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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: A "Total" e a sua influência em Angola

Não haja dúvidas que o valor do “kwanza” está associado à indústria do petróleo, já que “per si” representa 90% na sua balança de pagamentos. Todavia a moeda angolana está relacionada com o seu crescimento económico, cuja média é de 7,4% para os anos até 2018, mas cuja inflação oscila entre os 8 e 9,5% ao ano. Quer dizer, que os seus créditos de avaliação dependem dos factores da inflação. Todavia as perspectivas de petróleo em Angola, cada vez, são maiores. Além das recentes descobertas de petróleo em terra, associa-se, cada vez mais, as boas expectativas de “crude” no pré-sal com o planeamento dos seus 32 poços por confirmação, que se espera que tenham os mesmos resultados da costa brasileira. A produção da Total Angola atinge os 746 mil barris por dia, sendo 95% desse valor exportado. Esta produção em terras angolanas ultrapassa os 140 mil barris por dia de Abu Dhabi, país árabe, com um fundo soberano na ordem dos 655 mil milhões de dólares. A maior petrolífera francesa planeia começar a bombear os campos Clov que podem ajudar a empurrar o país para a frente da Nigéria, como o maior produtor de petróleo da África em 2014. O projecto, que exigirá um investimento estimado em 6 mil milhões de dólares, denominado CLOV (Cravo, Lírio, Orquídea e Violeta), vai iniciar a produção no final do segundo semestre de 2014, permitindo aumentar de 600 mil para 800 mil a quantidade de petróleo a extrair, conforme o seu director do grupo francês. Claro que os valores variam, mas são negócios do petróleo. Entretanto, a Sonangol vai explorar cinco blocos petrolíferos em terra, quatro dos quais na bacia do Cuanza e um quinto na bacia do Congo. Sempre é mais seguro. Mas, não haja dúvidas, que a maior petrolífera francesa - TOTAL - continua a dar cartas, quer nos países árabes, quer em Angola.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: Exemplo angolano em França

«Vindo para França com a idade de 6 anos, com o curso dos liceus no bolso, após uma primeira experiência numa empresa, o angolano Héritier Luwawa criou a “Be Eco Service” em 2010, uma sociedade de limpeza ecológica com serviço ao domicílio. Emprega 25 pessoas». Relata o jornal Figaro. Caso de sucesso em França, onde foram criadas 25 mil empresas por estrangeiros. O exemplo deste angolano parece dar credibilidade às exigências angolanas. Segundo relata o “Jornal de Angola” (19.01.2014) – “empreendedor é o cidadão que apresenta determinadas habilidades e competências para criar, abrir e gerir negócios que geram resultados positivos”. Esta definição é atribuída ao Governador de Benguela que “visa identificar os agricultores que trabalham e aqueles que apenas ocuparam a terra e nada fazem”. Ou seja, “os improdutivos vão ter um tratamento dentro do princípio da legalidade e se se confirmar a sua inoperância ficam sem as parcelas de terra”. O paradigma do angolano em França, onde existe a “propriedade privada” e o “direito de sociedade”, onde os cidadãos pagam "impostos directos e indirectos", certamente que se torna um exemplo, não só ao nível da ética do trabalho, como também, para que Angola crie condições reais e legais ao acesso de propriedade privada nos seus direitos e deveres.
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domingo, 19 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: "A França é rica"


Desde o discurso mais simples (“telefonemas que recebo”) ao discurso mais elaborado (“comentários televisivos” -SIC) , a "França é rica". Esta visão da “França é rica” permite confundir um deputado com a sua “femme de ménage”, ou seja, estão ao mesmo nível!... Claro que eu desejo que a França seja rica. Contudo, não embarco neste discurso que a França seja tão rica que invada todos os espaços com a sua riqueza. Porque, até os próprios franceses afirmam que:” o discurso é própria traição do discurso”. Nesta Europa dos “castelos de papel”, alguns cairão, outros sobrevirão, se os espartilhos da moeda única impuserem as suas contradições. Mas a luta pelos espaços geo-estratégicos, pela identidade ( mais ou menos nacional), por alguma afirmação económica, tecnológica, social, científica e intelectual, pela repercussão internacional, pelas relações bilaterais entre povos, não podem submeter-se ao discurso hegemónico de que a “França é rica”, como denominador comum de uma realidade mundial. Claro que a “França é rica”, com o contributo de muitos emigrantes portugueses, talvez considerados como “lixo tóxico” que acariciava a “tripla menina francesa”, ou seja, aquele míssil que disparado de Paris atingia Lisboa com os seus dois mil quilómetros; ou melhor a dito, a “bomba atómica”. Confundir fogos de artifício com os “pétards” do Iraque tem muito que se diga neste simples discurso gaulês!... Se Charles de Gaulle, a nível oficial e histórico, pactuava com Salazar, ao mesmo tempo impedia que muitos emigrantes portugueses fossem expulsos de França (isto, não é histórico). É, nesta contradição que nos encontramos. Se a polícia francesa detém o “porta-voz” da Líbia, não existirá nenhum meio de afrontar o “Quai d’Orsay”? Claro que há. Claro que há um pequeno país, na periferia europeia, com uma “petite économie” que tem direito à sua "pauvre existence" nesta “França rica”, nesta Europa à deriva como um “castelo de papel” (aliás, "ab initio" dos nossos comentários).

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: Entre o olhar europeu e africano


Nesta pequena placa giratória em que nos encontramos, (geograficamente grande, a nível marítimo), somos vistos de várias perspectivas. Os europeus, numa pura visão económica, olham para esta “petite économie” com desdém, impaciência e desconforto. “Pouco desenvolvidos e atrasados”, é um estigma, colado à superfície da pele, que se arrasta à de dezenas de anos. É um estigma que marca o corpo, como ferida visível e que causa dor no seu portador e à visão do seu observador. Sem grandes empresas, sem grandes marcas, sem grande valor técnico e tecnológico. Mas olhar um povo somente na perspectiva económica, melhor dito, somente na ânsia do lucro é remetê-lo para uma linha que roça certa criminalidade. Destituí-lo dos seus valores, do seu pequeno conhecimento e da sua cultura é anular a sua identidade, a sua autonomia, a sua existência. A classe dominante europeia transmite os seus valores económicos, as suas crenças no capital, as suas teorias financeiras e as sua práticas sociais. Exercita a sua liderança política, económica e intelectual, modelando e submetendo a hegemonia do seu discurso a uma “práxis” que se desenvolve no dominado. Frente a esta discriminação só resta a resistência, a luta pela emancipação, a revolta e a luta por uma identidade que se pretende subtrair. Uma transformação antropológica e identitária que não seja a reprodução dos mecanismos que nos pretendem impor. Não só, na linha do senso comum, “mais vale comer uma sopa em paz, do que um bife em guerra”, mas descobrir que prato podemos comer. Os africanos, apesar dos nosso estigmas europeus, olham-nos com certa avidez naquilo que os europeus desdenham. Anseiam pela nosso pequeno conhecimento , pela nossa limitada tecnologia, admiram alguns dos nossos valores e estimam a nossa cultura, com desdém, por vezes, por esses europeus; embora, algumas vezes, certas perspectivas não nos sejam favoráveis. E, do pouco desta “petite économie”, ainda usufruem de alguma consolação, de alguma dignidade que se pretende transmitir. E, onde o capital internacional não arrisca, por medo e segurança, o laborioso trabalho português constrói caminhos de desenvolvimento, progresso e emancipação.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: GERMANY - "Mais rica que nunca"

A Alemanha « está mais rica que nunca », titula o jornal francês “ Figaro”; que se opõe à realidade portuguesa: “Portugal está mais pobre que nunca”. Apesar de "estar mais rica que nunca" é mais fácil levantar dinheiro em Portugal do que na Alemanha. Segundo certas afirmações, a Alemanha atinge um superavit de 266 mil milhões de euros (“17, 8 mil milhões em Novembro de 2012”) , cujo montante ultrapassa os valores da China. Enquanto que os USA fariam cair o “Fundo Soberano Norueguês” como um “iceberg”, que representa 1% da economia mundial. Sem um “salário mínimo, a Alemanha coloca a fasquia no valor 8,5 euros a hora de trabalho, em que 15% da sua população roça a linha da pobreza. "Nem hoje escapo ao estigma alemão!..." Mas o excedente alemão daria uma bela ajuda aos 7 mil milhões de euros de juros anuais da “pequena economia” portuguesa, como dizem os franceses. É que, muitos cidadãos estavam convictos que estavam protegidos com o “escudo” do euro, no qual entrava a Alemanha. Especialista em automóveis "a Alemanha sacudiu a areia do capote". Pura ilusão e fantasma que se desvaneceu desde 2008 com as crise das dívidas soberanas, e que fez duplicar a dívida portuguesa, desde essa altura. Quer dizer, que temos de pagar duas vezes aquilo que devíamos, mas não uma vez como seria normal, mas duas. Temos de pagar o “lixo tóxico” que foi injectado na economia mundial, porque “um esfomeado tem sempre necessidade de comer”, e não podemos fugir ao estado de fome. Um ano no congelador e a trabalhar são inconcebíveis. A “alta finança” escapa aos olhares dos cidadãos normais, às suas regras e imposições, de forma que só sentem os seus efeitos. Carecem de “traduções” e “tradutores”, tal como o direito, muitas vezes, é interpretado e vivido pelo senso comum, que previamente erigiu em leis, os factos que os circundam. Esta “teia” da alta finança apanha os seus insectos num enredo que os asfixia. Enquanto que os USA são a cigarra que canta, as formigas que somos (embora digam o contrário) continuam na sua luta num “espaço europeu que tem uma grande China” e pequenos “chineses que estão na Alemanha”. Qualquer dia precisámos de visto para trabalhar na cidade, ou, estar na comunidade europeia!...

sábado, 11 de janeiro de 2014

EUROPOLITIQUE: CES em Portugal e França - Segurança Social

O sistema português de segurança social – público (CGA -Caixa Geral de Aposentações) e privado (CNP - Caixa Nacional de Pensões) – que tendem a unificar-se, é considerado como o “quinto mais sólido a nível europeu”. (Convém, relembrar que a grande economia chinesa começa a despertar para a segurança social, com os seus 10% de desconto nos seus salários, imitando as suas congéneres europeias). O sistema francês – público (últimos seis meses para valor da reforma) e privado (reforma de base e complementar / e mais complementares e complementares...) navega numa complexidade digna de um autêntico labirinto. Certo tipo de complementaridade implica uma remissão, como autêntico "lixo tóxico", que se transforma num capital, ao antigo estilo alemão. Por isso, a eficiência e eficácia do sistema português ultrapassa a longa burocracia francesa, que certamente causa muitos efeitos negativos à grande emigração portuguesa. Circula, oficialmente, que 10% das reformas em França são mal calculadas, que no caso da "emigração portuguesa" deve rondar os 20 a 30% , se tivermos em conta, também, o pecado do “trabalho negro”. Bem, pode Giscard d”Estaing queixar-se dos “lucros” das reformas francesas, porque certamente elas não reflectem os direitos adquiridos pelos emigrantes, dada a complexidade do seu sistema e das penosas condições de alguns emigrantes. Porventura, algum "senso comum" alerta que as "caixas estão vazias" em França. Nesta Europa tão divergente espera-se que os seus sistemas de segurança social se tornem, cada vez mais, convergentes, apesar de toda a regulamentação comunitária, tão difícil de ser aplicada, que, por vezes, leva anos. O valor médio das reformas em França é de 1.400 euros que está bem acima dos 90% das reformas inferiores a 1.000 euros em Portugal, País da periferia europeia. Os contribuintes fiscais acima deste valor, os “ditos 10% dos reformados”, totalizam 401.858 (262.577 da CGA e 139.281 da CNP) que estão sujeitos (passivos) da CES (Contribuição de Solidariedade Social). Claro que os franceses, também, têm um sistema parecido com este sistema de solidariedade, muito mais suave, fora os famosos "75%" para os grandes milionários, (que procuram ir para o estrangeiro). Todavia, convenhamos que estamos muito distante da realidade francesa, do seu conforto e da realidade europeia, e, que caminhámos para a destruição da diminuta “classe média portuguesa” nesta “pequena economia”, como dizem os franceses.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...