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domingo, 8 de dezembro de 2019

EUROPOLITIQUE: O "cura mais sexy de Portugal" pela "Voz da Galiza"

Padre Ricardo Esteves é sex symbol na paróquia

As portas abertas foram o seu refúgio, quando uma voz galega acordou o "solitário navegante", dentro do seu 2 CV. O rio era a margem da diferença das vozes e dos anseios. Cheio de sono, somente o banco de trás se ressentiu do alívio e desconforto de uma noite mal passada. O susto ou o medo foram reconfortados pela voz amiga, que imediatamente estendeu a sua mão paternal, e convidou o intruso para tomar o pequeno-almoço na sua casa.

A Galiza foi o abrigo e refúgio daqueles que fugiam para outras paragens. De forma que as pessoas da fronteira estavam habituadas a estes incidentes. Mas, aquele gesto acolhedor e amigo sempre permaneceu em nossa memória. Tal como a acolhedora capital portuguesa foi com esses aguadeiros galegos que se tornaram comerciantes e alguns milionários. Trabalhadores como os emigrantes portugueses dispunham de uma qualidade acrescida, ou seja: o “talento para o negócio”.

Mas, a Galiza parece que está a descobrir um talento de origem católica, elevando um padre português ao estrelato de “cura mais sexy de Portugal”. Além do "Jornal de Notícias", por duas vezes, o “Correio da Manhã” publicitou  as qualidades do dito cura, sobre quem a “Voz da Galiza” tece elogios e louvores.  Tal como Lisboa foi acolhedora para com os galegos, desta vez são as suas "rias baixas" que se enternecem com um "cura" português.

Não é o tempo das abadias, (com cinco paróquias de Valença: Taião, Sanfins, Boivão, Gondomil e Gandra), o "cura" Ricardo Esteves, "padre motard", de 36 anos de idade, arrisca-se a ter muitas romarias. 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

EUROPOLITIQUE: O ferro oxida nas estradas do Sudoeste Alentejano

O primeiro Rolls-Royce estacionou em Santiago do Cacém

Quando o conde Avillez atropelou um burro, em Palmela, não tinha seguro para a “geringonça” que conduzia, mas já rodava a 15 quilómetros horas. A máquina se não assustava os homens afugentava os burros. Morreu o jumento com um “coice no ar”, e, o conde teve de compensar o seu dono por tão grande prejuízo. Hoje, o seguro automóvel é obrigatório. E, por isso, o Estado retira impostos dessa obrigação, às seguradoras. Mas, isto é o início de um labirinto de impostos no sector automóvel. Depois, temos o “ISP” imposto sobre os produtos petrolíferos, o “ISV” imposto sobre veículos, e ainda o ”IUC” imposto único de circulação, fora as benesses que o Estado recebe das oficinas de automóveis, das multas e das cartas de condução. Quer dizer, se o Estado arrecadou, por exemplo, 4.025 milhões de euros, nos primeiros dez meses do ano, cabe ao leitor escolher uma tabela de percentagem afim destes valores para engrandecer o extenso pecúlio estatal.


Ainda que o conde d’Avillez não tivesse “carta de condução”, a sua introdução acontece no local da sua morada. Como latifundiário, certamente que podia alojar o primeiro Rolls-Royce, que se albergou nesta localidade. Mas, se o jumento foi atropelado faz lembrar que, nesse tempo, as vias, caminhos ou vielas por onde passou o conde d’Avillez, careciam de um cornetim para anunciar a sua passagem. Entre Beja e Sines instalou-se a pasmaceira na rodovia. Somente os ferros não resistem à oxidação, como os campos “não choram” por efeito do seu corte e da erosão. O cornetim da paragem destas obras rodoviárias, apesar de soar, de vez em quando, ainda não conseguiu alertar as altas esferas do “pecúlio estatal”. Isto, quer dizer, se os portugueses pagam impostos sobre os carros, devem ter estradas condizentes com as suas necessidades.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

EUROPOLITIQUE: O PISA e os 10% na agricultura francesa e os 10% na educação em Portugal

A transformação das pocilgas pelo Mestre de Cantaria José Abreu

A sigla inglesa PISA – (Program in International Student Assessment) ( Programa Internacional sobre Avaliação Estudantil), - 2018 -  destaca que o resultados dos alunos portugueses na avaliação das competências sobre leitura, matemática e ciências atingiu um nível acima da média nos países da OCDE. Pelo menos, situa-se a um nível satisfatório, sobretudo no Sudoeste Alentejano que atinge um nível razoável. Longe das querelas dos direitos dos alunos e professores, do impacto da burocracia, do sistema de autoridade e das relações comunitárias, do ensino-aprendizagem, das pedagogias diferenciadas e do ensino centrado sobre o aluno, existe uma coordenada que nos chamou a atenção:

Apenas 10% dos alunos mais pobres conseguem atingir o topo do desempenho escolar, quer dizer, estar entre os melhores, e consequentemente terem grandes hipóteses de entrar no ensino universitário ou superior.

Nos anos 70, a radiografia sociológica francesa chegava à seguinte conclusão. Somente 10% dos filhos dos agricultores franceses prosseguiam os seus estudos superiores ou universitários.

Claro que os agricultores franceses não se assemelham aos seus colegas americanos, mas também não se podem reduzir ao sector da pobreza. Como alguém diz, não é o fator da pobreza que somente limita o chamado “elevador social”. Existem outros obstáculos que convém decifrar neste processo do ensino/aprendizagem. Para os mais otimistas ficam estas palavras:


«A Educação dos Estados Unidos já está em muito má forma. Não temos visto os progressos desejados. Em Portugal, tendo em conta o contexto económico dos últimos 10 anos, podemos dizer que o país fez um milagre. Nos Estados Unidos têm todo o dinheiro que se imagine e os resultados em matemática são piores do que os portugueses. A livre escolha dificilmente será a resposta para todos os problemas, mas de que o sistema de escolas dos Estados Unidos precisa de uma reforma significativa, não há dúvida».

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

EUROPOLITIQUE: As façanhas do Conde Avillez num rali a 15 quilometros à hora (De Cacilhas a Santiago do Cacém em três dias)


O Mestre de Cantaria José Abreu

A grande asneira

do burro

foi dar um coice no ar.

Bateu com a cabeça nos ferros

do luso automóvel Panhard.

De Cacilhas a Palmela, 

no primeiro dia de andar,

asno morreu

com grande pena e azar.

Os ecos de tal façanha

correm vales e montes além,

por culpa de um conde,  

que, ao terceiro dia,

descansou

em Santiago do Cacém.

Comprou o primeiro carro

desta terra 

dita lusitana.

E, para a história do coice

estreia-se, por aqui, um Rolls Royce,

e uma carta de condução,

pioneira de uma nação.


A história do conde e deste jumento

requerem real e salutar documento.




 

sábado, 30 de novembro de 2019

EUROPOLITIQUE: O primeiro automóvel em Portugal e os "carrros de luxo (de 1 unidade aos 5 milhões)


Atropelou um burro a 15 quilómetros à hora, o primeiro carro que entrou pelas rudimentares estradas de Portugal, em direção a Santiago do Cacém, conduzido por D. Jorge d’Avillez , corria o ano de 1895, aos 11 de Outubro.
A “besta negra” tinha custado a módica quantia de 3.500 francos,demorou três dias a chegar à encosta do castelo, e a sua marca era “Panhard & Levassor”, de origem francesa.
Eram as primeiras viaturas a serem comercializadas, ainda sem a quinta roda, ou seja, o guiador ou “adorável volante”.
Portanto, em Portugal, 5 anos antes do fim do século XIX, a grandiosa época da industrialização atingia o seu apogeu com o lançamento de um artefacto, instrumento ou “brinquedo” que mais deliciou todo o século XX – o automóvel.
Meio de transporte, meio de lazer, a sua exibição sempre foi apanágio de riqueza, bem-estar ou trabalho.
Portanto, nesta pioneira caminhada, desde a alfândega de Lisboa até à verde encosta do altaneiro castelo de Santiago do Cacém, a fumegante viatura teve um mecânico de serviço e José Benedito Hidalgo Vilhena na companhia do quarto conde dos Avillez, que se tornaria figura emblemática da primeira carta de condução.
Ora, se o conde Avillez deu aproximadamente 115.000 euros pelo seu primeiro carro, nada menos de 28.354 “marcas de luxo” povoam o território português nas suas brilhantes insígnias da indústria automóvel, como: Porsche, Jaguar, Ferrari, Maserati, Aston Martin e Bentley, segundo relata o Jornal Expresso de 30.11.2019. E, nada menos de 5 milhões de veículos formam a frota total portuguesa, que compra num ano, aquilo que o Brasil compra num mês.
Mas, o primeiro Rolls Royce, sem mortalmente atropelar um burro em Palmela, e sem demorar três dias desde Cacilhas, entrou também no concelho de Santiago do Cacém. Portanto, dois carros e uma "carta de condução" preenchem esta trilogia automobilística que engrandece esta localidade, que dizem deixou fugir o projecto de uma "fábrica da Ford".


Portanto, no espaço de 100 anos, Portugal passou de uma unidade para 5 milhões de unidades de automóveis, que carecem ainda de um condutor ou guiador. E, a média de um normal e bom “carro de luxo” aproxima-se da quantia do famoso conde D’Avillez.










terça-feira, 26 de novembro de 2019

EUROCENTRISMO: "Rasgar as vestes" ao entrar na Capital

  • A visão romântica de uma África paradisíaca, de ordem e progresso, repleta de modernidade, em que reinava uma suposta harmonia entre brancos e africanos, perdurou durante anos na mentalidade discursiva de alguns portugueses, que foram obrigados a deixar aqueles territórios.

Tornava-se difícil confrontar duas perspetivas opostas e divergentes: a europeia e a africana. Uma que defendia a aproximação à Europa, (quando se apercebia que o regime estava apodrecido); e, a outra que “chorava de saudade” por um paraíso perdido, repleto de sol e bem-estar.

Aqueles que, apesar do sofrimento, foram embalados pela “canção é uma arma” não compreendiam estas divergências ou paradoxos. Aliás, quase um obstáculo epistemológico emergia desta perceção africana, cujo porvir seria o caos e a destruição, para não dizer, o inferno.

A estrada n.º 1 de Moçambique demonstrava, através das suas ruínas, aquilo que tinha sido um entreposto comercial, intercâmbio de comércio local, plantado em plena natureza do seu percurso, para não dizer, mato. À desolação visual do entreposto juntava-se a companhia de uma “teenager” que chegando à sua capital cobriu-se com uma roupa de segunda, (gasta e utilizada), já que a primeira a tornava demasiado vistosa para ser exibida em Maputo.


No tempo da “antiga senhora” não se podia entrar descalço na vila, já que se pagava imposto, de onde eram oriundos muitos desses portugueses emigrados. Mas, entrar na capital de um país, sem ser notada e disfarçada nas suas vestimentas, vindo de uma pequena vila de Moçambique para a sua capital, era sinal de que "se não te desnudas", deves vestir mal.   

domingo, 24 de novembro de 2019

EUROPOLITIQUE: A gravilha dos pequenos seixos e sua harmonia



A gravilha sonora ecoava sob os passos nas terras de Vila Morena. Relembrava-se o poder da marcha firme sobre os pequenos seixos, em que a gravilha se tornara canção da madrugada. E, o balanço do andamento dos passos entoava “Grândola, vila morena, terra de fraternidade”.  

                         A prece era pequena, a igreja -  também:


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 “A canção é uma arma"

É palavra que desarma...

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“A canção é uma arma”

De quem luta e clama

Por um ideal que chama

O amor que se incarna.

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“A canção é uma arma”.

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Obs. McLuhan chegava a Paris e lamentava-se da pequenez da viatura, ao mesmo tempo que anunciava que: "a mensagem é o meio". Por isso, aqui fica um testemunho da mensagem de outras mensagens.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...