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sábado, 7 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 92. O poder de Sines. 2 - Expresso



“Troika quer a CGD fora das empresas cotadas”, intitula o Expresso no seu caderno de “Economia” de 7 de Maio de 2011.


Assim o 1% da CGD deve sair da GALP, aliás esta instituição bancária já teve tempo de aprender quando se prolongou por terras espanholas.

Aliás, a base da GALP deve ser em Sines, já que o seu “centro nevrálgico” se situa nesta península.

Todavia como “centro nevrálgico” toda uma teia de relações políticas, internacionais e diplomáticas devem ser ilustradas perante os objectivos empresariais, e, também, perante a sua “sociedade civil” que a contextualiza.

Este “centro nevrálgico” (com um certo poder implosivo) não pode continuar, somente, como uma espécie de manipulação de marionetes que servem para grandes empregos, ou, personagens de arribação.

A César o que é de César, ou seja, ao Estado o que é de Estado, às empresas o que é das empresas.

Pouco interessa o “órgão de representação de accionistas”, ou, o “organismo para as questões fiscais”, ou, até o “modelo de conselho fiscal”, numa palavra todo o organigrama que compõe a empresa, se a “sociedade civil” não tem uma palavra a dizer.

Simplesmente comprar petróleo aos líbios, não deve ser para alimentar visitas de políticos, interesses obscuros, conluios sufragados para quem não pretende demonstrar as razões das suas políticas económicas.

A constituição de um “centro nevrálgico” não implica esconder a face dos accionistas, pelo contrário. Sejam eles italianos, angolanos ou portugueses não podem esconder-se na simples cotação das acções.

O seu rosto tem de ser bem visível para que as coordenadas se instaurem numa eficaz estratégia.

O diálogo da “classe trabalhadora” com os “rostos dos accionistas” tem de estar presente em algumas decisões. O Estado deve ter o benefício das “questões fiscais”, mas a independência dos seus gestores deve esmerar-se na eficiência da empresa.

O mundo do petróleo é um mundo complexo, mas esta complexidade deve ser clara e distinta de interferências políticas, sobretudo quando elas não apresentam nenhuma clarividência e ousadia no conjunto de valores que deve impregnar a sua actividade empresarial.

Sem chefe de protocolo, nem "mediação protocolar", a Troika deu um empurrão para que Sines se torne na "capital do petróleo".

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 92 - "O Poder de Sines"




A “neurologia da consciência” da sociedade civil ainda não vislumbrou o poder de Sines.

Quatro eixos fundamentais estruturam esta “neurologia da consciência”, porventura, ainda não despertada, ou seja, a sinergia da energia, dos combustíveis, do plástico, do carvão e electricidade.

Relembrando o famoso “bunker” instalado no promontório da sua baía, (dos velhos tempos da “velha senhora”) e, fugindo a qualquer tipo de megalomania de “elefantes brancos”, subtilmente esconjurados, permanece e subjaz nas suas entranhas um potencial que as “forças sociais”, alicerçadas na dita “sociedade civil” ainda não aquilataram da sua verdadeira eficácia.

Os núcleos da “vida partidária” vagueiam em passeios esporádicos que tendem a manter numa certa letargia um certo “estado de vigília” dormente, cujas forças escondidas permanecem como reserva do seu espaço manancial de implosão.

Mas, esta criação de “pano de fundo de potência latente” não escapa a certas perspectivas do poder estatal, que habilmente mantém os “testas de ferro” necessários à manutenção do seu “statu quo”.

Nele se jogam os mais diversos interesses políticos, internacionais, e, económicos, de cuja batuta e direcção não convém qualquer tipo de afastamento. E, para este tipo de contornos negociais não se prevê qualquer tipo de elucidação que ouse desmascarar as estratégias, ou, qualquer tipo de elucidação e conivência com qualquer tipo de “sociedade civil” emergente.

Dada a sua “natureza globalizada” surgem acenos dos idealistas economistas, ou, dos projectistas políticos em resquícios de elucidação e elaboração de projectos que pouco condizem com a efectividade real das suas potencialidades.

Por outro lado, a incapacidade laboral denuncia uma certa fraqueza idealística de autêntica “neurologia da consciência” da sociedade civil.

Acresce-se, ainda, a diluição do efectivo valor do trabalho e da sua capitalização no espartilho empresarial das multinacionais e nacionais, dominadas por forças externas que não permitem a sua emancipação.

A falta de autonomia económica e financeira, descentralizada do seu núcleo regional ou local, aliada às forças de domínio externo, não tem permitido que a “riqueza criada” nas suas estruturas reverta em benefício dos anseios e projectos que lhe podem estar associados.

As benesses de certos tipos de salários soçobram na emergência desta dita “neurologia da consciência” que permita a sadia reivindicação de uma autêntica “sociedade civil”.

Mas, por mais forte que seja o espartilho em que a “neurologia da consciência” da sociedade civil da zona de Sines esteja envolvida, avizinha-se que os factos de implosão acabarão por arrastar a sua emergência.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - "Património europeu"


Face à globalização o sistema europeu não consegue manter o conjunto de direitos civis, políticos e sociais, que fazem parte do seu património, porque o predomínio de uma “teoria conservadora” e “economicista” não sustem os mecanismos sociais da sua protecção.


Simplesmente, sujeitar a vida económica do cidadão às forças dos mercados económicos desfaz toda uma lógica social de natureza de estados, já que eles não conseguem afirmar-se na dinâmica dos próprios mercados.

A massa de dinheiro flutuante que “organizadamente” continua nos seus ciclos de desenvolvimento, sem uma autêntica referência ao sistema monetário internacional ou nacional, desenvolvendo espaços de enriquecimento que fogem a qualquer controlo efectivo do seu real valor como processo de capitalização.

O papel das multinacionais e dos seus mecanismos económicos não encontra qualquer tipo de barreira na sua expansão e expressão.

Por outro lado, a corrupção que larva nos vários estados favorece um exponencial de interferências que dilui o real papel dos governos.

Dificilmente o sistema europeu manterá o conjunto de direitos que constituem o seu património face aos países emergentes que cada vez mais atraem o conjunto de multinacionais que encontram um terreno propício ao seu desenvolvimento.

Os cidadãos europeus são obrigados a compreender como funcionam os mercados nestes tempos de globalização, reduzindo um conjunto de benesses, mas preservando o seu património de direitos civis, políticos e sociais, sem se desfazer totalmente da sua aquisição.

As sociedades civis e os estados tem de processar uma dinâmica interactiva no auscultação e domínio dos mecanismos que atravessam e atraiçoam a manutenção de um património que, infelizmente,  emagrece, definha, e, quase desaparece. Duzentos anos de luta e conquista estão sujeitos à voragem económica que rodopia nos incontroláveis mercados.

EURO-POLITIQUE. 83 - "A Sociedade civil europeia"

A sociedade civil europeia


Face ao impasse económico e político da Europa parece restar aos europeus a luta e a afirmação da “sociedade civil”.

Esta dita “sociedade civil europeia” tem de encontrar os meios necessários e suficientes para o desenvolvimento de uma consciência de cidadania do que é isto de “ser europeu”, e fundamentar possivelmente uma “escola cívica”.

As várias organizações voluntárias da sociedade civil, quer a nível da ecologia, de caridade, de beneficência, de associações étnicas, de grupos religiosos, de organizações de saúde e assistência social, de comunicação social e empresarial tem de encontrar espaços de diálogo e comunicação que permitam a sua afirmação e independência face ao espaço político.

Fora da dependência estatal, o cidadão europeu tem de aprender a cultivar as virtudes e qualidades da sua nova cidadania para exercer um papel crítico face à autoridade particular e redutora de uma cultura de estados que somente defende os seus pontos de vista.

Esta possível cidadania activa implica que os meios disponíveis da sociedade civil estejam em interligação nas suas várias organizações, e, que os canais de comunicação se desenvolvam num sadio diálogo de propostos e isenções face ao domínio político, muitas vezes, estéril, diverso e inconsequente.

O sentido de imparcialidade determina a procura de um bem comum, saudável aos cidadãos, que ouse pensar no bem geral, sem as reservas mesquinhas das suas prórpias organizações.

A “Europa dos políticos”, no seu sistema legislativo e económico, parece ocupar todo o espaço disponível de uma autêntica consciência de cidadania europeia, não favorecendo a organização de associações alternativas. Por outro lado o espartilho do sistema legislativo, social e económico, revela-se, por vezes, uma barreira intransponível aos direitos que uma autêntica cidadania devia contemplar na efectividade das suas aquisições nos vários espaços europeus.

Face à “Europa dos políticos” que continua a estagnar nas sua progressividade, na procura de consensos, na ultrapassagem dos suas nacionalidades, torna-se urgente que a diversidade surja através de novos conceitos de sociedade civil europeia.

As organizações académicas, e de comunicação social autónomas são, sem dúvida, um dos pilares em que a sociedade civil europeia deve ensaiar, inicialmente, no seu processo da sua própria emancipação.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

EURO-POLITIQUE. 80 - A máquina do Estado


Acusa-se os partidos portugueses de não cumprirem as suas “obrigações políticas”, mas a contradição deste delito advém que os partidos são o elemento representativo da própria democracia. (Há quem advogue se um político diz a verdade, não pode ser político. Ou seja, “a arte e engenho da política” ultrapassa a “ciência política”, recordando Maurice Duverger).

Se os partidos não mudam as suas estratégias, não se renovam internamente, continuam no mesmo processo que atraiçoa a própria democracia. E, se a sociedade civil continua simplesmente a olhar para este cenário de políticos sofre as consequências da sua impotência.

Ou seja, é uma “petição de princípio”, cuja premissa origina a mesma conclusão, em que a “sociedade civil” está enredada, sem qualquer solução à vista.

Se a “classe política” não demonstra suficiente habilidade para conduzir o País, não pode quedar-se simplesmente a “sociedade civil” a observar continuamente esta luta intestinal pelo poder.

Mas, para além, da dita “classe política”, todavia existe a máquina do Estado  que é algo que ultrapassa esta luta intestinal pelo poder, e, pela simples afirmação partidária.

Quem paga o Estado?

São, sem dúvida, os contribuintes, ou seja, aqueles que estão na “sociedade civil”.

Qual é o papel do Estado?

Ter instituições credíveis a nível militar, de segurança, de polícia, de tribunais, de representação diplomática, de segurança social, de educação e de saúde.

Todo este conjunto de instituições é composto por milhares de pessoas que devem demonstrar uma “consciência social e política” que dignifique o papel do Estado, e não simplesmente na ânsia de ocupar cargos e postos de funcionários da máquina do Estado. Claro que o Direito baliza estes comportamentos, mas isso não chega.

(A sociedade civil e os meios de informação tem de agir no marasmo político, denunciando, intervindo para que o Estado cumpra o seu papel).

O Estado é uma super estrutura que domina o resto da população, ou seja, os contribuintes que pagam e mantém o próprio Estado. A máquina do Estado é pesada e complexa, enfrentando o poder das instituições nacionais e estrangeiras.

O voto é soberano. Os cidadãos devem votar.

Em quem?

Nos partidos que apresentam os seus candidatos.

(Caro leitor, você pode escolher?!...)

EURO-POLITIQUE. 77 - O Impasse da Líbia



A classe diplomática da Libia foi o elemento essencial da debandada de um “sistema político” que pouco razões tinha da sua existência, contrariamente ao gáudio do seu lider, apesar da nossa estima e respeito pelas não-ingerência em assuntos nacionais!...


Nesse sentido, registamos um certo agrado, já que tivemos a ousadia de manifestar que as mudanças deveriam acontecer, infelizmente sem as consequências que estão à vista.

Portanto, não é por "falta de aviso" que certas coisas acontecem, apesar dos dirigentes políticos europeus se vangloriem na jactância das super-estruturas políticas, e, sobretudo nas suas “negociatas”.
Convém afirmar que as "sociedades civis" existem, e, que "a sociedade política" é o que é muitas vezes!...

Talvez, um pequeno exemplo ilustre a tão propagada grandeza da Líbia, e do seu líder.

Quem teve a oportunidade de conviver nos meios académicos franceses com qualquer representante ou personagem oriunda do Norte de África chega à triste conclusão de que não havia qualquer elemento civil da Líbia. (Por acaso, parece que existiam, mas acantonavam-se nas “bases francesas”).

Ultimamente o Papa faz apelo à diplomacia.

Será o caminho indicado!...

A dita “sociedade civil” da Líbia, finalmente, ressurgiu do estado de penumbra e escuridão à qual estava submetida. Com grande sofrimento e penúria procura afirmar-se contra um "regime militar e musculado" que procura negar os direitos fundamentais da sua cidadania.

Mas qualquer cidadão, nascido na sua terra, tem direito à sua voz, desde que respeite os direitos dos outros.

Se uma sociedade não se move por critérios de justiça, pela afirmação respectiva dos seus direitos, pelo diálogo e consenso, somente lhe resta a violência.

Neste sentido o apelo do Papa tem razão e sentido, para que a violência seja substituída pelas condições de diálogo e procura de consensos.

EURO-POLITIQUE. 78 - O processo de Ilustração - 25 de Abril 2011.


A máquina do Estado implica nada menos de 5.000 pessoas envolvidas nas suas engrenagens. A avidez grassa em qualquer partido!...


Pedir ao povo que vote, não chega. O povo não está devidamente esclarecido, vive na penumbra e escuridão, e lamenta-se com a crise.

Votar neste ou naquela partido, sem a credibilidade dos seus personagens, é alimentar a engrenagem dos 5.000 funcionários que estão na engrenagem da máquina. Esta teia de “funcionários políticos” anseia pela carne dos seus privilégios, direitos e regalias.

Por outro lado, praticamente estamos sozinhos frente à globalização e aos nossos parceiros europeus. Olham-nos, como sempre, para lá dos Pirinéus “aquilo é África”.

Portanto, qualquer estrutura partidária terá de lidar com a colocação dos seus peões para organizar e sustentar esta máquina estatal.

Se a justiça tem as lacunas que tem, se o poder policial navega nas contradições do sistema legislativo, se o poder tem de lidar com as instituições que o compõem, não basta que haja somente um acordo entre a “sociedade civil” com a desprestigiada “sociedade política”. É necessário que "o papel" que cabe ao Estado seja apresentado com clarividência, sobretudo no nível económico, para que a “sociedade civil” dê o seu contributo nas situações que lhe cabem.

“Governar é difícil”, alguém dizia com funções administrativas, mas apesar de um país pequeno, com défice, dívida e desemprego, ou seja, os três “d”, contrários ao 25 de Abril, cabe aos portugueses encontrar as soluções para os seus problemas.

“37 anos passados do 25 de Abril de 1974”, a desilusão não pode dar azo à descrença, como diz Pessoa “tudo vale a pena se a alma não é pequena”; e, o 25 de Abril 74 foi grande, dentro e fora do País. 

Com a moeda única – o euro - que não permite a “desvalorização da moeda” e a “adesão aos sistemas de inflação”, estamos num mesmo barco europeu, onde temos de falar a mesma “linguagem” (seja ela económica), e reconstruir o barco, apesar das suas pranchas falharem aqui e acolá, mas temos de continuar a navegar, sem os riscos de afundar a embarcação.

Se a “classe política” não tem a ousadia de esclarecer os portugueses, de apontar metas e percursos, de definir objectivos, então que sejam as instâncias internacionais a entrar no processo de ilustração que o povo carece.

O povo português sempre esteve habituado a fazer das tripas coração!...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...