrido por lancinantes viaturas que cortavam os arbustos e que se levantavam do seu silêncio, emergia sem palavras de encontro à natureza. A quietude do espaço é o lugar do seu silêncio, se o acordo nasce entre o corpo e a natureza.

Distante dessa natureza normal que circunda o homem. Essa natureza barulhenta e pestilenta, cheirosa e ensurdecedora que rodopia sempre na sua frente, sem a qual este ser parece ausente, dizendo-se são e não doente.

Quando se sente nas veias a margem de um rio que corre ao nosso redor, não temos medo, não temos dor, somente temos gotas de suor.


Este húmido suor quente, leve e transparente, que nos deixa a pairar levemente, a voar no ar, como ave sem destino à espera do momento de saltar da vítrea natureza para o mundo da cor e da beleza.

terça-feira, 21 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: A claridade opaca de um "doente institucional".

Acordo com uma imagem que me persegue durante a manhã inteira sem sequer conseguir desligar-me da sua infância.

Parece que ela despertou como sinal de qualquer coisa indesejável, mas de forma presente e atuante; como um longo pecado oculto de qualquer furtiva ação, desferida numa manhã inocente, envolta numa mancha de nódoa sobre uma toalha límpida e reluzente.

Desativada do meu cérebro durante anos, senão é sono é chama viva, cuja reminiscência aflora com novos dados e desconhecidos, que escondem qualquer mensagem oculta, não decifrada no tempo da sua existência.

E, toda esta situação díspar e absurda acontece com toda a sua doçura, em plena alva da madrugada, em que o sol desperta na suave e límpida aurora. A tonalidade da sua luz é de um branco alvo e reluzente, plastificado e brilhante, algo parado, que no seu movimento reaparece e destoa da sua normalidade.

O quarto de um “doente institucional e dependente” refresca a tonalidade da luz do raio da manhã dizendo que a vida se abre perante o seu horizonte, como um vazio a preencher suavemente com a candura da luz que dura e perdura na sua intermitência.

A luz do quarto do “doente institucional”, cuja condenação emerge do trato e contrato com a vida, ilumina-se noutra esfera de brancura, cuja alvura não é alva, mas é pura, de um destino que perdura, enquanto a cor de um nada estético se confronta na sua simples e bela doçura.  


A telúrica e vítrea imagem refulge na sua plasticidade, inocência crua e nua, em que o único matiz alvo da sua cor é a esperança na cura da dor, que se move incolor.

Com efeito, o cérebro um viciado na criação de mapas o que o leva a mapear o seu próprio funcionamento –e, de certa forma, falar consigo próprio. António Damásio, "O Livro da Consciência",  (pag. 236).


domingo, 12 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: O nosso misterioso cérebro e as suas relações familiares

“O conserto do carro atingia valores superiores ao seu valor”, a “pancada no ferro evidenciava um grande acidente”, de forma que se questionava a relação entre o “eu nuclear” e o “eu autobiográfico” eivado e prenhe de algum conteúdo de inveja, frustração, ou, deceção. O desejo de afirmação, ou, “expansão do eu” prolongava-se de forma grandiosa, de forma que o melhor era verificar os reais alicerces da construção de tão ambicionada estátua interior.

«A maioria dos distúrbios da consciência resulta de uma forma de disfunção cerebral profunda. Em alguns casos o mecanismo é químico. São exemplos disso as doses excessivas de várias drogas, incluindo a insulina usada no tratamento dos diabetes, bem como os níveis excessivos de glucose no sangue, no caso dos diabetes, não tratada». (pag.293)

A confirmação da alteração de consciência, ou, da relação cérebro e mente não tardou. Verificou-se através de uma consulta de urgência médica, já que o seu arrastamento tinha causado vários e sucessivos desmaios. Mas, as feridas familiares agravaram-se em afastamento sentimental, de modo que as cenas de desprezo e ódio, autênticos muros de isolamento, sobrepuseram-se a um sadio relacionamento. As causas cerebrais afetaram as relações psicológicas e familiares, cujo sujeito desconhecia a sua origem, embora fosse paciente desse mal.


Apesar da existência de 86 mil milhões de neurónios, com uma capacidade de processamento de 50 mil quadros, imagens ou pensamentos por dia, e um “stock” de memória de 4700 milhões de livros resume-se simplesmente ao relato citado no “Livro da Consciência” de António Damásio. Santo Agostinho caminhava sobre um grande areal, quando se interrogava sobre o mistério da Santíssima Trindade. Dizia para si próprio: como queres compreender este mistério em que tu és um pequeno grão de areia. Ora, um pedaço do cérebro do tamanho de um grão de areia contém 100.000 neurónios e realiza 1000 milhões de sinapses, em que todos os neurónios estão em comunicação uns com os outros.

EUROPOLITIQUE: As eleições europeias e a política da sardinha


As eleições europeias, para o senso comum português, quedam-se na luta política de fações partidárias que dirimem pretensos argumentos de ousadia retórica e patriotismo nacional, ou, senão pelo seu contrário, de pretensa nulidade. (Claro que as comissões de trabalho europeu estão delineadas e nelas se inscrevem os deputados portugueses; por isso, o trabalho é evidente, mas a ousadia nacional parece ausente).

Para exemplificação do “grande desinteresse e abstenção portuguesa” coloquemos o desempenho e desenvolvimento da problemática ferroviária que tem como paralelismo Portugal e Espanha.

Se o centralismo político espanhol da capital madrilena está vigente na implementação da alta velocidade, ele tornou-se um fator de desenvolvimento interno (indústria ferroviária) e um símbolo de exportação.

O problema da ferrovia espanhola parece ser o das “cercanias”, o que paradoxalmente remete para o handicap português. Como, por outro lado, o híper desenvolvimento da “alta velocidade” fosse um fator da centralidade espanhola em terras lusas.


Mas, se prolongar o exemplo ferroviário por outros constrangimentos do “navegar à vista” cairá nos “portos portugueses” e no “mar das aflições” que nos sobressaltam.

N.B. Os portugueses comem a sardinha que os europeus lhes dão nos seus próprios mares (águas atlânticas). 

(Obs: 3% de representatividade; 60% de legislação europeia....)

sábado, 11 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: SONANGOL - Uma empresa que engole Presidentes


A demissão de Saturnino por pura ingenuidade , (Jornal Expresso) segundo a sua própria autoria profética somente teria “révanche” na procura efetiva da sua pretensa causalidade nas palavras do próprio presidente quando anunciava que candidatos para a refinaria de Lobito não faltavam.

Efetivamente, eles existem, mas a sua concretização remete-nos para uma década da tão propalada refinaria de Lobito.

Mas, manter “um estado dentro de outro estado”, é uma contradição do próprio Estado de Direito. Aqui, joga-se, na nossa perspectiva, a afirmação do Estado Angolano na sua determinação de autonomia política e estatal, ou, na sua subjugação aos ditames económicos e financeiros desta empresa.

Em termos mais simples: ou, o Estado Angolano domina a Sonangol; ou, o estado angolano é controlado por esta empresa, em que intervenientes nacionais e internacionais, (quer empresas, quer pessoas), poderão estar interessados.


Deste modo, urge delimitar o campo de ação da Sonangol que somente neste campo implicou gastos da ordem dos 30 milhões de dólares, sem o desmantelamento do complexo das suas empresas derivadas. Ora, se o organigrama desta empresa não se descomplica, também ela não pode ser responsabilizada pelo mau funcionamento de um sector, onde ela é parte e não o todo completo, e neste caso qualquer ingenuidade não escapa à sua erosão.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: Cidadãos, Câmaras Municipais e Empresas Privadas no negócio do lixo (4.000 milhões em Espanha)



O “Jornal de Notícias” aponta para uma média de 32,75 euros que cada português paga anualmente na recolha do lixo, ou, naquilo que se refere a resíduos urbanos. No entanto, salienta que esta média se torna dispare já que em Penacova se atinge os 3 euros e na Póvoa de Varzim os 93,60 euros. Mas, como referência atual refira-se que o valor mínimo na cidade de Portimão é de 37,62 euros nos resíduos urbanos. Admitindo a hipótese de 32,75 euros por cada português teríamos 327 milhões de receita para o tratamento de lixos.
Na sua generalidade, o negócio do lixo, ou, o tratamento de resíduos sólidos urbanos atinge, segundo o “Diário de Notícias”, nada menos de 500 milhões de euros. Ou seja, as câmaras cobram as taxas de resíduos urbanos através do consumo da água, e com estas receitas pagam a empresas privadas o tratamento do lixo, cujo universo atinge 42% desta atividade.
Mas, «o número (é) estimado pelas operadoras privadas que asseguram 40% do mercado municipal, num negócio que, segundo dados oficiais do Instituto Regulador da Água e Resíduos (IRAR), continua muito deficitário, já que as tarifas praticadas pelas entidades gestoras não cobrem o elevado custo dos sistemas», segundo DN.
Anualmente, o negócio do lixo em Espanha atinge os 4.000 milhões de euros de lucro, que contrasta com a realidade de empresas privadas, de câmaras, do trabalho e da educação da recolha seletiva do lixo. Quer dizer que o papel, o plástico, o vidro não são rentáveis na sua colheita, deixando de fora os resíduos domésticos!...


Certamente que é necessário rever esta triangulação entre cidadãos, câmaras e empresas privadas para clarificar o negócio do lixo. Em última análise quem paga é o cidadão, mas a sua consciência ecológica, quer ao nível de produtor como de consumidor, implica o esclarecimento dos custos e receitas dos resíduos urbanos.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...