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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
EUROPOLIQUE: Ao Sul de Angola: a Disneylândia?
As imponentes cascatas de “Victoria’s Falls”, patrimônio mundial da UNESCO desde 1989, na fronteira entre Zâmbia e Zimbabué, são, sem dúvida, o local turístico mais visitado por ambos os países, além dos sul-africanos.
Roberto Mugabe, o incontroverso líder africano, ambiciona construir uma nova Disneylândia, à semelhança de outras, como as da Califórnia, Flórida e Paris. Para isso, o governo do Zimbabué disponibiliza 300 milhões de dólares, e 1.200 hectares de terreno, junto ao aeroporto internacional da região, permitindo a instalação de «hotéis, casinos e uma zona franca bancária».
Se o governo chinês emprestou à cidade de Xangai 30,7 mil milhões de euros para a construção da sua primeira Disneylândia na China, até que ponto os incentivos de R. Mugabe são suficientes para erigir tal projeto?
Se a opinião mundial deste líder não presume credenciais de confiança, até onde irão as ambições ou a megalomania deste projeto?
Claro que existem projetos em comum, delineados e pensados por vários países desta zona, nos quais Angola está implicada. Portanto, somente uma ação em conjunto permitirá que se alcance uma mera possibilidade de conjuntamente vários países delinearem estratégias necessárias e suficientes para tão ambicioso projeto, em que a Disney terá uma palavra a dizer, como parte integrante.
A confluência do caminho de ferro de Benguela ou Namibe ainda estão distantes desta rica e formosa estância turística.
Até lá fica o sonho, utopia ou realidade de uma Disneylândia ao Sul de Angola!...
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
EUROPOLITIQUE: TGV in RIO
O Brasil contrapõe-se a Espanha em matéria ferroviária.
Enquanto que os espanhóis anseiam por ligações em alta velocidade, o Brasil debate-se em questiúnculas burocráticas, legislativas, empresariais e outras.
A ligação em alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo, orçada em 16 mil milhões de dólares, não passa de projetos continuamente adiados. Das atuais seis horas de percurso restariam somente 85 minutos. São Paulo com os seus 20 milhões de habitantes regurgita com os seus 8 milhões de carros, por dia. A ligação rodoviária entre o Rio e São Paulo é, por vezes, caótica. O sistema ferroviário de mercadorias é insuficiente, e o de passageiros é quase inexistente.
Além da falta de tecnologia brasileira para tal empreendimento, erguem-se barreiras das próprias construtoras do Brasil ao mercado internacional. Além disso, a burocracia política e social encrava em interesses pouco evidentes. As empresas da indústria automóvel arrefecem o entusiasmo por estes investimentos. Ainda que a meta se mantenha até aos anos 20, não haja dúvidas que a indeterminação contamina a ambição.
Todavia, a mobilidade dos brasileiros continua em nítido atraso.
A modernização do sector ferroviário brasileiro carece de inovação internacional, sem a qual o marasmo da mata atlântica não encontrará o caminho de um
rápido desenvolvimento, já que o tempo urge no Brasil.
Um país que detém nada menos de 373,5 mil milhões de dólares, para a estabilização do real, bem pode lançar-se no TGV Rio.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
EUROPOLITIQUE: "A Princesa de África"
A China, segunda economia mundial, apresenta nada menos de 1,05 milhões de milionários com mais de 1,63 milhões de dólares. Num regime socialista de economia em duas velocidades, o capitalismo ressurge no seu esplendor. Aliás, o número de super-ricos aumentou 2%, cujo número atinge 64.500 pessoas, com mais de 16 milhões de dólares.
«A fortuna de Isabel dos Santos atingiu os 3 mil milhões de dólares em 10 anos, segundo uma estimativa da Revista Forbes. Num artigo intitulado “A menina do papá: como uma princesa africana encaixou 3 mil milhões num país que vive com dois dólares por dia” (70%), a publicação conclui que a filha do Presidente de Angola tê-lo-á feito ficando “com uma parte de uma empresa que quer fazer negócios no país ou de uma assinatura presidencial”.»
A utilização da "linguagem da globalização" por "Rafael Marques e companhia", até que ponto farão razia!...
Os negócios atraem negócios é uma espécie de lei de atração dos corpos; por isso, para a "cidade mais cara do mundo", a mulher mais rica de África é "cereja sobre o bolo". A sociologia e a estatística só podem demonstrar estas contradições. Se Belmiro de Azevedo, por simples iluminação de espírito em Davos (Suiça), cria uma empresa de telemóveis para o seu filho Azevedo, por que razão outros não farão o mesmo!...
"Eu gosto de ir a Luanda", dizia-me alguém!... A reduzida elite angolana é sinal que a sua sociedade civil não funciona bem e que o modelo chinês não se aproxima do modelo angolano nas suas identidades e semelhanças.
Os fenómenos de enriquecimento, popularmente definidos como “golpes do baú”, sofrem ascensão e queda conforme os seus cíclicos. Já assisti a alguns destes fenómenos que me fazem lembram os meteoros.
Quando eles brilham são objeto de admiração e inveja, quando eles caem são lamentos de piedade e escarnio.
Também me recordo dos trabalhadoras de uma pequena empresa de limpeza de Luanda, que em vez de limpar as ruas da capital angolana ambicionava polir os diamantes em lustrosas bolsas de veludo, que por azar ou coincidência constituiu o ponto de partida para tão “ilustre princesa”. Aliás, a sua bondade não se espalha na ganância que alguns defendem, já que gosta de recompensar os seus trabalhadores.
Mas a nossa inocência ao mencionar Davos, reveste-se de uma nova questão em que 25% das empresas francesas constituíram a sua sede na Suíça. E esta peregrina questão retorna em nova questão. Quanto pagou de impostos ao estado angolano e ao estado português, a "princesa de África"?
Muito se escreve e escreverá sobre "a mulher mais rica de África" (ou de Portugal, como alguém diz), com ou sem razão.
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
EUROPOLITIQUE: A Palmeira da "Soares da Costa"
Por onde passaram vários angolanos em formação acadêmica, a empresa Soares da Costa reconstruiu e ampliou as estruturas físicas desse emblemático edifício de formação, cujo símbolo ainda irradia a sua palmeira, como bandeira.
A expansão da empresa Soares da Costa, por terras de Angola, acaba de cooptar um sócio angolano, com nada menos de 70 milhões de euros, para o seu financiamento.
Com o apelido ou nome de “Mosquito”, nada se inscreve neste pequeno episódio, qualquer viagem de “inseto electrónico”, numa trilogia de referências e contextos angolanos. Parece que a história ou a vida nos prega partidas de insondáveis ligações, cujas linhas se entretecem num fatídico destino que nos une e afasta das suas conivências. Resta desejar que o entusiasmo e a credibilidade de tão promissora empresa se afirmem como nos tempos da sua iniciação."Para espanto dos empregados bancários, o velho «Fuskas» saiu de um banco do Porto com milhões de escudos, embrulhados em "papel de jornal", (para não despertar a "cobiça alheia"), para pagamento de obras"!... A história de ontem é o início do começo de um futuro promissor!...
Todavia, o nosso olhar continua na senda das “terras do fim do mundo” e na sua aposta turística que apesar dos 12,5 milhões de euros concedidos para os seus projetos se reafirma numa módica aposta de repartição de custos, pelos cinco países envolvidos. Oxalá que a fortuna favoreça a ambição dos seus proponentes. Até que um dia seja possível um passeio turístico do Namibe até às quedas Vitória, regressemos ao passado, com os olhos no futuro:
Para relembrar as suas riquezas naturais, eis aqui, alguns dados:
As reservas, parques e cotadas estão caracterizados da seguinte maneira:
a) Reserva parcial do Luiana estabelecido como reserva parcial em 17 de
setembro de 1966 com a extensão de 8.400 km2;
b) Reserva parcial de Mavinga estabelecida como reserva parcial em 17 de
Setembro de 1966 com uma extensão de 5.950 km2;
Cotada pública do MukAs reservas, parques e cotadas estão caracterizados da seguinte maneira:
c) Cotada pública do Mukusso criada em 15 de Julho de 1959 com uma
extensão de 25.000 km2;
d) Cotada pública de Luiana criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão
de 13.950 km2;
e) Cotada pública do Luengue criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão
de 16.700 km2;
f) Cotada pública de Mavinga criada em 06 de Julho de 1960 com uma extensão
de 28.750 km2;
g) Parque natural regional do Cuelei com uma extensão de 4.500 km2.
usso criada em 15 de Julho de 1959 com uma
extensão de 25.000 km2.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
EUROPOLITIQUE: Na onda do turismo de Angola e Moçambique
Às terça-feiras, por meros instantes de intervalo, são exibidos na TVÁfrica dois programas sobre o turismo em Angola e Moçambique. Sofisticadamente o programa angolano precede o moçambicano.
Por exemplo, entre o “tapete vermelho” na chegada ao aeroporto do Lubango, em Angola, e a estrada de areia até Ponta Ouro, em Moçambique, decorrem dois passeios turísticos de contrastes e emoções. Por um lado, a oligarquia de um turismo de luxo angolano contrapõe-se com a democracia do lazer moçambicano. As paisagens angolanas desvanecem-se em relação ao renascer cambiante da natureza moçambicana.
As expectativas angolanas guindam-se ao primor de um turismo de elite, à sofisticação da sua culinária e ao desenvolvimento de estâncias turísticas (“resort’s”) de elevada qualidade, enquanto que Moçambique navega pelo sabor popular, pela exibição tradicionalista e pela fauna e vegetação natural da sua orografia.Duas metas, dois objectivos de incómoda diversidade!...
Todavia estes contrastes de imagem não querem dizer que Moçambique não disponha de um turismo de lazer sofisticado, apetecível e de fácil acesso, com unidades hoteleiras de elevado nível; e, que em Angola não se desenvolvam outras alternativas turísticas. Ainda que a demonstração turística angolana procura um expoente que esquece os passos intermédios da afirmação dos patamares do turismo, refugiando-se num elitismo de sofisticação, à medida da “cidade mais cara do mundo”.
Todavia perpassa pela exibição turística de Moçambique uma “onda de humanismo e calor humano”, muito reconfortante, que esmorece no conforto sofisticado angolano em que o pendor popular é remetido para um certo esquecimento.
Extrapolar um turismo “de luxo” para Angola e um turismo de “pé descalço” para Moçambique seria um anátema insustentável e indesejável.
Os programas sobre o turismo, quer em Angola, quer em Moçambique, são uma “lufada de ar fresco” no relacionamento entre povos que são meritórios de todo o aplauso e acolhimento.
Por isso, aguarda-se que a sua continuidade na programação africana se afirme por muitos velhos e novos tempos, com o mar nas suas bandeiras: na onda do turismo angolano e moçambicano.
EUROPOLITIQUE: As terras angolanas!...
Conduzida pelo seu motorista, a senhora africana, formada em advocacia, indagava o seu condutor acerca “desta ou daquela casa” com “ar de abandono”, ou, “deste ou daquele terreno, inculto e pejado de arbustos”; e, rapidamente surgia do fundo do seu peito: “é meu”!...
Os acompanhantes ficavam perplexos por tal ousadia fundiária registada num tom de voz possessiva.
Este episódio de natureza genuína e africana contrapõe-se com os argumentos de opinião de um africano de que não se pode vender uma pequena ilha, cuja proprietária exibe documentação de propriedade e impostos, mas cujo arguente não escapou ao "imposto de palhota".
Ainda que o exercíco da advocacia por portugueses em Angola e Moçambique aguarde "por melhores dias", o direito à ”propriedade privada” e ao pagamento de impostos, varia em muitas latitudes do mundo. Claro que diferenciar o verde do vizinho nos USA contrasta com as muralhas das divisória africanas. No entanto, em África, as regras atravessam um “mar de confusões”. Por isso, cabe aos ”decisores políticos” encontrar as melhores formas de garantir os direitos de propriedade, os seus limites e as suas obrigações, num contexto de possível universalidade, ressalvando que em última instância o Estado é único detentor.
Mais de 90% das “terras rurais agrícolas” do continente africano não estão registadas, segundo um novo relatório do Banco Mundial, difundido em Dakar (Senegal), intitulado “Securing Africa’s land for shared prosperity” (Garantir a segurança das terras de África para uma prosperidade partilhada), cujo objectivo é melhorar a governação fundiária no continente africano. Aliás, este relatório beneficia de um projecto de 450 milhões de dólares para revolucionar a produção agrícola e erradicar a pobreza em África, já que somente “em África, apenas 10% das terras rurais estão registadas”
Tanto Angola como Moçambique beneficiaram de um sistema de “registo predial”, razoavelmente desenvolvido, que certamente foi desperdiçado, apesar dos problemas do colonialismo, ainda que em terras angolanas estejam a ser dados passos significativos na posse da terra. Contra isso, optou-se pelo slogan “a terra não se vende”, “a terra pertence ao Estado”!...
Contudo, o Banco Mundial preconiza o acesso à terra e à propriedade fundiária a pobres e pessoas vulneráveis, através de várias etapas ou processos de distribuição e de plena propriedade.
A distribuição de terras rurais ou “prédios rústicos” aos mais carenciados, a legalização e regularização dos “prédios urbanos” contra possíveis intrusos, assim como a igualdade entre géneros, são alguns dos objectivos das directrizes do Banco Mundial. Aliás, as recomendações do Banco Mundial sugerem que “numa altura em que o mundo manifesta um interesse crescente pelas terras de África, este relatório oferece um roteiro útil, orientado para as políticas, a fim de garantir os direitos fundiários dos africanos”.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
EUROPOLITIQUE: Luanda entre a "Minicopacabana e a Maxicopacabana"
“Está a nascer um mega-projecto imobiliário na baía de Luanda, superior à dimensão da Expo 98 em Lisboa. São edifícios de escritórios, habitação e hotéis, projectados, na maioria, por arquitectos, engenheiros e várias empresas de construção portuguesas e de outros países europeus. Em setembro, a sociedade que gere a baía de Luanda vai andar na Europa, Médio Oriente, China e Estados Unidos a mostrar o projecto privado.”, relata a Sic Notícias.
Após a inauguração da sua Baía, com os seus 3,1 km, metade de Copacabana, Luanda prepara-se para erguer um Centro Financeiro de 27 hectares, com uma zona mista de habitação e escritórios, num espaço de 1,5 milhões de m2, deixados livres pelas obras de remodelação da sua frente marítima.
Todavia, Luanda é das mais caras cidades do mundo. Eis, a sua contradição!...
“O estudo foi elaborado com base nos preços de mais de 200 produtos e serviços, nomeadamente os custos de habitação, transporte, alimentação e vestuário. A análise da Mercer é essencialmente dirigida as empresas que enviam trabalhadores para o estrangeiro e acabam por suportar as despesas”.
Simplesmente um apartamento fica por dois mil dólares, um quilo de carne por 40 dólares e as maçãs por 4 dólares/quilo.
No caso da alimentação, as diferenças de Luanda e Copacabana são abissais. Mas, as semelhanças de Luanda com Copacabana de se tornar um exemplo das suas contradições podem ser idênticas.
Qualquer turista gosta de desfrutar do ambiente de Copacabana, mas muitos cariocas lamentam as contradições da sua cidade. Por isso, as ambições de Luanda não podem descurar a retaguarda da Baía de Luanda que alimenta e vivifica a sua cidade. Oxalá, o paradigma não se repita.
Convém salientar que “a análise feita pela Mercer é particularmente dirigida às empresas que enviam os seus trabalhadores para o estrangeiro e suportam as despesas, como forma de compensação. O alojamento é geralmente a factura mais elevada e, nesse domínio, Luanda lidera a escala: para arrendar um apartamento de luxo com dois quartos, sem mobília, paga-se por mês 6.500 dólares contra 2.551 dólares em Sidney, por exemplo”.
ADENDA: Tal como na habitação, os terrenos da "Luanda do futuro" serão vendidos a 900 dólares/m2, segundo relata o Jornal Expresso de 27.07.2013, quando efectivamente custaram menos de 300 dólares/m2 (ou seja, 266,7 + juros).
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