Porventura, seria um privilégio ter um passaporte na mão, milagroso exibir uma "licença militar".
O "R8" acelerava na bordejante paisagem, agitado pelos seus cabelos de azeviche, qual poltro ofegante, repleto de avidez da natureza, desnorteado pelos ventos e impacto da sua beleza.
"Après toi..." era melodia cinéfila e marinha
que escondia penedos salgados em plena via.
O batente do portal estremecera com o aviso da GNR, suavemente associado à amizade que é sal da vida. O oficial da Justiça relembrava apuramento e formatura, depois de o "hospital militar" declarar aptidão e candidatura.
Tanto telefone e zelo dava em fartura;
o medo e alvoroço escondiam esconjura.
Mas o Outono pardacento
acenava com novo vento.
A folha branca dobrada no passaporte timbrou-se à sua volta,
deixando um poltro à solta.
"Après toi..." Outono cinzento e punjente
Abril surgiu, libertou a gente
e, o grão de areia eclodiu sobrevivente!...
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sábado, 17 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Episódios de Viking Gunderedo.3
De igual modo, ao traçamos um percurso inicial de Viking Gunderedo que se situa entre a lenda e o real, entre o mito e a história, reentrámos numa certa aparência, ou, realidade.Embora, muitas das nossas conclusões estejam sustentadas numa análise cronológica de cronistas, cujas referências são, por vezes, vagas e difusas. Porém, antes do possível percurso de Viking Gunderedo, gizemos uma breve antinomia entre a expansão viking e o mundo católico do Noroeste Peninsular, e, também do Norte da Europa.
Estes eram os “pagãos do Norte”, cujas incursões, desencadeadas bruscamente cerca do ano 800, durante perto século e meio, fizeram gemer o Ocidente. Inicialmente ligados pelo comércio, rapidamente compreenderam que os métodos de extorsão se revelavam mais vantajosos.Os vigias que, então, no litoral, ao perscrutarem com os olhos o alto-mar, estremeciam à ideia de descobrirem as proas dos barcos inimigos. E, os monges, ocupados nos seus "scriptoria" com a anotação das pilhagens, estremeciam com possíveis investidas. Os monges dedicados ao trabalho e oração desconheciam esta ferocidade comercial.
As antinomias entre mundo católico, ou seja, o antigo Reino Galaico-Suevo, (cujas comarcas detinham vários mosteiros e conventos, fundados por São Frutuoso, na célebre “Via XIX”, estrada romana entre Braga e Lugo), e, a mundividência viking originará confrontos e colisões de extraordinária repercussão.
(.../...)
Episódios de Viking Gunderedo.2

«Os nomes das localidades são, sem dúvida, o que reflecte melhor a evolução histórica e social de uma população. Portanto, eles são particularmente preciosos, e, o seu estudo é de um interesse considerável. Nos países célticos, os topónimos de origem nórdica ilustram perfeitamente a chegada dos Escandinavos, eles permitem limitar as zonas e a intensidade da sua implantação, definir as suas relações com a população local. É evidente que os dados variam, sobremaneira, de um país para outro, à imagem daquilo que encontrámos no domínio linguístico» (1)
Contrariamente a um grande número de aldeias que na Grã-Bretanha, tal como ao redor do rio Sena, em França, se designam por um substantivo composto, cujo primeiro termo é um nome de homem de origem escandinávia, a região do Norte da Galiza esconjura esta tradição, afastando-se de ecos e repercussões, de cujos feitos se colocaram nos antípodas das suas memórias ou recordações. Aliás, esta contradição em relação à Galiza meridional, onde perdura como marco histórico Viking Gunderedo, repercute lutas e alianças que historicamente ainda permanecem numa certa obscuridade.
A toponímia relança-nos para a eponímia: e, o epónimo reflecte um personagem real ou lendário, entre os Gregos, de quem uma cidade adoptava o seu nome, tal como Gondarém o fez de Gunderedo.
Contrariamente a um grande número de aldeias que na Grã-Bretanha, tal como ao redor do rio Sena, em França, se designam por um substantivo composto, cujo primeiro termo é um nome de homem de origem escandinávia, a região do Norte da Galiza esconjura esta tradição, afastando-se de ecos e repercussões, de cujos feitos se colocaram nos antípodas das suas memórias ou recordações. Aliás, esta contradição em relação à Galiza meridional, onde perdura como marco histórico Viking Gunderedo, repercute lutas e alianças que historicamente ainda permanecem numa certa obscuridade.
A toponímia relança-nos para a eponímia: e, o epónimo reflecte um personagem real ou lendário, entre os Gregos, de quem uma cidade adoptava o seu nome, tal como Gondarém o fez de Gunderedo.
(1)Rucquoi, Adeline - "História Medieval da Península Ibérica", Editorial Estampa
Episódios de Viking Gunderedo.1

GÉNESE E FEITOS DE VIKING GUNDEREDO
Ainda que as nossas fontes sejam omissas relativamente à origem de Viking Gunderedo, cuja repercussão histórica reluz somente nos célebres ataques à cidade de Compostela, por volta dos anos de 970, e, à toponímia de uma localidade do rio Minho que o preserva em sua memória; apesar de todas estas circunstâncias, delineámos um projecto de reconstrução, que através de uma rota de navegação determina o ressurgimento de um contingente de forças guerreiras, cuja liderança revela a emergência deste personagem, assaz contraditório e relevante.
Viking Gunderedo, fazendo jus à sua toponímia, emerge como figura histórica, que embora a sua génese e genealogia se perca nos meandros obscuros das invasões vikings ao Noroeste Peninsular, impõe-se pela sua ousadia nos históricos ataques à Galiza do Norte, segundo relata, esporadicamente, o “Crónicón Iriense”, ou melhor dizendo, a “História Compostelana”.
Aliás, será por causa da sua toponímia, talvez a única via inicial de acesso à investigação deste personagem, que delineámos um percurso repleto de intrincáveis relações históricas e sociais, cujos nebulosos contornos nos deixaram, por vezes, ansiosos. Todavia, humildemente, seguimos a orientação de quem ousou lançar-se em tarefas similares.
Ainda que as nossas fontes sejam omissas relativamente à origem de Viking Gunderedo, cuja repercussão histórica reluz somente nos célebres ataques à cidade de Compostela, por volta dos anos de 970, e, à toponímia de uma localidade do rio Minho que o preserva em sua memória; apesar de todas estas circunstâncias, delineámos um projecto de reconstrução, que através de uma rota de navegação determina o ressurgimento de um contingente de forças guerreiras, cuja liderança revela a emergência deste personagem, assaz contraditório e relevante.
Viking Gunderedo, fazendo jus à sua toponímia, emerge como figura histórica, que embora a sua génese e genealogia se perca nos meandros obscuros das invasões vikings ao Noroeste Peninsular, impõe-se pela sua ousadia nos históricos ataques à Galiza do Norte, segundo relata, esporadicamente, o “Crónicón Iriense”, ou melhor dizendo, a “História Compostelana”.
Aliás, será por causa da sua toponímia, talvez a única via inicial de acesso à investigação deste personagem, que delineámos um percurso repleto de intrincáveis relações históricas e sociais, cujos nebulosos contornos nos deixaram, por vezes, ansiosos. Todavia, humildemente, seguimos a orientação de quem ousou lançar-se em tarefas similares.
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domingo, 11 de janeiro de 2009
Episódios da Raia.6
Espelhava-se a noite tranquila e afável nas amenas águas do rio, serpenteada por penumbras e luzes que reluziam em intervalos intermitentes.
Um raio de luz estendia-se num reflexo cambiante advindo de um pequeno bar instalado à beira-rio, somente agitado por uma leve cantoria.
Surpreendentemente, o quadro bucólico agita-se pela rápida intervenção de audazes "carabineiros". Rapidamente nos é exigida a identificação.
Os laços de amizade desconhecem fronteiras, e, o barco permanecia impávido e sereno, beijando as areias da encantada Galiza, sequiosa ainda dos ventos frescos da democracia.
Alguém retorquiu, ultrapassando, quiçás, a típica acção psicológica dos "policiais".
O questionamento não ultrapassou a figura paternal, já que embora algemado se invocou o "governo civil" de Pontevedra para tais procedimentos. O esboço de um acto violento esmoreceu numa acção de benevolência. E, o barco que beijava a Galiza pressagiava o alvoroço de tal desavença e alegremente nos transportou para terra de nossa pertença.
Um raio de luz estendia-se num reflexo cambiante advindo de um pequeno bar instalado à beira-rio, somente agitado por uma leve cantoria.
Surpreendentemente, o quadro bucólico agita-se pela rápida intervenção de audazes "carabineiros". Rapidamente nos é exigida a identificação.
Os laços de amizade desconhecem fronteiras, e, o barco permanecia impávido e sereno, beijando as areias da encantada Galiza, sequiosa ainda dos ventos frescos da democracia.
Alguém retorquiu, ultrapassando, quiçás, a típica acção psicológica dos "policiais".
O questionamento não ultrapassou a figura paternal, já que embora algemado se invocou o "governo civil" de Pontevedra para tais procedimentos. O esboço de um acto violento esmoreceu numa acção de benevolência. E, o barco que beijava a Galiza pressagiava o alvoroço de tal desavença e alegremente nos transportou para terra de nossa pertença.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Episódios da Raia.5
Ainda estava fresco o óbito paternal, quando surge o alerta de uma entrevista com um secretário de Estado. Recordava-me da saudação carinhosa na "Estufa-Fria", em Lisboa, e, de uma missiva enviada acerca de uma possível estruturação em certos serviços. A marcação de tal encontro divagou entre a "agenda particular" e a "agenda oficial".
Da fronteira até Lisboa, a viagem decorreu num ápice de tempo.
Face ao meu descontamento com as mais variadas peripécias pessoais, estendeu-se um vago convite para uma incerta missão. Entretanto, relembrei uma tal missiva enviada para tão digno signatário, cuja existência se evacuou em total ausência.
Por simples coincidência, surge na impressa portuguesa que dois funcionários são enviados para
para uma digna auscultação em serviços idênticos em França e na Itália.
Cabe-me acrescentar que a insuficiência de dados se esfumou, na seguinte frase:
"Nós, o governo!..."
Da fronteira até Lisboa, a viagem decorreu num ápice de tempo.
Face ao meu descontamento com as mais variadas peripécias pessoais, estendeu-se um vago convite para uma incerta missão. Entretanto, relembrei uma tal missiva enviada para tão digno signatário, cuja existência se evacuou em total ausência.
Por simples coincidência, surge na impressa portuguesa que dois funcionários são enviados para
para uma digna auscultação em serviços idênticos em França e na Itália.
Cabe-me acrescentar que a insuficiência de dados se esfumou, na seguinte frase:
"Nós, o governo!..."
Episódios da Raia.4
Perplexo, o oficial da alfândega observava a estranha mercadoria na bagageira do carro, que se estendia por demais espaço. O trâfico estava longe de qualquer para-choques prateado, ou, de qualquer tipo de artigo de contrabando. O "renault 5", cor de vinho, regorgitava de livros e mais livros, ferramenta essencial de qualquer forma de labor. Após, breve hesitação, exclamou:
- "É, para bem, da cultura, não é?!...", retorquiu, o oficial.
Após um ano de leccionação, o auxílio de tão precioso material tornava-se imprescindível a tal função. Todavia, ainda me recordava de questionar um colega sobre o programa da respectiva matéria. Rapidamente, respondeu:
-"Não há programa". Com grande surpresa, anui:
- "Já que não há programa, irei implementar uma nova planificação".
Não foram precisos muitos dias para receber uma repreensão sobre o desconhecimento de tal programa. Qual é o meu espanto ao verificar, que tal planificação não era mais que uma fiel cópia do programa que implementei!...
Adeus, Valença, fronteira de Tui.
Obs:
a)Mudei de escola.
b)Como algum iluminado encarregado de "educação" estivesse preocupado com o programa, nessa época!....
c)Não fosse tal personagem um activista partidário!... (Advinhem qual o partido?...)
- "É, para bem, da cultura, não é?!...", retorquiu, o oficial.
Após um ano de leccionação, o auxílio de tão precioso material tornava-se imprescindível a tal função. Todavia, ainda me recordava de questionar um colega sobre o programa da respectiva matéria. Rapidamente, respondeu:
-"Não há programa". Com grande surpresa, anui:
- "Já que não há programa, irei implementar uma nova planificação".
Não foram precisos muitos dias para receber uma repreensão sobre o desconhecimento de tal programa. Qual é o meu espanto ao verificar, que tal planificação não era mais que uma fiel cópia do programa que implementei!...
Adeus, Valença, fronteira de Tui.
Obs:
a)Mudei de escola.
b)Como algum iluminado encarregado de "educação" estivesse preocupado com o programa, nessa época!....
c)Não fosse tal personagem um activista partidário!... (Advinhem qual o partido?...)
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