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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Episódios de Viking Gunderedo.3

De igual modo, ao traçamos um percurso inicial de Viking Gunderedo que se situa entre a lenda e o real, entre o mito e a história, reentrámos numa certa aparência, ou, realidade.
Embora, muitas das nossas conclusões estejam sustentadas numa análise cronológica de cronistas, cujas referências são, por vezes, vagas e difusas. Porém, antes do possível percurso de Viking Gunderedo, gizemos uma breve antinomia entre a expansão viking e o mundo católico do Noroeste Peninsular, e, também do Norte da Europa.
Estes eram os “pagãos do Norte”, cujas incursões, desencadeadas bruscamente cerca do ano 800, durante perto século e meio, fizeram gemer o Ocidente. Inicialmente ligados pelo comércio, rapidamente compreenderam que os métodos de extorsão se revelavam mais vantajosos.Os vigias que, então, no litoral, ao perscrutarem com os olhos o alto-mar, estremeciam à ideia de descobrirem as proas dos barcos inimigos. E, os monges, ocupados nos seus "scriptoria" com a anotação das pilhagens, estremeciam com possíveis investidas. Os monges dedicados ao trabalho e oração desconheciam esta ferocidade comercial.
As antinomias entre mundo católico, ou seja, o antigo Reino Galaico-Suevo, (cujas comarcas detinham vários mosteiros e conventos, fundados por São Frutuoso, na célebre “Via XIX”, estrada romana entre Braga e Lugo), e, a mundividência viking originará confrontos e colisões de extraordinária repercussão.
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Episódios de Viking Gunderedo.2


«Os nomes das localidades são, sem dúvida, o que reflecte melhor a evolução histórica e social de uma população. Portanto, eles são particularmente preciosos, e, o seu estudo é de um interesse considerável. Nos países célticos, os topónimos de origem nórdica ilustram perfeitamente a chegada dos Escandinavos, eles permitem limitar as zonas e a intensidade da sua implantação, definir as suas relações com a população local. É evidente que os dados variam, sobremaneira, de um país para outro, à imagem daquilo que encontrámos no domínio linguístico» (1)
Contrariamente a um grande número de aldeias que na Grã-Bretanha, tal como ao redor do rio Sena, em França, se designam por um substantivo composto, cujo primeiro termo é um nome de homem de origem escandinávia, a região do Norte da Galiza esconjura esta tradição, afastando-se de ecos e repercussões, de cujos feitos se colocaram nos antípodas das suas memórias ou recordações. Aliás, esta contradição em relação à Galiza meridional, onde perdura como marco histórico Viking Gunderedo, repercute lutas e alianças que historicamente ainda permanecem numa certa obscuridade.
A toponímia relança-nos para a eponímia: e, o epónimo reflecte um personagem real ou lendário, entre os Gregos, de quem uma cidade adoptava o seu nome, tal como Gondarém o fez de Gunderedo.
(1)Rucquoi, Adeline - "História Medieval da Península Ibérica", Editorial Estampa

Episódios de Viking Gunderedo.1




GÉNESE E FEITOS DE VIKING GUNDEREDO

Ainda que as nossas fontes sejam omissas relativamente à origem de Viking Gunderedo, cuja repercussão histórica reluz somente nos célebres ataques à cidade de Compostela, por volta dos anos de 970, e, à toponímia de uma localidade do rio Minho que o preserva em sua memória; apesar de todas estas circunstâncias, delineámos um projecto de reconstrução, que através de uma rota de navegação determina o ressurgimento de um contingente de forças guerreiras, cuja liderança revela a emergência deste personagem, assaz contraditório e relevante.
Viking Gunderedo, fazendo jus à sua toponímia, emerge como figura histórica, que embora a sua génese e genealogia se perca nos meandros obscuros das invasões vikings ao Noroeste Peninsular, impõe-se pela sua ousadia nos históricos ataques à Galiza do Norte, segundo relata, esporadicamente, o “Crónicón Iriense”, ou melhor dizendo, a “História Compostelana”.
Aliás, será por causa da sua toponímia, talvez a única via inicial de acesso à investigação deste personagem, que delineámos um percurso repleto de intrincáveis relações históricas e sociais, cujos nebulosos contornos nos deixaram, por vezes, ansiosos. Todavia, humildemente, seguimos a orientação de quem ousou lançar-se em tarefas similares.
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domingo, 11 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.6

Espelhava-se a noite tranquila e afável nas amenas águas do rio, serpenteada por penumbras e luzes que reluziam em intervalos intermitentes.
Um raio de luz estendia-se num reflexo cambiante advindo de um pequeno bar instalado à beira-rio, somente agitado por uma leve cantoria.
Surpreendentemente, o quadro bucólico agita-se pela rápida intervenção de audazes "carabineiros". Rapidamente nos é exigida a identificação.
Os laços de amizade desconhecem fronteiras, e, o barco permanecia impávido e sereno, beijando as areias da encantada Galiza, sequiosa ainda dos ventos frescos da democracia.
Alguém retorquiu, ultrapassando, quiçás, a típica acção psicológica dos "policiais".
O questionamento não ultrapassou a figura paternal, já que embora algemado se invocou o "governo civil" de Pontevedra para tais procedimentos. O esboço de um acto violento esmoreceu numa acção de benevolência. E, o barco que beijava a Galiza pressagiava o alvoroço de tal desavença e alegremente nos transportou para terra de nossa pertença.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.5

Ainda estava fresco o óbito paternal, quando surge o alerta de uma entrevista com um secretário de Estado. Recordava-me da saudação carinhosa na "Estufa-Fria", em Lisboa, e, de uma missiva enviada acerca de uma possível estruturação em certos serviços. A marcação de tal encontro divagou entre a "agenda particular" e a "agenda oficial".
Da fronteira até Lisboa, a viagem decorreu num ápice de tempo.
Face ao meu descontamento com as mais variadas peripécias pessoais, estendeu-se um vago convite para uma incerta missão. Entretanto, relembrei uma tal missiva enviada para tão digno signatário, cuja existência se evacuou em total ausência.
Por simples coincidência, surge na impressa portuguesa que dois funcionários são enviados para
para uma digna auscultação em serviços idênticos em França e na Itália.
Cabe-me acrescentar que a insuficiência de dados se esfumou, na seguinte frase:
"Nós, o governo!..."

Episódios da Raia.4

Perplexo, o oficial da alfândega observava a estranha mercadoria na bagageira do carro, que se estendia por demais espaço. O trâfico estava longe de qualquer para-choques prateado, ou, de qualquer tipo de artigo de contrabando. O "renault 5", cor de vinho, regorgitava de livros e mais livros, ferramenta essencial de qualquer forma de labor. Após, breve hesitação, exclamou:
- "É, para bem, da cultura, não é?!...", retorquiu, o oficial.
Após um ano de leccionação, o auxílio de tão precioso material tornava-se imprescindível a tal função. Todavia, ainda me recordava de questionar um colega sobre o programa da respectiva matéria. Rapidamente, respondeu:
-"Não há programa". Com grande surpresa, anui:
- "Já que não há programa, irei implementar uma nova planificação".
Não foram precisos muitos dias para receber uma repreensão sobre o desconhecimento de tal programa. Qual é o meu espanto ao verificar, que tal planificação não era mais que uma fiel cópia do programa que implementei!...
Adeus, Valença, fronteira de Tui.

Obs:
a)Mudei de escola.
b)Como algum iluminado encarregado de "educação" estivesse preocupado com o programa, nessa época!....
c)Não fosse tal personagem um activista partidário!... (Advinhem qual o partido?...)


Episódios da Raia.3

Girava a mala verde nas transportadoras de bagagem do aerorporto "Charles DeGaulle", quando ecoou nos altifalantes:
- "A.M. détenu à cause des autorités portugaises".
O avião da "Air France" já tinha descolado sem autorização das "forças militares", ainda que estas garantissem que não levantaria voo. A torre de controlo civil reiterava:
- "Era o que faltava, com os motores em aquecimento, estar à espera de um passageiro"
Martelava-se no "pbx" da caixa telefónica, aguardando resposta dos serviços militares. Ansioso, o passageiro, em questão, afirmava estar dentro da legalidade, já que permanecia no país ao abrigo de um decreto presidencial, retorquindo:
- " Se não for de avião, amanhã; irei de combóio."
No dia seguinte, voava tranquilamente o avião sobre a Galiza, enquanto se discutia haver passageiros a mais dentro da aeronave.
Adeus Pedra Rubras, Adeus Porto!...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...