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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Port+Export - A Pasta de Papel (50%).


Nos anos setenta, do século passado, enaltecia-se a qualidade de pasta de papel de origem portuguesa, nos areópagos parisienses.


«Em 2010, a Portucel pagou 100 milhões de euros de importações por défice de matéria prima nacional. Um absurdo tendo em conta que a área de floresta pode duplicar», refere o jornal Expresso de 13.02.11.

Quer dizer que passados, precisamente, quarenta anos, parece que o País ainda não acordou, totalmente, para as autênticas fileiras da exportação, neste sector.

Se os terrenos não produtivos pagassem uma taxa pela sua falta de produtividade teríamos um manancial de terra livre própria para a floresta.

Já que, a partir dos anos 70, a agricultura deixou de ser uma "economia de subsistência" para se tornar numa "economia de mercado", tudo aponta para que os vários “serviços estatais e fiscais” se movam no planeamento dos recursos necessários para um aproveitamento industrial que é bem visto e querido no estrangeiro: aliás, “acusam-nos de não quererem vender mais pasta ou papel”.

Perante estas evidências comerciais nada justifica que os "intervenientes particulares e estatais" não encontrem o devido enquadramento, e as vias necessárias para assegurar uma procura firme e sustentável.

Perante certa inércia, por vezes, é necessária uma condução autoritária para que a floresta floresça atempadamente e manifeste os seus frutos. Uma legislação condizente deve mobilizar as forças da "sociedade civil" e os "imperativos estatais" para que a qualidade da pasta portuguesa se afirme, cada vez mais, internacionalmente.

Se, o Estado e o Fisco tardam nestas resoluções, então que os Municípios e Câmaras redobrem de atenção nesta problemática.

Com tantos problemas de exportação e de mercado, as evidências comerciais e empresariais não podem marcar passo durante quarenta anos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Staff presidencial 95. "A ilusão da Auto-Europa".2


Quando a empresa Grundig se instalou em Braga, dois amigos meus não foram admitidos nessa empresa, quando os "recortadores" de serviço lhes comunicaram que a dita multinacional iria pagar salários acima da média nacional, mas, que devido a contingências estruturais, manteriam um nível salarial, aproximado ao nível da média nacional.


Passados 15 anos, a empresa “Auto-Europa”, vende 114.000 carros para o estrangeiro, consagrando a módica e magra quantia de 6.000 para consumo interno.

Ora, já que passaram 15 anos, o Presidente da Alemanha advoga que os portugueses deveriam comprar mais carros desta empresa!...

A lógica da multinacionais, neste caso concreto, da indústria automóvel, move-se por interesses que não encaixam numa certa logística nacional.Aliás, os portugueses nunca tiveram dinheiro e ousadia de comprar uma fábrica de "chaves na mão", fosse ela "Seat", ou "Lada".

Apelar a que os portugueses comprem 20% da sua produção é um desígnio aceitável, dado o ensejo e gosto dos porugueses por automóveis, aliás, como em qualquer parte do mundo.

“Uma quota de exportação de 95 por cento é, talvez, um pouco elevada. Cerca de 20 por cento da produção deveria ficar em Portugal. Este poderia ser um projecto comum, pelo qual nos poderíamos empenhar conjuntamente", disse Christian Wulff.”

A falta de coordenadas por um “projecto comum”, aliciado ao êxito das exportações tem criado ilusões que pouco beneficiam a futuro destas admiráveis instalações.

A avidez do lucro não tem permitido a transferência de tecnologia suficiente para que levante voo esta ideia de “projecto comum”.

Não basta que a “Alemanha e noutras partes do mundo, (se) mostra bem as potencialidades de Portugal para receber investimentos de tecnologia avançada", como afirma Cavaco Silva.

É necessário exigir mais, pressionar muito, evidenciar bem as potencialidades, e , sobretudo prementemente "colaborar", para que o processo comercial atravesse o processo social e político, em termos simples "aprender a pescar".

A colaboração na cooperação, não é no sentido do que o Brasil tem um mercado que vende bem, mas que o território português desempenha uma plataforma, que tanto pode servir os interesses portugueses, como os interesses alemães. "Que o turismo, passa pela utilização do automóvel, tanto na Alemanha, como, em Portugal".

Neste sentido, oxalá, que o Volkswagen represente para Portugal, aquilo que a “Seat” representa para Espanha, mas nesta analogia, estamos tão distantes como da terra para a lua.

Por isso, não queremos a “Auto-Europa” na lua, mas cá na terra de Portugal.

domingo, 30 de janeiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 72 - Política externa? -2-


Na ausência de uma autêntica “política externa europeia”, a tricefalia do Mundo Ocidental, composta pela Alemanha (capital industrial), pela Inglaterra (capital financeira), e, pela França (capital comercial) emitiram um “comunicado conjunto” sobre os acontecimentos do Norte de África.


Os restantes países da Comunidade Europeia, de fraca influência comercial, financeira e industrial, aguardam que os diversos gabinetes inter-ministeriais encontram os pontos de referência para um sadio reencontro, dada a vacatura de uma chefia nos “Negócios Estrangeiros” da Europa.

Certos analistas colocam a Tunísia como um “duro teste” à sua primeira parceira económica, social e humana, isto é, a França diplomática.

Do mesmo modo, se estende a ousadia e influência, colocando-se como “teste” da política americana a sua relação com o Egipto, dado que 84 milhões de habitantes pesam na cena internacional..

Se por um mero exercício hipotético, político e peninsular, Gibraltar voltar para Espanha, e, Ceuta voltar para Marrocos, teríamos o teste seguinte à política externa espanhola.

Mas o duro rochedo de Gibraltar , paraíso fiscal da capital financeira, reserva-se como bastião da intriga marroquina.

Todavia a convulsão do “mundo árabe” ainda não encontrou o ponto de “ebulição” necessário e suficiente de uma autêntica “revolução política”, mas certamente para lá caminha; e, tudo isto, será um factor de tempo.

Ora, entrementes, quedaria o teste à política externa portuguesa, já que o célebre “Mare Nostrum” não se tornará tão cedo no sonho romano de Sarkozy.

Se, a Europa ainda não encontrou a necessária estabilidade económica e política, o sonho do “Mare est nostrum” é totalmente uma utopia, apesar de um certo desejo e afirmação da “potência nuclear média”, como é o caso da França.

O “teste” à “política externa portuguesa” parece uma arte e artimanha de submarino. Navegar nas águas conturbadas das calmas águas do Mediterrâneo, com uma visão de periscópio, ou seja, levantar cabeça no teatro de operacionalização dos conflitos, com olhar sereno, e, ao redor da sua periferia, sem ser totalmente periférico.

Entrincheirados nas águas do Atlântico, a observação do periscópio é essencial na movimentação dos acontecimentos da “turbulência”.

Colocar qualquer país do Norte de África como teste à sua capacidade de “política externa lusa” seria, sem dúvida, um desafio à Alcaçer-Quibir.

Por isso, recomenda-se a técnica do periscópio, que é um acessório fundamental na navegação em submarinos, usada para captar imagens acima de águas do Oceano Atlântico; sobretudo, para observar qualquer movimento inimigo, dentro das zonas dos Açores e da Madeira, já que a cobiça de tal "jardim" já foi expressa por "ambições do mundo muçulmano".

sábado, 29 de janeiro de 2011

EURO-POLITIQUE. 71 - Política externa?


A ideia peregrina de que “as estruturas diplomáticas foram ultrapassadas pela história”, referenciada pelo primeiro-ministro francês, em socorro de uma certa diplomacia francesa, vem demonstrar que a dita “política externa europeia” navega na consequente crise económica.


Se a França é o primeiro parceiro económico, cultural e social da Tunísia, logicamente que a supremacia francesa advém desta incapacidade europeia de lidar com problemas específicos do mundo árabe.

Somente os USA manifestam uma coerência de propósitos e objectivos, sobre os quais deve caminhar a intencionalidade europeia, se, por acaso, ela existir, quando não surgirem situações de oportunismo político e económico de qualquer país.

Ao idealismo europeu , e, à sua falta de idealismo recorre-se ao manifesto desejo de auxílio económico, aliás prognóstico que não foi avançado pelos americanos.

A crise económica tem ultrapassado as directrizes políticas de tal forma que a Europa despacha com o redutor económico outras crises sociais e políticas.

Os dados de solidariedade diplomática europeia, no contexto do mundo árabe, continuam diversos, cabendo a cada país zelar pelos seus interesses próprios.

Parece que o chamado “mundo político europeu” olha de soslaio a recentes mudanças sociais e políticas do Norte de África.

Parece que a proximidade de tais realidades, e, a rapidez dos acontecimentos tolheu a organização e a capacidade de percepção e resposta a tais problemas.

Mais uma vez, os USA estão na linha da frente com um tipo de realidades que deveria merecer as atenções dos europeus.

EURO-POLITIQUE. 70 - Intel. 2 - Gadhafi



O bastião do Norte de África continua navegando numa calma e serenidade descomunal que intriga qualquer analista.


Moummar Gadhafi, após ser contactado telefonicamente pelo ex-presidente da Tunísia, lamentou a sua saída, mas rapidamente se dirigiu aos “revolucionários do Jasmim”, propondo-lhes o seu “modelo de sistema político”, como símbolo da revolução verde (“green”), ao mesmo tempo que criava uma zona tampão fronteiriça, como meio de fornecer ajuda e trabalho aos carenciados tunisinos.

Os salários na Líbia não de grande soma, já que quase 33% dos líbios vivem no limiar da pobreza, e restante da população com salários baixos ou médio-baixos, fora deste débil e longo circulo, floresce uma manancial de funcionários nas várias agências financeiras e do petróleo, que devem auferir montantes bem superiores. Além disso a dita “corte” de Kadafi, onde se situa a esfera familiar esbanja lindas somas de dinheiro nas mais saudáveis andanças do “jet-set”.

O dito corte da Internet não surge absoluta e totalmente, já que alguns “feed-backs” foram ressentidos através da nossa pesquisa.

O funcionamento político do regime demonstra uma apatia confrangedora face à hegemonia do sei líder.

As representações diplomáticas silenciam-se com a voz omnipotente do “guru” ,ou, mestre da política da Líbia.

Todavia a “grande voz” do Norte de África remeteu-se a um silêncio face às tempestades que assolam os seus costados esperando pela “timing” certo de eleborar um plano convincente do mundo árabe, se a oportunidade não lhe escapar.

A sociedade portuguesa divide-se em dois níveis em relação a tal personagem:

1) “Gente pouco recomendável” para um relacionamento político e saudável.

2) “Admiração, fascínio e rejeição” por um líder controverso e desafiador

Mas, até que ponto o bastião de África continuará a resistir aos impulsos populares e democráticos, é uma incógnita, que ainda permanece como enigma.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Staff presidencial 93. "Le discours"


Apesar de passar o rio Mississipi duas vezes (“twice”), lembrei-me, imediatamente, de Heráclito, e, de que não tinha passado as suas águas “duas vezes”. Entre a tese de Heráclito, ou seja, do movimento, e, a tese de Parménides, ou seja, da permanência, parece que o discurso da “vitória de candidatura” soou a uma manutenção de “status quo” que nada teve a ver com a mudança.


Apesar de embarcarmos numa análise prematura de um mês e oito dias, extrapolada pelo DN, aliás de 18-12-2010, de que a rota se encaminhava por “um passeio da avenida”, florido e altaneiro, o discurso ressentiu-se de ressabida indulgência.

Para quem desconhece as confissões do “frade mais rico de Portugal” e do seu “alto representante acólito” parece que pairou pouca “luz” (sem citar o seu largo) na penumbra dos pecadilhos naturais da política.

Nos países democráticos, o poder reside no povo, que, pelo seu voto outorga e concede sua soberania. Todavia, as várias camadas da sociedade divergentes e convergentes, integrantes e desviantes, sustêm uma panóplia de mundividências nas quais parece imperar um certo discurso diplomático e humanitário que deveria apaziguar os ânimos, em vez de desencadear as mais vis paixões, já que a hora é de celebração.

Valha-nos a complacência verdadeira ou falsa de “Nunes Liberato” na redacção “a priori” ou “a posteriori” de tal testemunho!...

Mas a sociedade portuguesa dá sinais de outras exigências que deveriam orientar um estilo de urbanidade e positividade, susceptível de agradar a “gregos e troianos” para evitar guerrilhas de menor importância.

Já que "le discours c'est toujours une trahison du discours", ou seja, n"a língua portuguesa é muito traiçoeira".

Staff presidencial 92. "Ça bouge - Quai d'Orsay"



A passar férias na Suíça, as estruturas diplomáticas portuguesas, pensavam que os “leigos” em matéria diplomática desconhecem os meandros da sua hierarquia. Tal profusa confusão só pode acontecer em terras do Qatar.


Aliás, é assaz controverso que um “ex-ministro” da política externa “condene” a candidatura satírica de um madeirense, num sistema democrático; como, na Antiga Grécia não houvesse, paralelamente, a filosofia racional e platónica, e, a filosofia cínica e divergente na “sociedade dos políticos”.

A diplomacia francesa, com pré-aviso declarado, acaba de mudar de Embaixador na Tunísia.

Há que salvar a honra da casa, e, portanto uma nova face ressurge nos "novos ventos" que sopram no Norte de África.

Comparar a diplomacia francesa com a diplomacia portuguesa é um exercício de mera conjectura racional, dado os meios de influência e agilidade mental.

Aliás, embora ressurge a afirmação de um pensamento autónomo e próprio no contexto nacional ou partidário, parece que no campo externo a subordinação à batuta da chefia esmorece por falta de autonomia e afirmação, embora ressalvando a necessária interdependência.

Esta autonomia, somente, ressurge em entrevistas esporádicas, deixando continuamente o leme, a quem, por direito detém a sua condução, mas que aniquila a manifestação de uma condução mais vigorosa, exigente e evidente.

Por isso, o “passar férias na Suíça” não passa de uma reprodução a “papel químico”, de uma laicizada hierarquia, ou, daquilo que infelizmente repetem outras estruturas estrangeiras, que, por pura coincidência têm, também, insuspeito carimbo luso.

Bem haja, a diplomacia francesa pela sua rapidez e eficiência, em colmatar as suas deficiências, e, em promover um sadio diálogo que tenha em conta as ansiedades da dita sociedade civil.

“Ça bouge – Quai d’Orsay”.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...