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domingo, 12 de maio de 2019
EUROPOLITIQUE: As eleições europeias e a política da sardinha
As eleições europeias, para o senso comum português, quedam-se na luta política de fações partidárias que dirimem pretensos argumentos de ousadia retórica e patriotismo nacional, ou, senão pelo seu contrário, de pretensa nulidade. (Claro que as comissões de trabalho europeu estão delineadas e nelas se inscrevem os deputados portugueses; por isso, o trabalho é evidente, mas a ousadia nacional parece ausente).
Para exemplificação do “grande desinteresse e abstenção portuguesa” coloquemos o desempenho e desenvolvimento da problemática ferroviária que tem como paralelismo Portugal e Espanha.
Se o centralismo político espanhol da capital madrilena está vigente na implementação da alta velocidade, ele tornou-se um fator de desenvolvimento interno (indústria ferroviária) e um símbolo de exportação.
O problema da ferrovia espanhola parece ser o das “cercanias”, o que paradoxalmente remete para o handicap português. Como, por outro lado, o híper desenvolvimento da “alta velocidade” fosse um fator da centralidade espanhola em terras lusas.
Mas, se prolongar o exemplo ferroviário por outros constrangimentos do “navegar à vista” cairá nos “portos portugueses” e no “mar das aflições” que nos sobressaltam.
N.B. Os portugueses comem a sardinha que os europeus lhes dão nos seus próprios mares (águas atlânticas).
(Obs: 3% de representatividade; 60% de legislação europeia....)
sábado, 11 de maio de 2019
EUROPOLITIQUE: SONANGOL - Uma empresa que engole Presidentes
A demissão de Saturnino por pura ingenuidade , (Jornal Expresso) segundo a sua própria autoria profética somente teria “révanche” na procura efetiva da sua pretensa causalidade nas palavras do próprio presidente quando anunciava que candidatos para a refinaria de Lobito não faltavam.
Efetivamente, eles existem, mas a sua concretização remete-nos para uma década da tão propalada refinaria de Lobito.
Mas, manter “um estado dentro de outro estado”, é uma contradição do próprio Estado de Direito. Aqui, joga-se, na nossa perspectiva, a afirmação do Estado Angolano na sua determinação de autonomia política e estatal, ou, na sua subjugação aos ditames económicos e financeiros desta empresa.
Em termos mais simples: ou, o Estado Angolano domina a Sonangol; ou, o estado angolano é controlado por esta empresa, em que intervenientes nacionais e internacionais, (quer empresas, quer pessoas), poderão estar interessados.
Deste modo, urge delimitar o campo de ação da Sonangol que somente neste campo implicou gastos da ordem dos 30 milhões de dólares, sem o desmantelamento do complexo das suas empresas derivadas. Ora, se o organigrama desta empresa não se descomplica, também ela não pode ser responsabilizada pelo mau funcionamento de um sector, onde ela é parte e não o todo completo, e neste caso qualquer ingenuidade não escapa à sua erosão.
sexta-feira, 10 de maio de 2019
EUROPOLITIQUE: Cidadãos, Câmaras Municipais e Empresas Privadas no negócio do lixo (4.000 milhões em Espanha)
O “Jornal de Notícias” aponta para uma média de
32,75 euros que cada português paga anualmente na recolha do lixo, ou, naquilo
que se refere a resíduos urbanos. No entanto, salienta que esta média se torna dispare
já que em Penacova se atinge os 3 euros e na Póvoa de Varzim os 93,60 euros.
Mas, como referência atual refira-se que o valor mínimo na cidade de Portimão é
de 37,62 euros nos resíduos urbanos. Admitindo a hipótese de 32,75 euros por
cada português teríamos 327 milhões de receita para o tratamento de lixos.
Na sua generalidade, o negócio do lixo, ou, o
tratamento de resíduos sólidos urbanos atinge, segundo o “Diário de Notícias”,
nada menos de 500 milhões de euros. Ou seja, as câmaras cobram as taxas de
resíduos urbanos através do consumo da água, e com estas receitas pagam a empresas
privadas o tratamento do lixo, cujo universo atinge 42% desta atividade.
Mas, «o número
(é) estimado pelas operadoras privadas que asseguram 40% do mercado municipal,
num negócio que, segundo dados oficiais do Instituto Regulador da Água e
Resíduos (IRAR), continua muito deficitário, já que as tarifas praticadas pelas
entidades gestoras não cobrem o elevado custo dos sistemas», segundo DN.
Anualmente, o negócio do lixo em Espanha atinge os
4.000 milhões de euros de lucro, que contrasta com a realidade de empresas
privadas, de câmaras, do trabalho e da educação da recolha seletiva do lixo.
Quer dizer que o papel, o plástico, o vidro não são rentáveis na sua colheita,
deixando de fora os resíduos domésticos!...
Certamente que é necessário rever esta triangulação
entre cidadãos, câmaras e empresas privadas para clarificar o negócio do lixo.
Em última análise quem paga é o cidadão, mas a sua consciência ecológica, quer
ao nível de produtor como de consumidor, implica o esclarecimento dos custos e receitas
dos resíduos urbanos.
terça-feira, 7 de maio de 2019
EUROPOLITIQUE: "Quando os aviões levantam voo em Sines..." ou a petrossina
Relata o Jornal de Angola o seguinte:
«Angola produz na Refinaria de Luanda, a única que possui, apenas 20 por cento dos derivados de petróleo que consome, importando os restantes 80 por cento».
A velhinha refinaria de Luanda, renovada ainda nos seus últimos parafusos, aguarda as tais anunciadas refinarias do Lobito e de Cabinda para suster este descalabro de produção petrolífera.
Na capital do petróleo em Portugal – Sines – assistia-se ao mergulho de um oleoduto, que nem nas águas da lagoa tocava, mas que ingloriamente não chegava ao aeroporto de Lisboa, depois de atravesar o rio Tejo, por falta de qualquer conduta aérea, ou, incapacidade de se repor 10 milhões de euros que são substituidos por 150 camiões diários - “autênticos tarefeiros do petróleo” - capazes de secar o País com a falta deste produto.
Qual é a correlação destas evidências, que parecem tão claras e distintas, que se tornam tão paradoxais, tanto em Angola como em Portugal.
Se a gloriosa Sonangol, única empresa angolana de renome internacional, gasta uma média de 73,8 milhões de dólares mensais na importação de um produto do qual ela é dona e senhora, autêntico estado dentro do estado, como ficarão os seus filhos angolanos tão depenados com esta falta de clarividência e investimento?
Ou seja, nem os bons ventos da Zâmbia de ajuda económica ou parceria animam a possível construção da refinaria do Lobito, cujo combóio espera pelo seu apito?
Mas, o oleoduto de Sines, que tanto injecta o jet como fuel ou gasolina, à sua vez, que mergulha em lagoas e rios sem levantar relva, ou, suspeita de infiltração, causou um grande calafrio, não físico mas social, na carência deste produto a nível nacional.
Se, ao contrário da Sonangol, que apesar de tudo, injecta no seu porto de Luanda estes produtos petrolíferos, através dos seus navios, ou, petroleiros, os portos portugueses não estão preparados para a sua importação, restando o vizinho espanhol em última alternativa.
É que se “estamos condenados a entendermos” entre portugueses e angolanos, parece que sofremos das mesmas virtudes e dos mesmos defeitos.
Não é somente a razão económica que impera nestes paradoxos, que ferem a lua nos seus encantos, mas o seu lado escuro e lunar que não permite ver aquilo que parece "saltar à vista", mas que certa "cegueira congénita e fraternal" nos imprime nas sendas escuras de um certo obscurantismo ou dificiência de visão.
Resta-nos que através de "tentativas e erros" sejamos levados ao conhecimento científico das coisas mais elementares do que simplesmente nos é dado pelos órgãos dos sentidos, ou, umbigo.
segunda-feira, 6 de maio de 2019
EUROPOLITIQUE: A indústria pesqueira na Galiza e a sua ramificação no Minho - VNC.
A industria de pesca na Galiza vai de vento em popa, como nunca nada visto nos últimos 50 anos, graças ao seu crescimento; quer em barcos, nada menos de 50 novas embarcações; quer na implantação de fábricas de pescado, nada menos de doze, nas quais se inscreve a “Central Lomera Portuguesa”, em Vila Nova de Cerveira.
Uma indústria pesqueira que tem como rival a incomensurável “frota de pesca da China” que vagueia pelos mares; e, cuja cifra total de negócios atinge, nada menos, de 3.500 milhões de euros, na economia espanhola, dos quais 700 milhões de euros são lucro dos últimos tempos.
A fábrica de “lombos de atum” em Vila nova de Cerveira resulta do consórcio entre “Atunlo e Marfrío”, que constituiu uma verdadeira surpresa no tecido industrial desta comarca, cuja ambição ultrapassa o sentido regional para se colocar no sector internacional e de exportação. Com um investimento a rondar os 7 milhões de euros, a sua fase inicial implica a contratação de 50 trabalhadores, (cujo exponencial poderá atingir os 200), tem como objectivo a produção de 20 mil toneadas de atum de boa qualidade, gerando uma facturação entre os 25 a 30 milhões de euros, que brevemente poderá atingir os 50 milhões de euros.
A frota de pesca da Galiza expande-se por quase todas as
latitudes marítimas, sobretudo no oceano Índico,
Atlântico, Pacífico, com convénios e acordos de captura,
nos quais se implica Moçambique, Cabo Verde, Namíbia
e outros.
latitudes marítimas, sobretudo no oceano Índico,
Atlântico, Pacífico, com convénios e acordos de captura,
nos quais se implica Moçambique, Cabo Verde, Namíbia
e outros.
terça-feira, 16 de abril de 2019
EUROPOLITIQUE: A Cervejaria Trindade no Paris-Lisboa e no autocarro da Liberdade
«Todos tínhamos
passaporte válidos, alguns dos quais emitidos na véspera pelo Consulado de
Paris e assinados por um chanceler com um apelido particularmente simbólico: Portugal,
Fernando Raul Portugal» - relata António Caeiro.
Nessa época, Abril de 1974, os dois chanceleres do Consulado
Geral de Paris, um homem e uma mulher, não tinham, nem identicamente, nem
simbolicamente, qualquer ligação a esse
nome.
Claro que “telefonar para Portugal era caro e difícil; não
havia ligações diretas”. Por isso, a cotização do telegrama para Lisboa, feita
pelos empregados do Consulado, nunca teve resposta. A reunião plenária dos
empregados consulares por causa da emissão de passaportes ficou inconclusiva.
Desta forma, a exibição de tais passaportes deixa várias suspeitas na sua
obtenção, fazendo recordar o sectarismo da sala da Mutualité.
Este impasse, ou, falta de clarificação deve-se à falta de
demarcação entre o “poder político” e o “poder militar”. Aliás, foi por decreto
de Ramalho Eanes, que os refratários e desertores começaram a ter permissão de
entrada no País, e de regularizarem a sua situação militar, embora algumas
pessoas fossem detidas nas fronteiras aéreas. Os avisos de captura perduraram
apesar de legislação contrária, ou, seu desconhecimento.
“Houve momentos difíceis, mas nunca situações de
agressividade ou ameaças”, porque prevaleceu o bom senso, razão e clarividência
sobre problemas, que não sendo resolvidos foram tardiamente solucionados com o
empenho e colaboração dos funcionários do Consulado, mas não com as instâncias
superiores, pouco sensíveis aos direitos humanos e ao florescer da democracia.
É, por isso, que as superiores estruturas do Consulado e suas
instâncias, temendo o poder popular, ou, a sua insurreição se refugiaram e camuflaram
sobre ideais que nunca tiveram nas suas ideologias.
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