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quinta-feira, 11 de junho de 2020
EUROPOLITIQUE: Pelas terras de Remexido, pelas pessoas de São Bartolomeu de Messines
segunda-feira, 8 de junho de 2020
domingo, 7 de junho de 2020
EUROPOLITIQUE: Recuerdo de "AGUAVIVA"
....Dos holofotes e da morte
Misturavam-se
os poemas
dos ciprestes
de “Platero e eu”
com os “poetas
andaluzes”
que pelas
ruas de Lisboa
deixam “Aguaviva”
à toa
....dos holofotes
e da morte
Era ali,
naquela estreita rua
Que se
escondia o grupo da liberdade
...dos holofotes
e da morte
Que o sangue
das veias despertava
E Lisboa
insana acordava
...dos holofotes
e da morte
Pelas ruas e
avenidas
Os cartazes
da droga anunciavam
...dos holofotes
e da morte
Mas desconheciam
a outra sorte
...dos holofotes e da morte.
Desconheciam
na bússola e no norte
...dos holofotes e da morte
O caminho, a
via, a rota, e, a estrada.
...dos holofotes e da morte
As lutas armadas
que levam a nada
...dos holofotes e da morte
Na selva, no
mar, na guerra em dote.
...dos holofotes da morte.
sábado, 6 de junho de 2020
EUROPOLITIQUE: "Se encontrar o seu anti-eu, ou, o seu antiego não lhe aperte a mão"
A revolta interior
pode virar-se contra nós, com a sua energia maléfica de tal modo que nos odiámos
a nós próprios. Não vamos entrar pelos campos da psicologia, dessa energia negativa
sobre nós próprios – masoquismo, ou, nessa força violenta sobre os outros - sadismo.
Por que
motivo, eu fiz isto ou aquilo? Por que tomei esta ou aquela atitude? Eu, não
desejava nem queria fazer isso. Aquilo é precisamente o que eu, não quero ser.
Estas considerações e comiserações levantam-se, por vezes, dentro da nossa autoconsciência.
Duplica-se em nós, esta forma de análise que nos revela um “anti-eu”, ou, “antiego”
que nos incomoda interiormente, e, nós detestamos. Sentimos repulsa, ódio, nojo, vergonha,
comiseração por sentimentos que se nos revelaram de forma tão negativa para a
nossa perceção individual.
«Se
encontrar o seu anti-eu, não lhe aperte a mão» (1)
Não lhe aperte
a mão por que é capaz de estoirar “num clarão de luz”. Não será fácil encontrar,
em parte ou na sua totalidade, o seu antiego, ou, o seu anti-ego. E, se o
encontrasse, desapareceria “num grande clarão de luz”. «Toda a
partícula tem uma antipartícula, com a qual pode aniquilar-se». «Pode haver
anti-mundos e anti-pessoas feito de antipartículas». (2)
Ora, se a natureza
tem antipartículas, como forma de movimento, de rotação e de vida; a energia
necessária para a sua pessoa processa-se nesta negatividade que o torna mais
responsável para consigo mesmo. Por isso, não quero apertar o pescoço ao meu
anti-ego, ou, ao meu anti-eu, porque ainda tenho oito minutos de luz
desde que a vela do Sol se extinga.
(1) e (2) HAWKING,
Stephen – Breve História do Tempo, pg. 85, Edições Gradiva, Lx.2011.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
EUROPOLITIQUE: Pindérica e Garrida estava a Rapariga
“Pindérica e garrida” estava a rapariga - cogitava para consigo mesmo, o “Remexido”. Recentemente tinha chegada de terras algarvias, a sua vizinha de brincadeiras jovens de outros tempos. Vislumbrava-se nela a aparência de que se tinha misturado com “novos ares” de turistas que começavam a deambular os areais quentes daquela província do Sul. Pela forma de vestir, e, pelos ares da sua graça, deixara-se contaminar pelas modas do turismo que começava a bafejar os barrocais e as praias do Algarve. Os novos tempos e os novos costumes estrangeiros começavam a modificar o tom cinzento e pardacento que ainda marcavam aqueles tristes anos de isolamento com o mundo exterior. As roupas coloridas da sua amiga destoavam do tom desbotado e pardo, que as viúvas erguiam com mãos de angústia e lamento.
“Pindérica e garrida” estava a rapariga – martelava esta ideia na cabeça de “Remexido” que pressentia que alguma coisa remexia na sua recordação e memória de outrora. Se não era a velha amizade que estava em causa, nem qualquer mágoa que nele despertasse; era, porventura, um novo olhar que o interrogava, que o questionava com uma impaciência e dureza, que o desconsertava na sua juvenil timidez.
“Pindérica e garrida” estava a rapariga – ecoava, novamente, na cabeça de Remexido. Aliás,
era um olhar que o lançava contra o espelho numa nova perspetiva, contra uma
imagem que escondia outra na sua aparência. Uma imagem dupla de indigência e
atraso que se ocultava na sua pertinência e desenvoltura. Uma nudez de algo latente
que se queria devolver e tornar presente. Era um vazio de um futuro que se não
conseguia capturar, nem se tinha a capacidade de intuir ou observar. Genericamente,
perpassavam anos de transição, de isolamento e de fechamento em relação ao
mundo exterior. Mas, na sua cândida inocência não se vislumbrava nenhuma chamada
de sentido, ou, de orientação, que o tom das suas palavras despertava e apregoava.
"Pindérica e garrida" estava a rapariga, naquele dia. A crítica esmorecia face à recusa e falta
de sentido na sua juvenil compreensão. “Remexido” remexia-se confuso e
confundido naquilo que lhe era dito em soletrado. Qualquer sortilégio não lhe desvendava
aquele obscuro mistério, vindo de uma província do Sul. Nem por sombras se
entendia a negra cor que circundava pelo ar neste pequeno retângulo, que
mantinha as pessoas taciturnas, e, conformadas na sua plácida e normal natureza. Os
sinais de alerta tornavam-se escassos e longínquos para qualquer juvenil interpretação.
A pacatez instalada não permitia confrontar os novos ventos, que longinquamente
acenavam com novas formas de mudança. E, nesta incompreensão parece que as próprias
sombras do obscurantismo se escondiam nos seus novelos que não se conseguiam
decifrar. Presos à tradição, conservavam os seus atávicos regulamentos que lhe
davam algum conforto e alento. Era um simples
olhar que entrava dentro de si mesmo, e vendo-se despido e nu, se nutria limitado
e pobre, mas procurando erguer alguma nobreza.
Não, não, ela não estava nada “pindérica, nem garrida”, a rapariga. Ela
tinha outro olhar que fazia pensar. Inocentemente naquela idade, nada havia a
mudar. Nem as forças juvenis chegavam para qualquer outro combate. Era
simplesmente o gesto de comunicar que além das serranias existia um mar, uma
terra para sonhar. Eu, na minha concha, na minha prisão celular, não entendia o
chamamento do seu olhar. Não via, nem vislumbrava o seu despertar para acordar,
e, ver um novo raiar. Não conseguia deixar-me embalar numa nova aurora. Não fugia
porta fora, nem queria voar.
Eu estava parado e marcado, hirto e tiritante
no meu caminhar, e “pindérica e garrida” estava aquela rapariga.
segunda-feira, 1 de junho de 2020
EUROPOLITIQUE: A figura emblemática do "Remexido" de São Bartolomeu de Messines - Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco não deixa passar incólume esse "popular personagem" de São Bartolomeu de Messines, cujo nome é Remexido.
Tal como Zé do Telhado são duas figuras ímpares das suas descrições literárias
sobre os usos e costumes, que marcaram a tradição popular, e, fazem parte do "imaginário" português do século passado. No Norte do País pontifica o "Zé do Telhado", no Sul do País campeia o "Remexido".
Zé do Telhado desnorteou-se da sua vida honesta, e, pretendia “dar aos pobres,
o que roubava aos ricos”, numa espécie de justiça popular. Foi bandoleiro e
morreu santo em Angola.
Remexido, capitão de "malta de prosélitos" consegue reunir quase mais de 200 homens, por causas políticas, e, torna-se chefe
do "banditismo de navalhistas impenitentes", na pena de Camilo. Esta imagem de bandoleiro, assaltante de
estradas, homem sanguinário e facínora, está associada à sua filiação política
de “miguelista”. Aliás, consta que era homem de posses, capitão de ordenanças, chefe militar, mas uma vez
perdida a sua causa política, é obrigado a capitular perante o duque da Terceira (forças liberais), tendo como refúgio uma gruta
algarvia.
José Joaquim de Sousa Reis, nasceu em Estômbar, em 19 de Outubro de 1797, e
morreu, em Faro, em 2 de Agosto de 1838, no cadafalso. Enamorou-se por uma linda
algarvia, em São Bartolomeu de Messines, adquirindo o alcunha de “Remechido”, cuja rua
atesta este nome, embora Camilo o trate por “Remexido”, e, salteador de estradas.
terça-feira, 26 de maio de 2020
EUROPOLITIQUE: DUAS ILHAS COM AMORES: A "ilha dos Amores" em Camilo Castelo Branco e a "ilha dos Amores" no rio Minho.
O "bosque de amieiros" formavam "a Ilha dos Amores" que Camilo Castelo Branco descreve em"Maria Moisés" nas "Novelas do Minho", na qual se escondia uma "rapariga, frágil e bonita", apaixonada por um fauno, causador da sua tragédia. Todavia, "emboscados num choupal da Ínsua", (não) "eram mais inocentes que os pássaros": o cadete e a loura de Santo Aleixo"
Esta pequena ilha surge no rio Douro, desafiando outra escondida no rio Minho, também ela chamada de "Ilha dos Amores", que segundo a lenda, um português e uma espanhola, que por desavença parental, nela se enamoraram.
Alfredo Roque Gameiro que nasceu em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril de 1864 e faleceu em Lisboa, a 5 de Agosto de 1935, dá-nos a plasticidade cromática mais singular desta ilha. O constrate de cores era evidente, antigamente. Hoje, predomina a monotonia de verde que a circunda. A mescla de árvores de folhas perenes e caducas fornecia a variedade cromática, que infelizmente desapareceu numa fábrica de madeira de Barcelos.
Os amieiros e os salgueiras (sincerais, poeticamente dito) predominam sobre as faias, os freixos, e, árvores demais!...
"Novelas do Minho", Camilo Castelo Branco, Novelas do Minho, págs. 48-51, Edições Expresso e Ed. Aletheia, Lx. 2016.
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