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sexta-feira, 20 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 75 - O Poder está em Massamá?

O Poder está em Massamá




A quinze dias do plebiscito português, o manancial das sete fontes de água de Massamá jorra no mar tumultuoso da nau portuguesa, uma auspiciosa esperança de mudança, que catapulta, para novos voos, o rumo da condução política.

Os sinais evidentes desta mudança escondem-se no âmbito das sondagens, e, no veredicto soberano da sociedade civil, algo cansada, de uma demagogia da qual ela se sente refém e vítima.

Perante a expiação a que continuamente ela está condenada, eleva-se a esperança de mudança, que sustente as suas ambições.

Perante os cenários tétricos, ergue-se um “fumo de esperança”, que as mudanças políticas sustém como objectivos da sua própria redenção.

O efeito regenerador das águas de Massamá ecoa como um novo baptismo de lavagem dos velhos pecados, como ruptura de “mudança de vida”.

A sociedade portuguesa tem de mudar de vida. Com objectivos e metas que lhe sejam apontadas como sinal de mudança.

Se o timoneiro mantiver a tripulação em acção, a tempestade será vencida, apesar de “muita água”, e, de alguma água de Massamá.

Inútil será chamar por embaixadores, junto do Palácio de Queluz, anfiteatro de suas recepções.

O povo continua soberano, mas nas ruas de Massamá cheira bem, cheira a “poder”.

Poeticamente, parafraseando Manuel da Fonseca: "o poeta tem olhos cor de água para ver as cores do mundo".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

EURO POLITIQUE.96 - "Nascer português é um azar do destino"


Uma casa portuguesa, “pão e vinho”, com certeza!...


Regressámos ao fado de Amália Rodrigues, com a velha signa que marca o destino português, erigido numa espécie de fatalismo estóico, ao qual o povo português não consegue escapar.

A fuga a este destino tem se dado através da emigração. E neste campo, ouvem-se os lamentos da comunidade emigrante, quer em França, quer nos USA.

Alguém dizia: “e, o povo?". ("Le peuple, the people, o demós"), o povo segue as marcas do destino e do fatalismo!...

Esta fatalismo erigido em destino, em que a pobreza se ergue como símbolo de dignidade que contrasta com as exigências de um mundo mais civilizado.

Em países em vias de desenvolvimento erguia-se o lema de uma “pobreza alegre”, o que contradiz com o destino fatal dos portugueses, que não aceitam as suas regras e exigências.

Mas por trás desta “pobreza alegre” surgia a “esperança de mudança”, que em certos casos deu os seus efeitos. Se o desenvolvimento económico acelera, nestes países, a 5%, em terras lusitanas assistimos a uma desvalorização de 7%.( 5% relativo ao déficit público, mais 2% de inflação).

José Gil afirmava “nascer português é um azar do destino” (“Em Busca da Identidade”, pg. 58, Edições Relógio d’Água).

Mas, os exemplos da eficiência laboral existem dentro e fora do País.

Após vários anos de ensino no Luxemburgo, alguém afirmava que os portugueses “sob o jugo”, ou, sob as directrizes deste país demonstravam uma eficiência fora de série.

Se tomarmos como exemplo a “Auto-Europa”, os sinais desta eficiência são bem visíveis.

Estes dois exemplos paradigmáticos vem demonstrar que a eficiência dos portugueses nada fica a dever aos estrangeiros nas suas qualidades de trabalho.

Conheço pessoas que visitam o nosso País, com o desejo expresso de comprar sapatos.

E, é verdade que a indústria do calçado se afirma categoricamente no estrangeiro. E falar de sapatos é falar também do azeite que, infelizmente, se equilibra no “import-export”.

Mas este tipo de argumentação deve-nos levar mais longe.

Os portugueses tem a mania que são “espertos”, mas esta esperteza depende da inteligência de outros, ou seja, da capacidade de olhar as coisas noutra perspectiva de ordem, método, de visão de futuro.

Exemplifiquemos: “eu sei que as coisas deviam ser feitas da seguinte forma”. (É de direito, é do senso comum!...). Mas apesar de “eu saber que é assim”, faço tudo ao contrário, porque o meu desejo é ser mais esperto que os outros, iludindo e, possivelmente, acusando os outros.

Esta mania de “ser esperto” funciona como uma “petição de princípio”, em que o direito e a ética não se encaixam. Não é por acaso, que Portugal tem tantos problemas com a Justiça.

Normalmente os “espertos” não tem princípios éticos e morais; ou seja, não tem valores, não têm respeito pelos outros, nem têm uma visão de futuro. O imediatismo, a força do desejo conduz a sua vontade, tornando-se numa força de direito.

Por isso, conduzem o seu desejo como “força de vontade” ultrapassando tudo e todos, não respeitando os direitos fundamentais, quando, por vezes, estão criando o próprio fosso da sua escravidão.

Esta falta de princípios leva à mentira e à injustiça, ou, à destruição dos elementares “direitos subjectivos” e “direitos objectivos”.

Os “direitos subjectivos”, consagrados pela lei e pela justiça, são destroçados e aniquilados por objectivos que unicamente pretendem diminuir os “direitos objectivos”

Objectivamente “nós sabemos que a sua função é esta, e, que cumpre os objectivos que pretendemos”, mas subjectivamente, (na base da mentira, da fraude e da ignominia), não tem condições para os nossos objectivos, ainda que possa demonstrar por outras formas as suas capacidades. Mas se estiver no estrangeiro, ou, em países mais civilizados, as coisas não são assim.

A pretensa moralização estatal, ou, também de certa “sociedade civil” tem como objectivo destroçar os seus “direitos subjectivos”.

Não é só o “direito ao trabalho”, como o “valor do trabalho” que se procura negar na sua essência, como toda esta cadeia que se monta e extrapola no país não permite a sua “eficiência laboral”.

A “força de vontade” em vez de submetida aos objectivos comuns sociais ou empresariais rodopia no jogo imediato do desejo, da ambição pessoal, do “sou mais esperto que os outros”.

Conheço portugueses que trabalham no estrangeiro e que detestam trabalhar em grupos de portugueses. Esta miscelânea de comportamentos e mentalidade aponta para alguém que dizia é “preciso mudar de vida”.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 95 - A Europa faz-se com cidadãos.


Parece que o representante máximo da C.E. nos USA, de origem portuguesa, desenvolve um processo de ilustração da “diversidade europeia” face à estrutura política americana.


Em termos simples, é a resposta pertinente de um simples cidadão americano do Colorado: “e, vós europeus?...”, olhando, e, visualizando esta "diversidade colorida" de portugueses, ingleses, espanhóis, alemães, etc.

É natural que a divergência entre a “sociedade política” e a “sociedade civil” , ou, entre o “Tratado de Lisboa” e o conceito de “cidadania europeia” surge em todo o seu esplendor e replendor.

Antes de um ano e meio de certa classe portuguesa se aperceber das divergências europeias, já certos meios de informação da Europa Central referenciavam este “divórcio” presente na proclamada “diversidade europeia”.

A zona de conflitos que surge na dita “sociedade política”, reaparece no tecido de normas e leis que um “espaço diverso” deveria fazer na sua conjugação e estruturação a nível dos "cidadãos" europeus.

Esta proclamada “diversidade europeia” começa, segundo certos peritos, pela própria fundamentação e arquitectura da própria moeda única. Aqui, os americanos tecem algumas críticas ao funcionamento desta moeda, mas claro, isto é, para os entendidos e especialistas, mas quem paga as suas consequências é a dita “sociedade civil”.

À crise económica acresce-se a crise de liderança europeia. Mas quer uma, quer outra, carecem de uma hábil arquitectura em que os cidadãos europeus se sintam confortáveis, tão como os americanos se sentem identificados com o seu País.

As arestas dos nacionalismos, o problema da diversidade linguística, a originalidade de culturas podem e devem ser ultrapassadas quanto uma metodologia for instaurada com ideias firmes de visualização.

No mundo da globalização, a nau da Europa tem de singrar nos mares adversos das suas contingências, apresentando um processo de ilustração que elucide a “sociedade civil”, para que a “sociedade política” se desenvolva em consonância com as forças da “sociedade civil”.

Se o Império Romano se fundamentava no Direito e no Exército, a união europeia escolheu a moeda e as"vias romanas", na sua diversidade, cujas divergências estão à vista, quando este comércio enfrenta outros mercados!...

A Europa faz-se com “cidadãos”, e, não simplesmente com tratados. A diversidade dos seus cidadãos é que deve expressar a sua união, e, nesta união residirá a sua força.

Quem não se sente bem na sua casa, quem não se sente bem no seu "ethos", não encontra a consistência e consciência de um americano, no conforto da sua nacionalidade; e, portanto, diverge, anda à deriva  neste "desconforto" de ser europeu!...

domingo, 8 de maio de 2011

EURO POLITIQUE 93. O Poder de Sines.3


Quando há meia dúzia de anos, a Galp teve na mão 750 milhões de euros de lucro, após pagar os accionistas, ainda se vislumbrou que construísse um edifício idêntico ao da Sonangol em Luanda.


É evidente que isto é “pura miragem do deserto”, apesar de comprarmos petróleo aos líbios. Mas isso é outra história!...

Construir a sede da Petrogal em Sines seria tornar Sines na “capital do petróleo”, o que não convém, em nossa perspectiva, à classe política.

O Dr. Pinto Balsemão, (peço desculpa evocar tal personalidade) sabe bem destas coisas. Tornar uma pequena vila do país em “capital das artes”, é preciso ter “arte engenho”.

A arte e engenho que caracterizava o célebre escultor José Rodrigues:“com o tempo aquilo passa-lhe”, quando era alvo de críticas jornalísticas.

Mas o Dr. Pinto de Balsemão (desculpe, se evoco o seu nome em vão) também deve saber que os seus interesses jornalísticos passam por ter Sines como “capital do petróleo”.

A dinâmica empresarial dos USA, além da luta e afirmação das grandes cidades pela construção de arranha-céus, passa pela manutenção e afirmação de fábricas locais que em cada lugarejo dão emprego e fomentam a actividade comercial.

Por isso, constituir Sines, como “centro nevrálgico do petróleo”, além de uma reivindicação sadia é a consagração de uma zona que se dedica especificamente ao seu trabalho, à sua matéria e às suas relações.

Manter na ignorância as suas potencialidades significa silenciar a pujança que esta zona detém como símbolo de afirmação.

Em vez de nos cruzarmos com embaixadores furtivos, de olhar soslaio, seria bom olhar de frente para a realidade.

Nesta luta entre a “sociedade civil” e a “sociedade política”, apesar de todas as críticas que qualquer leitor possa levantar, ergue-se o lema do célebre escultor José Rodrigues: “com o tempo passa-lhe”.

sábado, 7 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 92. O poder de Sines. 2 - Expresso



“Troika quer a CGD fora das empresas cotadas”, intitula o Expresso no seu caderno de “Economia” de 7 de Maio de 2011.


Assim o 1% da CGD deve sair da GALP, aliás esta instituição bancária já teve tempo de aprender quando se prolongou por terras espanholas.

Aliás, a base da GALP deve ser em Sines, já que o seu “centro nevrálgico” se situa nesta península.

Todavia como “centro nevrálgico” toda uma teia de relações políticas, internacionais e diplomáticas devem ser ilustradas perante os objectivos empresariais, e, também, perante a sua “sociedade civil” que a contextualiza.

Este “centro nevrálgico” (com um certo poder implosivo) não pode continuar, somente, como uma espécie de manipulação de marionetes que servem para grandes empregos, ou, personagens de arribação.

A César o que é de César, ou seja, ao Estado o que é de Estado, às empresas o que é das empresas.

Pouco interessa o “órgão de representação de accionistas”, ou, o “organismo para as questões fiscais”, ou, até o “modelo de conselho fiscal”, numa palavra todo o organigrama que compõe a empresa, se a “sociedade civil” não tem uma palavra a dizer.

Simplesmente comprar petróleo aos líbios, não deve ser para alimentar visitas de políticos, interesses obscuros, conluios sufragados para quem não pretende demonstrar as razões das suas políticas económicas.

A constituição de um “centro nevrálgico” não implica esconder a face dos accionistas, pelo contrário. Sejam eles italianos, angolanos ou portugueses não podem esconder-se na simples cotação das acções.

O seu rosto tem de ser bem visível para que as coordenadas se instaurem numa eficaz estratégia.

O diálogo da “classe trabalhadora” com os “rostos dos accionistas” tem de estar presente em algumas decisões. O Estado deve ter o benefício das “questões fiscais”, mas a independência dos seus gestores deve esmerar-se na eficiência da empresa.

O mundo do petróleo é um mundo complexo, mas esta complexidade deve ser clara e distinta de interferências políticas, sobretudo quando elas não apresentam nenhuma clarividência e ousadia no conjunto de valores que deve impregnar a sua actividade empresarial.

Sem chefe de protocolo, nem "mediação protocolar", a Troika deu um empurrão para que Sines se torne na "capital do petróleo".

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EURO-POLITIQUE. 92 - "O Poder de Sines"




A “neurologia da consciência” da sociedade civil ainda não vislumbrou o poder de Sines.

Quatro eixos fundamentais estruturam esta “neurologia da consciência”, porventura, ainda não despertada, ou seja, a sinergia da energia, dos combustíveis, do plástico, do carvão e electricidade.

Relembrando o famoso “bunker” instalado no promontório da sua baía, (dos velhos tempos da “velha senhora”) e, fugindo a qualquer tipo de megalomania de “elefantes brancos”, subtilmente esconjurados, permanece e subjaz nas suas entranhas um potencial que as “forças sociais”, alicerçadas na dita “sociedade civil” ainda não aquilataram da sua verdadeira eficácia.

Os núcleos da “vida partidária” vagueiam em passeios esporádicos que tendem a manter numa certa letargia um certo “estado de vigília” dormente, cujas forças escondidas permanecem como reserva do seu espaço manancial de implosão.

Mas, esta criação de “pano de fundo de potência latente” não escapa a certas perspectivas do poder estatal, que habilmente mantém os “testas de ferro” necessários à manutenção do seu “statu quo”.

Nele se jogam os mais diversos interesses políticos, internacionais, e, económicos, de cuja batuta e direcção não convém qualquer tipo de afastamento. E, para este tipo de contornos negociais não se prevê qualquer tipo de elucidação que ouse desmascarar as estratégias, ou, qualquer tipo de elucidação e conivência com qualquer tipo de “sociedade civil” emergente.

Dada a sua “natureza globalizada” surgem acenos dos idealistas economistas, ou, dos projectistas políticos em resquícios de elucidação e elaboração de projectos que pouco condizem com a efectividade real das suas potencialidades.

Por outro lado, a incapacidade laboral denuncia uma certa fraqueza idealística de autêntica “neurologia da consciência” da sociedade civil.

Acresce-se, ainda, a diluição do efectivo valor do trabalho e da sua capitalização no espartilho empresarial das multinacionais e nacionais, dominadas por forças externas que não permitem a sua emancipação.

A falta de autonomia económica e financeira, descentralizada do seu núcleo regional ou local, aliada às forças de domínio externo, não tem permitido que a “riqueza criada” nas suas estruturas reverta em benefício dos anseios e projectos que lhe podem estar associados.

As benesses de certos tipos de salários soçobram na emergência desta dita “neurologia da consciência” que permita a sadia reivindicação de uma autêntica “sociedade civil”.

Mas, por mais forte que seja o espartilho em que a “neurologia da consciência” da sociedade civil da zona de Sines esteja envolvida, avizinha-se que os factos de implosão acabarão por arrastar a sua emergência.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

EURO-POLITIQUE. 77 - "Património europeu"


Face à globalização o sistema europeu não consegue manter o conjunto de direitos civis, políticos e sociais, que fazem parte do seu património, porque o predomínio de uma “teoria conservadora” e “economicista” não sustem os mecanismos sociais da sua protecção.


Simplesmente, sujeitar a vida económica do cidadão às forças dos mercados económicos desfaz toda uma lógica social de natureza de estados, já que eles não conseguem afirmar-se na dinâmica dos próprios mercados.

A massa de dinheiro flutuante que “organizadamente” continua nos seus ciclos de desenvolvimento, sem uma autêntica referência ao sistema monetário internacional ou nacional, desenvolvendo espaços de enriquecimento que fogem a qualquer controlo efectivo do seu real valor como processo de capitalização.

O papel das multinacionais e dos seus mecanismos económicos não encontra qualquer tipo de barreira na sua expansão e expressão.

Por outro lado, a corrupção que larva nos vários estados favorece um exponencial de interferências que dilui o real papel dos governos.

Dificilmente o sistema europeu manterá o conjunto de direitos que constituem o seu património face aos países emergentes que cada vez mais atraem o conjunto de multinacionais que encontram um terreno propício ao seu desenvolvimento.

Os cidadãos europeus são obrigados a compreender como funcionam os mercados nestes tempos de globalização, reduzindo um conjunto de benesses, mas preservando o seu património de direitos civis, políticos e sociais, sem se desfazer totalmente da sua aquisição.

As sociedades civis e os estados tem de processar uma dinâmica interactiva no auscultação e domínio dos mecanismos que atravessam e atraiçoam a manutenção de um património que, infelizmente,  emagrece, definha, e, quase desaparece. Duzentos anos de luta e conquista estão sujeitos à voragem económica que rodopia nos incontroláveis mercados.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...