“Em 1975, e na sequência da exemplar e apressada descolonização, o protector, sem consultar o protectorado para não ter de se incomodar com o assunto, resolveu entregar Cabinda a Angola –que dela dista 60 km de território zairense. Cabinda representa hoje 60% do petróleo extraído em Angola – que, por sua vez, representa 80% da riqueza do país”.
Esta nota de rodapé, tipo "farpa" publicada no jornal Expresso (16.01.10), por Miguel Sousa Tavares, é digna de um certo comentário "ad hoc".
Segundo rezam certas crónicas é graças aos ingleses que o Congo benefecia de uma saída para o mar, devido a uma pequena faixa entre 40 a 60 km de extensão. Aliás, as autoridades angolanas pretendem construir uma ponte sobre o rio Zaire para colmatar tal lacuna. Quer dizer, que em outros tempos Cabinda estava, de facto, unida a Angola.
A cupidez que desperta Cabinda nos meios internacionais políticos, comerciais e financeiros origina uma panóplia de interesses de repercussão internacional. Certamente que Luanda se tem de munir de uma diplomacia forte para enfrentar as mais diversas adversidades.
Aliás, os países vizinhos serão, sem dúvida, aqueles que mais ambicionam desenvolver acções que lhes permitem tirar qualquer proveito da sua situação geográfica.
Partiam os últimos soldados para Angola, quando resolvi inscrever o meu nome como "refractário". Neste sentido sou refractário a todo o processo de colonização, pois já deveria ter acontecido em 1956.
Mas Cabinda era Angola, e, cabe aos angolanos a sua defesa.
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sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Finalmente, a “sacrossanta” instituição da RTP decidiu-se noticiar a vitória dos “Palancas Negras”.
Aliás, esta instituição de cariz nacional e internacional deveria ter em conta os milhões de telespectadores, sistematicamente, mantidos alheios ao CAN 2010.
Aqueles que têm o privilégio de assistir no canal “Eurospot”, reconhecem, também, as dificuldades dos seus parceiros africanos, privados de tão salutar informação.
Efectivamente, as imagens transmitidas revelam uma qualidade de nível superior, embora, a nossa opinião possa ser posta em causa.
Se trinta técnicos angolanos estagiaram em França para a preparação deste evento, não podemos esquecer o contributo técnico dos trabalhadores da RTP.
Ora aqui, é que encontrámos a questão.
Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, e só, por isso, bastam, por acaso, os últimos eventos de Cabinda.
Que o trabalho técnico da RTP seja simplesmente “carne para canhão”, é a questão se levanta.
Quer dizer, quando a RTP tem uma ocasião única de se projectar no mundo da lusofonia, resolve “tapar o sol com uma peneira”.
Se a imprensa estrangeira, com olhos de ver, se volta para um acontecimento desportivo de alcance mundial, o pequeno rectângulo resolve “fechar as balizas”.
A nossa modéstia, ainda, revela a pequenez do Estado salarazista, e, ainda não se impregnou e convenceu de um país aberto, e, em sintonia com o mundo, apesar de ter um representante oficial em Angola.
Bem haja, a imprensa escrita que começa a despontar para a realidade desportiva e política de Angola, caso exemplar do jornal “Público” de 15 de Janeiro de 2010.
Portugal-Angola - "in Agualusa"
“De acordo com a nova Constituição, o Presidente da República nomeia um vice-presidente e os demais membros do Governo, deixando de haver primeiro-ministro e sendo ele próprio a presidir ao Conselho de Ministros. Além disso, nomeia o Governador do banco nacional, os juízes do Tribunal Supremo, o procurador-geral da República e os membros do Conselho Superior da magistratura” (Jornal Público de 15.01.10).
Teoricamente, a identificação de um país faz-se, através, da sua constituição. Na prática, poderão existir países com belas constituições, todavia praticam o contrário.
O argumento da consolidação de um "Estado Democrático de Direito" em nada justifica a legítima separação e autonomia de poderes.
Certos portugueses permanecem satisfeitos pela ocupação das "suites" do Hotel Ritz pelos angolanos, em Lisboa; ou, pelos seus gastos de 30% nas lojas de luxo da capital.
Tive a oportunidade de cumprimentar e dialogar com a individualidade que mandou enviar as "cartas geográficas" para Angola.
Evidentemente que desejámos outro tipo de "cartografia política" para a jovem democracia de Angola, mas compete aos angolanos delinear a sua política.
Por isso, caro Agualusa, o "apoio do Ocidente" mantem-se com um olhar atento sobre a realidade angolana, apesar das mais variadas configurações de curto prazo.
A imprensa internacional configura outros pontos de vista, aos quais as autoridades angolanas não devem ser alheias, se quiserem manter uma certa credibilidade no palco internacional.
"Suponho que o regime angolano compreendeu que já nem sequer necessita de fazer de conta que é uma democracia. Enquanto a economia for crescendo, por pouco que seja e com todas as distorções que toda a gente conhece, continuará a ter o apoio do Ocidente", disse ontem ao PÚBLICO o escritor angolano José Eduardo Agualusa. "A curto prazo, creio que não haverá grandes mudanças".
Portugal-Angola - A RTP de Cabinda
Finalmente, a “sacrossanta” instituição da RTP decidiu-se noticiar a vitória dos “Palancas Negras”.
Aliás, esta instituição de cariz nacional e internacional deveria ter em conta os milhões de telespectadores, sistematicamente, mantidos alheios ao CAN 2010.
Aqueles que têm o privilégio de assistir no canal “Eurospot”, reconhecem, também, as dificuldades dos seus parceiros africanos, privados de tão salutar informação.
Efectivamente, as imagens transmitidas revelam uma qualidade de nível superior, embora, a nossa opinião possa ser posta em causa.
Se trinta técnicos angolanos estagiaram em França para a preparação deste evento, não podemos esquecer o contributo técnico dos trabalhadores da RTP.
Ora aqui, é que encontrámos a questão.
Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, e só, por isso, bastam, por acaso, os últimos eventos de Cabinda.
Que o trabalho técnico da RTP seja simplesmente “carne para canhão”, é a questão se levanta.
Quer dizer, quando a RTP tem uma ocasião única de se projectar no mundo da lusofonia, resolve “tapar o sol com uma peneira”.
Se a imprensa estrangeira, com olhos de ver, se volta para um acontecimento desportivo de alcance mundial, o pequeno rectângulo resolve “fechar as balizas”.
A nossa modéstia, ainda, revela a pequenez do Estado salarazista, e, ainda não se impregnou e convenceu de um país aberto, e, em sintonia com o mundo, apesar de ter um representante oficial em Angola.
Bem haja, a imprensa escrita que começa a despontar para a realidade desportiva e política de Angola, caso exemplar do jornal “Público” de 15 de Janeiro de 2010.
Aliás, esta instituição de cariz nacional e internacional deveria ter em conta os milhões de telespectadores, sistematicamente, mantidos alheios ao CAN 2010.
Aqueles que têm o privilégio de assistir no canal “Eurospot”, reconhecem, também, as dificuldades dos seus parceiros africanos, privados de tão salutar informação.
Efectivamente, as imagens transmitidas revelam uma qualidade de nível superior, embora, a nossa opinião possa ser posta em causa.
Se trinta técnicos angolanos estagiaram em França para a preparação deste evento, não podemos esquecer o contributo técnico dos trabalhadores da RTP.
Ora aqui, é que encontrámos a questão.
Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, e só, por isso, bastam, por acaso, os últimos eventos de Cabinda.
Que o trabalho técnico da RTP seja simplesmente “carne para canhão”, é a questão se levanta.
Quer dizer, quando a RTP tem uma ocasião única de se projectar no mundo da lusofonia, resolve “tapar o sol com uma peneira”.
Se a imprensa estrangeira, com olhos de ver, se volta para um acontecimento desportivo de alcance mundial, o pequeno rectângulo resolve “fechar as balizas”.
A nossa modéstia, ainda, revela a pequenez do Estado salarazista, e, ainda não se impregnou e convenceu de um país aberto, e, em sintonia com o mundo, apesar de ter um representante oficial em Angola.
Bem haja, a imprensa escrita que começa a despontar para a realidade desportiva e política de Angola, caso exemplar do jornal “Público” de 15 de Janeiro de 2010.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Portugal-Angola -Cabinda
O artigo de Jean-Philppe Rémy, publicado no jornal “Le Monde”, (12.01.10) reflecte uma visão totalmente cartesiana, e, de um demarcado etnocentrismo francês.
« Parce qu'il est l'une des principales zones de production de pétrole du golfe de Guinée, le Cabinda, confetti gorgé d'hydrocarbures de l'Angola, a gagné le surnom de "Koweït africain". Triste Koweït, sans tours ni infrastructures, habituellement sans visiteurs, où sont venus se faire tuer des accompagnateurs des footballeurs de l'équipe nationale togolaise ».
As raízes históricas de Cabinda não se podem confundir com as razões hegemónicas do Iraque e do seu antigo chefe.
A imprensa portuguesa mantêm-se alheia, efectivamente, aos reais problemas desta província angolana, desvinculando-se de compromissos que deveriam honrar a antiga presença lusa e o legado português. Aliás, o CAN 2010 em Angola não desperta grande interesse na imprensa escrita ou televisa.
Os meios diplomáticos transpiram de suor face à dita sensibilidade angolana. Mas os recentes acontecimentos em Cabinda não terão nada a ver com um certa ingenuidade angolana?
Os meios empresariais desenvolvem parcerias, tipicamente, económicas, demarcando-se de qualquer atitude que possa comprometer os seus interesses.
O intercâmbio e interacção da sociedade civil é quase inexistente, dadas as contingências da evolução sócio-política de Angola.
Em suma: a lusofonia deixa-se ultrapassar pela francofonia e pelo imperialismo inglês.
Os laços históricos e afectivos com Angola não devem permitir que os portugueses estejam só e unicamente num país de imigração.
Por isso, não basta o jeito português de adaptação à realidade africana. Urge que as relações com Angola cimentem um conjunto de valores associados, que transcendam a visão linear e geométrica de origem francesa ou anglo-saxónica.
A salutar contribuição e intercâmbio de culturas deve suscitar parcerias nos novos ideais, pelos quais Angola se quer orientar.
Cabinda não deve ser vista como qualquer “Koweit africano”
sábado, 9 de janeiro de 2010
Portugal-Angola: Os ideais de Olímpia
Numa visita à cidade grega de Olímpia, a guia turística alertava-nos que durante a realização dos jogos, até as guerras paravam, e, os guerreiros preparavam-se para as provas.
A condenação francesa do atentado contra a selecção do Togo merece toda a nossa contribuição e consideração.
Apesar de 70% de petróleo de Cabinda servir a Nação Angolana nada justifica "ataques hediondos", contra a flor do género humano, ou seja, o desporto.
Nada se justifica e enobrece qualquer "ética militar", se alguma razão lhe assiste, que se faça um mero aproveitamento político desta acção. Ainda que determinadas instituições e empresas pudessem sufragar certas ansiedades e reivindicações deste pequeno território angolano.
Cabinda, reconhecida desde 1885, pela conferência de Berlim, faz parte intrínseca da grande Nação Angolana, embora a sua população esteja um pouco sôfrega, com 40% de pessoas indigentes.
O privilégio e honra do CAN-2010 deve erguer-se bem alto com os "ideais de Olímpia", apesar do abandono da selecção do Togo.
"Audaces fortuna iuvat"
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