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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Episódios de Viking Gunderedo.1




GÉNESE E FEITOS DE VIKING GUNDEREDO

Ainda que as nossas fontes sejam omissas relativamente à origem de Viking Gunderedo, cuja repercussão histórica reluz somente nos célebres ataques à cidade de Compostela, por volta dos anos de 970, e, à toponímia de uma localidade do rio Minho que o preserva em sua memória; apesar de todas estas circunstâncias, delineámos um projecto de reconstrução, que através de uma rota de navegação determina o ressurgimento de um contingente de forças guerreiras, cuja liderança revela a emergência deste personagem, assaz contraditório e relevante.
Viking Gunderedo, fazendo jus à sua toponímia, emerge como figura histórica, que embora a sua génese e genealogia se perca nos meandros obscuros das invasões vikings ao Noroeste Peninsular, impõe-se pela sua ousadia nos históricos ataques à Galiza do Norte, segundo relata, esporadicamente, o “Crónicón Iriense”, ou melhor dizendo, a “História Compostelana”.
Aliás, será por causa da sua toponímia, talvez a única via inicial de acesso à investigação deste personagem, que delineámos um percurso repleto de intrincáveis relações históricas e sociais, cujos nebulosos contornos nos deixaram, por vezes, ansiosos. Todavia, humildemente, seguimos a orientação de quem ousou lançar-se em tarefas similares.
(.../...)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.6

Espelhava-se a noite tranquila e afável nas amenas águas do rio, serpenteada por penumbras e luzes que reluziam em intervalos intermitentes.
Um raio de luz estendia-se num reflexo cambiante advindo de um pequeno bar instalado à beira-rio, somente agitado por uma leve cantoria.
Surpreendentemente, o quadro bucólico agita-se pela rápida intervenção de audazes "carabineiros". Rapidamente nos é exigida a identificação.
Os laços de amizade desconhecem fronteiras, e, o barco permanecia impávido e sereno, beijando as areias da encantada Galiza, sequiosa ainda dos ventos frescos da democracia.
Alguém retorquiu, ultrapassando, quiçás, a típica acção psicológica dos "policiais".
O questionamento não ultrapassou a figura paternal, já que embora algemado se invocou o "governo civil" de Pontevedra para tais procedimentos. O esboço de um acto violento esmoreceu numa acção de benevolência. E, o barco que beijava a Galiza pressagiava o alvoroço de tal desavença e alegremente nos transportou para terra de nossa pertença.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.5

Ainda estava fresco o óbito paternal, quando surge o alerta de uma entrevista com um secretário de Estado. Recordava-me da saudação carinhosa na "Estufa-Fria", em Lisboa, e, de uma missiva enviada acerca de uma possível estruturação em certos serviços. A marcação de tal encontro divagou entre a "agenda particular" e a "agenda oficial".
Da fronteira até Lisboa, a viagem decorreu num ápice de tempo.
Face ao meu descontamento com as mais variadas peripécias pessoais, estendeu-se um vago convite para uma incerta missão. Entretanto, relembrei uma tal missiva enviada para tão digno signatário, cuja existência se evacuou em total ausência.
Por simples coincidência, surge na impressa portuguesa que dois funcionários são enviados para
para uma digna auscultação em serviços idênticos em França e na Itália.
Cabe-me acrescentar que a insuficiência de dados se esfumou, na seguinte frase:
"Nós, o governo!..."

Episódios da Raia.4

Perplexo, o oficial da alfândega observava a estranha mercadoria na bagageira do carro, que se estendia por demais espaço. O trâfico estava longe de qualquer para-choques prateado, ou, de qualquer tipo de artigo de contrabando. O "renault 5", cor de vinho, regorgitava de livros e mais livros, ferramenta essencial de qualquer forma de labor. Após, breve hesitação, exclamou:
- "É, para bem, da cultura, não é?!...", retorquiu, o oficial.
Após um ano de leccionação, o auxílio de tão precioso material tornava-se imprescindível a tal função. Todavia, ainda me recordava de questionar um colega sobre o programa da respectiva matéria. Rapidamente, respondeu:
-"Não há programa". Com grande surpresa, anui:
- "Já que não há programa, irei implementar uma nova planificação".
Não foram precisos muitos dias para receber uma repreensão sobre o desconhecimento de tal programa. Qual é o meu espanto ao verificar, que tal planificação não era mais que uma fiel cópia do programa que implementei!...
Adeus, Valença, fronteira de Tui.

Obs:
a)Mudei de escola.
b)Como algum iluminado encarregado de "educação" estivesse preocupado com o programa, nessa época!....
c)Não fosse tal personagem um activista partidário!... (Advinhem qual o partido?...)


Episódios da Raia.3

Girava a mala verde nas transportadoras de bagagem do aerorporto "Charles DeGaulle", quando ecoou nos altifalantes:
- "A.M. détenu à cause des autorités portugaises".
O avião da "Air France" já tinha descolado sem autorização das "forças militares", ainda que estas garantissem que não levantaria voo. A torre de controlo civil reiterava:
- "Era o que faltava, com os motores em aquecimento, estar à espera de um passageiro"
Martelava-se no "pbx" da caixa telefónica, aguardando resposta dos serviços militares. Ansioso, o passageiro, em questão, afirmava estar dentro da legalidade, já que permanecia no país ao abrigo de um decreto presidencial, retorquindo:
- " Se não for de avião, amanhã; irei de combóio."
No dia seguinte, voava tranquilamente o avião sobre a Galiza, enquanto se discutia haver passageiros a mais dentro da aeronave.
Adeus Pedra Rubras, Adeus Porto!...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.2

Por duas vezes atravessara o rio. Uma vez, remando a favor da maré com o velho amigo da faculdade, outra vez nadando até à ilha da Boega e da ilha até à margem galega.
A dois metros da água, jazia impávido e sereno o passaporte. enrolado em suave casaco branco e delicadamente vigiado por dois sapatos.
O amigo ("cujo doutoramento implicou a vinda de um mestre françês até ao velho Porto") zarpou com medo e receio das rebuscadas rondas dos "carabineiros", cujos chapéus elegantes e azuis conjuntamente com o roncar das suas motos assustavam a taciturna e tranquila margem do rio.
Deambulava, atónito com tão inusitado desencontro!... Umas calças pendiam desalinhadas, amigavelmente cedidas por um galego conhecido, que por ventura nos ajudavam a pedir boleia.
A noite caía desesperada, alegremente confortada por um sono no banco traseiro de uma velha viatura. Pela manhã, a porta abriu-se sob o impulso de uma mão generosa, que nos estendeu um copo de leite quente.
"Quando não se pode ir para o mar, fica-se em terra!..." - diz o ditado
Acossado na fronteira, o meu amigo foi esconjurado de altaneiro "passador" e intriguista.
O rio brilhava em tons cambiantes de sedutora cor, inebriado com a beleza de uma doce donzela que se refrescava em voos de rapidez estonteante. E, da amargura dos dias anteriores soltou-se uma linha de liberdade, que somente os carris pararam na suave planície francesa!...
Adeus Eiras, Adiós Goyan!...

Episódio da Raia.1

De soslaio admirava Zeca Afonso, sentado no balcão do Café Marinel.
Rapidamente se improvisou na Praça Pública um palco para tão digno artista, que maviosamenete cantarolou as "canções de Abril".
Vagamente, recordava algumas árias que naquela madrugada ecoavam através da rádio, nos confins da fronteira de Valença.
O combóio estacionado na estação de Valença estava prestes a partir! Já tinha saboreado sofregamente uma refrescante "coca-cola", quando retornava ao meu lugar na carruagem. Alguém susssurrava ao meu ouvido dizendo que ecoou um nome, cujas sílabas referenciavam a minha identidade.
- "Nada a fazer" - cogitei pesarosamente.
Dirigi-me aos guardas de serviço, que ousadamenete me transportaram até ao posto fronteiriço.
- "Está aqui pendendente um aviso de captura dos serviços militares" - argumentou o oficial de serviço.
- Okay" - anui, em conformidade, continuando.
- "Mas já que estou detido, presumo que devo jantar, ainda que o repasto advenha do "hotel"
Apesar da ousadia, assim aconteceu.
Na manhã seguinte, após diligências informativas para o DRM do Porto, fui libertado, com a frase seguinte:
- "Você, não merece isto!..."
Adeus, Valença.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...