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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Algoritmo de Kadafi.43 - A ilusão da Unesco

Convalescente do “proto-eu”, do “eu-nuclear” e do “eu-autobiográfico”, como diria António Damásio, perdi-me na análise do telhado do Unesco, edifício de construção moderna, em oposição aos românticos prédios da “Cidade da Luz”, em que dois personagens estabeleciam amistoso diálogo, para gáudio da opinião lusa.


Os holofotes emanavam, longinquamente, a imagem em feixes hertzianos de insana controvérsia filosófica, quiças, embalada em subtis meandros diplomáticos.

“Somos todos cineastas mentais”, afirma António Damásio.

O contraste do filme exibido e de outros filmes escondidos reproduz na penumbra as imagens mais profundas da “Alegoria da Caverna” de Platão. Ou seja , aqueles que continuamente permanecem agrilhoados às cadeias dos vários poderes, e, aqueles que ousam desafiar o fogo ou a luz dos holofotes.

Mas como nós “somos o público exclusivo do espectáculo da nossa mente”, nada na filosofia cínica, é capaz de desfazer toda esta lógica da imagem.

As imagens são “a principal moeda da nossa mente”.

As imagens, as sobreposições de imagens, os seus desenhos geométricos, numa teatrialização de contornos infindáveis!...

Mas a minha imagem dentro do edifício da Unesco é uma imagem parasitária. O seu corpo esvaziou-se de qualquer mente consciente, para dar azo à sua imaginação, que outra realidade desnaveceu.
O palco é para os bons actores, já que tudo o mundo é um palco, e, até a própria natureza se metamorfoseia, criando a sua imagem..

Quem não cria imagem, não adquire a essência da imagem, não transpõe a sua sua linearidade, e, não expulsa a sua negatividade numa polarização convincente, requerendo as qualidades de uma magia, equidistante da filosofia.

Somente o campo político permite esvoaçar longe dos “quercus” que perenemente afirmam a sua teimosa solidez.

Portanto, não existe qualquer imagem sólida. Ela corre como o vento, todavia o “quercus” resiste ao seu movimento, tal como 10 minutos de escrita esvoaçam em movimento, neste momento.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Algoritmo de Kadafi.43 - Carrilho em "cor de rosa"


As peripécias e divergências entre o Dr. Manuel Carrilho, e o Dr. Luís Amado encontram-se fora dos corredores diplomáticos.


É evidente que os cargos públicos, “fora de carreira”, não exercem a estratégia do poder comum aos corredores da autêntica escola diplomática, que pressupõe uma aprendizagem nos mais recônditos meandros da habilidade política.

E, neste sentido, por formação intelectual esgrimir armas de uma propaganda jornalística pouco enobrecem quem por outros ideais deveria orientar o seu rumo de navegação. Mas o mediatismo também figura como típico de qualquer personagem, que se fundamentado, em metafísicas, se ergue no palco sublime da imagem.

O autêntico timoneiro da nau representa, evidentemente, com mão férrea, as mais finas veleidades diplomáticas das relações externas.

Todavia, a imagem externa não reproduz os contextos evidenciados pela sua repercussão interna.

Extremamente “soft”, e, de uma "docilidade encantadora" esbate-se em "cartaz despendurado" da alta cena política, bem longe do "animal feroz" das florestas amazónicas.

Apesar de existir um país periférico, atirado pela Europa intelectual e política para lá dos Pirinéus, não quer dizer, que o mar fuga aos pés dos portugueses.
Além disso, a comunidade portuguesa espalhada pelos cantos do mundo continua a fazer eco da sua portugalidade.

Quedam-se nervosos, na sua simplicidade, quando são maltratados na sua viagem de Lisboa para o Porto, deixando lá longe as suas Américas, mas sempre com a emoção no coração de se sentirem portugueses.

Claro que estas situações não são para embaixadores da Unesco. São simples efeitos de um poder de "guardilhas de fronteira", que desconhecem as regras da boa diplomacia.

Ora, quem não quer ser “mangas de alpaca”, não pode, nem deve ser embaixador da Unesco, quanto mais delegado do povo!...

sábado, 18 de setembro de 2010

EURO POLITIQUE. 42 - La Belle et l'Europe.2


Transformar um hexágono em quadrado é uma tarefa geométrica que engloba descentralização dos seus pontos de referência.


Não ousamos dizer que a classe política francesa se tornou “carré”.

Seria um verdadeiro insulto à classe da pátria dos amáveis embaixadores!....

Obtusamente, quadrado é ofensivo e sinal de embrutecimento, e, por isso, só merece um lamento!...

Mas que a lei da gravidade arrasta um hexágono para um quadrado, em situações de crise da globalização é um sinal que se torna evidente.

Infelizmente, Paris não é centro nevrálgico da política europeia, da mesma forma que Madrid é o centro centrípeto e nevrálgico da política espanhola.

Ora, esta contradição inerente à constituição europeia em que o seu centro se encontra desfasado da sua polarização, de modo algum centraliza as relações dinâmicas entre Paris-Lisboa, Paris-Roma, Paris-Londres, ou, Paris-Berlim.

A sua descentralização política rodopia em catadupa, de tal forma que os seus dirigentes se revêem num autêntico jogo de espelhos em que o centro parece fugir aos seus pés.

Estrasburgo, é uma simples porta da Alemanha, e, por isso, fica longe do centro centrípeto, tornando-se num centro centrífugo, e a França (Paris) ambiciona mais!.....

Este mero e singular ponto centrífugo deixa à deriva o seu verdadeiro e autêntico centro.

Paris quer ter o papel de “Madrid centralizador” , mas equacionou debilmente a sua ambição de papel centralizador.

A falta deste centro centralizador origina uma certo desnorteamento da Europa, embora cegamente não nos apercebemos desta "intromissão". Faz lembrar "la belle" que os americanos adoravam namorar!...

Mas há que transformar um quadrado num autêntico hexágono, símbolo de abertura à circunferência periférica que a rodeia, já que em "Paris nada acontece, mas tudo chega da província".

Redesenhar Paris, como centro, é constituir a velha Roma como sinal do Império Romano, mas sem "retirar a nacionalidade francesa a criminosos de origem estrangeira"!.....

Algoritmo de Kadafi.40 - "Tripolitana"



A nova coqueluche em Luanda


Tal como a Líbia, Angola detém 1.650 Km de costa marítima, e, ambos os país exportam quase 50% do seu petróleo para a China.


Também, o incipiente turismo é apanágio de ambos os países, que, hodiernamente, tentam estabelecer relações económicas e diplomáticas.

Mas o imaginário português e ocidental recai, obviamente, sobre as belezas naturais deste país africano.

As grandes florestas tropicais são, diametralmente, o oposto das miragens do deserto do Saara.

Os rios, as suas quedas de água, as suas formações rochosas, as suas cavernas e grutas desembocam nas belas praias e num deserto longínquo, Namibe.

Além disso, o território angolano abriga, também, uma rica fauna que inclui elefantes, antílopes, leões, zebras, gazelas, rinocerontes, hipopótamos, girafas, avestruzes, macacos, gorilas que fazem a delícia de muitos caçadores.

O Parque Nacional de Kissama (província do Bengo) e o Parque Nacional do Iona ilustram cabalmente a riqueza da fauna angolana.

Por isso, a aposta turística do Grupo Pestana insere-se numa estratégia de desenvolvimento do turismo em Angola, contrariamente ao regime de Muammar Kadafi, a metade do percurso entre estes dois países.

No entanto, não se esqueça do pedido de “gasosas”, verdadeira instituição de refrigerantes que implica saber lidar da forma mais diplomática.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

EURO POLITIQUE. 41 - La Belle et L'Europe.

La Belle et L'Europe

A Europa, sem a França, nem em sonhos, nem na realidade, não é Europa.


O famoso hexágono encontra-se centralmente colocado em relação aos países periféricos, fisicamente ancorado, para irradiar toda a sua pujança ideológica.

“Potência média”, de poderio nuclear é capaz de deflagrar toda sua vizinhança, com objectivos que transcendem qualquer veleidade de intromissão interna.

Elegante na forma e no conteúdo, habilmente saiu da NATO, para desenvolver os seus ambiciosos projectos militares, sem dependências de potências exteriores.

Herdeira de pergaminhos humanitários ressente-se de qualquer ousadia que ponha em causa os seus ideais, que iluminaram a cegueira de vizinhos tacanhos.

Alicerçada democraticamente numa percentagem de 60% de apoio popular, qualquer intromissão demagógica nos seus interesses políticos nacionais é digna de salutar repulsa e austera indignação..

Eis que surge um dedo indicador, nervoso na sua apresentação, mas destemido na sua refutação contra os idealistas europeus que não reconhecem o pragmatismo cartesiano.

Normalmente os franceses são civilizados e educados. Todavia é vê-los quando a sua viatura sofre qualquer dano acidental!....Explodem com uma verborreia torrencial!...

Mas aquilo que parece incomodar mais o hexágono é que surja uma comissão, apoiada num plebiscito parlamentar, que ouse colocar-se por cima desta potência média.

A Europa sem a França não é nada.

Nada passa na Europa sem a França.

Portanto, quando não consegues vencer o inimigo, junta-te a ele.

A Europa tem de caminhar de braço dado com a França. O casamento pode ser de fachada, mas é assim que ele tem de se apresentar ao mundo.

A noiva é rica e poderosa.

O noivo tem de seduzir a sua amante, porque sem a França não temos Europa.

Temos de admitir os seus pecadilhos

e perdoar aos seus cadilhos!....

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P.S.“Se a França ou qualquer um dos doze não queria que circulassem pela Europa, não aceitavam a adesão. A partir de agora, qualquer país europeu tem pretextos para expulsar ou barrar nas fronteiras cidadãos comunitários”
---Carlos Soares Miguel, “Jornal Expresso” 18-09-10.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

EURO POLITIQUE. 40 - O "Atlas" da política externa europeia!...


A missão do Alto Representante da União Europeia no Mundo tem à sua frente uma tarefa hercúlea.


Ora vejamos:

a) ajudas ao desenvolvimento, comércio ou negociações climáticas

b) diplomacia, segurança e defesa

c) criação de um Novo Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE), com 6 a 7 mil funcionários e diplomatas.

O famoso “Tratado de Lisboa”, com milhentas horas de voo, e,outras tantas milhentas complicações criou um sistema, digno dos mais altos signatários, mas que qualquer leigo em matéria política não ousa enxergar.

Mas a complexidade técnica e política cria uma teia de ramificações que qualquer aracnídeo se vê enredado na sua constituição.

A sua arquitectura política, inacessível ao comum dos mortais, joga-se num tecido de manutenção de funções e conluios estratégicos, cujo resultado visa a promoção de figuras ao estrelato mediático ou jornalístico, mas de uma eficácia atroz, nos momentos da prática política.

De um momento para o outro, surge um Alto Representante para os USA, cujo consenso nada ficar a dever à imposição de uma chefia, em resquício autoritário.

Na amálgama da falta de eficiência debatem-se os interlocutores procurando agulhas em semelhante palheiro.

A complexidade estrutural erradicou qualquer processo simples de uma voz ou comando da sua arquitectura, dando espaço aos mais audazes políticos europeus de esgrimirem as suas concepções, sobretudo do eixo franco-alemão.

Mas todas as tarefas enunciadas para o Alto Representante da União Europeia exigem um esforço, digno de um autêntico Hércules, ou, talvez um Atlas, aquele que leva a Europa às costas!...


N.B. Somente a Inglaterra tem 417 funcionários diplomáticos nas suas relações com os USA.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Angola - Armada Agualusa.4


Caminhava-se em direcção a Johannesburg, e, alguém ousava dizer: "A África do Sul é o único país africano que pode oferecer um bife, por dia, aos seus cidadãos".

“Angola é um país bom para viver e para investir”.


“Convidamos os fazendeiros e outros investidores a cá virem. As nossas leis favorecem o interesse privado e os recursos agrícolas são imensos. Temos cerca de 50-80 milhões estão disponíveis a agricultura angolana.”

António Cardoso
Director Nacional da Agricultura e do Desenvolvimento Rural

Todavia surge esta nota crítica:

“O mesmo acontece com a agricultura, essa estranhamente desconhecida. Lamentavelmente, é forçoso dizê-lo, os economistas angolanos – salvo uma ou outra excepção – contribuem muito para esse esquecimento. Daí as penosas dificuldades porque passam quantos pretendem analisar de modo mais profundo as relações da agricultura com os restantes sectores da economia nacional na perspectiva de um modelo de desenvolvimento sustentável para o país”.

Dizia-se que no Sul de Angola, os indígenas utilizavam cabeças cheias de grãos de milho para contar os seus animais.

Anuncia-se que Angola carece de 5 milhões de cabeças de gado para as suas necessidades.

Entre os apelos governamentais e a sua generosidade existem plataformas de desenvolvimento rural que urge implementar.

A agricultura de subsistência começa a ser ultrapassada pela agricultura de mercado.

Nesse sentido, a experiência de grandes produtores portugueses na África do Sul seria um lenitivo para as carências angolanas.

Não basta importar duas mil cabeças de gado do Brasil!...

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...