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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: De Espanha, "bons ventos e bons casamentos"?


Muitos portugueses ficaram admirados com o crescimento económico em Espanha, que com um governo à deriva, parecia caminhar sem sobressaltos.
O poder das suas regiões autónomas faz com que a Catalunha preveja um crescimento na ordem dos 3,4% ao ano, para 2017, relativamente ao conjunto espanhol que se fica na média de 2,9% ao ano, para 2017.
Estas previsões são, sem dúvida, um estímulo para a economia portuguesa, já que está um pouco ligada com a vizinha espanhola.
Talvez se inverta o ditado de que “de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos”.
Todavia a previsão de crescimento económico na zona europeia para o ano de 2017 situa-se entre os 1,5% e 1,7%.
Por isso, ao lado de Espanha espera-se pelos menos que sejam atingidos os objectivos mínimos da zona europeia. Ainda que , os efeitos das relações e da  evolução da economia mundial, sobretudo, nas relações económicas entre os USA e a China não estejam definidas, com os seus sobressaltos na estrutura financeira, nos bancos, nas dívidas e nas moedas.
Se as implicações económicas entre Portugal e Espanha forem mais intensas, por arrastamento do crescimento económico espanhol, talvez surjam alguns benefícios desta evolução de crescimento da economia.
A previsão do FMI, em relação ao petróleo, para o ano de 2017, é de uma ligeira subida, que ao contrário de algumas crenças europeias somente vem favorecer o mais rápido crescimento da economia em geral.
Mas, as boas previsões para o crescimento espanhol somente merecem que o seu País vizinho corra pelo mesmo caminho, apesar das incertezas da economia americana.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: O tigre asiático (China) e o leopardo americano (USA)

O pêndulo da economia mundial oscila entre os USA e a China, num PIB  abrangente e total que se reflecte em 285% de endividamento global; e, em que 10% da população mundial reside na pobreza.
 Em pleno século XXI, os progressos e retrocessos da humanidade são enormes.
Todavia, a oscilação económica entre USA e a China, ainda não começou. Os seus efeitos permanecem incógnitos
No entanto, os efeitos Trump já são visíveis em muitas economias mundiais.
O México, com 70% das suas exportações para os USA, sofreu uma desvalorização da sua moeda em 11% e a bolsa mexicana perdeu 8,5% do seu valor. Se, Donald Trump ainda não construiu o muro, as suas pedras começam a desmoronar a economia mexicana.
Donal Trump terá razão de dizer que os USA gastaram 6 mil milhões de dólares, no Médio Oriente, se não foram alcançados alguns benefícios?
Igualmente, terá razão de dizer em taxar em 45% os produtos chineses com um peso de 500 mil milhões de relações económicas, em favor da China?
Se, 35 milhões de brasileiros saíram da pobreza, na China, nada menos de 700 milhões deixaram esta condição, além de milhares de africanos.
Os efeitos da globalização encerram aspectos negativos e positivos. Há quem reclame uma ética da globalização.
A China talvez seja a maior economia do mundo, segundo alguns americanos, desenvolve um sistema financeiro que começa a minar muitos países, com aquilo que alguns dizem de um disfarçado «capitalismo autoritário de “valores asiáticos”».  Até onde vai caminhar este sistema?
A força do dinheiro, e da sua movimentação, instala-se no sistema financeiro mundial, com objectivos, pressupostos e valores que se desconhecem na sua orientação. Será, simplesmente, a troca de matérias primas?
A China tem a maior população mundial, seguida da Índia, e numa terceira posição os USA. São os maiores consumidores de petróleo e automóveis, mas as suas orientações ideológicas caminham em sentidos opostos. Por um lado, a economia liberal dos USA, por outro lado a economia estatal (ou, dependente das orientações governamentais) da China. Estes dois modelos parecem dois “icebergs titânicos” que podem coligir, fundir-se ou fragmentar-se. Os restantes parceiros (Europa, Rússia e outros) são espectadores desta luta titânica.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 19 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: "A NOÇÃO DE CIDADÃO" - BARACK OBAMA


«A noção de que somos cidadãos, não escravos, mas donos da nossa sociedade. O conceito de cidadania, de que temos direitos, mas também responsabilidades. A crença na igualdade perante a lei não apenas para alguns, mas para todos”.
Os três pressupostos basilares, elaborados por Barak Obama, na pátria da democracia, ou seja, na Grécia: “sociedade. cidadania e justiça” têm como objectivo o crescimento e aperfeiçoamento das comunidades, ditas democráticas.
Já dizia Aristóteles: quem não sabe viver em sociedade, ou, é um “Deus”; ou, é uma “besta”.
Infelizmente, parece que os modernos meios de comunicação social tendem para estes extremos de glorificação e condenação: por um lado, os deuses; por outro lado, os criminosos.
O crime impera como domínio da “crónica negra”, do subdesenvolvimento social e humano; a “deusificação” como elemento essencial do estrelato.
Todavia, o caminho na humanidade parece ser o da educação, na velha senda platónica.
Na senda da animalidade para a humanidade, pelo respeito e diferença do outro, encontra o seu título mais importante na consciência de cidadão.
O cidadão é aquele que pertence à cidade, ao modelo de organização que é a sociedade, ou, a comunidade, voltando ao tema aristotélico.
As comunidades têm usos e costumes diversos, e, sobretudo têm em uma língua em comum. Os vários tipos de democracia nem sempre assentam nestes pressupostos, em que o primado da justiça e da lei, coordena a sociedade e informa o indivíduo, como cidadão, já que, por vezes o seu individualismo tende tanto à divinização, ou, tanto à  animalidade.
O “pacto social” está estabelecido à nascença, e nela se insere o cidadão, com mais ou menos liberdade, com mais ou menos violência, implicando que seja um sujeito activo dessa sociedade. Onde há direitos surgem deveres. O conjunto de indivíduos que formam uma sociedade devem lutar para que os direitos sejam afirmados e os deveres sejam cumpridos, construindo um espaço de cidadania em que não se glorifica o seu “deus”, nem que ouse soltar a sua besta.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: Aviação europeia e aviação brasileira


O novo avião de transporte europeu, fabricado pela Airbus,  visa substituir os “velhinhos” Hércules C-130. Equipado com quatro potentes motores e um inovador desenho aerodinâmico, foi baptizado como A400M.
Numa parceria luso-brasileira, Portugal irá receber  o novo avião de carga da Embraer KC-390, cujo custo se eleva a 59 milhões de euros, sendo claro a segunda nação, após o Brasil, com uma encomenda de 6 unidades. No desenvolvimento e produção deste avião estiveram envolvidos quatro países: Portugal, Argentina e República Checa com o país de origem, o Brasil.
A Força Aérea espanhola receberá 14 aviões da Airbus – MSN 44, até ao ano de 2015, desenvolvido na sua linha de montagem de Sevilha.
Enquanto que o avião da Airbus tem quatro potentes motores, o cargueiro luso-brasileiro somente tem dois motores. No entanto, o preço do "cargueiro europeu" - A400M -  eleva-se a uns módicos 100 milhões de euros, quase o dobro, do valor do cargueiro luso-brasileiro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: A sobrevivência do Eixo-Atlântico


A eleição de Trump deixou muitas incógnitas na senda internacional, fazendo prever algumas ideias esboçadas pelo candidato, cuja promessas ou implementação podem ou não ser efectivadas, já que as instituições americanas são complexas e diversas.
O eixo atlântico, sobretudo, a Europa carente de uma defesa externa e de uma diplomacia de “voz única” parece fraquejar perante algumas ideias avançadas por Trump, que podem conduzir ao surgimento dos “dois blocos”.
Se, o Iraque é consequência militar dos USA, a Líbia é referência dos franceses e ingleses, que após os bombardeamentos deixaram o seu destino, aos sabores dos ventos africanos e das suas tribos. A diplomacia portuguesa, de quem se esperava alguma coisa, alinhou pela estratégia comercial da França, que anteriormente já tinha exibido os créditos na exclusiva procura de interesses económicos. Nem os fundos líbios na CGD serviram de travão para implementar qualquer presença lusa, limitando –se a uma pequena ajuda hospitalar, que implicou a debandada diplomática.
A defesa da Europa, com a saída do Reino Unido, ficou empobrecida. O centro nevrálgico de Paris, apoiado por uma Alemanha desmilitarizada, carece da implementação de autênticos pilares ou bastiões para uma defesa em situações imediatas. Apesar de um reduzido núcleo de defesa nuclear pela França, as restantes forças dependem da sua estratégia europeia. Ou seja, é demasiada responsabilidade para um país só.
A Europa carece de um sólido sistema de defesa, que sem o apoio americano, fica dependente da hegemonia da Rússia, colocando-a numa influência externa, que perdeu nos últimos anos. Juntamente com a defesa surge a diplomacia, e, na sua definição de “espaços de influência externa”, deve resultar da experiência histórica que os vários povos europeus têm exercido.
Conjuntamente com a defesa militar arrasta-se o desenvolvimento de “novas formas políticas”, que impliquem mais representação dos “cidadãos europeus”. Desde já, começa pela formação e funcionamento do Parlamento Europeu, pela renovação e papel de certas instituições adjacentes; e, sobretudo pela implementação de “sistemas financeiros e económicos” que integrem o papel das várias economias em funcionamento, respeitando a sua diversidade, mas inserindo as suas partes num todo.
A moeda única, valor de troca de mercadorias, sobretudo, dentro do seu espaço, implica que as suas transacções insiram as respectivas produções nacionais, num contexto em que os produtos europeus sejam objecto de consumo dos seus próprios consumidores.
A diversificação económica implica um imperativo de intercâmbio, em que os produtos sejam consumidos numa base de reciprocidade, que implicará redução da globalização externa, pelo privilégio da produção interna. Somente, com “novas formas e fórmulas económicas” que dominem o “sistema financeiro” que na sua lógica não se alimente, domine e estrangule os produtos em valores de “jogos de casino.”

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: O aviso à navegação: o martelo do deus Thor- as marteladas de Trump - e, o Jornal Público






No dia 1 de Novembro de 2016, publicamos um “aviso à navegação” com o título de "Donald J..Trump e as “marteladas “ de Thor".
É, evidente que nada temos com a credibilidade jornalística do estimado “Jornal Público”, cujo mérito só nos enobrece:
Miguel Esteves Cardoso escreve: «e os media? Que vamos fazer? Continuar em campanha? Continuar a enganarmo-nos e a enganar quem nos lê?
David Dinis continua: Trump ganhou, os deploráveis vingaram-se e a América está em cacos”
Aliás, já anteriormente afirmámos àcerca deste fenómeno de nome: «Trump – qual deus Thor – como seu “martelo” bate forte no dormente país americano, sacudindo e exorcizando os fantasmas que ensombram o seu projecto de grandeza “divina”». O recurso à mitologia viking ousava despertar que certos fenómenos não são tão imprevisíveis, porque eles estão presentes, mesmo face a nós. É pena que certa imprensa e as sondagens fossem ultrapassadas.
Como refere David Dinis: “Os jornais nos Estados Unidos passaram as últimas horas de cabeça perdida por causa disto. Se todos eram anti-Trump, como é que Trump acabou eleito? Se todos fizeram "fact checking" explicando que ele mentia, como é que tantos americanos votaram nele? Será que, na era da tecnologia, não conhecemos os nossos leitores? Terá sido a nossa influência ultrapassada pela das redes sociais? Ou os americanos deixaram de dar importância à verdade, assumindo que os políticos são todos igualmente mentirosos?”
Será que esta guerrilha com o Jornal Público” é semelhante a esta referência de José Pedro Teixeira Fernandes.
O melting pot explodiu e a América está em crise de identidade. O que é ser norte-americano? Nos últimos tempos as divisões e fracturas internas tornaram-se claramente visíveis para o mundo exterior. Mas o fenómeno não é novo. Pelo menos desde os anos 1990 a sociedade norte-americana é atravessada por aquilo que é designado como “guerras de cultura”?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

EUROPOLITIQUE: Denominador comum: o problema da Classe Média nos USA e na Europa


Nas sociedades europeias, o “Estado Social”, ou, estado previdência, (aquilo que na Idade Média se pedia a Deus, agora pede-se ou exige-se ao Estado), que procura o bem-estar da população, com sistemas de saúde e educação universais, e, com sistemas de reforma e aposentação, protecção à velhice, que procura implementar sistemas fiscais equilibrados, tendo como meta o pleno emprego das pessoas (na medida do possível), não consegue satisfazer as suas exigências sociais.
Embora, as pessoas se achem com direitos sociais neste "Estado Social", os deveres implícitos à sua função e garantia não podem ser satisfeitos por causa do funcionamento da economia.
Até quando, a função deste "Estado Social" tem capacidade de resistir à crescente crise da “classe média” é uma incógnita, sendo ela o motor do desenvolvimento?
Como bem diz, o embaixador americano em Lisboa, as condições da “classe média” de há 20 anos desapareceram. Agora, a nível familiar, trabalhando duas pessoas não conseguem pagar a casa, assumir os seus encargos económicos, educar os filhos universitários e poupar para a sua velhice ou reforma, após os 65 anos.
A ideologia do “self made man”, projectada no “american dream” em que a iniciativa privada prevalece em função do Estado, (onde se inclui a indústria de armamento), a filantropia (doações dos super ricos para causas humanitárias e estatais), a caridade (apoio a associações e hospitais, grupos religiosos e sociais) mecenato, (patrocinadores e benfeitores sociais e universitários) e, finalmente, um  sistema fiscal, que, por vezes, procura taxar os mais ricos para distribuir riqueza pelos mais pobres (aliás, a nata da elite mundial mais abastada), encontra-se numa encruzilhada em que a “famosa iniciativa privada” não se coaduna com os seus objectivos sociais. O caso mais flagrante nos USA é o seu sistema de saúde, ao contrário do sistema europeu, ou, do “Estado Social”.
Enquanto que a classe super rica americana prospera, a classe média americana definha.
O valor e direito ao trabalho são incertos, as condições sociais de economia doméstica são abaladas no seu rendimento, quer  pelo peso dos impostos, ou, quer pelo  impacto da globalização.
Dois sistemas políticos e sociais, um pouco diferentes, mas que têm um denominador comum: o problema da classe média.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...