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domingo, 30 de outubro de 2011
EURO POLITIQUE 161. -"Um euro à deriva" (Habermas)
“Os actores políticos não deviam esquecer os defeitos da construção que estão na fundamentação da união monetária e que poderão ser ultrapassados por uma união política adequada: falta à U.E. as competências necessárias à harmonização das economias nacionais, que conhecem divergências drásticas nas suas capacidades de competição”. Resumo da conferência de HABERMAS.
A metodologia económica entregue somente aos mecanismos financeiros assenta numa única lógica de lucros, ou seja, a lógica dos mercados. Qualquer país fica à deriva dos seus mecanismos, quando não usufrui de “autonomia” e se encontra num “colete de forças” que obedece simplesmente à lógica de alguns intervenientes, simplesmente ao liberalismo económico, digamos aos mercados. Os “imperativos económicos” consignados nessas suas estruturas não são acompanhados nas suas exigências por determinados países. Se as regras são iguais para grandes e pequenos países, quer em volume de produção, quer em valor de competitividade, os seus rendimentos deviam ter uma equivalência sem necessitar de uma “harmonização” para poder conduzir a estes desígnios, o que infelizmente não acontece.
A possível previsão e valorização do euro em relação ao dólar, para o ano de 2013, somente convém aos países ricos do sistema da U.E. Os países pequenos desejariam uma desvalorização do euro, ou, melhor ainda a “emissão de moeda” para colmatar as suas deficiências.
A Europa a “duas velocidades” somente tem sentido em lógicas distintas, sem possível convergência a não ser que se encontrem caminhos de “harmonização”.
Se a economia não é uma ciência exacta que controle o sistema de causa/efeito, e nos dê o controlo dos seus fenómenos (económicos e financeiros), ela surge como uma possível leitura da realidade económica na qual subjazem os seus produtores ou cidadãos. Por isso o número económico não pode ser somente a medida da cidadania europeia. É necessário encontrar caminhos de cidadania, é necessário encontrar uma metodologia económica que valorize esta cidadania, que somente autênticos “actores políticos” a podem consignar.
"Mais Europa" não quer dizer somente mais número económico, mas um desenho da própria Europa, que passa evidentemente pelo seu desenho económico. Nisto quer-se verdadeiros "actores políticos" para uma nova construção europeia, para uma autêntica fundamentação do euro.
domingo, 23 de outubro de 2011
EURO POLITIQUE 105 . Portas e as contas da Caixa
Por mais que se escondam as relações Portugal /Líbia, elas revelar-se-ão com o tempo.
Desde a distribuição dos famosos “Alcorões” doirados pela zona do Porto, à venda de metros cúbicos de seda verde, às incipientes relações diplomáticas, que um véu de nebulosidade se esconde, até ao processo de abertura de uma embaixada em Trípoli, nos novelos desta saga, apesar dos recônditos “negócios políticos” do MNE, certamente serão desvendados à realidade informativa portuguesa.
Torna-se por mais evidente que os ditos “negócios políticos” escapam ao comum dos mortais, sobretudo quando se relacionam com “assuntos africanos”.
Tudo isto vem a propósito dos fundos líbios em Portugal. Não se sabe perfeitamente que são “fundos familiares”, como afirma a dita informação da televisão portuguesa, ou que são “fundos soberanos”, como pretendem “os homens de negócios da Líbia”. Pedir lógica e coerência à diplomacia é entrar num paradoxo por mais evidente.
Além disso, à boa maneira portuguesa em contradição com a internacional, o “timing” da sua revelação acontece somente na finalização secreta de membros da dita “família”.
Que certas negociatas existiam, e, somente agora algumas foram reveladas, não escaparam à nossa função crítica. Por isso, o nosso contumaz comentário não foge às suas directrizes:
Em 19 de Junho escrevia-se o seguinte:
“Se a «habilidade diplomática» de Paulo Portas se expuser ao terrível dilema da Líbia com serenidade e ousadia teremos um perspicaz ministro do MNE”.
A estratégia diplomática deixa muitas dúvidas nas opções tomadas. A inovação seria o primeiro passo de um novo relacionamento, sem atritos de passados tumultuosos. Aliás, é assaz tradicional que em “equipa que não perde, não se mexe”, mas não é o caso.
Certos portugueses somente olharam para os cifrões da Caixa!...
A realidade caótica alastra-se a dezenas de pequenas cidades que estão completamente destruídas e abandonadas na Líbia.
Conjuntamente com a desertificação física surge a desorientação humana e social.
Vagueiam pelos caminhos do deserto à procura de um sentido de orientação.
Os ódios e medos revelam-se e escondem-se na desconfiança social que somente o tempo se encarregará de ultrapassar.
Além reconstrução física reaparece uma reconstrução social e política que somente os seus ideais podem refazer.
Os cifrões da Caixa não chegam para o pagamento dos gastos da guerra.
Não chegam 450 milhões de euros para a França
Não chegam 343 milhões de euros para a Inglaterra
Não chegam 700 milhões de euros para os USA.
Portugal não tem gastos de guerra com a Líbia. Tem um défice monstruoso que se arrasta ao longo de anos. Nunca consegui impor as suas empresas em território líbio. As duas primeiras foram expulsas. Certos cidadãos pagaram a factura deste “desaire”.
Mas a liberdade não tem preço face à tirania, os cifrões da Caixa esgotam-se nestas guerras de armamento por pagar.
Todos estes países têm dinheiro hipotecado nos seus cofres face aos gastos despendidos.
A contabilidade de guerra pouco nos interessa. Portanto, a partir de 31 de Outubro começa a nova fase de um processo de paz e reconstrução que é mais importante que o processo de destruição.
As relações Portugal/Líbia têm de ter uma clareza e distinção no processo democrático sem meandros esconsos da diplomacia.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
EURO POLITIQUE 115. "Kadafi e as três falácias da Caixa".
“A Caixa não faz comentários públicos sobre hipotéticas operações com qualquer eventual cliente”.
As três falácias da Caixa:
Comecemos pela última:
a)“A Caixa não faz comentários sobre qualquer cliente”.
Mouammar Kadafi, ou seja, por acaso o “fundo soberano líbio”, desde Março de 2010, não é qualquer cliente (melhor dito, não era), que seja digno do sigilo bancário - não era cidadão nacional - apesar da sua ultima entrevista do dia 19 à RTP.
As instâncias internacionais proíbem a utilização desses fundos, indagam a sua situação e origem, e procuram auxiliar o CNT.
b)”A Caixa não faz comentários sobre hipotéticas operações”
Apesar do congelamento de quatro contas, desde Março, os contornos da famosa “jihad suíça”, reverte numa operação a dois tempos. Transferência dupla com entrega e retirada, após retirada nova entrega, sem se conhecer os contornos de tais operações.
Aliás negócios políticos, só dizem respeito à política!...
c)”A Caixa não faz comentários”
A lógica da Caixa é dinheiro. A ética e a justiça não merecem qualquer comentário na lógica do dinheiro. Nem qualquer comentário pode ter a veleidade da percepção da diplomacia.
O silêncio é a alma do negócio, que o diga a "expansão da Caixa por terras espanholas"!...
Fiel depositário do Estado, a Caixa obedece às directrizes políticas, os negócios políticos permanecem no mundo dos deuses, por isso o divórcio entre cidadãos e Estado:
Por que se comprava petróleo na Líbia?
Por que os negócios com a Líbia não funcionavam?
Por que os cidadãos não estavam informados dos contornos dos negócios com a Líbia?
Que tipo de diplomacia se desenvolvia com a Líbia?
Requiem in pacem.
P.S. - Descodificação de imagens:
Dia 19 de Agosto: "Grupo de empresários líbios.." no MNE. Afinal a situação era outra!...
Enviem os cargueiros cheios de produtos portugueses, a começar pelas fardas!...(Cobrem os prejuízos).Dinheiro+cargueiros+fuel barato, é só facturar!...
Nota Bene:
67.680 mil milhões de euros LX
1300 Mil milhões=02% (2010)/40 milhões de juros.
7.000 Mil milhões=(Jihad en Suisse)
Conta desde 2001. +500 cimeira africana ("administração americana" -call+penha longa=Stop).
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
EURO POLITIQUE 125. A China e Portugal
Com reservas na ordem de 3 200 mil milhões de dólares esperava-se que a China assumisse 25% da dívida externa portuguesa, o que se diz seria extensível aos países do Sul da Europa.
Somente o excedente comercial com a Europa traz benefícios para a China na ordem dos 173 mil milhões de euros; além disso, com os norte-americanos ronda os 205 mil milhões de euros, durante o ano de 2010. Potência comercial com um crescimento de 10.4% em 2010, continua na ordem dos 9% em 2011, apesar de uma inflação de 6,5%, acompanhada de uma valorização do yuan em 7%.
O único país europeu, com 194 mil milhões de euros de excedente comercial continua a ser a Alemanha.
O “Belo Hexágono”, que desde 1974 nunca teve um orçamento excedentário, continua apesar de um possível crescimento de 1,75% , em 2012, com um défice programado na ordem dos 4,5%, para se colar em 2013 aos famosos 3% das exigências do Tratado Europeu.
Os Países Baixos acompanham de certo modo o ritmo alemão. De forma que o Sul da Europa, apesar de deterem a chamada moeda única- o euro- continua com uma moeda de “fachada”, (como alguém diz), o que nos levou ao título e à imagem do “euro protestante” e “euro católico”.
Os famosos “eurobonds”, a “desvalorização do euro”, ou a criação de um “Banco Europeu” que assuma as respectivas dívidas nacionais enreda-se nas malhas dos políticos e dos financeiros.
As relações de Portugal com a China são diferenças de um gigante Golias com um pequeno David, mas seguindo a possível história de um “euro católico”, esta analogia distante e antagónica talvez possa transformar esta luta numa profícua parceria internacional.
Até ao momento presente, o silêncio chinês tem causado uma perplexidade dado as antigas relações entre os dois países, que selaram compromissos históricos de louvável honradez.
Mas as linhas do tecido das parcerias não são somente bilaterais, mas colocam-se também ao nível de relações multilaterais, que carecem de um planeamento envolvente que retire a China de simples parceiro económico para outros planos de realização.
sábado, 8 de outubro de 2011
EURO POLITIQUE 155 - Cristas e o Anti-Cristo
Ter melhor batata que os franceses, mas importar este produto não fica bem a um País que precisa de equilibrar os seus défices externos. É claro que a industrialização da batata que acontece em terras gaulesas, na lei da concorrência dos hipermercados, não se compadece com a fraca produtividade nacional, e, como regra de excepção implica o retorno da qualidade em resposta à quantidade, verdade que carece de alguma explicação!...
No centro de Havana, discutia-se com um quadro do Ministério da Agricultura que o Estado não sabia o que tem. ("O que é de elementar importância num país em que se desconhece de quem é um quinto do território", Expresso, pg. 25 de 08-10-2011).
O sentido da terra é a sua produtividade, é a sua vida na tragédia humana da sobrevivência.
Isto, vem a propósito de uma notícia do pequeno jornal “Leme”, que na área do GAS de Sines e arredores, existem 22 mil hectares de “terra abandonada” que pertence ao Estado, e que apesar do interesse de alguns antigos proprietários, a eterna burocracia dos vários ministérios implicados, não permitem o cabal esclarecimento de tal situação.
O omnipotente Estado que tudo controla é extremamente avesso à “lei da troca”. E, sem troca, não há mercadoria e sem mercadoria não há dinheiro.
Não temos um Estado rico que possa sustentar os cidadãos, (“porque o Estado nada produz, mas tudo consome”) mas não podemos ter um Estado parado na dinâmica da economia, ou melhor dito, da produtividade.
Se os terrenos estão abandonados pela inércia do Estado, apesar da pretensa dinâmica dos cidadãos, o Estado está a condenar-se duplamente: “porque não produz, nem deixar produzir”; ou seja, “porque não troca, nem deixa trocar”, porque “não cria mercadoria, nem permite que a mercadoria apareça”, porque “não quer vender, nem fazer dinheiro”, porque não permite que “os seus possíveis compradores entreguem dinheiro e paguem impostos daquilo que produzem”.
A produtividade está na sociedade e não no Estado (“O Estado nada produz, mas tudo consome”).
Portanto a inércia da produtividade não pode ser lei do Estado. A dinâmica do Estado tem de se inscrever na lógica da produtividade.
P.S.
«Há dois (três) milhões de hectares de território abandonados, sem qualquer cultivo; 80% dos bens alimentares consumidos em Portugal são importados[ou, será 80% relativamente aos cereais; e, 30% nos restantes produtos?!...]; 100 mil hectares arderam em 2010; há 600 mil desempregados..."Se as fronteiras fosssem fechadas durante duas semanas,por qualquer motivo, morríamos todos de fome", assegura António Moreira». (Jornal Expresso, pags.24 e 25 de 08-10-2011).
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
EURO POLITIQUE 152. "Eurocepticismo"
As razões do eurocepticismo
1) A dificuldade crassa da Europa lidar com os mercados financeiros, após 2007. As advertências começam desde o Presidente Barak Obama até ao cidadão comum americano (para não dizer dos “portugueses ancorados na América: it’s a pity, to Portugal”), que seria um desastre mundial se o “euro” falhasse. (Permanece a dúvida)
2) O eurocepticismo declarado de quem afirma: “estou bastante confiante em que o euro vai cair com bastante dureza”, Alessio Tastani, corretor. (Evolui a certeza falsa?!...)
3) A fundamentação da criação do euro de “geometria variável” que nunca convenceu certos economistas americanos, parece ser um “erro crasso”.
4) O funcionamento da moeda única, cujo centro de gravitação gira num eixo de incompreensão, quanto à sua valorização ou desvalorização. “A lógica dos estados e a lógica do euro!...”
5) A resolução das assimetrias regionais ou nacionais no conjunto da moeda única, cujo processo é imputado às partes sem olhar ao todo, como o todo não se preocupa com as partes. [O “euro parcelar” e o “euro de conjunto”, assente na Europa a duas velocidades].
6) Se os Estados emprestaram 4.700 mil milhões de euros, que dizer dos 360 mil milhões que fugiram para os USA, e, outro tanto, se calhar, para outros lados. Só em Portugal com o BPN foram 2 mil milhões.
7) A imputação do descalabro do euro nas regiões nacionais que atinge os cidadãos em 30% a 50% , quando em situação regular se quedaria entre o 1% a 5%. Qual foi o controlo da EU em relação aos Estados?!...
8) Se os políticos tem capacidade de colocar regras no mercado financeiro, ou, se o “liberalismo económico” imporá toda a sua ganância. Ainda que se imponha uma taxa de 55 mil milhões, isto corresponde às necessidades de Portugal!...
9) Se os povos estão dispostos a aceitar todos os sacrifícios exigidos, ou, se a contestação e a revolta darão origem a revoluções. Até que ponto, a Grécia resiste a esta situação!...
10) Se o “modelo social europeu” (reformas + benefícios sociais) são compatíveis no mundo da globalização. O modelo chinês ou americano são bastante diferentes!...
11) Se o combate ao eurocepticismo e a apologia do orgulho de “ser europeu” conseguirão encontrar um rumo certo para a Europa. Os europeus identificam-se fora de Europa como tais, mas dentro dela parece que não!... (Por um lado, o discurso político: "nada de paternalismo" de outros; por outro lado, a realidade económica: Airbus procura dinheiro em 7,9% "em dólares").
12) Quanto tempo os europeus terão de esperar para que o eurocepticismo desaparece dos seus horizontes?
Aqui, entra o pragmatismo inglês de que “tempo é dinheiro”, e de que a “experiência” europeia possa ser uma fonte de conhecimento deste imbróglio.
1) A dificuldade crassa da Europa lidar com os mercados financeiros, após 2007. As advertências começam desde o Presidente Barak Obama até ao cidadão comum americano (para não dizer dos “portugueses ancorados na América: it’s a pity, to Portugal”), que seria um desastre mundial se o “euro” falhasse. (Permanece a dúvida)
2) O eurocepticismo declarado de quem afirma: “estou bastante confiante em que o euro vai cair com bastante dureza”, Alessio Tastani, corretor. (Evolui a certeza falsa?!...)
3) A fundamentação da criação do euro de “geometria variável” que nunca convenceu certos economistas americanos, parece ser um “erro crasso”.
4) O funcionamento da moeda única, cujo centro de gravitação gira num eixo de incompreensão, quanto à sua valorização ou desvalorização. “A lógica dos estados e a lógica do euro!...”
5) A resolução das assimetrias regionais ou nacionais no conjunto da moeda única, cujo processo é imputado às partes sem olhar ao todo, como o todo não se preocupa com as partes. [O “euro parcelar” e o “euro de conjunto”, assente na Europa a duas velocidades].
6) Se os Estados emprestaram 4.700 mil milhões de euros, que dizer dos 360 mil milhões que fugiram para os USA, e, outro tanto, se calhar, para outros lados. Só em Portugal com o BPN foram 2 mil milhões.
7) A imputação do descalabro do euro nas regiões nacionais que atinge os cidadãos em 30% a 50% , quando em situação regular se quedaria entre o 1% a 5%. Qual foi o controlo da EU em relação aos Estados?!...
8) Se os políticos tem capacidade de colocar regras no mercado financeiro, ou, se o “liberalismo económico” imporá toda a sua ganância. Ainda que se imponha uma taxa de 55 mil milhões, isto corresponde às necessidades de Portugal!...
9) Se os povos estão dispostos a aceitar todos os sacrifícios exigidos, ou, se a contestação e a revolta darão origem a revoluções. Até que ponto, a Grécia resiste a esta situação!...
10) Se o “modelo social europeu” (reformas + benefícios sociais) são compatíveis no mundo da globalização. O modelo chinês ou americano são bastante diferentes!...
11) Se o combate ao eurocepticismo e a apologia do orgulho de “ser europeu” conseguirão encontrar um rumo certo para a Europa. Os europeus identificam-se fora de Europa como tais, mas dentro dela parece que não!... (Por um lado, o discurso político: "nada de paternalismo" de outros; por outro lado, a realidade económica: Airbus procura dinheiro em 7,9% "em dólares").
12) Quanto tempo os europeus terão de esperar para que o eurocepticismo desaparece dos seus horizontes?
Aqui, entra o pragmatismo inglês de que “tempo é dinheiro”, e de que a “experiência” europeia possa ser uma fonte de conhecimento deste imbróglio.
domingo, 25 de setembro de 2011
EURO POLITIQUE 151. O senso comum da economia. 2 - "O euro protestante e o o euro católico"
1) Se eu falar com um cidadão francês acerca do problema do euro, ele dir-me-á que é necessário desvalorizar o euro. O que é natural, para se conseguir exportar mais.
Se pudesse seguir esta lógica, os gregos com uma desvalorização do euro (com uma valorização de 1.4 em relação ao dólar) em 0,034%, teriam uma solução para os seus problemas, embora tenham de fazer os ajustamentos devido às suas contas de uma economia paralela. Portanto, aplicando esta lógica do senso comum, a desvalorização do euro seria a seguinte:
- Grécia – 0,034%
- Espanha – 0,168% (12% da economia europeia)
- Itália – 0,21% (15% da economia europeia)
- Portugal 0,021%
Mas, a "geometria variável do euro" não obedece a esta lógica do senso comum, nem obedece à fundamentação da criação do euro como autêntica moeda no mundo global.
O “euro” foi criado para consumo interno das mercadorias europeias. Aliás, ainda ninguém fundamentou os princípios críticos dos economistas americanos em relação ao euro.
O euro foi criado como “moeda interna” no espaço das mercadorias internas da Europa. O euro como “moeda externa” no mundo global da economia está a dar os problemas que se evidenciam. Quer dizer o “euro” funcionou ou funciona bem dentro da Europa, mas em relação ao mundo global funciona mal, obrigando certos países autenticamente à falência. Não funciona como “moeda de conjunto”, mas como “moeda parcelar”.
2) Se eu tivesse a oportunidade de falar com o Presidente desse cidadão comum francês, ele dir-me-á que a desvalorização do euro afecta por demais os negócios da “Airbus”. ("Je sais qu'un cêntime!...")
Portanto, não convém desvalorizar o euro, e toda a lógica do cidadão comum francês está errada. Abreviando, o “euro” serve para as grandes empresas europeias, mas não serve para o cidadão comum. Não se pode desvalorizar o euro, porque não é “moeda de conjunto”, mas “moeda parcelar” destas grandes empresas.
3) O “euro protestante” não se concilia com o “euro católico”. Os católicos nunca souberam lidar com o dinheiro, para ir de encontro à tese de Max Weber. A lógica protestante sempre soube tirar proveito do uso do dinheiro, os outros do seu abuso, mal uso ou desperdiço.
Portanto, no euro – moeda europeia – não se mexe, não sofre impactos de economias menores, porque a lógica que impera é das “grandes empresas europeias”. Os pequenos países que se desenrasquem.
4) Apliquemos esta exemplificação a Portugal. Como cidadão normalizado da sociedade portuguesa estou sujeito a uma aplicação de 30% do meu ordenado, quando segundo a desvalorização do “euro” estaria na obrigatoriedade entre 1 a 5%. Convenhamos que esta diferença é colossal, sobretudo para milhares de portugueses!...
Conclusão:
Quem manda, não são os políticos, são as grandes empresas e os grandes sistemas económicos (quer europeus, quer outros).
Quando não existe uma “ética global nos mercados mundiais”, em que a “economia paralela” e a “economia paralela do crime” prevalecem, todos os sistemas nacionais e internacionais andam à deriva neste mundo da globalização.
O “euro protestante” e o “euro católico” parecem confirmar a velha tese de Max Weber.Os protestantes continuarão a enriquecer, enquanto os católicos perdurarão a empobrecer.
Será que o euro serve os Estados da Europa?!...
P.S. Que política dos "eurobonds" e que "Tratado Europeu"?!...
Complemente este artigo com a 2.ª e 3.ª página do jornal "Público" (26-09-2011), posterior a este tipo de ensaio.
Se pudesse seguir esta lógica, os gregos com uma desvalorização do euro (com uma valorização de 1.4 em relação ao dólar) em 0,034%, teriam uma solução para os seus problemas, embora tenham de fazer os ajustamentos devido às suas contas de uma economia paralela. Portanto, aplicando esta lógica do senso comum, a desvalorização do euro seria a seguinte:
- Grécia – 0,034%
- Espanha – 0,168% (12% da economia europeia)
- Itália – 0,21% (15% da economia europeia)
- Portugal 0,021%
Mas, a "geometria variável do euro" não obedece a esta lógica do senso comum, nem obedece à fundamentação da criação do euro como autêntica moeda no mundo global.
O “euro” foi criado para consumo interno das mercadorias europeias. Aliás, ainda ninguém fundamentou os princípios críticos dos economistas americanos em relação ao euro.
O euro foi criado como “moeda interna” no espaço das mercadorias internas da Europa. O euro como “moeda externa” no mundo global da economia está a dar os problemas que se evidenciam. Quer dizer o “euro” funcionou ou funciona bem dentro da Europa, mas em relação ao mundo global funciona mal, obrigando certos países autenticamente à falência. Não funciona como “moeda de conjunto”, mas como “moeda parcelar”.
2) Se eu tivesse a oportunidade de falar com o Presidente desse cidadão comum francês, ele dir-me-á que a desvalorização do euro afecta por demais os negócios da “Airbus”. ("Je sais qu'un cêntime!...")
Portanto, não convém desvalorizar o euro, e toda a lógica do cidadão comum francês está errada. Abreviando, o “euro” serve para as grandes empresas europeias, mas não serve para o cidadão comum. Não se pode desvalorizar o euro, porque não é “moeda de conjunto”, mas “moeda parcelar” destas grandes empresas.
3) O “euro protestante” não se concilia com o “euro católico”. Os católicos nunca souberam lidar com o dinheiro, para ir de encontro à tese de Max Weber. A lógica protestante sempre soube tirar proveito do uso do dinheiro, os outros do seu abuso, mal uso ou desperdiço.
Portanto, no euro – moeda europeia – não se mexe, não sofre impactos de economias menores, porque a lógica que impera é das “grandes empresas europeias”. Os pequenos países que se desenrasquem.
4) Apliquemos esta exemplificação a Portugal. Como cidadão normalizado da sociedade portuguesa estou sujeito a uma aplicação de 30% do meu ordenado, quando segundo a desvalorização do “euro” estaria na obrigatoriedade entre 1 a 5%. Convenhamos que esta diferença é colossal, sobretudo para milhares de portugueses!...
Conclusão:
Quem manda, não são os políticos, são as grandes empresas e os grandes sistemas económicos (quer europeus, quer outros).
Quando não existe uma “ética global nos mercados mundiais”, em que a “economia paralela” e a “economia paralela do crime” prevalecem, todos os sistemas nacionais e internacionais andam à deriva neste mundo da globalização.
O “euro protestante” e o “euro católico” parecem confirmar a velha tese de Max Weber.Os protestantes continuarão a enriquecer, enquanto os católicos perdurarão a empobrecer.
Será que o euro serve os Estados da Europa?!...
P.S. Que política dos "eurobonds" e que "Tratado Europeu"?!...
Complemente este artigo com a 2.ª e 3.ª página do jornal "Público" (26-09-2011), posterior a este tipo de ensaio.
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