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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Episódios de Viking Gunderedo.4


A consolidação do Ducado da Normandia, bastião emergente da futura história viking, possivelmente oculta o labor e eficiência de um contingente de forças anónimas, conduzido por Viking Gunderedo. Os relatos históricos são escassos, nesta conturbada época histórica, sobretudo quando se trata da expansão viking no Ocidente. A história do Ducado da Normandia constitui-se à margem do Reino dos Francos, posteriormente, encomendada pelos seus governantes, a monges e eclesiásticos que são vítimas do seu domínio e opressão. Então, o que dizer da esporádica historiografia galega, algo inculta e desmoralizada, pelos instáveis governos locais, tendo, sempre iminente, a ameaça árabe sobre os seus ombros.
Numa cimeira entre Normandos e Francos, em Jeufosse, prepara-se um acordo de paz que o rei Lotário (Reino dos Francos) acaba por concluir entre Junho, ou, Julho de 965. O rei Lotário reconhece a autoridade de Ricardo I, como Duque da Normandia, território francês, sob domínio viking por longos anos, cessando, deste modo, as contínuos ataques aos débeis limites francos.
O Ducado da Normandia constituído e reconhecido pelos reis francos, em 911, e dirigido pelo primeiro Duque de nome Rolão, sofrera uma série de ataques dirigidos por forças francas, segundo relata o cónego Dudon de Saint Quentin. Face a estas ameaças, consta-se que Ricardo I pediu reforços ao rei da Dinamarca, e, que este lhe enviou uma frota de guerreiros. Todavia alvitra-se que seria meramente um grupo de vikings que estariam de passagem por esta região. Pouco se sabe deste cronista eclesiástico, antes do ano de 968. ainda que tivesse sido encarregado por Ricardo I de escrever a história do Ducado da Normandia, por volta do ano de 994, cuja crónica se intitula “acerca dos costumes e actos dos primeiros duques da Normandia”.

sábado, 14 de março de 2009

Staff presidencial.3

“Edú” – O rei do Congo

Fátima Roque – secretária de Estado Angolano, maquilhada etnocentricamente de africana, revelou-nos que o “Fundo Soberano de Angola”, encarna as suas raízes filosóficas de século XVII inglês, em que Deus dotou de bens suficientes a natureza para bem de todos os cidadãos, excepto para aqueles que queiram instalar-se de malas e bagagem. Defende, também, que os angolanos em Portugal são uma comunidade que deve estar à frente de todas as outras!...
Não é por acaso que se evoca o “rei do Congo”. Existe uma matriz histórica angolana, e um orgulho guerreiro que interessa enaltecer. Já que Cabinda vale mais que todo o vinho do Porto. (Talvez, Angola precise de um timoneiro!...)
Li e reli várias artigos sobre Angola. Exaltava-se o parque escolar, a alegria das crianças em período escolar, e os professores portugueses, que ficaram em terra, tal como os aviões angolanos!...
Escutei os discursos de parcimónia, de cariz económico, que escondem outras realidades, a quem o engenho de discurso não ousou levantar a voz!..
Todavia o meu espanto continua impávido neste relacionamento, fazendo-me lembrar as piruetas de Jaime Gama em relação a Angola.
Não estamos “orgulhosamente sós”, e a questão ecoa dentro de nós, “será isto que deseja a comunidade europeia”?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Staff presidencial.2

Após o colapso das instâncias judiciárias, diplomáticas e políticas, eis que Portugal encontrou um novo embaixador líbio para a Guiné.
Com um Ministro dos Negócios Estrangeiros disponível para a reforma, não dispõe o País de uma voz para a política externa.
Longe vai o tempo das famosos petardos lusos de extrema eficácia que os gauleses paulatinamente colocavam no terreno do Tchad, para afugentar as forças líbias.
Todavia, a “velha raposa do deserto” tornou-se num “expert” em minar o território de influência portuguesa, não lhe escapando a própria “Madeira”, em tempos passados.
É evidente que não temos a ousadia francesa na frente diplomática, política e militar.
Mas, sem qualquer tipo de ambição política de colonialismo, temos o dever moral, ético e político de reagir e agir, relembrando os ideais da democracia que devem orientar a conduta de uma jovem nação no seio de uma comunidade civilizada.
E, se uma fragata impõe respeito nos pantanais da Guiné, também as forças angolanas e portuguesas podem contribuir para que rapidamente a estabilidade civil se torne numa placa de apaziguamento do crescimento democrático da Guiné.
Neste sentido, nada ficaremos a dever ao audaz embaixador líbio!...
Aliás, a única voz mais clarividente, veio de Cabo Verde.

sábado, 7 de março de 2009

Episódios da Raia.15

Seu nome era “Benigno”
e das notas musicais,
- digno.

Os mancebos apurados
não perdiam a concertina
em rancho desbocados
cantavam a sua sina!...

O abade detestava bailes
e as moças em xailes
fugiam da GNR em surdina
com desgosto da concertina.

Somente nas desfolhadas
os seus trinos ecoavam
entre abraços afogadas
peitos gemiam e soltavam
amores e paixões caladas.

Curvado na sua música
o rancho, por vezes, ensaiava
mas a nota soava pudica,
presa porque não voava!...

Estilava em gorjeio
em rápido timbre lamacento
de qualquer copo cheio
sem toldar o livre pensamento

E a concertina
de que “Benigno”
era digno
seguia esta sina
de calar-se e mostrar-se
de alegrar o povo
com riso e desgosto
com aviso de “posto”
pois soltar o seu trino
somente – tu – Benigno.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Episódios da Raia.14

O ”néon” do micro brilhava
a nota do ultramar trocava
o controlo social calava
a sopa do povo era fava.

Fava dura da amargura
escondida em doce ditadura
a carestia abundava fartura
silêncio, trabalho, perdura.

“Faro de Vigo” feito jornal
era notícia internacional
o “status quo” mais tradicional
convinha ao sistema nacional.

“Opus Dei” em seminário
excomungava todo o otário
da catequese paga em moeda
ao infeliz incauto sem queda

O labor na assistência social
fugia do choque laboral
nova missão, nova pastoral
alterava o povo, a moral

Os ventos traziam nova frescura
de ricas terras em noite escura
a mudança era luta social
o povo silenciava contestação
e lentamente – a emigração.

A estratégia do modelo
cristalizou no novelo
embora toda a entrega
não fuja a qualquer regra
de eremita e sacerdócio
de abnegação, sem ócio.
A moderna aldeia do Vaticano
definhava ano a ano!...

Todavia a obra fica:

Salão paroquial, centro de formação feminina,

creche para crianças, fontanários, lavadouros,

correios, assistência a idosos e pobres, posto médico, etc...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.13

Esvoaçavam as tintas na paisagem
em alegres aguarelas sombrias
em notas musicais de aragem
artista em gaia carruagem.

O movimento expandia-se
em criatividade e idade
e da vila feita cidade
erguia-se grande, dizia-se.

O apodo de capital das artes
no negro impresso em jornais
é pedaço de ti, de tuas partes
dos teus segredos e baluartes

O homem parte
queda-se a arte.
Os vindoiros e seus tesouros
testemunharão teus louros!..

P’ra ti Isidoro
resta um coro.
O coro de artista....

Episódios da Raia.12

"Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas.
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.
Numa banda a Espanha morta
Noutra Portugal sombrio
Entre ambos galopa um rio
Que não pára à minha porta.
E grito, grito: Acudi-me.
Ganhei dor. Busquei prazer.
E sinto que vou morrer
Na própria pátria do crime.
Vou morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.
(Amália Rodrigues)

Na rua oblíqua da tua morada
segredava-me em noite cinzenta
que o fado canta e acalenta
destinos fatais em tormenta.

O estoicismo esconjuro
em praga fatal e perjúrio
mas “vim morrer a Gondarém...”
é enigma fadista mais além
escondido em ti, mais ninguém.

(Não sei)-“Pátria de contrabandistas”
da dor e prazer não fatalistas,
correu sonoro pela tua garganta
em enigma que nos espanta.

Nunca desvendou a pitonisa
o segredo, o espanto e o medo
da dança envolta em desterro,
do amor traído em tábua lisa.

“E aceito nas mão da noite
A memória por castigo”
sortilégio dionisíaco em dança
aberto ao mundo em postigo.

A tragédia em transgressão
da “gota” em testamento
deixa a dor e prazer em acção
como lema do teu lamento:
“Ganhei dor. Busquei prazer”
na rua oblíqua da tua morada
calei-me em segredo de dizer.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...