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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Episódios angolanos.1 - "Olha o fato do morto"



O casamento de mano Joaquim Salavisa impunha uma indumentária condigna perante os mais variados convidados para gáudio da boda: festa garrida e multicolor, com sons de batuque e tambores.


A cerimónia matrimonial estava agenciada para uma pequena e verdejante quinta que Diogo Salomão, hábil comerciante, mandara reconstruir e verdejar, do seu antigo feitiço, após benzedura e aspersão, contra o espantalho de antigos mortos moradores que deambulavam mentalmente na imaginação popular. Mas desde que o ruído frenético dos tambores e batuques ecoava pelo seu verde capim e relvado, a quietude tornou-se apanágio daquele espaço, avidamente disputado para festas casamenteiras. O moderno “green” encantava e deslumbrava com o seu tom florido de acácias, palmeiras e coqueiros, tornando-se num bálsamo para os suaves e delicados pés das noivas ardentes pelo consumo de uma relação oficial.

Na sua simplicidade de recente negociante Diogo Salomão, exclamava:
“não tem preço, este doce chão”.

Ora no chão, na terra está o condimento da nossa condição.

Fortunato Salavisa engendrava um meio de representação condizente com o casamento de seu mano Joaquim, arrais de embarcação e senhor de certas posses. Por isso, sistematicamente sonhava com o velório e enterro daquele “homem branco”, rico benfeitor da terra, e, também muito admirado pelas suas gentes. Recordava-se, continuamente da sua pose hirta, dentro de um caixão, que causava calafrio. Mas, sobretudo rodopiava na sua mente aquele lindo fato que brilhava com esplendor e cor, em contraste com a sumida pele moribunda. Embalsamado em tão rica indumentária a seus olhos, o “homem branco” foi coberto pela terra vermelha, sem tecto nem telha; ou seja, numa simples campa rasa.

Assim, Fortunato, convidado fraterno de Joaquim Salavisa, não podia apresentar-se sem a dignidade que a cerimónia matrimonial impunha. Por isso, após hesitações e decisões, destemidamente enfrentou a rua do cemitério, escavou fundo até ao caixão, pediu graças e perdões, e, retirando a indumentária do “homem branco”, esbracejou de satisfação com o lindo fato, porque "a um morto tudo se perdoa".

A festa de casamento decorria nas suas variadas cerimónias e rituais, enquanto Fortunato se aconchegava ao seu novo fato, que tinha sido alvo de encómios e elogios, tão era bela a sua indumentária!...
Fortunato acalentava um sorriso interior de gozo e satisfação, quando as belas donzelas sorriam nos seus dentes de marfim, ousando, por sua vez, fazer frente ao orgulho da beleza angolana. Já não prestava atenção à variedade de manjares da lauta mesa de casamento, repentinamente para se concentrar nos passos seguintes que a música desenhava nas suas formas de galanteio feminino. E, sem rodeios desata aos convites às belas damas presentes, sem qualquer sucesso ou recompensa. Face a tal vexame e humilhação, humildemente, dirige-se à sua antiga amiga Dina, e desafa:
“Ninguém quer dançar comigo”
Com uma sonora gargalhada, Dina retorquiu:
“Tem macumba, tem macumba, tem...”
Fortunato Salavisa largou rapidamente o espaço da cerimónia, antes que ouvisse qualquer voz  infortuna: “Olha o fato do morto”.

Copyright: Luságua

domingo, 26 de junho de 2011

EURO POLITIQUE 103 - "Salazar às voltas no seu Túmulo".



O Salazar deve estar às voltas no seu túmulo, quando a maioria dos ilustres economistas deste País dizem que este País é ingovernável. (Sem recordações do seu sistema.)


E que dizer de um Presidente da República disposto a ajudar nos momentos mais difíceis da Nação!...

A Margareth Tchater não sabia nada de economia, mas sabia governar a casa.

Se andámos a ser enganados por economistas, quando entrámos no euro, ao menos que apareçam políticos que saibam governar. Aliás, desde 2009, que o alerta soou!...(a sair do euro, ou, desde 2009, ou, para as "kalendas gregas", com a Grécia, na sua tragédia!...).

Se temos de pagar 5% ao ano, quando crescemos a 1% , nunca lá chegaremos. (Se necessário, aplica-se uma metodologia argentina!...). Mas tem de haver uma metodologia do simples ao complexo e vice-versa.

Se temos de sair do euro, que seja já, imediatamente.

Soluções alternativas existem, mas continuar de "corda ao pescoço" ao sabor de uma Europa que não sabe de "onde vem" e "para onde vai", não interessa, excepção à Alemanha!...

Se a política externa serve somente os franceses e os alemães ou ingleses, então deixem-nos continuar sozinhos, que existe futuro para os portugueses.

Se a política de defesa, (que não existe), também, interessa aos franceses e aos alemães ou ingleses, nós podemos aliar-nos com outros parceiros.

Se a política cambial visa somente os interesses alemães e franceses ou ingleses, face aos americanos, então deixem-nos com os espanhóis – “nuestros hermanos”, pois temos mais “barras de ouro” do que eles.

Segundo o Departamento de Comércio dos USA, os chineses fornecem 78% dos sapatos importados, 71% das gravatas, 55% das luvas, cerca de 50% dos vestidos e roupas de bebé, e, 90% das sandálias.

Todavia, esta produção barata e a bom preço começa a mudar, já que as exigências dos recentes trabalhadores urbanos reclama melhores salários e condições de vida.

As “grandes marcas” começam a encomendar mais à indústria portuguesa, segundo relata alguma imprensa lusa.

Portanto, se for preciso, seremos os chineses da Europa, já que os milionários chineses não param de aumentar.

Sempre tive uma ideia muito simples em relação à Europa, "com ou sem euro". Seríamos o último patamar da escala da economia europeia. (Estes "gajos" - "europeus" - querem-nos para o turismo, e, nada mais!...).
Mas "meter água" (desde, 2009) até nos afundarmos, isso não!...

P.S. Entre a ficção e a realidade.

EURO POLITIQUE.102 - "A Baía dos Porcos" e Kadafi.





Sem dúvida que 1500 homens chegam para encurralar Kadafi no deslumbrante deserto líbio!...

E, sem dúvida, que estes 1.500 “rangers” estariam dispostos a largar a “Baía de Cascais” para se instalarem no oásis de “Sierra Maestra”, tal era a ousadia destes destemidos guerreiros de sopro lusitano!...

Infelizmente a U.E. demonstra que nem tem capacidade militar (dependente dos U.S.A, para certo tipo de mísseis), nem política estrangeira (de consenso entre os seus parceiros) para lidar com o dilema líbio, deixando os seus “belos ofícios” para países terceiros, como a China, a Rússia, sem falar na conivência dos países africanos.

Ainda que a chefia da potência média nuclear europeia lance anátemas contra tal liderança, até os próprios rebeldes líbios admitem uma porta de saída.

Em tempos concedia-se dormida na “Penha Longa” para visita das terras do tio Sam.

Todavia, já se sabia que a analogia entre Marcel Dassault a distribuir notas de cem francos pela comuna de Beauvais, e “mister” Kadafi a comprar cem aviões “Mirage” era equivalente a dispersar dinheiro!...

A guerra de “dinheiro” equivalia em Portugal a comprar os “belos ofícios” que qualquer “ilustre desconhecido” por terras gaulesas descortinava a hipocrisia latente, mas que teria “armas e bagagem” para discutir a detenção do “chefe do protocolo” da Líbia, apesar dos seus diplomatas , tribunais ou polícia, ainda que o chefe da política nuclear europeia fosse aos arames. (15.12.2010). A partir daí o "Quai d'Orsay" não foi o mesmo!...

Quem paga a guerra com a Líbia?

Os franceses já tenham o dinheiro no bolso de forma que pouca diferença lhes faz. Os americanos não têm amigos, mas aliados, de forma que obterão sempre os seus lucros.

Os portugueses têm de reunir 1.500 “rangers” da “Baía de Cascais” para demonstrar a sua coerência e eficiência.


N.B. Artigo entre a ficção e a realidade!...

domingo, 19 de junho de 2011

EURO POLITIQUE 101 - Paulo Portas e Kadafi.






Se a “habilidade diplomática” de Paulo Portas se expuser ao terrível dilema da Líbia com serenidade e ousadia teremos um perspicaz ministro dos MNE.

Todavia a argúcia diplomática na menoridade europeia envida esforços que se subtraem aos legítimos interesses internacionais de potências nucleares de media dimensão que na avidez do seu cinismo jogam com um papel de revelo meritório aos olhos da opinião mundial, acérrimas defensoras de valores democráticos!...

A legitimidade da lusofonia não surtiu os seus devidos efeitos quando certas perspectivas apontavam para um eficaz desenvolvimento, e, por isso, nas horas mais ambiciosas dos mais legítimos intercâmbios, os projectos africanos esfumaram-se como derisórios.

Por outro lado, a megalomania africana criou artificialmente um “eldorado” na riqueza do petróleo, cujas bases não obedeciam a uma certa “lógica dos pequenos países” que atempadamente se frisou diplomaticamente.

Aliada à “lógica dos pequenos países” alvitrava-se que o "sistema político interno" não obedecia às regras elementares de uma saudável democracia.

Os meandros da historia revelaram os contornos mais obscenos de uma política impeditiva dos valores de liberdade e democracia.

Sem embaixador na Líbia, será que o estro de Paulo Portas se vai guindar nas esferas internacionais da política externa ?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Euro-Politique. 100 A Renuncia de Kadafi



Tal como Egas Moniz, de corda ao pescoço, tudo aponta que a rendição de Kadafi surge pelos quinze de Agosto de 2011.

Belos tempos de Marcel Dassault a distribuir notas de cem francos na "comuna" de Beauvais, e mister Kadafi a comprar cem avioes Mirage. Bela e sintomatica analogia!...

Se o vaticínio não se cumprir, deve-se aos alvos que não atingiram os seus objectivos.

Em terras lusitanas, nem basta lembrar as recomendações diplomáticas, na língua de Voltaire, acerca do tão apregoado regime político de exportação internacional, quanto mais na certeza de uma altiva estadia em Penha Longa, relembrando o “green” da sua bandeira.

Apesar das 143,8 toneladas de ouro, em reserva, as "caixas" começam a ficar vazias de dinheiro.

Sem dinheiro, nem gasolina, as coisas complicam-se para o mais famoso “leader” africano, celebre pelas criação das “forças armadas africanas”.

Desde que catorze países reconheceram o CNT como “representante legitimo” do povo da Líbia (Emiratos Unidos, França, Qatar, Reino Unido, Itália, Gâmbia, Malta, Jordania, Senegal, Espanha, Austrália e USA), começam a esgotar-se as possibilidade de manutenção do regime de Tripoli.

Ainda que permaneça a ambiguidade na orientação da política portuguesa, a mira diplomática da “diplomacia do silencio” revelou-se mais eficaz que a pontaria da NATO.

Todavia, o extremismo democratico augura-se com um desfecho nada humanitario.

domingo, 5 de junho de 2011

EURO-POLITIQUE. 75.2 - O Poder está em Massamá?.2



Reler Euro-politique de 20 de Maio.
O plesbicito veio confirmar as nossas análises, após o debate televisivo entre os dois candidatos.
Um país em construção, com as suas limitações, fraquezas e ambições afigura-se como meta a atingir face às tempestades económicas e sociais.
Alguém dizia que após "o consulado de tal líder", uma nova página há que inscrever.
Oxalá a coragem e o esforço de todos os portugueses seja suficiente para ultrapassar as tormentas que envolvem a maioria dos portugueses.

sábado, 4 de junho de 2011

Episódios da Raia - Ilha dos Amores




Alfredo Roque Gameiro nasceu em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril de 1864 e faleceu em Lisboa, a 5 de Agosto de 1935.

Os tons verdes da “Ilha dos Amores” já não reflectem a panóplia de cores do tempo de Roque Gameiro, infelizmente. Os grossos troncos das suas árvores foram abatidos nas carpintarias de Barcelos. Mas ainda permanece fugaz a sua imagem nas memórias de quem avistou tal panóplia colorida.


“Pintar, para ele, não constitui, apenas, um modo de vida, mas uma forma de, eloquentemente, manifestar a sua sensibilidade e a sua afeição pelo que é belo e natural, o meio de veicular a sua verdadeira vocação pela pintura a aguarela. É ele próprio quem confessa: “Tornei-me um carolla da aguarella”.
Mas o dinamismo da natureza interliga-se entre a "figura humana", no "mundo rural" e na paisagem que não se queda estática, mas sujeia ao impacto humano.
O movimento humano insere-se na paisagem, e  a natureza sofre as metamorfoses que o homem lhe imprime.
Por isso, dois elementos se configuram:

A - Figura humana

"A figura humana constitui um elemento de relevo no universo imagético do aguarelista. Por vezes, anonimamente inserida na paisagem, animiza-a e, pelos movimentos que implicitamente executa, deslocando-se ou trabalhando, atenua o estatismo inerente ao espaço natural."

B - O Mundo rural

"O aguarelista procedeu a uma atenta observação do espaço rural, que captou, iconograficamente, em múltiplas variantes. Do seu pincel saiu um infindável registo de paisagens dos nossos campos, de ruas de antigas aldeias, de rios de margens densamente arborizadas, de camponeses entregues às suas tarefas habituais."

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...