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sábado, 10 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.3

Girava a mala verde nas transportadoras de bagagem do aerorporto "Charles DeGaulle", quando ecoou nos altifalantes:
- "A.M. détenu à cause des autorités portugaises".
O avião da "Air France" já tinha descolado sem autorização das "forças militares", ainda que estas garantissem que não levantaria voo. A torre de controlo civil reiterava:
- "Era o que faltava, com os motores em aquecimento, estar à espera de um passageiro"
Martelava-se no "pbx" da caixa telefónica, aguardando resposta dos serviços militares. Ansioso, o passageiro, em questão, afirmava estar dentro da legalidade, já que permanecia no país ao abrigo de um decreto presidencial, retorquindo:
- " Se não for de avião, amanhã; irei de combóio."
No dia seguinte, voava tranquilamente o avião sobre a Galiza, enquanto se discutia haver passageiros a mais dentro da aeronave.
Adeus Pedra Rubras, Adeus Porto!...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Episódios da Raia.2

Por duas vezes atravessara o rio. Uma vez, remando a favor da maré com o velho amigo da faculdade, outra vez nadando até à ilha da Boega e da ilha até à margem galega.
A dois metros da água, jazia impávido e sereno o passaporte. enrolado em suave casaco branco e delicadamente vigiado por dois sapatos.
O amigo ("cujo doutoramento implicou a vinda de um mestre françês até ao velho Porto") zarpou com medo e receio das rebuscadas rondas dos "carabineiros", cujos chapéus elegantes e azuis conjuntamente com o roncar das suas motos assustavam a taciturna e tranquila margem do rio.
Deambulava, atónito com tão inusitado desencontro!... Umas calças pendiam desalinhadas, amigavelmente cedidas por um galego conhecido, que por ventura nos ajudavam a pedir boleia.
A noite caía desesperada, alegremente confortada por um sono no banco traseiro de uma velha viatura. Pela manhã, a porta abriu-se sob o impulso de uma mão generosa, que nos estendeu um copo de leite quente.
"Quando não se pode ir para o mar, fica-se em terra!..." - diz o ditado
Acossado na fronteira, o meu amigo foi esconjurado de altaneiro "passador" e intriguista.
O rio brilhava em tons cambiantes de sedutora cor, inebriado com a beleza de uma doce donzela que se refrescava em voos de rapidez estonteante. E, da amargura dos dias anteriores soltou-se uma linha de liberdade, que somente os carris pararam na suave planície francesa!...
Adeus Eiras, Adiós Goyan!...

Episódio da Raia.1

De soslaio admirava Zeca Afonso, sentado no balcão do Café Marinel.
Rapidamente se improvisou na Praça Pública um palco para tão digno artista, que maviosamenete cantarolou as "canções de Abril".
Vagamente, recordava algumas árias que naquela madrugada ecoavam através da rádio, nos confins da fronteira de Valença.
O combóio estacionado na estação de Valença estava prestes a partir! Já tinha saboreado sofregamente uma refrescante "coca-cola", quando retornava ao meu lugar na carruagem. Alguém susssurrava ao meu ouvido dizendo que ecoou um nome, cujas sílabas referenciavam a minha identidade.
- "Nada a fazer" - cogitei pesarosamente.
Dirigi-me aos guardas de serviço, que ousadamenete me transportaram até ao posto fronteiriço.
- "Está aqui pendendente um aviso de captura dos serviços militares" - argumentou o oficial de serviço.
- Okay" - anui, em conformidade, continuando.
- "Mas já que estou detido, presumo que devo jantar, ainda que o repasto advenha do "hotel"
Apesar da ousadia, assim aconteceu.
Na manhã seguinte, após diligências informativas para o DRM do Porto, fui libertado, com a frase seguinte:
- "Você, não merece isto!..."
Adeus, Valença.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A televisão do Povo

Um ex-director da ORTF francesa afirmava no seu curso que a televisão é "do povo e para o povo". (Será que o dr. Moniz apreendeu tão rapidamente esta ideia para a TVI?)
Todavia, o discente arguia que se fossse dirigente de uma cadeia televisa teria outra orientação, o que lhe mereceu uma efusiva saudação!...)
Tudo isto, vem a propósito, da sacrossanta-político instituição RTP, (vulgo, empresa).
A sociedade civil paga na factura da electricidade o seu serviço.
Portanto, não deve ser a sociedade política a gozar dos seus privilégios, a maior parte do tempo, sobretudo a exercer um controlo, (não falo do serviço internacional).
Para bem da concorrência e da sociedade civil e, também do direito, dêem a televisão ao povo, porque a televisão é do povo.

Cem mil

Paris regorgitava com um milhão de portugueses!...
Cem mil eram desertores, refractários, compelidos ao serviço militar. Onde estão?
Recordam-se dos dois mil na sala da Mutualité? Onde estão?
Recordam-se da conferência do Vitor Alves na Cité Universitaire de Portugal em Paris (Ex-Calouste Gulbenkian) propondo que os portugueses voltassem para Portugal; enquanto que os serviços consulares negavam o passaporte aos estudantes de Paris?
Apareçam, velha guarda!...

O milagre de Belmiro

Costuma dizer a sociologia americana que se tiveres um curso e nasceste filho de dono de fábrica serás director, senão irás para o mercado de trabalho.
Consta-se que Belmiro esteve num conferência de Davos e descobriu que as chamadas telefónicas costavam uns cêntimos.
(Por acaso, por vezes, telefonava para Moçambique ao preço de 35 euros!..)
Nada melhor que criar uma empresa para o "filho da fábrica".
Por acaso, não se tornou o "rei" dos telefones, mas lá que milagre foi, já que hoje se telefona a um preço bastante razoável!... (Alguém me pode explicar as razões técnicas?....)

sábado, 3 de janeiro de 2009

O "staff" presidencial

Os comentadores políticos ficaram um pouco siderados com a temática dos Açores.
Qualquer leigo em matéria política percebe que se trata de uma noção de poder: ou seja, de poder presidencial.
Todavia o "timing" da intervenção" de 31 de Julho até Dezembro, surtiu um efeito de imprevisíveis consequências.
Estaremos enganados ou não, mas o "staff" presidencial não se muniu da melhor "diplomacia".
A presidência deve ter os melhores "experts" em defesa militar, relações externas, económicas, sociais e culturais. Longe vão os tempos em que não havia um orçamento para Belém.
Aliás, por vezes, louva-se a "sagesse" do povo português em escolhas partidárias!...



Que a "bandeira nacional", símbolo dos portugueses fique bem içada pelos militares portugueses, para provar à "velha raposa do deserto", que a ilha da Madeira só tinha coelhos, e os Açores - flores!...

PORTUGAL, MADEIRA e AÇORES: "Comandante! O povo está contigo".

Comentário: "a posteriori" - Expresso de 04 de Julho de 2009

"Teimar no Estatuto dos Açores"
"A guerra dos Açores assinala o dia a partir do qual o bom senso deixou de imperar em São Bento. (...)

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...