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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: O dinheiro em Espanha corre para a "força do rio" dos mais RICOS


Nos oito homens mais ricos do mundo, apresentados num painel da televisão brasileira Record, Amancio Ortega figurava em segundo lugar, após Bill Gates.
Apesar dos estudos das desigualdades sociais de Portugal não revelarem quantificações acerca dos mais ricos e as classes desfavorecidas, em Espanha um recente estudo demonstra que 14,2 milhões de espanhóis equivalem à riqueza acumulada dos seus três homens mais ricos: Amancio Ortega, dono da empresa Inditex, mais conhecidas em terras lusas pela Zara, e sua filha Sandra Ortega, e o presidente da comercial Mercadona Juan Roig, que se vai instalar em terras lusas.
A classe mais rica de Espanha, na ordem do 1%  arrecada mais de 27,4% da sua riqueza total.
(Em Portugal, apesar de 1339 novos milionários de um milhão de dólares em 2016, somente atinge os 0,006%, situando-se na fasquia de pouco mais de 54.000 afortunados).
Apesar de um crescimento na ordem dos 3% em Espanha, o dinheiro encaminha-se para a classe mais rica, de forma que a classe mais pobre espanhola, na ordem dos 30%, é equivalente à riqueza dos mais afortunados.
Restam outros contribuidores de 40% da riqueza total espanhola, que se diluem pela restante população; são estes que alimentam a máquina espanhola ao nível de impostos. Quase 10% dos espanhóis com maior património acumulam 56,2% da sua riqueza total.
Com um milhão de estrangeiros, numa população de 47,8 milhões de habitantes, e, uma média de 42 anos de geração, na qual se situa 66,8% dos seus habitantes na idade entre os 15 e 64 anos, a Espanha apresenta-se com uma taxa de alfabetização na ordem dos 98,3%, em que 79,6% habitam em cidades.
A tendência dos emigrantes espanhóis na procura de um apartamento reflecte-se na atracção pela cidade, em que  somente 20% da sua população vive no campo, ou, aldeias. O sucesso do combóio de alta velocidade está associado à conexão entre as cidades espanholas, onde pontifica o centralismo de Madrid.
Apesar de um crescimento de 3% em 2016, e, boas perspectivas para o ano seguinte, a repartição da riqueza espanhola reflecte um verdadeiro fosso entre os mais ricos e a classe mais pobre.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: A China e o futuro da Globalização




A China apresenta um forte crescimento económico, uma sólida posição financeira (com grandes investimentos estrangeiros), e uma balança de transações com superavit, o que lhe permite amealhar milhões de dólares.
Como consegui fazer este milagre económico?
"Grosso modo", graças a uma economia planificada, com mão-de-obra barata, baixos salários, mas com 700 milhões chineses retirados da pobreza, que descontam 10% para os serviços sociais e de saúde; e, que exibe cidades modernas e a mais extensa rede de alta velocidade.
Viver na cidade é um sonho que se tornou realidade, onde alguns chineses poupam quase 50% das suas economias.
Com um regime político de partido único, (portanto, não democrático), sem liberdades políticas e cívicas, onde a componente económica é a estratégia do seu desenvolvimento, cujo slogan faz jus à frase de Marx: “o homem é um ser económico”.
A globalização é a janela aberta pela China ao mundo, mas esta janela está ancorada na sua casa. O livre comércio mundial funcionará, enquanto for favorável à China?
A tendência dos movimentos anti-globalização  e as políticas de defesa dos interesses nacionais manifesta-se cada vez mais contra a falta de regulamentação económica e comercial mundial. Sobretudo, pela falta uma ética da globalização, preconizada por vários pensadores teóricos.
Os chineses começam a sentir-se vítimas da globalização, aliás, que os têm favorecido. Por isso, o porta-voz das alfândegas chinesas Huang Songping afirma: «a tendência anti-globalização é cada vez mais evidente e a China é a sua maior vítima», segundo a agência Reuters.
Se, os anúncios públicos de Trump se confirmarem muito incertezas surgirão na economia mundial. Algumas já são evidentes no ano transacto.
Em 2016, as compras da China no exterior caíram 5,5%, cujo montante atinge quase 1,5 mil milhões de euros, segundo a agência Reuters. O intercâmbio entre a Europa e os USA diminui 6,8%, com um retrocesso de 3,47 mil milhões de euros. As exportações chinesas registaram uma queda de  7,7%, em 2016, no valor de 1,97 mil milhões de euros, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China. Acresce-se ainda as flutuações e credibilidade da sua moeda.
A política económica dos USA será uma condicionante do futuro e desenvolvimento da globalização.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: A carência de um Bem, outrora abundante - a carne em Angola


Nos velhos tempos da “Angola agrícola” contavam-se em cabaças a cabeças de gado, segundo consta a tradição. Os grãos de milho contabilizavam os rebanhos que se estendiam pelas suas pradarias, bosques ou  savanas.
Hoje, são as ditas “fazendas”, cuja origem se deve aos portugueses, as  quais recebem acordos com empresários brasileiros para devolver o esplendor e abundância de carne, com o beneplácito da esfera governamental, numa economia de cariz planificada.
O Brasil tem um tradição exportadora de carne que se situa em 500 vendedores certificados; por isso, o acordo de 2015 estabelecido nas terras do Cuando Cubango com 40 fazendas e uma área de 200.000 hectares, ainda não começou a dar frutos, ainda que recentemente o Banco Mundial tenha disponibilizado 230 milhões de dólares em apoios agrícolas.
Angola importa, nada menos, de 600 milhões de dólares em carne, a cujos gastos se ajusta um investimento de 571,9 milhões de dólares, para quedar-se nos 20% das suas importações.
Apesar dos apoios do Banco Mundial, Angola ficará a 50% dos seus objectivos programados, se o dinheiro for efectivamente investido.
O preço da carne em Angola atinge valores que são o oposto da abundância e fartura brasileira, de cujo expoente surge a “picanha”, espalhada pelos diversos rodízios e restaurantes; tornando-se no maior exportador mundial de carne.
As potencialidades agrícolas em Angola, com a sua rica bacia hidrográfica, reúnem condições únicas para a exploração da criação bovina. Apesar dos roubos, da adaptação de raças aos seus solos, das intempéries e das doenças, urge que Angola retome os “velhos tempos” em que as cabaças sejam substituídas por uma moderna comercialização da indústria da carne, numa economia de mercado aberto à produção nacional e à exportação internacional.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: O núcleo duro da "moeda única" - EURO (Alemanha, Holanda, Áustria e Finlândia)

Subjectivamente, gosto da moeda única, embora tenha inveja da “nota verde” – o dólar, idolatrado pelos sul americanos; e, confundido com certos africanos, quando querem pagar em dólares, pensando que vale mais que o euro.
Objectivamente, deixo aos economistas a solidez da “moeda única” que navega em ”maus lençóis”, quer internamente com o fardo da dívida portuguesa, quer no seu “uso” como instrumento do desenvolvimento económico lusitano.
Todavia, o “euro” deu-nos este conforto de solidez e irmandade que nos une como europeus; e, para além de ser um instrumento da economia europeia devia subornar-se às suas exigências de unificação, já que o número é somente medida da “coisa”, da “mercadoria”, do trabalho inscrito na matéria, e, por cima dele está a actividade humana.
Qual o valor e força desta actividade humana na construção europeia (nos seus valores, na sua política e nos seus ideais – estados sociais) deve permanecer como “tábua ou quilha mestra de um barco” a reconstruir-se?
As certezas económicas não podem ser a únicas a comandar a vida dos europeus, embora o “homem económico” seja um dos fundamentos do seu modo de existir.
Advogar um “núcleo duro” da “moeda única”, constituído pela Alemanha, Áustria, Holanda e Finlândia contra uma “periferia” da Espanha, Itália, França e Portugal (onde, a Grécia é excluída) faz me lembrar um psicólogo americano Sherif que dizia  que: quando uma criança introjecta o racismo em criança, nunca mais aceitará os negros como pessoas.
Ora, como afirma o alemão Meuthen: «o euro é uma semente de discórdia numa Europa com distintas culturas monetárias e diferentes níveis de competitividade», justificando a criação de duas moedas, uma para os ricos e outras para os mais desfavorecidos. Isto remete-nos para os "eternos preconceitos psicológicos" que um núcleo duro nunca é desmontado pelo seu periférico, quando as abrangências e constituições deste mesmo "núcleo  nuclear" tem divergências e fracturas na sua própria formação. Oxalá, que os "novos nacionalismos" arrefeçam nas suas intenções.
A economia deve estar ao serviço do homem, e não pode ser a sua única dimensão. Encontrar as formas de ultrapassar este impasse, torna-se em defender pessoas, e, em fortalecer o euro contra o dólar e yuan.

domingo, 8 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: Ao comandante da Liberdade e da Democracia - MÁRIO SOARES


Tão longe e tão perto dos ideais da liberdade e da democracia, que todos nós carregamos como um sonho, do qual fostes o comandante.

Procurei as palavras e os lugares dessa vaga imagem que atravessa o nosso imaginário e a nossa realidade, que jornais e testemunhos assinalam.
Tão longe da cidade das luzes, como dos caminhos de Portugal, tão perto da “Église Saint Jacques com Helder da Câmara”, como das calçadas de Lisboa.
Procurei um testemunho longínquo “daqueles e daquelas” que cantavam na terra de “mon ami Mitterand”, a canção chilena que embalava os ideais de tantos que ansiavam pela democracia e pela liberdade, dos quais fostes o comandante.
Recordo as vozes deste refrão:

«Gracias a la vida que me ha dado tanto

Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto ciel su fondo estrelado
Y en las multitudes el hombre que yo amo».

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EUROPOLITIQUE: A verdura da Madeira e a secura de Porto Santo


Junto ao hotel, onde pernoitávamos, corria um pequeno ribeiro de água para o mar, na ilha da Madeira. Fiquei fascinado pela riqueza natural desta ilha.
A abundância de água contrastava com a secura que irradia a ilha de Porto Santo.
Para lá fomos no “Lobo Marinho” que faz a escala diária entre estas duas ilhas.
O aeroporto de Porto Santo permanecia no meio do deserto desta ilha, como símbolo de emergência de qualquer temporal, com a sua pista que fazia relembrar uma linha no horizonte de uma costa a outra.
Se a escassez de água é uma constante na ilha de Porto Santo, já a secura e falta de terra arável é um obstáculo, que se vence com a “paciência de chinês”.
Em pleno mar de rochedos, os chineses têm edificado autênticas bases militares, que são alimentadas pela grande metrópole.
O “Lobo Marinho”, que saiu das verdes "terras minhotas", tem capacidades subaproveitadas, que diariamente bem podem transporte um contentor de terra arável por cada viagem que faz.
Efectivamente, a verdura da ilha da Madeira contrasta com a secura da ilha de Porto, ainda que o casario de habitações ou pequenos hotéis dêem uma miragem que não estamos num deserto, sobretudo para quem sobe ao seu pico mais alto.
Um "contentor de terra arável" por cada viagem no “Lobo Marinho” não torna verde Porto Santo, mas alivia a sua secura.

EUROPOLITIQUE: O turismo em Portugal a 1/6 do turismo espanhol

O turismo em Portugal tem sido uma alavanca do crescimento de emprego em Portugal, ao contrário da construção civil, que ainda não descolou para níveis razoáveis, ao contrário de Espanha.
Apesar desta evolução, o turismo português queda-se a 1/6 do turismo espanhol.
Contrariamente a Espanha, o crescimento turístico em Portugal foi superior, já que a evolução turística espanhola se situa nos 8,4% relativamente ao ano anterior.
Aquilo que marca o turismo espanhol é a enorme quantidade de turistas cujos números se aproximam dos 80 milhões de visitantes.
O gasto médio destes turistas situa-se nos 1.023 euros, ainda que menos 8,8% de gastos comparativos com anos anteriores, mas que atingem a soma de 73. 124 milhões de euros. Com um bom desempenho na construção civil com uma subida de 37%, e a exorbitante soma turística, a Espanha aumentou de modo significativo as suas quotizações a nível da segurança social.("a posteriori": em 2016, 75,3 milhões de turistas, com o montante de 77 mil milhões de euros).
Se Paris retrocedeu 20% na procura turística, o Açores aumentaram nada menos de 20%. Todavia, as receitas portuguesas ficam muito aquém da avalanche do turismo espanhol. Ainda que as areias portuguesas brilhem aos olhos dos espanhóis, já que deparam com a escuridão nas suas, o turismo luso ainda tem fortes margens de crescimento
O turismo espanhol é muitas vezes um “turismo de massas”, por isso os gastos turísticas tendem a ser inferiores àqueles que visitam Portugal.  No entanto, apesar da subida de 11,46% do turismo em Portugal, certas estruturas turísticas carecem de uma indústria de ócio e lazer, de animação e diversão nocturna, de parques de divertimento e temáticos, e, da diversificação de módulos ambientais, patrimoniais e naturais.
A balança turística entre Portugal e Espanha requer uma complementaridade que os Açores e a Madeira podem fornecer num leque mais diversificado do turismo, que desponta com fulgor nos países ibéricos.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...