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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Euro Politique 262." Prós e Contras" angolano



Apesar de certas limitações técnicas, e de um “começo atribulado” enveredou-se por um debate circunscrito ao politicamente correcto, já que as individualidades assim o condicionavam.
Sem dúvida que as susceptibilidades esgrimiam argumentos que deambulavam nas limitações do que diplomaticamente se tornaria possível.
No entanto, como ensaio de intercâmbios abriu-se uma janela para o despertar de situações que somente se afloraram ao sabor da pele, sem a devida acutilância. Aliás, a participação da sociedade civil quedou-se pela emergência musical e, a sintonia popular.
Sem dúvida, que o tecido empresarial angolano ainda não emergiu no seu papel institucional, cultural e social.
 A reivindicada falta de tecnologia somente emergirá com as devidas parcerias que futuramente se poderão desenvolver.
Todavia o sistema económico financeiro angolano começa a reunir condições de expansão que devidamente apropriadas, podem conduzir àquilo que as carências angolanas procuram.
Embora eleito como decano dos embaixadores ditos “económicos”, o seu representante em Angola quedou-se por um admirável silêncio.


Este pequeno pormenor é sinónimo do  "politicamente correcto" que caracterizou o debate, caindo num “tom morno” e de saudosa convivência. Convenhamos que o percurso do debate permanecia em margens limitadas em que a “liberdade de expressão” ainda não se guindou a um patamar de cultura e de direito pelo respeito das várias opiniões, susceptíveis de polémica.

O confronto, a polémica, o debate e o diálogo foram conduzidos numa única linha da procura de consenso.

Portanto, “morno”, mas com vontade de “mais”!....

sábado, 14 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE 265. Entre o Qatar e Angola


Há quem defenda que a riqueza de Angola advém da sua bacia hidrográfica, contrariamente aos recentes lucros da exploração do petróleo.

Parece que a riqueza petrolífera do Qatar está assegurada por 40 anos do seu futuro, de forma que os seus habitantes com um o PIB “per capite” de 88.000 dólares continuarão a beneficiar os seus 800 mil habitantes, já que 1,5 milhões de estrangeiros gravitam à roda dos beneficiários autóctones, sem os direitos sociais que bafejam os autênticos cidadãos do Qatar.

Ainda que Angola não atinja os 10% do PIB por habitante do Qatar, as suas riquezas atingem, certamente, dez mais os 40 anos das estimativas deste país do deserto.

Além disso, os seus ideias certamente não passam por uma divisão de classes ao estilo da Antiga Grécia, entre senhores e escravos, que a realidade do Qatar parece demonstrar.

Independentemente das analogias entre Angola e o Qatar , cujo referente só podia ser Cabinda, o farol que guindou as “Primaveras árabes” no panorama da comunicação foi a cadeia de televisão “Al Jazera”, como símbolo da “liberdade de informação”.

A realização do Programa da RTP 1 – “Prós e Contra”, é sinal de intercâmbio que, embora modelado pelas cadeias televisas estatais, pode constituir um prenúncio da tal desejada “liberdade de informação” para o espaço da lusofonia.

Apesar dos constrangimentos informativos da realidade angolana, a sua posição geográfica no mundo da língua portuguesa centraliza-se, geograficamente, como um futuro pólo de desenvolvimento do mundo informativo.

A descentralização do mundo ocidental, cada vez mais,  passa pelo papel dos países emergentes, aos quais Angola não pode ficar alheia.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE 261. Allô!...Quai d'Orsay


Orgulhosamente, um amigo meu, telefonava de França, exibindo o triplet AAA das Agências de Rating, criadas especificamente para análise de empresas, enquanto que outros países, em que me situo, se deviam limitar às posses de cada região.

Ora, ainda que pouco perceba da tão famosa taxa “Tobin”, é evidente que me assusta o fluxo de “dinheiro electrónico”, que num ápice de tempo, manipula milhares de milhares de “moedas” ou cifrões, sem que se possa saber o valor e conteúdo dessa grande gigantesca massa monetária flutuante.

É evidente que a “segunda economia europeia” nada tem a ver com “países periféricos”, já que para lá dos Pirinéus “aquilo é África”, embora muitos países africanos ou emergentes crescem na ordem dos 7% ao ano.

É que ainda que estejamos na cauda da Europa, pelo rabo se sustém o toiro. As contínuas chifradas de que somos vítimas têm demonstrado, se não fossem os combustíveis, as nossas exportações seriam excedentárias.

Ora, aqui é que entra o famoso “Quai d’Orsay”.

Para exemplificação do problema, que pressupõe várias teorias, exibem-se os seguintes argumentos:

- Portugal exerceu um papel essencial no Conselho de Segurança em relação à Líbia.

- A Fundação Kadhafi deixou uma quantia razoável na Caixa Geral de Depósitos.

- Portugal tem um enorme déficit de importação de “crude” da Líbia.

- Quais são as estratégias para colmatar tal “décalage”, à francesa?...

É evidente que o MNE português não precisa de pedir lições ao famoso “Quai d’Orsay”, digamos que lá vai o tempo, “green” missiva, e os “dois comendadores”. O MNE tem de saber jogar as suas armas em seu favor.

Portanto, que a “imaginação ao poder”, lema de Maio de 68, funciona na “intelligentsia” diplomática para que do “lixo” caminhemos até ao possível “Triplet AAA” gaulês, sem menosprezar a nossa amizade luso- francesa.


domingo, 8 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE. 202 - Pingo Doce, Pingo Amargo


O funcionamento do capital tem as suas lógicas, que o comum dos mortais não domina. Por isso, qualquer comentário acerca desta instituição empresarial reduz-se aos analistas competentes para tais análises.

Todavia existe um questão que me intriga!...

Qualquer cidadão nacional ficará surpreendido em fazer compras num hipermercado canadiano. É que além dos preços tabelados nos produtos comprados e visionados apanha a linda surpresa ao passar pela caixa de pagamento com a famosa “TAX” (imposto governamental), que pode causar alguns dissabores a compradores incautos.

Claro que isto vem a propósito da lamúria do patrão do “Pingo Doce” de que pagou 11 milhões de euros à SIBS ou Unicre, aliás, situação pouco esclarecida, mas certamente relacionada com o volume de negócios. Portanto, se pagou, algum serviço usufruiu por tal facto.

Todavia, aquilo que ele não disse é quanto pagou ou entregou de IVA dos seus clientes ao Estado. Essa massa salarial de IVA dos seus clientes, entregue ao Estado, é que seria interessante saber.

Existindo uma rede nacional de pagamento de cartões, (facto que até os alemães elogiam), porque é que os cidadãos não sabem quanto entregou o Pingo Doce de IVA, ou até outras empresas, retido aos seus clientes e dado ao Estado?

Por vezes, questiono-me se realmente o IVA pago pelos clientes dos supermercados é entregue ao Estado, ou, se o Estado não deve publicitar que recebeu X ou Y desta ou daquela sociedade comercial.

Se os cidadãos pagam IVA ao Estado pelo consumo dos seus alimentos, isto é, para sobreviver, o mínimo que o Estado deve fazer é elucidar os seus indígenas acerca da recolha deste imposto nos supermercados.

EURO POLITIQUE. 201 - Esperança.2





É evidente que os chineses não colocam Lobito a duas horas e meia do Congo. Vendem comboios e carruagens para o terceiro mundo, ainda que nas suas linhas utilizem tecnologia europeia para gáudio das suas ligações internas a nível da ferrovia, atingindo a módica quilometragem de 500 Km à hora.
Se a Espanha já dispõe de moderna tecnologia ferroviária, procura vendê-la ao estrangeiro. Mas, no caso chinês não acontece o mesmo, já que os indígenas angolanos ficam satisfeitos com dois tipos de classe nos seus comboios, e o tal dito luxo europeu ou asiático quedaria mal empregue nas savanas africanas.
É evidente que a rentabilidade de Madrid a Sevilha não é conciliável entre o Rio de Janeiro e São Paulo, porque não têm a moderna ferrovia, e as cidades angolanas não regurgitam de cidadãos endinheirados para tais percursos.
Claro que esta questão do desenvolvimento convém aos seus actores envolvidos, mas certas contradições são dignas de registo.
O mundo ocidental tem sido generoso com um tipo de economia de “toupeira”. Esta economia de “toupeira” procura sugar a economia mundial de várias formas.
Ao confronto do mundo soviético e do mundo americano, surgiu a habilidade chinesa que procura conciliar o trabalho dos seus cidadãos com o capital estatal de forma esplendorosa. Exploração do trabalho, baseada na sonegação dos direitos humanos dos seus trabalhadores, para obtenção do máximo capital dentro de um Estado socialista, cujo objectivo político é embandeirar-se como potência económica.
Costuma-se dizer que com o mal dos outros se pode bem.
As certezas económicas de um rectângulo à beira-mar plantado é que têm de brilhar no esplendor da confiança financeira.
A moeda europeia, criada para o mercado interno e balizada no seu interior europeu, encontra-se balançada no movimento da globalização. Como moeda cobiçada foi através da fraqueza dos seus estados, que se ressentiu das suas debilidades. Ao mundo restrito da Europa surgiram os tigres asiáticos que conjuntamente com os BIRD desencadearam surtos de desenvolvimento que a letargia europeia foi incapaz de renovação.
Se o império romano tinha no “direito e no braço militar” a sua base de sustentação, o sonho europeu navega na incongruência da sua legislação e da disseminação das suas forças militares.
Uma moeda requer pilares de sustentação que não residem somente no carácter da economia. Outras traves mestras sustentam a sua afirmação. Por mais que a moeda americana seja periclitante, a sua base de sustentação é bem segura.
Face aos novos ventos da globalização cujas bases económicas e financeiras tem como objectivo o lucro imediato e espontâneo, todos os elementos da arquitectura de um moeda são minados na base da sua sustentação.
Com Angola e Moçambique na base da sua sustentação, possivelmente com uma mão de ajuda do Brasil, o pequeno rectângulo encontre ainda forças dinâmicas para qualquer tipo de evolução. A confiança numa economia encontra-se nos caminhos que se possam abrir à sua expansão.
As parcerias económicas e o intercâmbio cultural, alicerçado na mesma língua serão, porventura, uma das tábuas da nossa salvação.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

EURO POLITIQUE. 200 . A Esperança





Parece que o dito mundo ocidental navega numa crise sistemática, cujos contornos a clareza e distinção não conseguem discernir as sendas da sua libertação. Agrilhoados na caverna ou escuridão, a luz do fogo não ilumina as clareiras dos seus caminhos, quer no plano nacional, quer no plano internacional.

O anátema de uma condenação da falta de esclarecimento sobrepõe-se ao sofrimento da condição humana daqueles que nem sempre o “seu Deus é o ventre”, embora pela sua emancipação passe a sua libertação.
Ao mundo cinzento ocidental da era das trevas ergue-se o mundo colorido que desponta nos países emergentes.

O Brasil com um nível de exportações totais na ordem dos 257 mil milhões de dólares mantém um superavit em relação à China: 77, 5 mil milhões dólares (exportações) e 29,4 mil milhões de dólares (importações).
Embora Portugal detenha um crédito de 1200 milhões de euros sobre Angola, este país somente importou da China 2,5 mil milhões de dólares, quando exportou 25,1 mil milhões de dólares.

Brasil e Angola são os fornecedores naturais da matéria prima necessária à China.

O conjunto de outros países de língua portuguesa, incluindo Portugal mantém um déficit natural, embora o saldo seja positivo, ironia do destino, na ordem dos 35.276 milhões de dólares.

Angola debate-se com enormes problemas na sua rede eléctrica nacional, cujo exercício de execução merecia a audácia dos portugueses, apesar do gaz do Soyo estar praticamente vendido aos americanos, tudo isto para dizer que o mundo colorido  reluz nas suas cores contra o mundo cinzento ocidental. 





P.S. As últimas informações revelam que, em breve, China ultrapassará as importações francesas da Alemanha. O paradigma da moeda europeia tem de se adaptar às contingências da globalização. Deste modo, os Estados terão dificuldades em manter o sistema social europeu face ao modelo chinês. Na indústria automóvel aceitam-se as fábricas europeias ou americanas até que os chineses permitam porque começam a desenvolver os seus modelos. O sistema chinês não segue as mesmas regras do mundo ocidental. Portanto as moedas que se cuidem face a estes combates!...





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Euro Politique.199 - Paulo Portas e o Duque de Palmela



Paulo Portas procura inscrever-se naquela perspectiva de que “desde o liberalismo, só houve duas políticas externas: a do duque de Palmela e a de Mário Soares”, conforme escreve na primeira pessoa: “um político assume-se”, cujo interprete é o controverso analista Vasco Pulido Valente.

A transformação diplomática operada por Paulo Portas é, sem dúvida, a “maior dos últimos tempos”, cuja reminiscência evoca o famoso duque de Palmela, comprovada pelos "media" portugueses.
Além disso, o seu contributo acarreta uma diminuição de custos na ordem dos “25% para os bolsos do contribuintes”, sic magister dixit.

Além das altas funções da diplomacia que estão consagradas no seu desempenho, o caso mediático (popular) dos Açores vem demonstrar um “falta de Humanismo” que mereceria a reflexão, por alguns segundos; senão mesmo uma possível disponibilidade de  visita ao Canadá. Todavia existem outras engrenagens nesta dinâmica para além do intercâmbio cultural que se situa lá para os "lados do Instituto de Camões", para não referenciar uma panóplia de assuntos, digna de uma análise cuidadosa de um país rico, mas muito cinzento e apagado na cena internacional!...
Recordando outros contornos, parece que aliado aos “famosos vistos do Soyo” que são uma prerrogativa americana, acresce-se ainda a primazia da petrolífera Total, cuja hegemonia demonstra que os emigrantes lusos devem ficar à deriva pelos cantos das ruas lisboetas. Que dizer do famoso acordo, ou seja, o intercâmbio de professores,  que se sustem numa fraca existência.

Todavia, Paulo Portas, incarnando o duque de Palmela, afirma-se como o autêntico “duche”, ou seja, o condutor de uma nova era da política externa portuguesa.
Assim a eficiência de recursos humanos deve aliar-se a uma profícua utilização dos meios informáticos. Quem tem uma mínima experiência na aliança destes dois meios verifica que certos ministérios estrangeiros são de uma eficiência extraordinária. O seu acompanhamento é de uma eficácia simultânea, que contrasta com velhos hábitos instalados nas funções exercidas. Talvez aqui haja que imitar, pelo menos, o sistema de informação que alguns exibem com desenvolta eficiência.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...