Seguidores

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Um salário mínimo em Portugal

 

Um SMN português que não chega aos 600 euros, ainda que 667 euros são o índice de pobreza em França, quando o salário médio, neste País, ultrapassa os 1.600 euros. Ou seja, apela-se à convergência europeia, mas intimida-se com a recessão, já que a produtividade chinesa nos banha e ameaça pelas costas atlânticas, e, certas empresas revelam-se incapazes destes objetivos.

Um olhar pelas costas espanholas permite-nos ter mais esperança na melhoria da situação portuguesa, já que muitos analistas esquecem a realidade do nosso vizinho, para não citar, os 4.000 milhões de euros de investimento estrangeiro que batem nas costas galegas.

...

As oito comunidades espanholas que esperam superar  a média nacional, ou seja, superior a 2,5% ao ano, são: Baleares 3%, Canárias 2,9%, Castela e Leão 2,6%, Castela e La Mancha 2,7%, Galiza 2,6%, Madrid 2,7%, Navarra 2,8%, País Basco 2,9%.  Na linha da média nacional, 2,5%, estarão: Andaluzia, Múrcia e La Rioja. Por baixo da média estarão Aragão  2,4%, Extremadura 2,4%, Comunidade Valenciana 2,4% e Catalunha 2,1%, que sendo a “estrela” da companhia descerá a um nível inferior.


Os índices de Espanha, talvez, fortaleçam as expectativas portuguesas, para que, cada vez mais, a dignificação do trabalho seja uma constante da vida neste País.  

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: "Portugal é demasiado pequeno para Angola e Angola é demasiado grande para Portugal"


Certamente que os chineses estão de olho nos 5% da ARAMCO saudita, cujo valor ascende a 100 mil milhões de dólares. Dinheiro não falta ao “capitalismo de Estado” da China, cujo modelo de cooperação não interfere politicamente nos interesses da Sonangol. Contudo, se a abertura de capital desta holding se colocar no mercado, certamente que não ficarão insensíveis. Mais, insensibilidade demonstraram na construção do Caminho de Ferro de Benguela que não pode rivalizar com a recente via- férrea construída do lado do Índico. Claro que esta sensibilidade, tanto se torna evidente em trabalhadores despejados em plena selva, como, em possível grupo de prisioneiros, dedicados ao trabalho. Ou seja, pedir “alta velocidade” seria um luxo e um desperdício, exigir média velocidade seria repor nos trilhos e carris o emblemático Caminho de Ferro de Benguela.

Se, a China pode despejar “sacos de dólares” e “exportar trabalhadores” do seu sistema prisional, o primado da política submete-se ao princípio do dinheiro. “Fazer dinheiro” é o lema de Trump, mas fica com os “olhos em bico” com estes chineses. A relação da China com Angola é tão estreita e conivente que nem os portugueses conseguem suster esta aliança. Por isso, certos interesses portugueses estão dependentes do rumo, quer de Angola, quer da China. "Portugal é demasiado pequeno para Angola, e, Angola é demasiado grande para Portugal". (Esta visão periférica advém de uma perspectiva francesa). Apesar desta equação contraditória, o motor do seu desenvolvimento passa por um sentido de negatividade que envolve a cooperação portuguesa. Os críticos apelam-lha de “submissão”, os realistas de “construção negativa”. A “construção negativa” é que certos princípios dos seus valores não são “cumpridos ou levantados” diplomaticamente. A “camisa de forças” é a pujança económica que a China desenvolve, sem diplomaticamente exigir alguns valores essenciais, enquanto que a “cooperação negativa” na sua dialéctica estende, no espaço e no tempo, o seu desenvolvimento.

domingo, 19 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Olhares de angolanos e moçambicanos

Qualquer moçambique ou angolano médio tem um conceito de identidade nacional superior ao do cidadão português. Quando chegam a Portugal, o que desejam comprar ou ter, é do “bom e melhor” (os últimos telemóveis, os últimos fatos, etc...), para não citar os “afortunados” desses países, que gastam de forma superior. Quando se fazem comparações, entre a vida em Portugal e de África, só lamentam as estruturas que não têm no seu país.

Todavia, quando se fala de descontos e impostos nos seus salários, não gostam muito de comparações. (para não dizer, que os descontos, em Angola, para a Segurança Social são da ordem dos 3%).

Se, a ideia de “estado social” não está presente nas suas mentes, é porque a esperança, a crença ou a estabilidade nas suas estruturas é quase nula, quando esses países são de origem marxista, ou, socialista. A Segurança Social, quer em Angola, quer em Moçambique, é mesmo um “case study”. Ou seja, uma pirâmide social invertida ao contrário da europeia. O “capitalismo de estado” à chinesa, parece ser um paradigma para alguns afortunados do sistema. “A terra é do Estado”, não se vende, nem se compra, somente se aluga (quer em Angola, quer em Moçambique). A propriedade privada e as empresas privadas são fonte de receitas, sem elas o Estado não funciona.

“As coisas não funcionam”, ou seja, as instituições não são credíveis, a corrupção e a falência dos sistemas sociais é constante. (Se, por acaso, a Segurança Social tem fundos positivos, rapidamente se depilam em sistemas bancários, caso evidente, em Moçambique).

Quer a nível da saúde, quer a nível da educação, o “salve-se quer puder”, ou, a procura do ensino particular é uma constante deste grupo social. Mas, sem impostos, ou melhor sem receitas não pode haver sistemas sociais.

Estes dois sistemas básicos, não podem viver sem impostos, sem receitas. Nos países árabes, ricos em petróleo, as necessidades básicas são, em parte, satisfeitas pelo Estado. Este circuito de riqueza criada que se transfere das pessoas para as instituições e destas para as pessoas, somente com a credibilidade dos seus agentes pode funcionar. Ora, estes agentes estão nessa classe média emergente que tem de ser a alma e o motor da economia.

As estruturas que não têm no seu país dependem do grau de exigência, trabalho e consagração destas mentes, que em vez de se identificar com o “colarinho branco”, ou os colarinhos brancos, encontrem as raízes do seu desenvolvimento.

N.B. Propaga-se em "certo senso comum", que a falência do BES, se deve aos 4.500 milhões de dólares de uma garantia angolana. Se, o BES sofre embates, ou, dificuldades, a gota de água transbordou o copo com esta falta de garantia. (Aliás, 20% da economia portuguesa sofreu com este descalabro). Mas, apesar deste descalabro, a estrutura intermédia e social do País teve de reunir forçar para ultrapassar estas dificuldades.

EUROPOLITIQUE: CHEVRON: "Com os Americanos não se brinca..." - SONANGOL



“Por isso, a Sonangol viu agravar a sua dívida e complicar as relações com as operadoras estrangeiras. Ninguém tira o mérito de se ter conseguido baixar os custos de produção nem de outras acções ( a que preço?), mas a falta de diálogo e o excesso de burocracia estavam a pôr em perigo a saúde da “galinha de ovos de ouro”, porque há anos que não se fazem novas licitações, prospecções e com isso a produção tende a cair até pela quantidade das reservas e idade de alguns poços. E, depois, não é mesmo concebível que um dos maiores produtores africanos tenha de importar quase todos o produto refinado. 
Tratou-se, portanto, de uma medida de gestão, pura e dura, que algumas forças, apanhadas sem argumentação, procuram agora atirar para um alegado conflito político entre o Presidente da República e o líder do MPLA, fomentando um forçado braço de ferro e pseudo divisões no partido no poder. 
E nada mais eloquente do que Isabel dos Santos
....”

Este discurso do “Jornal de Angola” que confunde “esfera do Estado” com “esfera de uma empresa”, em que, por acaso, o Estado depende de uma única empresa é interessante.
(Os tais 2.000 milhões de dólares por parte da China, já estavam consagrados anteriormente pelo seu Ex-Presidente)
Enquanto que no Brasil, o território é propriedade do Estado, em Angola parece ser da Sonangol.
 Por isso, a Sonangol vende, onde quer e como quer.
E, qual é o papel do Estado? Mero recetor de alguns dividendos. Já que o Estado não tem capacidade financeira, o recurso será a Sonangol. Empresa omnipotente, que com as suas várias facetas limita o papel do Estado. Cria empresas e holdings a seu bel-prazer, como sinónimo de rentabilidade, ou melhor dito, de uma fiel clientela. Desmantelar a supra empresa, traçar os seus limites e enquadrar as suas funções é tarefa que urge concretizar para deslindar os seus novelos, as suas teias e definir a sua estratégia. Até que os esquemas implantados sejam descobertos e desfeitos levará bastante tempo, já que eles foram aperfeiçoados na sua complexidade. Gerir uma empresa, ou, um monopólio, do qual o próprio Estado depende, é tarefa hercúlea, que além da ciência financeira, exige uma ”contabilidade analítica”, que somente os mais astutos analistas financeiros terão capacidade de fazê-la.
Do êxito ou fracasso da Sonangol dependerá muito do Estado Angolano. Olhar para o futuro da Aramco saudita, talvez seja um fio de saída do novelo, do sarilho, e, do tear em que está metido o sistema angolano. 
Para além dos contornos financeiros  - papel dos especialistas -, para além dos contextos políticos, - papel dos gestores-, uma coisa é certa:
“Com os americanos não se brinca”, e desde que a Sonangol entrou em conflito aparente com a Chevron, antes e com Isabel dos Santos, o barco começou a meter água. Como é em águas angolanas, certamente que o barco não vai ao fundo, mas que mete água, lá isso é verdade.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Dos cem dólares aos 3.000 dólares em Angola (INSS)



A ex-funcionária bancária, após dez anos de trabalho na banca, ficou toda satisfeita, quando de uma só vez, recebeu a sua reforma; enquanto que o alto funcionário público moçambicano espera ter uma aposentação superior ao seu vencimento. Estes dois exemplos  concretos e africanos, demonstram os sintomas da segurança social, não só em Moçambique, como na "gloriosa e miserável" Angola.
Em Angola, existem 12 trabalhadores para um reformado (os europeus, nem acreditam neste milagre!...). É, uma pirâmide social exponencial, que retrata uma realidade social confrangedora, no seu todo. No seu sistema de segurança social existem 1,6 milhões de "activos", que descontam para este sistema, que, "grosso modo", corresponde a menos de 10% da sua população. Quer dizer que muitas empresas e trabalhadores não descontam, com uma percentagem de 3%, bem longe dos 20% da União Europeia. Ora, os 129 mil reformados recebem entre 21.380 kwanzas e os 551 mil kwanzas.
O "Instituto Nacional de Segurança Social" (INSS), além de uma gestão precária e pouco eficiente debate-se com a falta de quadros, de uma organização eficaz, e, de providências políticas para devolver as garantias necessárias de uma "instituição vital" para os angolanos. Como é possível organizar um País, sem um sistema social que o fundamente?
Se não se começa pela base social, pela confiança no futuro, pela crença no Estado Social, ou, nas suas estruturas, onde se vai parar? (Nos 1.200 milhões de pessoas, em África, 60% da sua população tem menos de 25 anos).

N.B. Num universo de 27 milhões de angolanos, somente 1,6 milhões destes cidadãos terão direito à Segurança Social?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: "A inveja de Lisboa de não ser Barcelona"



  • Dos oitenta comentadores consagrados, por Cavaco Silva, fora, outros oitenta que deambulam na órbita dos jornais, certamente que 50% deles, insurgem-se contra a presumível independência catalã, por causa da economia, ou, da riqueza da Catalunha. Explicar, sociologicamente, um acontecimento por um único fator fere as regras desta ciência. Por acaso, causa-me inveja esta Catalunha que cresce, quase o dobro de Portugal, que tem um superavit superior à Lusitânia, e, que tem mais comboios, aviões e barcos que Lisboa. Esta minha inveja, não sei se é partilhada por alguns alemães, que não olham com bons olhos a partilha de fundos para um País que exibe a mais densa ferrovia de alta velocidade.
  • A Catalunha representa 19% do P.I.B. de Espanha. Em 2016, superava Madrid em, nada menos, 1.103 milhões de euros. Se certas vozes dizem que o “Porto trabalha e Lisboa diverte-se”, este slogan parece fazer mossa aos catalães. Enquanto que a Catalunha atinge os 211.915 milhões de euros, a sua capital – Madrid – queda-se nos 210.812 milhões de euros, que não correspondem a um terço de “Île de France”, ou seja, Paris e arredores.
  • Embora o argumento económico seja plausível, outros fatores se associam a esta possível reivindicação catalã.
  • Todavia, a Catalunha não é uma ilha, dentro do contexto espanhol e europeu. E, as várias correlações de forças económicas, jurídicas e sociais da Europa não parecem alimentar estas veleidades de que a região da Catalunha é um novo Mónaco, disposto a exibir os seus troféus.
  •  Embora, a cidadania europeia seja quase um mito, a nível individual, aliás, muito longe da identificação americana, a teia de laços que unem esta Europa não se reduz as simples aspirações. Se é uma simples “emoção”, como diz Damásio, está muito longe de um "sentimento", de uma consciência e intelecto, que trespassa a própria identidade europeia. Ainda que digam que isto é um problema da Catalunha, sobre o qual não se deve opinar, a música de Lluis Lach advém de Paris, que embora, talvez seja seu partidário, está a um terço de repercussão sonora de quem escuta a sua música.
  • A física quântica caminha por caminhos que ultrapassam a economia e se elevam ao campo musical, ainda que a música tenha a sua matemática,e, Luís Lach a sua Laura.
  • A pauta musical europeia, ainda que não demonstre uma "clave", tem as suas notas em escada, em que cada tom desenvolve a sua voz, mais alta ou mais baixa, e, em que os "ruídos" de fundo não fazem parte da sua música, embora os silêncios façam parte da sua constituição. O fado ou destino geme na sua tonalidade, enquanto a valsa se dança nas suas valquírias. 



terça-feira, 7 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: O "Independetismo estético" da Catalunha


A expressão de Artur Más sobre a "independência estética" da Catalunha, deve merecer o apoio do cidadão alemão e françês, para não dizer, do português. 
Muitos alemães estão fartos de contribuir para esses cidadãos que se dedicam a "copos e mulheres", ou seja, à diversão política de independências. Não por pactuarem com o "homem unidimensional" de Marcuse, mas por considerarem que os "tempos" não são para brincadeiras. Após os anos de crise, a maioria da população passou alguns calafrios, e, os portugueses muitas angústias. Mas, se o senso comum europeu se aproxima do pensamento comum dos políticos, a independência da Catalunha é meramente estética. 
No plano ético, a vontade de muitos catalães ainda não é suficiente para atingir o plano político, embora a sua expressão seja digna de consideração e não de anátema. O anátema faz lembrar a famosa Inquisição Espanhola. Por isso, a concialiação possível entre o plano ético e político implica que além das suas boas intenções sejam analisadas as consequências. (Além do "ordenamento jurídico" que a vincula às portas de Madrid, não quer dizer que os seus portões se ergam em prisões).
Madrid ordena eleições (apesar de mais dois anos de poder vigente). 
 Quem paga as eleições, ou seja, os 25 milhões de euros no dia 21 de Dezembro?
Resposta: a Catalunha, ou seja, cada votante desembolsa 5 euros. 
Mas, quem manda devia pagar.!...ou seja, Madrid. 
Se a Calalunha gastou 6,5 milhões de euros é bastante rídiculo pedir aos seus autarcas o dinheiro desta despesa. 

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...