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domingo, 26 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: AZEITE - Um negócio das Arábias, pouco explícito no jornal EXPRESSO

A Espanha entrou em conflito com os USA, melhor dito Califórnia, por causa da exportação da azeitona, um negócio da ordem dos 80 milhões de euros de exportação.

Em Portugal, segundo dados da “Casa do Azeite” os produtores deste "óleo benfazejo” esperam atingir as 100 mil toneladas, mas Portugal tem de comprar lá fora outras 100 mil toneladas. Neste sentido, ficámos a zero da equação. (Expresso)

Ora, se Portugal exporta, nada menos, de 140 mil toneladas, (com um crescimento da ordem dos 5% a 10%), e, consome, internamente, mais de 70 mil toneladas, a equação começa a ganhar algum sentido.

O regadio do Alqueva tornou-se responsável de um crescimento da ordem dos 45%, (Expresso) prometendo avançar mais, cuja produção, no ano de 2015, se situaria, por hipótese, nas 80.000 toneladas; quer dizer, practicamente, o Alentejo abastece o País de azeite; ainda que, a estatística aponte para 69 mil toneladas registadas no ano de 2016 a 2017. O fluxo do azeite escorrega com as estatísticas, de tal forma que a exportação ascende a 123 mil toneladas, em 2017, quando era de 129,6 toneladas em 2015.

«A Espanha, com uma superfície calculada em 2,5 milhões de hectares, produz 1,4 milhões de toneladas de azeite, enquanto que, teoricamente, a Itália, com 1,35 milhões de hectares, somente, produz 330.000 toneladas. Portugal começa a atingir entre 120 a 130 toneladas de azeite, com 352.350 hectares». Apesar de terem ardido 8,8 mil hectares, a produção aumentou, em 2017. No negócio do azeite, os espanhóis e italianos são “especialistas”, nas suas trocas e comercialização. A qualidade nos negócios não ombreia com a qualidade do azeite português.

«Ainda que, em 2015, Portugal tenha exportado 129.600 toneladas de azeite, sendo que Espanha comprou 63.970 toneladas, ou seja, 49%  das exportações portuguesas. A produção alentejana atinge as 80.000 toneladas».

O Jornal Expresso afirma que “a produção de azeite dispara 45%”. A disparidade estatística tem a ver com o negócio do azeite que pode ser a “coqueluche” da agricultura portuguesa. Se, a Mercedes Benz é uma marca que reluz em 100% no imaginário, quando somente 10% tenham a oportunidade de alcançá-la, o negócio da azeitona, que dos 100 quilos produz 10 litros de azeite, merece a atenção de muitos portugueses, quer técnicos, exportadores e consumidores.


sábado, 25 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Seulement "LUANDEX"


Recintando a revista “Forbes” existem 6.100 milionários angolanos, entre 1 e 10 milhões de dólares; e, entre 1.000 e 10.000 milhões de dólares, nada menos, de 320 multimilionários.

Um total de quase 7.000 angolanos com grande capacidade financeira. Todavia, a lista de grandes contribuintes angolanos, em 2015, soma somente 524 cidadãos, ou, empresas. 

Claro que nestes grandes contribuintes entram empresas e milionários, que à imitação do antigo dirigente Damásio, andam de “Ferrari” ou declaram rendimentos mínimos, ou melhor dito, são capazes de dar 1 milhão de dólares ao “Glorioso” para jogar em terras angolanas, para não dizer que o “jacto particular” estava disponível para “poisar” na Luz.

A única empresa de relevo nacional e internacional, segundo um anterior ministro angolano, é a Sonangol. Claro que existem muitas empresas, a começar pelos diamantes, mas das 140.000 empresas, em 2015, surgem, com um registo, apenas 42.000; e, somente perto de 12.000 micro, pequenas e médias empresas aparecem registadas, num universo total, pouco credível, de 800.000 empresas, aliás, num País de 26 milhões de habitantes.

Angola, com um P.I.B., perto da ordem dos 102 mil milhões de dólares está longe dos 294,8 mil milhões da África do Sul, o que leva o atual Presidente de Angola, João Lourenço, a dizer que o “país do Arco-íris” tem uma economia 4 vezes superior à angolana. Não é, somente, a riqueza, é também, a sua organização, herdada do império britânico, ainda que a África do Sul, a nível da energia (electricidade, gaz e petróleo) possa depender de Angola e Moçambique.

A África do Sul, apesar das suas contradições sociais, é o “único país europeu” instalado no seu Meridional, responsável por 10% de toda a riqueza africana, que nos seus montes raianos utiliza a informática. Angola e Moçambique herdaram uma administração territorial, um sistema de finanças e conservatórias, que desprezaram, porque a terra é do Estado.   

 No tempo da “Cortina de Ferro”, os intelectuais ou cientistas russos, quando vinham a Paris eram acompanhados de um espião, mas, presentemente, quando um investigador sul-africano vai a Moçambique é acompanhado de um segurança.

O sistema social e económico angolano, quando fizer um uso correto dos meios informáticos, certamente que resolverá quase ou parte de 50% dos seus problemas, para uma maior justiça fiscal e social, numa sociedade desigual, cujo produto “per capita” ultrapassa os 4.000 dólares, por ironia e desconforto da estatística.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Um salário mínimo em Portugal

 

Um SMN português que não chega aos 600 euros, ainda que 667 euros são o índice de pobreza em França, quando o salário médio, neste País, ultrapassa os 1.600 euros. Ou seja, apela-se à convergência europeia, mas intimida-se com a recessão, já que a produtividade chinesa nos banha e ameaça pelas costas atlânticas, e, certas empresas revelam-se incapazes destes objetivos.

Um olhar pelas costas espanholas permite-nos ter mais esperança na melhoria da situação portuguesa, já que muitos analistas esquecem a realidade do nosso vizinho, para não citar, os 4.000 milhões de euros de investimento estrangeiro que batem nas costas galegas.

...

As oito comunidades espanholas que esperam superar  a média nacional, ou seja, superior a 2,5% ao ano, são: Baleares 3%, Canárias 2,9%, Castela e Leão 2,6%, Castela e La Mancha 2,7%, Galiza 2,6%, Madrid 2,7%, Navarra 2,8%, País Basco 2,9%.  Na linha da média nacional, 2,5%, estarão: Andaluzia, Múrcia e La Rioja. Por baixo da média estarão Aragão  2,4%, Extremadura 2,4%, Comunidade Valenciana 2,4% e Catalunha 2,1%, que sendo a “estrela” da companhia descerá a um nível inferior.


Os índices de Espanha, talvez, fortaleçam as expectativas portuguesas, para que, cada vez mais, a dignificação do trabalho seja uma constante da vida neste País.  

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: "Portugal é demasiado pequeno para Angola e Angola é demasiado grande para Portugal"


Certamente que os chineses estão de olho nos 5% da ARAMCO saudita, cujo valor ascende a 100 mil milhões de dólares. Dinheiro não falta ao “capitalismo de Estado” da China, cujo modelo de cooperação não interfere politicamente nos interesses da Sonangol. Contudo, se a abertura de capital desta holding se colocar no mercado, certamente que não ficarão insensíveis. Mais, insensibilidade demonstraram na construção do Caminho de Ferro de Benguela que não pode rivalizar com a recente via- férrea construída do lado do Índico. Claro que esta sensibilidade, tanto se torna evidente em trabalhadores despejados em plena selva, como, em possível grupo de prisioneiros, dedicados ao trabalho. Ou seja, pedir “alta velocidade” seria um luxo e um desperdício, exigir média velocidade seria repor nos trilhos e carris o emblemático Caminho de Ferro de Benguela.

Se, a China pode despejar “sacos de dólares” e “exportar trabalhadores” do seu sistema prisional, o primado da política submete-se ao princípio do dinheiro. “Fazer dinheiro” é o lema de Trump, mas fica com os “olhos em bico” com estes chineses. A relação da China com Angola é tão estreita e conivente que nem os portugueses conseguem suster esta aliança. Por isso, certos interesses portugueses estão dependentes do rumo, quer de Angola, quer da China. "Portugal é demasiado pequeno para Angola, e, Angola é demasiado grande para Portugal". (Esta visão periférica advém de uma perspectiva francesa). Apesar desta equação contraditória, o motor do seu desenvolvimento passa por um sentido de negatividade que envolve a cooperação portuguesa. Os críticos apelam-lha de “submissão”, os realistas de “construção negativa”. A “construção negativa” é que certos princípios dos seus valores não são “cumpridos ou levantados” diplomaticamente. A “camisa de forças” é a pujança económica que a China desenvolve, sem diplomaticamente exigir alguns valores essenciais, enquanto que a “cooperação negativa” na sua dialéctica estende, no espaço e no tempo, o seu desenvolvimento.

domingo, 19 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Olhares de angolanos e moçambicanos

Qualquer moçambique ou angolano médio tem um conceito de identidade nacional superior ao do cidadão português. Quando chegam a Portugal, o que desejam comprar ou ter, é do “bom e melhor” (os últimos telemóveis, os últimos fatos, etc...), para não citar os “afortunados” desses países, que gastam de forma superior. Quando se fazem comparações, entre a vida em Portugal e de África, só lamentam as estruturas que não têm no seu país.

Todavia, quando se fala de descontos e impostos nos seus salários, não gostam muito de comparações. (para não dizer, que os descontos, em Angola, para a Segurança Social são da ordem dos 3%).

Se, a ideia de “estado social” não está presente nas suas mentes, é porque a esperança, a crença ou a estabilidade nas suas estruturas é quase nula, quando esses países são de origem marxista, ou, socialista. A Segurança Social, quer em Angola, quer em Moçambique, é mesmo um “case study”. Ou seja, uma pirâmide social invertida ao contrário da europeia. O “capitalismo de estado” à chinesa, parece ser um paradigma para alguns afortunados do sistema. “A terra é do Estado”, não se vende, nem se compra, somente se aluga (quer em Angola, quer em Moçambique). A propriedade privada e as empresas privadas são fonte de receitas, sem elas o Estado não funciona.

“As coisas não funcionam”, ou seja, as instituições não são credíveis, a corrupção e a falência dos sistemas sociais é constante. (Se, por acaso, a Segurança Social tem fundos positivos, rapidamente se depilam em sistemas bancários, caso evidente, em Moçambique).

Quer a nível da saúde, quer a nível da educação, o “salve-se quer puder”, ou, a procura do ensino particular é uma constante deste grupo social. Mas, sem impostos, ou melhor sem receitas não pode haver sistemas sociais.

Estes dois sistemas básicos, não podem viver sem impostos, sem receitas. Nos países árabes, ricos em petróleo, as necessidades básicas são, em parte, satisfeitas pelo Estado. Este circuito de riqueza criada que se transfere das pessoas para as instituições e destas para as pessoas, somente com a credibilidade dos seus agentes pode funcionar. Ora, estes agentes estão nessa classe média emergente que tem de ser a alma e o motor da economia.

As estruturas que não têm no seu país dependem do grau de exigência, trabalho e consagração destas mentes, que em vez de se identificar com o “colarinho branco”, ou os colarinhos brancos, encontrem as raízes do seu desenvolvimento.

N.B. Propaga-se em "certo senso comum", que a falência do BES, se deve aos 4.500 milhões de dólares de uma garantia angolana. Se, o BES sofre embates, ou, dificuldades, a gota de água transbordou o copo com esta falta de garantia. (Aliás, 20% da economia portuguesa sofreu com este descalabro). Mas, apesar deste descalabro, a estrutura intermédia e social do País teve de reunir forçar para ultrapassar estas dificuldades.

EUROPOLITIQUE: CHEVRON: "Com os Americanos não se brinca..." - SONANGOL



“Por isso, a Sonangol viu agravar a sua dívida e complicar as relações com as operadoras estrangeiras. Ninguém tira o mérito de se ter conseguido baixar os custos de produção nem de outras acções ( a que preço?), mas a falta de diálogo e o excesso de burocracia estavam a pôr em perigo a saúde da “galinha de ovos de ouro”, porque há anos que não se fazem novas licitações, prospecções e com isso a produção tende a cair até pela quantidade das reservas e idade de alguns poços. E, depois, não é mesmo concebível que um dos maiores produtores africanos tenha de importar quase todos o produto refinado. 
Tratou-se, portanto, de uma medida de gestão, pura e dura, que algumas forças, apanhadas sem argumentação, procuram agora atirar para um alegado conflito político entre o Presidente da República e o líder do MPLA, fomentando um forçado braço de ferro e pseudo divisões no partido no poder. 
E nada mais eloquente do que Isabel dos Santos
....”

Este discurso do “Jornal de Angola” que confunde “esfera do Estado” com “esfera de uma empresa”, em que, por acaso, o Estado depende de uma única empresa é interessante.
(Os tais 2.000 milhões de dólares por parte da China, já estavam consagrados anteriormente pelo seu Ex-Presidente)
Enquanto que no Brasil, o território é propriedade do Estado, em Angola parece ser da Sonangol.
 Por isso, a Sonangol vende, onde quer e como quer.
E, qual é o papel do Estado? Mero recetor de alguns dividendos. Já que o Estado não tem capacidade financeira, o recurso será a Sonangol. Empresa omnipotente, que com as suas várias facetas limita o papel do Estado. Cria empresas e holdings a seu bel-prazer, como sinónimo de rentabilidade, ou melhor dito, de uma fiel clientela. Desmantelar a supra empresa, traçar os seus limites e enquadrar as suas funções é tarefa que urge concretizar para deslindar os seus novelos, as suas teias e definir a sua estratégia. Até que os esquemas implantados sejam descobertos e desfeitos levará bastante tempo, já que eles foram aperfeiçoados na sua complexidade. Gerir uma empresa, ou, um monopólio, do qual o próprio Estado depende, é tarefa hercúlea, que além da ciência financeira, exige uma ”contabilidade analítica”, que somente os mais astutos analistas financeiros terão capacidade de fazê-la.
Do êxito ou fracasso da Sonangol dependerá muito do Estado Angolano. Olhar para o futuro da Aramco saudita, talvez seja um fio de saída do novelo, do sarilho, e, do tear em que está metido o sistema angolano. 
Para além dos contornos financeiros  - papel dos especialistas -, para além dos contextos políticos, - papel dos gestores-, uma coisa é certa:
“Com os americanos não se brinca”, e desde que a Sonangol entrou em conflito aparente com a Chevron, antes e com Isabel dos Santos, o barco começou a meter água. Como é em águas angolanas, certamente que o barco não vai ao fundo, mas que mete água, lá isso é verdade.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

EUROPOLITIQUE: Dos cem dólares aos 3.000 dólares em Angola (INSS)



A ex-funcionária bancária, após dez anos de trabalho na banca, ficou toda satisfeita, quando de uma só vez, recebeu a sua reforma; enquanto que o alto funcionário público moçambicano espera ter uma aposentação superior ao seu vencimento. Estes dois exemplos  concretos e africanos, demonstram os sintomas da segurança social, não só em Moçambique, como na "gloriosa e miserável" Angola.
Em Angola, existem 12 trabalhadores para um reformado (os europeus, nem acreditam neste milagre!...). É, uma pirâmide social exponencial, que retrata uma realidade social confrangedora, no seu todo. No seu sistema de segurança social existem 1,6 milhões de "activos", que descontam para este sistema, que, "grosso modo", corresponde a menos de 10% da sua população. Quer dizer que muitas empresas e trabalhadores não descontam, com uma percentagem de 3%, bem longe dos 20% da União Europeia. Ora, os 129 mil reformados recebem entre 21.380 kwanzas e os 551 mil kwanzas.
O "Instituto Nacional de Segurança Social" (INSS), além de uma gestão precária e pouco eficiente debate-se com a falta de quadros, de uma organização eficaz, e, de providências políticas para devolver as garantias necessárias de uma "instituição vital" para os angolanos. Como é possível organizar um País, sem um sistema social que o fundamente?
Se não se começa pela base social, pela confiança no futuro, pela crença no Estado Social, ou, nas suas estruturas, onde se vai parar? (Nos 1.200 milhões de pessoas, em África, 60% da sua população tem menos de 25 anos).

N.B. Num universo de 27 milhões de angolanos, somente 1,6 milhões destes cidadãos terão direito à Segurança Social?

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...