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domingo, 1 de agosto de 2010

Algoritmo do Kadafi.27 - Angola 3 - Armada Agualusa



Fica bem ouvir dizer um presidente que conhece outro presidente há vinte e três anos.


Deste relacionamento recíproco pouco há a dizer sobre Angola!...

Os negócios prosperam de vento em popa, e, os vistos relançam as vias em altos voos dada a voltagem dos seus aviões.

Nunca pus os pés em Angola.

Acalento a esperança de beijar o seu solo.

Os meus amigos são aqueles incógnitos que se lembravam das suas irmãs de espingarda às costas, ou, daqueles que não ousavam falar com 500 anos de colonialismo.

Todavia, apesar de convite paterno para terras angolanas, e, porventura, também convite pessoal, deixei o tempo em longínquas demonstrações de colonialismo em plena sala da Sorbonne, por autóctones angolanos.

Como já ouvi dizer, por petulância francesa, que Angola nos passaria ao lado. O que é inversamente o contrário, nos dias de hoje.

Contudo não sou alheio às controvérsias diplomáticas, a certos percursos de hesitação e de hegemonia, que qualquer algoritmo do Kadafi não pode passar despercebido, sem a petulância de um bom relacionamento entre estes dois países, com a abertura das suas embaixadas.

Mas algoritmo que se preze, luta e tenta, que alguns ideais do 25 de Abril floresçam em terras angolanas.

Exportar a democracia, só países como os USA exibem estes pergaminhos de direitos humanos, mas o nosso "legado histórico" não pode ficar alheio com aqueles que devem ter direitos aos benefícios e riqueza das suas terras.

Angola, que sempre detestou alguma paternidade portuguesa, talvez tenha de aprender com o modelo brasileiro, implementado por Lula da Silva, em relação aos mais pobres.

A saudosa Angola não tem somente mercenários, que fazem de Luanda a cidade mais cara do mundo.

Se calhar tem mais!...

Talvez tenha um feitiço angolano demasiado forte, que o romancista "Agualusa" tão bem retracta nas entrelinhas do seu pensamento. Aqui o feitiço entrecruza-se entre terras americanas e portuguesas, num país sem "patologias mentais"!...

Somos "netos americanos", por isso o feitiço encanta-nos!...

E, nessa aventura, estaremos com Angola.


P.S. (actualizado em 06.08.10)
Alguns directores da Mota-Engil planeiam construir casas para rendimentos entre o 5.000 e 8.000 dólares, enquanto o governo promete fazer habitação social a 60.000 (45.000 euros)!....

domingo, 18 de julho de 2010

Algoritmo do Kadafi.26 - Angola.2

Legado
Somos detentores de um legado cultural e institucional que deve orientar o nosso relacionamento diplomático.


Angola é fruto do 25 de Abril, e, deve acarretar certos ideais do “dia da liberdade”.

Não nos devemos imiscuir nas relações internas de um país.

Não queremos exportar a democracia, como talvez façam os USA.

Mas temos o dever de zelar para que as suas regas fundamentais sejam respeitadas.

Estabelecer relações bilaterais, única e exclusivamente na perspectiva económica é trair o legado da nação portuguesa, e, o relacionamento entre povos.

Aqueles que lutaram, tanto de um lado como de outro merecem melhor condições de vida.

Ora, o fosso entre a população e a classe rica, faz com que um hambúrguer custe 14 euros. Com o mesmo dinheiro é bem servido num restaurante de Moçambique.

O déficit democrático, ou seja, o peso extremamente reduzido da oposição (Unita), não consegue esgrimir argumentos contra um poder estabelecido. A falta de informação isenta e credível parece ser um dado que surge com toda a evidência.

Falar sobre Angola sem conhecer a sua realidade interna é um contra-senso.

Todavia basta comparar um pouco Angola com Moçambique, para detectar uma série de contradições que necessitam de ser resolvidas.

Existem organizações independentes que podem e devem dar o feed-back destas contradições angolanas.

E, neste sentido, temos o dever de escutá-las, de entender as suas preocupações, de construir um relacionamento mais positivo.

Não queremos exportar a democracia, mas desejamos que ela floresça com certos ideais que derivam de Abril.

sábado, 17 de julho de 2010

Algoritmo de Kadafi.25 - "Angola"

Algoritmo do Kadafi.25




Após reatamento com a Suíça, cujos contornos diplomáticos quedaram-se pouco elucidativos, a Líbia preparava-se para acolher uma nova embaixada.

Os dois leões do petróleo tendem a aproximar-se. Ou seja, a República de Angola prepara-se para abrir uma representação diplomática, junto deste país do Norte de África.

A aproximação ao espaço lusófono parece atrair uma certa diplomacia líbia.

Aliás, os donativos em relação à Guiné Bissau revelam laços de amizade, que ficam solidificados pela presença e tradição árabe.

Todavia a estratégia destas alianças permanece num certo limbo político.

As declarações são exíguas, e o seu contexto pouco revelador.

Os funcionários líbios, sob a batuta de Kadafi não se manifestam abertamente, tudo ficando num certo secretismo.

Aliás, a Líbia poderia ter um salutar relacionamento com Moçambique com trocas comerciais interessantes que não se desenvolveram.

Porventura, com a abertura da nova representação diplomática angolana, algo de novo possa surgir neste contexto internacional, e, também lusófono.

Milagre das finanças.4

O milagre das finanças. 4




Contra certos "técnicos das finanças", sou adepto que todos os contribuintes devem pagar, ainda que se invocam razões de custo burocrático.

Recebi a notícia de uma “alegre isenção”.

Ora, eu sou adepto que eu devo pagar.

Não quero roubar o Estado, nem que o Estado me roube.

Eis, aqui o problema.

Por linhas travessas, demarca-se uma área de superfície dez vezes menos da real.

A bonomia fiscal contrasta com a realidade.

Se todos os contribuintes com “registo predial” pagassem o que deveriam pagar efectivamente em todo o território nacional, estaríamos bem melhor.

Ora, acontece que a faixa marítima continua a ser sacrificada em benefício de outras zonas do país.

Qualquer contribuinte nesta zona não pode exibir a jactância de outros, que orgulhosamente se vangloriam de não pagar, ou, pagar pouco.

Gosto pouco de benesses, quando elas servem para menosprezar contribuintes que procurem ter uma certa "consciência cívica e fiscal".

Portanto, levanta-se, dentro de mim, uma certa repugnância contra este pretenso, fictício, e, irreal “milagre das finanças”.

Portugal-Angola.21

“Portugal empresta dinheiro a Angola para pagar dívida a portugueses”


Ou, “Angola da euforia às dívidas”, “Expresso” de 17.07.10.



Lamento que os meios de informação ligados ao Dr. Balsemão estejam impedidos de exercer cabalmente a sua informação jornalística, por causa de certos contenciosos.

Todavia não é esta a razão das teses que defendemos, embora dando grande valor ao poder da informação..

Aquilo que acontece com Angola não passa somente pelos êxitos económicos e comerciais.

Existe uma linha de demarcação que deveria ser salutar neste relacionamento democrático. Doutra forma, estamos a contribuir para um sistema de grandes injustiças sociais, e, pouco contribuímos para a construção de uma autêntica democracia.

Aquilo que os jornais relatam, e, aquilo que certos políticos defendem não corresponde à política real das carências dos angolanos. Peguemos num caso paradigmático:

Aluga-se uma vivenda (porventura, serão três) por 25.000 dólares, por mês, paga antecipadamente, e, obtém-se um motorista por 350 dólares por mês. Ou, seja, um cidadão angolano ganha três vezes mais num dia, que um outro cidadão ganha num mês. Coloque este exemplo na realidade portuguesa e retire as suas consequências. Além disso, multiplique este exemplo por muitas outras situações!...

Este exemplo é sintomático da realidade de Angola. É evidente que alguns podem frequentar os restaurantes, outros não. E qual é a função do Estado?

Luanda é uma das capitais mais caras do mundo, o que se revela um contra-senso na realidade africana. Dizem que é o petróleo!...

Ora, toda uma determinada sociedade angolana, conjuntamente com a portuguesa está interessada em manter esta camada de contradições que pouco sentido tem, quando não se zela por uma justiça social.

O milagre das finanças.3

Milagre das finanças. 3 - Miguel Sousa Tavares.




“António, classe média, idiota de serviço”, por Miguel Sousa Tavares, expresso de 17.07.10
“Já a minha mãe dizia que o PS lhe fazia lembrar os animais pré-históricos: tem um grande corpo e uma pequena cabeça”.

Caro Miguel:

Apresenta 7 000 euros, mas segundo as minhas contas, um licenciado como o Miguel ganha honestamente, e, de forma líquida, 4 000 euros, por mês, ou seja, o dobro de qualquer licenciado normal deste país, que, por vezes, muito menospreza.

Por isso, você é um privilegiado deste país!...

Talvez mereça pela sua intelectualidade e pela sua função social contra as “redes sociais”, como esta aqui patente.

O Estado ataca os ordenados esquecendo-se de certos pobrezinhos de “barriga cheia”, que não pagam impostos , ou, não são tributados devidamente, e, aí reside grande parte da “justiça fiscal”.

Os privilegiados deste país nasceram em certo berço que lhes deu determinadas garantias, ao contrário daqueles que atravessaram fronteiras para conseguir alguma dignidade, se a isso tiverem direito.

Os privilegiados deste país beneficiaram de formação intelectual e moral que lhes deu armas para se defenderem de certos predadores, como é o seu caso.

A autêntica classe média do trabalho e da luta democrática não está dentro do seu estatuto. Está bem longe e renegada nos quatro cantos do inferno.

O caro Miguel beneficia de uma legítima herança intelectual e económica, e até social, da qual é um privilegiado.

“Pré-histórica” são as heranças, os bens prediais, o “estatuto social” herdado, esse grande corpo que se multiplica contra as “pequenas cabeças” daqueles que diariamente lutam por uma sociedade mais justa, que arriscam a sua vida, e, que ganham metade da sua licenciatura.

Fazer “política fiscal”, somente com os rendimentos do “trabalho”, faz lembrar Marx ao invés. O problema é mais profundo, grave e injusto!...

Continue a lutar contra o Estado, como forma esclarecedora do indivíduo, todavia mantenha bem firme o seu estatuto de “privilegiado deste país”, ainda que consiga fugir ao “milagre das finanças”.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Milagre das finanças"

O milagre das finanças




Alguém me dizia que face a um contribuinte “fora de lei”, teria todos os meus direitos assegurados.

A lei é peremptória na obrigação de “registos de bens” no seu sentido predial, após 2008, ainda que anteriormente perdurasse no limbo jurídico..

Ora, acontece que face a contribuintes “fora de lei” , se consegue tornear a lei com o beneplácito das finanças, sem qualquer indagação de factos suficientemente ilustrativos.

As “pessoas jurídicas” que pagam impostos, que procuram ser correctas com as finanças são enxovalhadas por contribuintes “fora de lei”.

Por pura alquimia não se relata às finanças a evidência e o sentido de “fora de lei”, ainda se inscreva como modelo de cidadão honesto, subscrevendo confrontações com “fora de lei”.

A aberração jurídica nada tem de imoralidade, já que o “fisco” pouco tem a haver, ou, a receber porque o montante é exíguo, todavia acarreta dezenas de anos de incoerência fiscal , e, através disso, de desgaste emocional.

Todavia a aberração moral de “foras de lei”, para quem o fisco devia ser exigente, contra a “consciência fiscal” do que deve ser justo e cumprido remói os mais puros estômagos.

Passar por “santos” quando os diabos se estendem num pandemónio é de salutar indignação, se não for jurídica, é ética e moral.

Quando as instituições não zelam pelo cumprimento legal, jurídico e relacional de contribuintes, pouco se espera da “justiça” que deve imperar em relação aos contribuintes. Em vez de “direitos” instaura a violência, quer psicológica, quer física.

Se as instituições não são sinal de moralidade e justiça, pouco há a esperar de um país democrático.

A democracia é a representação dos direitos e deveres que cada cidadão deve ter, possuir e exibir, com orgulho da sua cidadania.

Enxovalhar “cidadãos” conscientes dos seus direitos e deveres, utilizar o seu nome para fins, ainda que, supostamente honestos é transgredir os elementos essenciais dos direitos humanos e da consciência cívica.

Mas isto, acontece com o beneplácito e “milagre das finanças!”...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...