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segunda-feira, 26 de abril de 2021

EUROPOLITIQUE: Na geografia da América do Sul perdura o "estreito de Magalhães".

 

Certamente que para a cultura intelectual francesa “Magalhães” é um nome exponencial que ultrapassa a "simples e modesta memória popular" gaulesa de Eusébio ou Amália Rodriguez.  A sua elocução ou recitação intelectual francesa faz esquecer a "memória da identidade portuguesa" acerca de Vasco da Gama ou Camões; sobretudo, no momento ou na época, em que era descoberto Fernando Pessoa, em finais do século XX. Quando lemos a obra de Stefan Zweig (1881, Áustria -1942, Brasil) sobre as atribulações deste distinto navegador da circum-navegação mundial, começamos a entender melhor o objeto desta distinção entre a dita classe dos intelectuais franceses.

Em 10 de agosto de 1519, partiram de Sevilha cinco embarcações, financiadas por vários negociantes e pelo Rei de Espanha, à procura da mercadoria mais preciosa da época: o cravinho (nas Molucas, Indonésia). Mas, por detrás do comércio e seu negócio, aquilo que ficou para a história, foi a certeza que a “terra redonda” era navegável e globalizada, graças à epopeia de Fernão de Magalhães.

A teimosia de Fernão Magalhães acarretou-lhe a sua morte em 27 de abril de 1521; por isso, no dia do seu V Centenário merece que os portugueses vivam e não esqueçam este “herói do mar (do) nobre povo, nação valente”.

Quando nos retemos neste pequeno retângulo à beira-mar plantado, não podemos esquecer, que entre 28 de novembro de 1520, e, 16 de março de 1521, na viagem de Magalhães, somente o céu azul flutuava nas águas do Oceano Pacífico, demonstrando que este “planeta azul” não é uma ilusão lunar, mas um lugar digno para se habitar. E, se desde o rio da Prata até às Ilhas Filipinas rondam 20.000 Km, ou seja, metade da dimensão circular da Terra, nos nossos "costados" até à vizinha Espanha, somente arquejam sobre os seus ombros, cem vezes menos desta distância, o que nos concede 1% do seu valor. E, se dez é o exponente máximo da força humana, dez vezes dez, é este colosso, que se chama Fernão Magalhães. E, se as elites falham neste País, os colossos erguem-se de forma única: Magallanes.

sábado, 24 de abril de 2021

EUROPOLOTIQUE: "Por quem os sinos dobram... " (1961 - 1974), a "Guerra do Ultramar"

 

Cresci a ouvir a telefonia, com os “plangentes e sonoros sinos, a dobrar a finados” sobre a queda de Goa, Damão e Diu, já que as tropas indianas ocuparam estas terras em 18 de dezembro de 1961. Por ironia do destino, mais tarde, em Cuba, encontrei um filho de um soldado português, cujo pai vagueou um mês por terras da Índia até chegar a Portugal. Desde o ano de 1956, que a maioria dos países africanos se tornaram livres e independentes. Nesta senda de emancipação africana, alguns políticos internacionais tentavam convencer o regime português para a autonomia destes povos. Apesar das promessas e ajudas financeiras ao País permaneceu o atavismo e conservadorismo político, com alguma conivência da hierarquia católica. Já, em 8 de junho de 1958, a simplicidade de muitos portugueses, não impediu que se votasse em Humberto Delgado, apesar de uma derrotada orquestrada. Por isso, três anos após estas fraudulentas eleições, a “Guerra do Ultramar” explodiu. E, com as “lágrimas nos olhos” partiam os primeiros mancebos do Alto Minho e de Gondarém para a guerra do Ultramar, desde a estação ferroviária de Viana do Castelo, em “comboio militar”.

Com o despontar da “guerrilha” no Norte de Angola, inicia-se a “Guerra do Ultramar”, no ano de 1961. E, desde a cidade do Porto, onde se cruzavam as linhas de comboios do Norte do País, as carruagens enchiam-se de tropa. Consta-se que a nível geral do País, se atingisse os 80 mil de mobilizados, para uma guerra colonial que custou 9 mil mortos e 30 mil feridos.

Em 14 de dezembro de 1972, faleceu José Maria Sobrosa Araújo, em terras de Timor-Leste, cujo corpo foi reenviado para Gondarém, em fevereiro de 1973. Anteriormente, em trinta de dezembro de 1970, também tinha sido sepultado em Gondarém, José Rodrigues de Carvalho Lopes, apesar de ter nascido na freguesia de Loivo. Felizmente, grande número de combatentes nas outras “províncias ultramarinas” não sofreram tal sorte.

Em 1972, a «primavera marcelista» nada trouxera de novo; já que, desde janeiro de 1969, Marcelo Caetano estava no poder. E, a audiência papal de Paulo VI, aos líderes do “movimento de libertação”, em julho de 1970, não influenciou qualquer decisão política. (Paulo VI esteve em Fátima, em 13 de maio de 1967).  Nestes tempos, apesar da reunião de cinco mil jovens católicos, na capital portuguesa, o arcebispo de Lisboa D. António não tomou qualquer posição política, acerca da Guerra do Ultramar. Somente, as detenções e prisões na “Capela do Rato”, em 30 de dezembro de 1972, tiveram grande eco nos meios católicos, e, no País.

Desde o ano de 1961 até 25 de Abril de 1974, durante mais de 13 anos, sucediam-se as convocatórias para o serviço militar obrigatório, ao qual “nem os coxos escapavam”. (Em 1964 deflagra a guerrilha em Moçambique, sem esquecer a mais complicada e temida guerra da Guiné-Bissau, em 1963). O grupo de jovens desta localidade, na maioria aptos e convocados, eram acompanhados pelo som da concertina do Tio Benigno, até ao local da inspeção, nos Paços do Concelho. Para muitos mancebos, era uma festa e uma honra cumprir o serviço militar, a cuja experiência não resistiam certas moçoilas. Contudo, logo a seguir a este inicial fervor e entusiasmo pelas “Armas”, ou, Forças Armadas, como não se vislumbrassem nenhuns princípios de solução política, surgiram três tipos de infratores: os compelidos (ausentes à inspeção), os refratários (aptos e convocados, mas desaparecidos) e desertores (militares em fuga). As fronteiras fechavam-se com avisos de captura por terra, mar e ar. Os mais audazes e revolucionários ultrapassavam estas barreiras, outros ficavam detidos nas suas masmorras; detidos, ou, presos.

Esta tripla tipologia atingiu vários mancebos de Gondarém; alguns foram intimidados com dupla convocatória: “via militar” e “via dos serviços da Justiça”. A vigilância social fazia-se através do papel dos “bufos”, ou, “serviços secretos” da PIDE. Contudo, a maioria dos jovens desta freguesia cumpria honradamente o serviço militar; quer na marinha, artilharia, ou, força aérea. Honrava-se devidamente a instituição das “Forças Armadas; ainda que, por vezes, (segundo consta) os alvos militares na Guiné se afastassem deliberadamente, ou, as folhas das mangueiras escondem-se os condutores de “carros de combate”. Sucediam-se os “pequenos relatos” das galinhas apanhadas com o andamento do comboio, na via-férrea de Tete. À recolha de notas “angolares e meticais” aplicava-se o seu respetivo câmbio, como forma de introdução do recente recruta, nesta ou naquela província ultramarina. As “divisas de sargento ou capitão” exibiam-se com distinção e orgulho, ao mesmo tempo que se lamentava a falta de respeito por quem não reconhecia o sargento da terra natal. Os «furriéis milicianos” faziam a delícia dos seus amigos com o fumo dos seus maços baratos de tabaco, quando não se perdiam em copos de whisky. (De salientar que este curso criado em 1969, como “quadro especial de oficiais”, era um cargo que rapidamente dava origem a capitão).

Entre 1961 e 1974, esta sangria da juventude local alia-se a outra fase da emigração, gerando uma grande crise demográfica. Parece insólito, mas alguns emigrantes voltaram para as fileiras militares, com orgulho na defesa da Pátria. Mas as feridas destes combates, a nível geral do País, deixaram 30 mil feridos, e, 4500 mutilados; além de perto de 10 mil mortos. Muitos combatentes ficaram alucinados, psicologicamente, por causa dos efeitos da guerra. Algum marinheiro escapou deste infortúnio, ainda que a “fragata a carvão” desaparecesse em pleno naufrágio.

Muitas histórias familiares de “índole e memória pessoal” perduram com as suas “versões e seus pontos de vista”, por isso deixámos ao imaginário coletivo a sua recordação.

PS. «Crismado pelo bispo auxiliar de Braga D. António, na igreja de Gondarém; e, presente na reunião de jovens na capital, com o mesmo clérigo, sendo  já Arcebispo de Lisboa».  Nota do redator.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

EUROPOLITIQUE: A antiga "escola do Calvário" e a "escola dos Centenários"

 

Escola Primária de Gondarém

Os antecedentes da antiga escola do Calvário:  "Gouvim e o ensino do Latim"

Ainda que, desde 1498, por decisão da Corte, todos os fidalgos portugueses tivessem a obrigação de ensinar os seus filhos a “ler e escrever”, dada a carência de "mestres públicos" recorria-se aos clérigos, ou, "padres de família", para exercerem esta função educativa. Até, ao ano de 1759, a aprendizagem de "ler, escrever e contar" estava a cargo dos mosteiros, ou, ordens religiosas; aliás, como era o caso exemplar das abadessas de Santa Marinha, na freguesia vizinha de Loivo, que tinham o seu "scriptoria".  Nalgumas famílias abastadas, com tradição didática, esta tarefa educativa incluía o ensino da gramática latina, e, do grego.  Assim, acontecia na casa da abastada “família Guerreiro”, no lugar de Gouvim, na freguesia de Gondarém, em cujo seio florescia uma tradição geracional de vocações sacerdotais.  Esta "pequena escola particular" deve a sua origem à influência do seminário de Braga, obra de Frei Bartolomeu dos Mártires, em 1571. É, sobretudo, a partir do século XVI, que se desenvolvem estas tradições familiares de índole religiosa e didática, de onde desponta o ensino da "gramática latina", e, do grego, «em casas de seu irmão, João Manuel Guerreiro de Amorim Pereira, desembargador da Suplicação, que ele obteve breve apostólico, para ter oratório particular, tanto no Patriarcado de Lisboa, como neste Arcebispado…». Cf. (Arq. Distrital de Braga, 23.11.1819). Neste exercíco escolar faz-se referência ao controverso padre João Crisóstomo Guerreiro de Amorim Pereira, que chegou ao cargo de "Cónego de Braga"; e, mais tarde, senhor e dono da "Quinta do Outeiral". O exercício deste "múnus eclesiástico e didático" não fica isento de uma acesa polémica, por causa de invejas ou "injúrias de excomungado", atribuídas pelo abade de Gondarém, António Pedro Pacheco ao Cónego de Braga, corria o ano de 1820. Cf (Arq. Nacional da Torre do Tombo).  "Per se" o  cargo de "cónego" dava-lhe  o grau de "mestre"; quer em "ofícios eclesiásticos", quer na "atividade docente". Consequentemente, usufruía do pleno direito de dirigir ou orientar uma escola. O famigerado "cónego de Braga", dado como nato em Lanhelas, comarca de Caminha, aparece com a menção do lugar de  "São Martinho". Ora, aqui existe um certo equívoco de local, já que o sítio vizinho e ao seu lado, se chama, precisamente de Gouvim, pertencente à freguesia de Gondarém. Após, estas vicissitudes, consta que o "Cónego de Braga" tenha falecido, em 5 de outubro de 1855, na vizinha freguesia de Loivo, tendo sido desapossado da sua propriedade, a Quinta do Outeiral. Aliás, as duas casas existentes no lugar de Gouvim, e, pertencentes à "família Guerreiro", estiveram muito desleixadas até meados do século XX; ainda que estas edificações remontam ao ano de 1524, conforme inscrição encontrada.

Tradicionalmente, nas famílias católicas e abastadas, vigorava o costume de "consagrar" um dos filhos aos "serviços sacrossantos" da Igreja. Nesta tradição, inscreve-se a família dos "Guerreiros" de Gondarém, que através deste costume exibem a demonstração do seu "oratório particular". Acresce-se, que o "breve apostólico" do "Cónego de Braga, com "graça e bênção" especial, ajudava a manter esta dádiva de "consagração religiosa", que se desenvolvia numa pedagogia para a aprendizagem eclesiástica. Este vínculo e afinco pela educação pode remontar a uma antiga tradição, à qual está ligada o culto da Capela de Santa Ana, da "Quinta do Outeiral". Além disso, aos seus padroeiros estavam ligados os "benefícios", oriundos do antigo "Padroado de Gondarém" e da sua abadia para auxíliar a formação de jovens. Já, na Idade Média, junto a qualquer catedral, abadia ou padroado, havia sempre a possibilidade de alguma aprendizagem pelo saber elementar de "ler ou escrever".

A “Escola do Calvário”

Oficialmente, o ensino primário, cujas aulas elementares se restringem às competências básicas de saber “ler, escrever e contar” encontram-se assinaladas na freguesia de Gondarém, através de uma casa, sita no lugar do Calvário, que «está arrendada para a escola da freguesia de ensino oficial e rende anualmente dezasseis escudos»: ou seja, a "Escola do Calvário".  Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo, 15.03. 1928).

É, à "imagem" do seu padroeiro Sam Payo, e, dos seus "benefícios", segundo consta, que surge esta escola, dedicada a toda a população. Refugiam-se na proteção deste santo e dos seus monges, aqueles que se dedicavam ao "trabalho e oração (ora & labore), e, agora, os primeiros alunos ou discípulos que a frequentam, no começo do século XX. No início deste século, segundo testemunhos orais", havia um professor, além de outros docentes. Se, nos é permitido fazer uma certa "sociologia da educação", nestes tempos e nesta localidade, em pleno século XX, distinguimos três gerações, em análise. A primeira, a partir do princípio do século XX, em que acontece a primeira etapa da alfabetização, que carateriza a 1.ª geração.  A segunda, até à criação das escolas pelo “Estado Novo”, pelos anos trinta e quarenta do século XX, em que se situa a 2.ª geração. Aliás, a geração intermédia da idade das trevas e obscuridade, com uma transição para a escolaridade obrigatória; aliás, acompanhada dos efeitos da emigração nos anos sessenta e setenta. A terceira geração, que já engloba os anos sessenta e setenta, em que predomina o "ensino obrigatório", a dita era dos "alfabetizados". Nesta terceira geração aparecem os simples alfabetizados e aqueles que prosseguem para o ensino secundário, donde emerge um pequeno grupo de licenciados. Esta simplificada análise, remete-nos para um comentário do popular artista Quim Barreiros: "a minha avó era professoras primária; e a minha mãe era analfabeta" (Entrevista de Júlia Pinheiro, SIC, 2021).

Na 1.ª geração, (início do século XX), encontram-se os “honrados lavradores” e “hábeis pescadores” de Gondarém que se refugiam numa” agricultura de subsistência”. A ausência de comércio e a industrialização faziam com que as ditas “competências profissionais” permanecessem nos parâmetros dos ofícios tradicionais. Os "valores de honra" e "palavra dada" associavam-se a uma certa "cultura conservadora e oral", dando origem a uma escassa emigração, para o Brasil e América. O ensino, a nível nacional, com a expulsão dos jesuítas, em 1759, gerou um certo vazio no Reino, apesar da criação das escolas por “Carta de Lei de 06.11.1772”, em que se pretendia laicizar a aprendizagem, com a figura de “Mestres”. A reforma pombalina procedeu ao "monopólio do ensino", através das “aulas régias”, cujos propósitos, em nossa opinião, dão origem à “Escola do Calvário”.  No entanto, se durante o século XIX, o ensino primário não era obrigatório e faltavam os mestres públicos, deixando, por isso, grandes lacunas no processo educativo nacional.  Ao contrário de muitos países europeus, que no final do século XIX, alfabetizaram os seus cidadãos, o número de analfabetos era enorme neste País. No entanto, em 1911, para se destacar da Monarquia, a 1.ª República avançou com uma "reforma do ensino" que deu alguns frutos, nos quais se insere a “Escola do Calvário", com os seus três anos de ensino oficial.

A "primária" e  a  "Escola dos Centenários"

 Na 2.ª geração, (anos trinta do século XX), assiste-se a uma” explosão demográfica”, que atravessa várias vicissitudes históricas e sociais, mas dentro da qual pouco se valoriza o ensino. No entanto, e, lentamente, começa-se a instituir o “ensino primário obrigatório” com a criação de escolas pelo Estado Novo. A “Escola de Gondarém” insere-se na tipologia do “Plano dos Centenários” (1941-1969), refletindo a arquitetura deste “modelo de escolas”, que foram disseminadas por todo o País. Presume-se, que na década de 50, surja a instalação desta escola primária, cuja construção inicial era simplesmente de rés-do-chão, e, tinha como objetivo essencial combater o analfabetismo, com o seu “ensino obrigatório”. (Nesta geração surgem escassos licenciados em "engenharia e direito", nas famílias abastadas). A trilogia de "Deus, Pátria e Família" constitui um arquétipo nacional e educacional, em que o ensino-aprendizagem passa pela "catequese", pela "escola primária" e pelo "valores familiares". As condições socioeconómicas da industrialização e do comércio escasseiam, ou, são quase nulas, apesar do desiderato de alguma pessoa influente que temia a sua instalação nesta localidade; ao contrário das indústrias do rio Ave. Nos anos sessenta e setenta do Século XX, assiste-se ao grande fluxo emigratório para os países europeus, e, outros. Nesta época, a 4.ª classe torna-se o passaporte para muitos empregos e funções sociais. Apesar do esforço governamental do Estado Novo, esta 2.ª geração revelou um nível de analfabetismo elevado, até ao 25 de Abril de 1974, embora tenha uma época de transição, ou, intermédia. Todavia, a partir dos anos sessenta, e, sobretudo setenta, dá-se uma viragem nas ambições escolares.

Na 3.ª geração inscrevem-se, obrigatoriamente, os "alfabetizados" por causa da obrigatoriedade do "ensino primário", ou seja, ninguém podia escapar à escola. E, lentamente caminha-se para o patamar seguinte, ou seja, o acesso ao ensino secundário: os liceus, e, as escolas comerciais e industriais. Todas as capitais de distrito têm ensino secundário, e, para lá são encaminhados alguns afortunados. A qualificação para certos empregos implica habilitações do ensino secundário, já que o “ensino primário” se torna ultrapassado e insuficiente. Nesta 3.ª geração surge o grupo mais extenso de licenciados. No dealbar da democracia e anos seguintes emerge este grupo de licenciados que se espalha por outras paragens.

    Obs:

«À capela do Santuário do Calvário ainda pertence uma casa existente junto à mesma pelo lado nascente, que pertence à imagem de S. Paio, erecta na dita capela, ali muito venerada. Está arrendada para a escola da freguezia de ensino oficial e rende anualmente dezasseis escudos».  Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo, 15.03.1928).

"Breve apostólico” é uma espécie de “bula”, que envolve “bênçãos, privilégios ou funções”, neste caso, desconhecidas, mas que fizeram dele o futuro cónego de Braga, e senhor da Quinta do Outeiral. À falta de uma capela, ou, ermida erguia-se um “Oratório”, como meio de devoção e oração. Faleceu em Loivo, em 5 de outubro de 1855. Regista-se, o seguinte testemunho: «os meus ancestros clérigos da casa de Gouvim (…) dedicavam-se a ensinar Gramática, Latim e Grego aos adolescentes que almejavam seguir a carreira eclesiástica» (Cf. Dr. Álvaro Guerreiro Silva, V.C.)“

quinta-feira, 1 de abril de 2021

EUROPOLITIQUE: Em busca do "Terrorista Elegante" - à procura de Mia Couto e Eduardo Agualusa

 Em busca do "Terrorista Elegante"

Procura-se angolano assimilado, que fala com os pássaros, “mestre em espíritos, domador de demónios e dragões”, cuja base de treino se situa nos “scriptoria” do rio Umbeluzi; e, que se tornou um “terrorista elegante”, depois de sair da Síria, e atuar nos palcos e nas ruas das terras do Ocidente, espalhando o terror dos seus feitiços.
Partida:
Saímos numa canoa de vela triangular, em direção à foz do rio Umbeluzi, na baía de Maputo. Deixamos o cais desta baía, que se encontra encastrado junto de um edifício ministerial, cuja construção clama pelos ditos presos chineses. Mais à frente, e, em plena e tranquila enseada, reluz a mais recente joia de Maputo, a ponte de Katembe, que do reino dos “tembes” faz parte da sua história.
A ponte suspensa, grandiosa obra chinesa, que não é dádiva e somente resgate de investimento futuro, inscreve-se como fruto de um outro consórcio de bancos de Moçambique, para orgulho nacional. A baía do Espírito Santo tem quatro rios: Matola, Infulene, Umbeluzi e Tembe; destes, esquecido fica o rio de Maputo, junto ao mar. Mas, Katembe, diariamente, enamora-se com a sua luzidia ponte, que de noite acena com as suas duas belas torres ou pilares, assinalando aos visitantes, que nas suas imensas praias estão extensos e dourados areais.
Consta-se que a economia do estado moçambicano ronda o “produto interno alentejano. Todavia, qualquer leigo em economia dirá que a grandiosidade desta imponente ponte, cujo custo rondou os 700 milhões de dólares, é um brilharete para gáudio da cidade de Maputo, e  digno cartão de visitas da sua geométrica capital.
As longas ruas, “a régua e esquadro”, de Maputo não configuram as curvas e meandros da sua baía, que se espraia por terra e mar. Nas várias lagoas serpenteiam as águas quentes do Índico. Mas, na sua imensidão navega uma pequena noz, com a sua branca vela triangular, perdida e acariciada pelos ventos, de marés tranquilas e bonomia, que ruma em direção à base e refúgio de treino do "Terrorista Elegante".
A "canoa de vela erguida" navega em direção ao estuário do rio Umbeluzi, ao fundo da baía de Maputo, (esquecendo-se destas maravilhas diplomáticas chinesas. e , da sua ponte), para ancorar na estreita e apertada curva do bairro “Belo Horizonte”, avistando o “famoso alpendre”, cujo negro colmo cobre o seu teto e abafa a alvura da sua casa, rodeada de suaves tons de verde-escuro. Os verdes bambus e altos muros impedem qualquer passagem para o seu interior. Se não é um fortim, é uma fortaleza, em cujas ameias e alpendres , se avista a doce curvatura do rio Umbeluzi.
Lá, o rio corre em suaves e doces meandros. É, lá que queremos encontrar o “Terrorista Elegante”, que dois célebres escritores ocultaram numa caverna, gruta, ou, escondida mansão. Durante quinze dias estiveram enclausurados no silêncio da escrita e da reflexão, para encontrarem a solidão necessária para tão explosiva violência narrativa. Manipularam as suas mãos, que em vez de quatro mãos são duas, que sendo dois autores é só um terceiro – ou seja, talvez, um terrorista - e, que dizendo ser um único autor foram dois escritores, ao mesmo tempo.
Tal duplicidade de ação e profissão, embora faça lembrar o “Homem Duplicado” de Saramago, implica que não aconteça algum trocadilho que transforme o T. E. (Terrorista Elegante) num E. T. (Extra Terrestre), vindo da selva africana; escapando à sua territorialidade. Já que foi ali, naquele lendário lugar, que nasceu o terrível “Terrorista Elegante”, cujo local de nascimento teve como parto duas hábeis parteiras de quatro mãos.
Para logro público dizem que ele é angolano, que fala com os pássaros, gosta de gravatas e coisas caras, em particular, mulheres; mas, não passa de um inocente charlatão. Viajou até à Síria, comeu e copulou, mas o seu passaporte corre com "risco de morte". Morte ao Ocidente. Morte aos pagãos, cristãos ou ateus. Pois, Alá está do lado de cá e de lá, dos bons, maus e perfeitos, pois ele é Grande; e não aquela dita América. Da abundância e da riqueza nasce a ganância, cuja mãe virtuosa é Africa, e, Angola sua filha, em parte. O Ocidente que se cure da sua doença, porque quem manda é o "Salvífico Oriente". (O estado de terror aliou-se ao terror de Estado, mas exibir em palco esta tragédia é fazer uma comédia com os americanos). Por fim, que venha um Rambo para desbaratar esta triste figura quixotesca deste “terrorista elegante”. Por isso, talvez, não convenha espalhar esta história africana na angústia e tragédia da humanidade.
Subitamente dos meandros do rio Umbeluzi, que serpenteiam Belo Horizonte, uma chuva de aves e pássaros abeiram-se da canoa e dizem: “vade retro satana”, porque este peixe, não é para ti, "cana verde".
A nuvem espalhou-se pelas encostas e suas ilhas verdes, evocando os rápidos e velozes "raids" dos "Homens do Norte", que ainda persistem e perduram vivos e elegantes, nos estuários dos rios e no assalto aos conventos; enquanto. no coro dos copistas medievais ecoa esta oração: “Livrai-nos, Senhor, do terror...” – gritam, aos céus, estes monacais. Ao mesmo tempo que esconjuram os invasores dos seus escritórios (scriptoria), outros vândalos invadem os nossos territórios; e, dizem: - "Livrai-nos..."
«Livrai-nos, Senhor, do terror destes autores»
«Livrai-nos, Senhor, do pecado da sua escrita»
«Livrai-nos, Senhor, da escrita pedante
e do “terrorista elegante”».

quarta-feira, 31 de março de 2021

EUROPOLITIQUE: João Crisóstomo Guerreiro de Amorim - Oficial de Alfândega - (3. ª geração).

 

Oficial de Alfândega: João Crisóstomo Guerreiro de Amorim


Em 01 de janeiro de 1769, institui-se o “Livro Oficial” da alfândega de Vila Nova de Cerveira. «Os registos de provimento e ordens, autos de suspensão, termos de deposito dos direitos reais, registo de cartas e termos de avaliações» constituem as diversas tarefas que incubem a este serviço de fronteiras. Este “livro oficial”, encadernado em pergaminho, tem o seu «termo de abertura feito pelo Administrador-Geral da Alfândega de Lisboa e Feitor-Mor do Reino, para a «escrituração das guias de finanças». Ainda que, desde o ano de 1756, exista uma «receita dos donativos de 4%, conforme o “Livro n.º 1, relativo aos de 1756 a 1759”. Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo). 


É, através dos “Arquivos da Torre de Tombo” que chegamos até João Crisóstomo Guerreiro de Amorim, como “oficial de Alfândegas” em vários “portos secos”, ou “portos de mar”.  Apesar de João de Amorim Pereira e D. Ana Maria Guerreiro terem um filho com idêntico nome, e, presumivelmente com as mesmas funções, já que a referência a “João Crisóstomo” é constante nesta família, pela cronologia apresentada e encontrada, em nossa opinião, achamos que se trata de outro descendente, ou, de igual oficial da alfândega. Assim, e, deste modo, “João Crisóstomo Guerreio de Amorim”, ou, provavelmente, “João Crisóstomo do Casal Guerreiro Amorim” seria filho do desembargador João Manuel Guerreiro de Amorim Pereira e de D. Joana Paula Escolástica Caldeira do Casal Ribeiro; e, portanto, neto de João de Amorim Pereira.


Dadas as referências que surgem no “Arquivo Nacional da Torre do Tombo” achamos relevante realçar a sua trajetória. Além disso, parece que manteve sempre vínculos às “casas” de seu pai, no lugar do Gouvim. A primeira estadia referenciada situa-se, em pleno Alentejo, no “porto seco” da “Alfândega de Elvas”, com “emprego” atribuído de “segundo oficial”, segundo reza uma “carta” e “Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Luís I, liv. 22, f. 263. Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo, 15.12.1870)

 

Com mais de uma década de estadia no Alentejo, João Crisóstomo Guerreiro de Amorim ruma até ao Algarve, por volta de 1884, segundo registo, depois «de ter sido transferido de segundo Oficial da Alfândega de Elvas para idêntico emprego na Alfândega de Faro»; (Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Luís I, liv. 40, f. 262v). Esta transferência aparece com nomeação no “Decreto de 30-07-1884”. Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo).

 

Em 1886, fazendo fé na sua cronologia, João Crisóstomo Guerreiro Amorim recebe com “certificação de autenticidade” ou “apostila”, a «promoção a primeiro Oficial da Alfândega de Viana do Castelo e o transfere para idêntico emprego na Alfândega da Figueira». Deduz-se que esta honrosa promoção é atribuída como “título”, já que foi acompanhada de idêntica transferência para a Figueira. (Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Luís I, liv. 40, f. 261 v.). Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo, 27.10.1886).

 

Nos registos encontrados aparecem mencionadas as Alfândegas de Elvas, Faro, Figueira e Viana do Castelo. Mas, esta última não estabelece qualquer tempo de estadia, ou, permanência. A cidade da foz do Lima funciona como um ponto de chegada e partida, cujo vínculo emerge como meio de promoção, assinalando a sua proveniência, ou, ligação geográfica mais próxima das suas origens. Por isso, encontra-se com “certificação de autenticidade”, ou, “apostila”, o seguinte registo: «1.º Oficial da Alfândega da Figueira, por transferência da de Viana do Castelo». (Registo Geral das Mercês, Mercês de D. Luís I, liv. 40, f. 261v) Cf. (Arq. Nacional da Torre do Tombo, 27.10.1886).

N.B.

A certificação de autenticidade é o reconhecimento pelo qual a autoridade competente do Estado Português reconhece e atesta a assinatura e qualidade do signatário num ato público. O selo ou carimbo é confirmado pela apostilha.


segunda-feira, 29 de março de 2021

EUROPOLITIQUE: Na senda de Tio Benigno - O "Rancho Folclórico Infantil de Gondarém".



«Por iniciativa da professora Conceição Valente nasceu o projeto educativo na” Escola Primária de Gondarém”, no ano letivo de 2000/01, tendo como objetivo fazer renascer uma tradição, quase secular, do folclore de Gondarém. Esta iniciativa granjeou o rápido apoio da Junta de Freguesia de Gondarém, ciente do famoso grupo dos “cinco de Gondarém”, sob a batuta de Pedro Homem de Melo. Um dos objetivos do Rancho Folclórico Infantil de Gondarém é resgatar este património espalhado nos arquivos da RTP, nas redes sociais, e em variados comentários digitais; sem esquecer a lembrança indelével de Amália Rodrigues, sobre esta localidade.  A dança e o canto juntam-se para espalhar a inconfundível “Gota de Gondarém”.
 «Os cinco de Gondarém»
Efetivamente não era um quinteto, mas um quarteto que dançava a “Gota de Gondarém”, composto por “Cândida do Guilhadas, Leandro do Milé, Artemisa do Penedo e o Patego», ao som da concertina do “Tio Benigno”, que Pedro Homem de Melo tratava pelos “cinco de Gondarém”. Dois pares de “bailarinos” que formavam um quarteto, difundindo o “folclore” nos estúdios da RTP no “Monte da Virgem”, em Vila Nova de Gaia, nos anos sessenta do Século XX. 
Por volta de 1965, surge o primeiro “45 rotações”, disco gravado nos estúdios “Alvorada”. Este quarteto podia ser acompanho por vozes de um coro; e, assim sucedeu nos anos setenta do século XX, pelas gargantas da Amabélia da Chazinha e Joaquim do Penedo, em nova versão do Grupo Folclórico de Gondarém, sob a batuta de Pedro Homem de Melo.
Portanto desde anos de 1960, que a famosa “Gota de Gondarém” começa a ser elogiada pela voz torneante e cavernosa do “Poeta do Povo”: «três figuras-base a tornam única, dentro das “gotas” do Alto Minho: o “meio passo”, o “revirado” e “cada qual leva a sua”. Dança coreográfica, por excelência, com um ritmo que é o próprio balanço dos corpos, com um “estribilho” e “marcas” de extraordinária beleza; na “francesa”, os braços é o ar que os sustem, e, os pés, esses passam leves sobre o solo, que nem lhes foge, nem o retém». Cf. (Aurora do Lima, 03.04.1996). E, o Poeta clama:
«Onde estás Artemisa
Leandro, Patego e tu
Corpo intacto, intacto e nu
Correndo na praia lisa?
Nada haverá que me açoite
Meu amor! Meu inimigo
E aceito das mãos da noite
A memória por castigo»
A “memória por castigo” têm-na aqueles que te viram nas tuas correrias entre “Gondarém e os estúdios do Monte da Virgem”, ou, salpicando os teus “pés nos areais de Moledo”. Não esquecendo, aquele ensaio no terreiro da Estação de Gondarém, apinhado de gente, onde hoje está a sede do “Rancho Infantil”. Ou, ainda, o carinho da tua mão sobre aquele bailarino que sete vezes anunciou casamento, e à sétima, se casou. Mas, sobretudo, a voz pausada e cavernosa, que com redobrado carinho, anunciava a “Gota de Gondarém”, na RTP. Só, nos resta agradecer através do tributo que a voz de Amália Rodrigues entoa: "Vim morrer a Gondarém!..."    
O retorno: Rancho Folclórico Infantil de Gondarém
A nostalgia de outros tempos encontra-se colmatada pela aprendizagem de novatos dançarinos nas artes folclóricas (dança e música que ao povo pertence),  que renovam esta tradição cultural. Por isso, aqui deixámos a “ficha técnica” do “Gabinete de Comunicação e Imprensa de Vila Nova de Cerveira”. «Por sua vez, e procurando incutir as tradições nas novas gerações, o Rancho Folclórico Infantil de Gondarém é fruto de um projeto educativo, elaborado no ano letivo 2000/2001, em parceria com a Autarquia e a Comunidade Educativa, criando assim sua secção infantil “Rancho Folclórico Infantil de Gondarém”. No dia 25 de Abril de 2001 foi constituída a Associação com a denominação de Rancho Folclórico Infantil de Gondarém. Com o crescimento das crianças e o surgimento de outras, este Rancho passou a Rancho Infantil e Juvenil, e tem atuado em festas e festivais de Norte a Sul do País e no estrangeiro.»

N.B.

 Diário da República n.º 164/2003, Série II de 2003-07-18

Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo / Listagem n.º 198/2003. Cf. (Ministério da Administração Interna - Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo, 28-3-2003 - Rancho Folclórico Infantil de Gondarém - Vila Nova de Cerveira).

Vide:

Artigo “Jornal de Notícias” de “Ana Fernandes Peixoto” sobre a professora “Presidente Conceição Valente”, fundadora do rancho, (J.N. 01.04.2007).

 Artigo de António Barros Lopes no jornal “Aurora do Lima”, 12.09.2019 (V.C.).

Gota de Gondarém (Dance of Gondarém) - «This gota of Gondarém, a village located about four kilometers north of Viana do Castelo, is performed by a local enthusiast of the musical traditions of northern Minho», in Blogue "Portugal, Festas do Minho").

Várias referências no Jornal "Cerveira Nova", 20.06.2006.

“O Nelson que tinha a alcunha de "Vilarinho de Covas" cresceu a ouvir a concertina do tio Benigno de Gondarém. Um dia, e já tocador de harmónio, foi corrido de um baile, só por saber tocar o “Raspa”. De Covas raspou-se para Lisboa, jurando, só voltar, quando soubesse tocar concertina. Em Lisboa foi carvoeiro, e, no Alentejo, com o seu sotaque nortenho, vendia bebidas tornando-se no “cana verde”. A sua concertina, comprada numa feira da Malveira, levou-o pelo mundo fora e faleceu em 2013, com 91 anos de idade. (Texto adaptado, que agradeço ao autor, Manuel D. Loureiro, in "Blogue do Minho" de Carlos Gomes).



sexta-feira, 26 de março de 2021

EUROPOLITIQUE: Quadragésimo Aniversário do "Clube Desportivo e Recreativo de Gondarém" ( 12. 02.1981)

 

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Nos anos sessenta do Século XX, o parque infantil do “Centro de Assistência Paroquial de São Pedro de Gondarém” tornara-se num pequeno espaço da prática de futebol para um reduzido número de praticantes, cujo formato se aproximava do “futebol de cinco”. (As “bolas pretas” do Padre Américo de Sousa alegravam as crianças, e, os jovens). A “Mata Velha”, na vizinha freguesia de Loivo, com o seu “relvado selvagem” era refúgio de alguns destes praticantes, para alívio da relva e do areal da Mota.

Nos anos setenta do Século XX desabrocham algumas tentativas de constituição de equipas de futebol, sobretudo, durante a época do Verão. A falta de espaço e a escassez de recursos não permitiu criar as infraestruturas para o desenvolvimento desta modalidade, apesar do desiderato de alguns dos seus habitantes; ainda que, um pouco afastados da tradição futebolística da vizinha freguesia de Lanhelas, concelho de Caminha. Em 1 de Julho de 1972, a sede do concelho não deixou passar a oportunidade de criar infra estruturas e criou o” Clube Desportivo de Cerveira”.

Nos anos oitenta do Século XX inaugura-se uma “nova era” com a constituição do “Grupo Desportivo e Recreativo de Gondarém”, junto à sua escola primária, no lugar da Veiga.  Reza assim o seguinte documento do Governo Civil de Viana do Castelo, que contempla esta associação, criada em 12 de fevereiro de 1981: sediada na freguesia de Gondarém, concelho de Vila Nova de Cerveira. Contém estatutos de constituição de 12 de fevereiro de 1981 e ofício de envio de estatutos de 25 de fevereiro de 1981: natureza da Associação: cultural, desportiva e recreativa». Cf. (Arq. da Secretaria Geral da Administração Interna, 25.02.1981).

Convém salientar que, em 1982, organiza-se o primeiro Campeonato do Mundo de “futebol de cinco”, ou “futebol de salão”. Sendo a modalidade mais praticada pelo Brasil, este País ganhou a primeira taça deste formato, que se chama "futsal", desde  1990. A nível local, de certo modo, renovava-se a velha prática desta modalidade que, tradicionalmente, se praticava no parque infantil, num espaço limitado e religioso, para se emancipar, através das entidades autárquicas, numa envolvente civil que despontava como zona desportiva de lazer e convívio. A prática desportiva de “futsal” encaminhava a juventude para atividades físicas e saudáveis, numa época socialmente conturbada. Assim, a pouco e pouco, este espaço desportivo tornou-se numa zona de atração e “chamariz” social, cujo clima envolvente despertava o entusiasmo de outras equipas nas freguesias vizinhas. Começaram a surgir os patrocinadores particulares desta modalidade, envolvendo-se em animadas disputas desportivas no “futsal”. Os jornais locais começaram a noticiar os vários torneios que, a cada ano, se tornavam mais animados, durante as noites de Verão. Assim, anualmente, os torneios sucederam-se, e a modalidade de “futsal” impõe-se como desígnio local.

Na modalidade de “futsal”, o Grupo Desportivo e Recreativo de Gondarém encontra-se no “Campeonato Nacional da II Divisão de Futsal 2010/20121. Além do seu corpo técnico, fazem parte desta associação: Humberto Duarte, como presidente; Gracelinda Afonso, como vice-presidente; e, Amâncio Sá, como tesoureiro. Com a sigla “GDRG”, desde 21 de janeiro de 2018, que tem página criada no “Facebook”. «Ambição e “novos ares” para a nova época» são título do Jornal Cerveira Nova, em 04.09.2020, secundado por idêntico comentário do “Semanário/Caminha@2000”, de Luís de Almeida.

Obs:

Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo: «Sediada na freguesia de Gondarém, concelho de Vila Nova de Cerveira. Contém estatutos de constituição de 12 de Fevereiro de 1981 e ofício de envio de estatutos de 25 de Fevereiro de 1981. Natureza da Associação: cultural, desportiva e recreativa. Data da constituição da Associação: 12 de fevereiro de 1981».

GRUPO DESPORTIVO E RECREATIVO DE GONDAREM

NIF: 502126655

Rua da Veiga, 16  -  GONDAREM

4920-VILA NOVA DE CERVEIRA, VIANA DO CASTELO


N. B.

«Já agora os nomes. De pé. Zé Silvano, Zé Sobrosa, Manuel Fraga, Chico Begia (falecido),Artur Bouça, Luís Zinão (falecido) De joelhos, Zé Oliveira, Artur Silva (falecido) Chico Sobrosa, Zé Martins, Tone Begia. Um abraço e saudades. (By Francisco Ferreira)


EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...