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domingo, 3 de novembro de 2019

EUROPOLITIQUE: No dia dos Finados, ou, 02 de Novembro.

Este “clin d’oeil” que nos permite dizer que estamos vivos, ou, esta “janela aberta para o mundo” que é a nossa existência, enquanto sujeito dos objetos que nos circundam, e, que nos permite afirmar que o mundo existe hoje e amanhã não sei, realça o nosso pensamento sobre a nossa finitude. Um dos meus amigos contratou uma agência funerária com “passaporte para o além” com tudo pago. O local da sepultura encontra-se engalanado, mas ainda não chegou o dia do finado. Nesta altura deve estar um pouco esquecido da fatura, que não sei se tem iva, já que foi paga no estrangeiro. Claro que ele estava atento à qualidade e duração da vida, mas nunca se sabe como age a violência da natureza, e contra ela resta-nos o tal “clin d’oeil” que era a sigla do “instante” em Kierkegaard; com cujo anúncio testemunhou a sua própria morte.  Agarrado ao “instante” panfleto ou jornal, expressão de uma “adeus existencialista”, esta atitude permanece como sinónimo da notícia ou do anúncio de que também estamos vivos ou não, ou, que a vida preenche cada momento. “My pain” era a experiência única e individual de Wittgenstein acerca da dor, do sofrimento na sua própria dimensão emocional. E, a morte acarreta este adeus, este momento "dolorido", esta experiência do instante final que nos resta, sendo a morte única. É o momento de passagem para o crente, é o fim da linha para o descrente, é a saudade para o amigo ou para o familiar.                                                    

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: São Bento de Seixas e o seu Padre SEXY na pastoral do Correio da Manhã (35)

Padre Ricardo Esteves é sex symbol na paróquia


“Então como é que vou à praia? Vou de batina?”. Foi a resposta pronta do padre Ricardo Esteves a Manuel Luís Goucha quando o apresentador lhe disse – em tom brincalhão – que se tinha “posto a jeito” após ter tirado uma foto em tronco nu à beira-mar.


Frente à dupla notícia, aliás, em dias diferentes, publicitada pelo “Le Parisien Libéré” português, ou seja, o C.M. , comentava-se o seguinte: «mas a manchete (texto + foto) mais interessante para noviças e freiras mal amadas é o Padre Sexy de Seixas que já leva duas páginas de anúncio eclesiástico».

«Do you play football? - Yes. I do.»


Nenhuma palavra para o seu múnus eclesiástico, para a sua pastoral, para a sua missão catequética entre os fiéis, ou, conterrâneos. Algum castigo ou anátema caiu sobre o Padre Sexy de Seixas do Minho, que não sendo nenhum monge nem frade do antanho “ora et labora” desta antiga, fértil e agrícola abadia, se tornou objeto estético da humana vaidade que atrai olhares sensitivos de camuflada voragem. E, nesta, voracidade da notícia, simplesmente mundana e eivada de sortilégios carnosos, evidencia-se à saciedade que a humanidade está distante da divindade, do seu sopro, da sua convivência, da sua salutar comunicação. Ao arauto do divino, do simples pastoreio do seu rebanho acrescenta-se a multitude das ovelhas sem destino, ("a multidão é a mentira", segundo S. Kierkegaard), que carecem de um sentido e que precisam de um caminho. 

Um caminho ou uma senda que oriente, também, os propósitos e objetivos do Correio da Manhã, deixando a negritude da notícia, para os princípios de qualquer salutar conexão ou religião, na expressão e na jovialidade de qualquer cristão convertido na sua ação, que queira exercer o seu múnus sacerdotal

(Posteriormente na TVI) .

“Então como é que vou à praia? Vou de batina?”. Foi a resposta pronta do padre Ricardo Esteves a Manuel Luís Goucha quando o apresentador lhe disse – em tom brincalhão – que se tinha “posto a jeito” após ter tirado uma foto em tronco nu à beira-mar.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: A noção de propriedade no desenvolvimento da infância e no contexto familiar

Segundo certos autores “não nascemos com um conhecimento de propriedade”.                                                                                 Portanto, é na infância que nos identificamos ou inculcamos (introjetamos), no que consiste a propriedade. Mas existe uma diferença entre identificação e introjeção.    
                                    A identificação conduz aos princípios voluntários de aceitação, (neste caso, em que é a propriedade), na qual se desenvolvem comportamentos de “cidadão cumpridor da lei”, aceitação pela sociedade e reconhecimento social. 
Embora ostensivamente estas análises corroborem a teoria psicanalítica, encontramos perspectivas interessantes.              
Já dizia Aristóteles, “o homem é uma animal racional, social e político”. Portanto, viver em sociedade, é viver na pólis, é aceitar pagar impostos, tendo como lema que, qualquer senhor  é proprietário.                                                                           
 A introjeção, ou, simplesmente, a inculcação destes valores conduz a um processo em que a criança, sobretudo antes dos 5 anos, é incapaz de perceber um princípio, regra ou lei, quedando-se num estado em que não perceciona as consequências daquilo que lhe pertence ou não, presentemente ou até num futuro próximo.             As noções de propriedade agudizam-se no contexto familiar de uma forma que parece que as pessoas retornam à sua infância. Além do lado afetivo e sentimental dados às coisas ou à propriedade, existe quase como um regresso às origens, ao seio maternal, em que o sentido de pertença gera conflitos.              
 Se, “os valores são as regras que usamos para decidir o certo e errado, o bom e o mau, o que é real e verdadeiro” porque, então, temos dificuldade em distinguir o que é o roubo do que é a propriedade, no contexto familiar? Ou, ainda, por que confundimos as partes com o todo, o todo e as suas quotas, os direitos com deveres e vice-versa, ou, a diferença dos seus atores  com  valores que lhes são contraditórios?                            
Será um retorno à infância, ou, será a pura ganância?

sábado, 26 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: O Grande Mestre da Cantaria na Quinta do Outeiral - freguesia de Gondarém -VNC. (Cantaria = pedra talhada para colocação em obra)

Autoria do Grande Mestre de Cantaria José Abreu

«"Pedra"!... é comigo», dizia-me o jovem e inocente pedreiro na sua sabedoria, longe do mestre, no tempo e na arte da cantaria: 

O último “canteiro” de régua, lápis e esquadro que desenhava e esculpia as lindas fachadas, portões, vasos e fontes da bela Quinta do Outeiral desapareceu de forma incógnita, cujo nome recordámos como José Abreu. Era o chefe dos pedreiros que diligentemente embelezavam os cantos e formas graníticas desta propriedade. Pertencia ao grupo de agnósticos que liam os jornais que o comboio trazia para as suaves encostas desta freguesia. E, se não bastassem as notícias que chegavam, refrescavam-se com uma viagem até à capital para actualização dos mais recentes acontecimentos. Este grupo de agnósticos era marginalizado como bando de ateus, a quem o chefe religioso negava os seus ofícios. Mas, a arte ou ofício de cinzel e martelo endureciam as mãos calejadas deste "mestre da cantaria", que ainda que não fosse escultor ou artista, era artesão de mão firme, cujos pergaminhos se encrustavam no desenho e na pedra, que se revelam nas suas linhas e formas exteriores. 

Se, quase de metade das obras de cantaria, não passaram pelas mãos e crivo deste artesão, autêntico mestre da cantaria,  é por que não é possível dar um nome ou batizar todos os seus objetos estéticos, que sendo de pedra ilustram e enobrecem este local, em cujo traço permanece incógnito. José Abreu continua aberto no nosso céu e firmamento; por isso, lhe dedicamos este singelo documento.

Se os egípcios foram os grandes mestres na técnica e na arte da cantaria com os seus túmulos e pirâmides, os romanos não deixaram por mãos alheias a orgânica e regularização do ofício de “mestre canteiro”, de cuja língua lhe provém a sua etimologia. A cantaria enquanto arte e ofício manual entrou em declínio dos anos 60 a 70 do século XX. A cantaria portuguesa expandiu-se por terras brasileiras deixando autênticas obras de arte, sobretudo em Ouro Preto. Perdurou durante os anos 30 a 50 deste século, mas os autênticos mestres da cantaria, desde a pedreira até à oficina da pedra, estavam em via de extinção. Como afirma Luísa Martins “"na essência da cantaria está muita da simbologia maçónica, como o esquadro, o compasso, porque a filosofia da pedra significa que perdura nos tempos e que é pura”. Ou seja, o desejo de construir para a eternidade é marca do “mestre da cantaria”. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: Adeus às buganvílias de Casablanca

As seis cores da buganvília coloriam a branca parede da vivenda, que se escondia na recatada rua de Casablanca.

Brilhavam ao sol as suas cores, como acenando uma despedida de intrusos olhares, que ousavam penetrar nas suas folhas e nas suas escondidas raízes.

O muro opaco ocultava a seiva que emergia na placidez colorida das suas cores. Cores de um espesso arco-íris que defraudado se espraiava sobre o fino muro branco, devoluto na brancura das suas paredes.

Acenando de longe aos transeuntes tinha o mar na sua placidez, fugindo ao alcance de qualquer fantasia.

Somente qualquer abelha incendiava o seu perfume derramado na brisa marítima.

A maresia acalentava mais a cor que o cheiro, porque o escasso odor não tinha o brilho desta flor.

Era reluzente, ardente e quente a cor da buganvília que floria naquele dia, e docemente acenava a quem partia.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: A moeda da doutrina no ensinamento religioso

         

Consta-se, que com certa angústia e humilde sabedoria, cogitava Santo Agostinho sobre o mistério da Santíssima Trindade, em quentes praias africanas, quando um anjo lhe apareceu, dizendo. 

Como podes desvendar esse divino mistério, que é como um grão de areia na imensidão do areal, que te cerca e no qual te movimentas?                                                                                       Num pequeno local ensinava-se as primeiras letras da catequese, quando repentinamente irrompe pela pequena sala o encarregado da sua lecionação, questionando os pequenos discípulos deste religioso ensinamento.                 Quantas pessoas têm a Santíssima Trindade? Se não eram três: Pai,  Filho e Espírito Santo, nem era nenhuma trindade, ou, alguma dualidade, era uma estalada de qualidade no infeliz aprendiz, que não sabendo o que diz, ficava surdo e quieto, com o esvoaçar de tão bendita palmada. 

E, no fim da sabatina, o personagem de batina, exibia  como moeda de recompensa, por cada resposta errada, o seu devido e respectivo valor.                                                                 Exemplar ensinamento de doutrina, cujo palavra sacramentada livrava qualquer jumento de "futuro cruzamento". Mas, se a moeda tilintava como troca de mercadoria e sabedoria aos soldados, que partiam para o ultramar, a nota reluzente de 50 escudos era um dever de retorno ao seu dador. Nunca o dinheiro foi a sua ambição, mas nunca descurou a sua importância, desde cedo e desde criança!...

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

EUROPOLITIQUE: Por terras cerveirenses à procura do Veado

Tornou-se na mascote de VNC, o veado do escultor José Rodrigues, que fugindo da palanca angolana, encontrou guarida em terras cerveirenses.
Quis o destino, que a Bienal de Arte e seus iniciadores plantassem pelas montanhas, paredes e espaços adjacentes as obras primas que os enobrecem.
Se, era terra de veados, ou, era terra dos "Cerveira", que de Coimbra emergiram para defesa da sua autonomia,  o símbolo do corso de VNC, acrónimo de Vila Nova de Cerveira, sobressai ostensivamente na paisagem minhota. 
A sabedoria popular condoía-se com o faminto veado vociferando, por vezes, com certa raiva de "vai dar de comer ao veado", como sinal de primeiro cérebro natural ao qual esteticamente se acrescenta, superiormente, a mente humana na sua estética, como obra de arte. Por isso, emana da força do símbolo mais do que dos "cornos do veado", a motivação que orienta esta pequena e grande população: 
"o veado é meu, 
é meu, de coração, 
por isso, te dou
esta recordação."



EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...