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quinta-feira, 23 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: Caminha-se caminhando na Vila de Caminha

A linha demarcava o espaço na floresta ou savana, que não sendo africana, era alentejana, cuja alvura não era alva, cuja cor não era brancura, mas era pura.

A imagem do sentimento não era quadro de pintor famoso que demarcasse a preto e branco a rotura entre a vida e a morte. A descolorida cor, sem preto nem branco, somente como margem fixa de um rio que avança, onde a foz é onda da bonança.

Era mais uma linha de sina e sorte que separava a vida da morte.

Este espaço aberto, branco e tranquilo, que ao longe era percorrido por lancinantes viaturas que cortavam os arbustos e que se levantavam do seu silêncio, emergia sem palavras de encontro à natureza. A quietude do espaço é o lugar do seu silêncio, se o acordo nasce entre o corpo e a natureza.

Distante dessa natureza normal que circunda o homem. Essa natureza barulhenta e pestilenta, cheirosa e ensurdecedora que rodopia sempre na sua frente, sem a qual este ser parece ausente, dizendo-se são e não doente.

Quando se sente nas veias a margem de um rio que corre ao nosso redor, não temos medo, não temos dor, somente temos gotas de suor.


Este húmido suor quente, leve e transparente, que nos deixa a pairar levemente, a voar no ar, como ave sem destino à espera do momento de saltar da vítrea natureza para o mundo da cor e da beleza.

terça-feira, 21 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: A claridade opaca de um "doente institucional".

Acordo com uma imagem que me persegue durante a manhã inteira sem sequer conseguir desligar-me da sua infância.

Parece que ela despertou como sinal de qualquer coisa indesejável, mas de forma presente e atuante; como um longo pecado oculto de qualquer furtiva ação, desferida numa manhã inocente, envolta numa mancha de nódoa sobre uma toalha límpida e reluzente.

Desativada do meu cérebro durante anos, senão é sono é chama viva, cuja reminiscência aflora com novos dados e desconhecidos, que escondem qualquer mensagem oculta, não decifrada no tempo da sua existência.

E, toda esta situação díspar e absurda acontece com toda a sua doçura, em plena alva da madrugada, em que o sol desperta na suave e límpida aurora. A tonalidade da sua luz é de um branco alvo e reluzente, plastificado e brilhante, algo parado, que no seu movimento reaparece e destoa da sua normalidade.

O quarto de um “doente institucional e dependente” refresca a tonalidade da luz do raio da manhã dizendo que a vida se abre perante o seu horizonte, como um vazio a preencher suavemente com a candura da luz que dura e perdura na sua intermitência.

A luz do quarto do “doente institucional”, cuja condenação emerge do trato e contrato com a vida, ilumina-se noutra esfera de brancura, cuja alvura não é alva, mas é pura, de um destino que perdura, enquanto a cor de um nada estético se confronta na sua simples e bela doçura.  


A telúrica e vítrea imagem refulge na sua plasticidade, inocência crua e nua, em que o único matiz alvo da sua cor é a esperança na cura da dor, que se move incolor.

Com efeito, o cérebro um viciado na criação de mapas o que o leva a mapear o seu próprio funcionamento –e, de certa forma, falar consigo próprio. António Damásio, "O Livro da Consciência",  (pag. 236).


domingo, 12 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: O nosso misterioso cérebro e as suas relações familiares

“O conserto do carro atingia valores superiores ao seu valor”, a “pancada no ferro evidenciava um grande acidente”, de forma que se questionava a relação entre o “eu nuclear” e o “eu autobiográfico” eivado e prenhe de algum conteúdo de inveja, frustração, ou, deceção. O desejo de afirmação, ou, “expansão do eu” prolongava-se de forma grandiosa, de forma que o melhor era verificar os reais alicerces da construção de tão ambicionada estátua interior.

«A maioria dos distúrbios da consciência resulta de uma forma de disfunção cerebral profunda. Em alguns casos o mecanismo é químico. São exemplos disso as doses excessivas de várias drogas, incluindo a insulina usada no tratamento dos diabetes, bem como os níveis excessivos de glucose no sangue, no caso dos diabetes, não tratada». (pag.293)

A confirmação da alteração de consciência, ou, da relação cérebro e mente não tardou. Verificou-se através de uma consulta de urgência médica, já que o seu arrastamento tinha causado vários e sucessivos desmaios. Mas, as feridas familiares agravaram-se em afastamento sentimental, de modo que as cenas de desprezo e ódio, autênticos muros de isolamento, sobrepuseram-se a um sadio relacionamento. As causas cerebrais afetaram as relações psicológicas e familiares, cujo sujeito desconhecia a sua origem, embora fosse paciente desse mal.


Apesar da existência de 86 mil milhões de neurónios, com uma capacidade de processamento de 50 mil quadros, imagens ou pensamentos por dia, e um “stock” de memória de 4700 milhões de livros resume-se simplesmente ao relato citado no “Livro da Consciência” de António Damásio. Santo Agostinho caminhava sobre um grande areal, quando se interrogava sobre o mistério da Santíssima Trindade. Dizia para si próprio: como queres compreender este mistério em que tu és um pequeno grão de areia. Ora, um pedaço do cérebro do tamanho de um grão de areia contém 100.000 neurónios e realiza 1000 milhões de sinapses, em que todos os neurónios estão em comunicação uns com os outros.

EUROPOLITIQUE: As eleições europeias e a política da sardinha


As eleições europeias, para o senso comum português, quedam-se na luta política de fações partidárias que dirimem pretensos argumentos de ousadia retórica e patriotismo nacional, ou, senão pelo seu contrário, de pretensa nulidade. (Claro que as comissões de trabalho europeu estão delineadas e nelas se inscrevem os deputados portugueses; por isso, o trabalho é evidente, mas a ousadia nacional parece ausente).

Para exemplificação do “grande desinteresse e abstenção portuguesa” coloquemos o desempenho e desenvolvimento da problemática ferroviária que tem como paralelismo Portugal e Espanha.

Se o centralismo político espanhol da capital madrilena está vigente na implementação da alta velocidade, ele tornou-se um fator de desenvolvimento interno (indústria ferroviária) e um símbolo de exportação.

O problema da ferrovia espanhola parece ser o das “cercanias”, o que paradoxalmente remete para o handicap português. Como, por outro lado, o híper desenvolvimento da “alta velocidade” fosse um fator da centralidade espanhola em terras lusas.


Mas, se prolongar o exemplo ferroviário por outros constrangimentos do “navegar à vista” cairá nos “portos portugueses” e no “mar das aflições” que nos sobressaltam.

N.B. Os portugueses comem a sardinha que os europeus lhes dão nos seus próprios mares (águas atlânticas). 

(Obs: 3% de representatividade; 60% de legislação europeia....)

sábado, 11 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: SONANGOL - Uma empresa que engole Presidentes


A demissão de Saturnino por pura ingenuidade , (Jornal Expresso) segundo a sua própria autoria profética somente teria “révanche” na procura efetiva da sua pretensa causalidade nas palavras do próprio presidente quando anunciava que candidatos para a refinaria de Lobito não faltavam.

Efetivamente, eles existem, mas a sua concretização remete-nos para uma década da tão propalada refinaria de Lobito.

Mas, manter “um estado dentro de outro estado”, é uma contradição do próprio Estado de Direito. Aqui, joga-se, na nossa perspectiva, a afirmação do Estado Angolano na sua determinação de autonomia política e estatal, ou, na sua subjugação aos ditames económicos e financeiros desta empresa.

Em termos mais simples: ou, o Estado Angolano domina a Sonangol; ou, o estado angolano é controlado por esta empresa, em que intervenientes nacionais e internacionais, (quer empresas, quer pessoas), poderão estar interessados.


Deste modo, urge delimitar o campo de ação da Sonangol que somente neste campo implicou gastos da ordem dos 30 milhões de dólares, sem o desmantelamento do complexo das suas empresas derivadas. Ora, se o organigrama desta empresa não se descomplica, também ela não pode ser responsabilizada pelo mau funcionamento de um sector, onde ela é parte e não o todo completo, e neste caso qualquer ingenuidade não escapa à sua erosão.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: Cidadãos, Câmaras Municipais e Empresas Privadas no negócio do lixo (4.000 milhões em Espanha)



O “Jornal de Notícias” aponta para uma média de 32,75 euros que cada português paga anualmente na recolha do lixo, ou, naquilo que se refere a resíduos urbanos. No entanto, salienta que esta média se torna dispare já que em Penacova se atinge os 3 euros e na Póvoa de Varzim os 93,60 euros. Mas, como referência atual refira-se que o valor mínimo na cidade de Portimão é de 37,62 euros nos resíduos urbanos. Admitindo a hipótese de 32,75 euros por cada português teríamos 327 milhões de receita para o tratamento de lixos.
Na sua generalidade, o negócio do lixo, ou, o tratamento de resíduos sólidos urbanos atinge, segundo o “Diário de Notícias”, nada menos de 500 milhões de euros. Ou seja, as câmaras cobram as taxas de resíduos urbanos através do consumo da água, e com estas receitas pagam a empresas privadas o tratamento do lixo, cujo universo atinge 42% desta atividade.
Mas, «o número (é) estimado pelas operadoras privadas que asseguram 40% do mercado municipal, num negócio que, segundo dados oficiais do Instituto Regulador da Água e Resíduos (IRAR), continua muito deficitário, já que as tarifas praticadas pelas entidades gestoras não cobrem o elevado custo dos sistemas», segundo DN.
Anualmente, o negócio do lixo em Espanha atinge os 4.000 milhões de euros de lucro, que contrasta com a realidade de empresas privadas, de câmaras, do trabalho e da educação da recolha seletiva do lixo. Quer dizer que o papel, o plástico, o vidro não são rentáveis na sua colheita, deixando de fora os resíduos domésticos!...


Certamente que é necessário rever esta triangulação entre cidadãos, câmaras e empresas privadas para clarificar o negócio do lixo. Em última análise quem paga é o cidadão, mas a sua consciência ecológica, quer ao nível de produtor como de consumidor, implica o esclarecimento dos custos e receitas dos resíduos urbanos.

terça-feira, 7 de maio de 2019

EUROPOLITIQUE: "Quando os aviões levantam voo em Sines..." ou a petrossina



Relata o Jornal de Angola o seguinte:

«Angola produz na Refinaria de Luanda, a única que possui, apenas 20 por cento dos derivados de petróleo que consome, importando os restantes 80 por cento».
A velhinha refinaria de Luanda, renovada ainda  nos seus últimos parafusos, aguarda as tais anunciadas refinarias do Lobito e de Cabinda para suster este descalabro de produção petrolífera.
Na capital do petróleo em Portugal – Sines – assistia-se ao mergulho de um oleoduto, que nem nas águas da lagoa tocava, mas que ingloriamente não chegava ao aeroporto de Lisboa, depois de atravesar o rio Tejo, por falta de qualquer conduta aérea, ou, incapacidade de se repor 10 milhões de euros que são substituidos por 150 camiões diários  -  “autênticos tarefeiros do petróleo” - capazes de secar o País com a falta deste produto.
Qual é a correlação destas evidências, que parecem tão claras e distintas, que se tornam tão paradoxais, tanto em Angola como em Portugal.
Se a gloriosa Sonangol, única empresa angolana de renome internacional, gasta uma média de 73,8 milhões de dólares mensais na importação de um produto do qual ela é dona e senhora, autêntico estado dentro do estado, como ficarão os seus filhos angolanos tão depenados com esta falta de clarividência e investimento?
Ou seja, nem os bons ventos da Zâmbia de ajuda económica ou parceria animam a possível construção da refinaria do Lobito, cujo combóio espera pelo seu apito?
Mas, o oleoduto de Sines, que tanto injecta o jet como fuel ou gasolina, à sua vez, que mergulha em lagoas e rios sem levantar relva, ou, suspeita de infiltração, causou um grande calafrio, não físico mas social, na carência deste produto a nível nacional.
Se, ao contrário da Sonangol, que apesar de tudo, injecta no seu porto de Luanda estes produtos petrolíferos, através dos seus navios, ou, petroleiros, os portos portugueses não estão preparados para a sua importação, restando o vizinho espanhol em última alternativa.
É que se “estamos condenados a entendermos” entre portugueses e angolanos, parece que sofremos das mesmas virtudes e dos mesmos defeitos.
Não é somente a razão económica que impera nestes paradoxos, que ferem a lua nos seus encantos, mas o seu lado escuro e lunar que não permite ver aquilo que parece "saltar à vista", mas que certa "cegueira congénita e fraternal" nos imprime nas sendas escuras de um certo obscurantismo ou dificiência de visão.
Resta-nos que através de "tentativas e erros" sejamos levados ao conhecimento científico das coisas mais elementares do que simplesmente nos é dado pelos órgãos dos sentidos, ou, umbigo.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...