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sábado, 11 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE: "Três alemães numa semana" (Expresso)

Três alemães numa semana




Urge evitar as clivagens nesta Europa Unida, sobretudo a nível da “sociedade civil”, já que a “elite política” navega em águas turvas e o tempo é de austeridade.

1) Dava gosto ver aqueles alemães em fim de semana em Paris. Os autocarros deambulavam pela “Cidade Luz”, repletos pelo esplendor da cidade, ainda mais quando um copo de “champagn”e soltava as suas borbulhas na zona do “Pigalle”. E, aquele rigor austero, repleto de moral kantiana soltava-se em plena gargalhada pelo “underground”, subway” ou “metro”. Aliava a tensão do intenso “arbeit” alemão pela “coquetterie” francesa.

2) No que respeita à investigação científica repelia-se ferozmente tudo o que tinha sabor a italiano ou francês, já que se tivesse origem ibérica era de cortar páginas e páginas, nada condizente com o estilo alemão. Basta dizer que a única língua capaz de suster a filosofia era o alemão, nas intenções de Heidegger; mas neste campo perfilava-se com grande estilo a filosofia alemã em terras gaulesas.

3) A imprensa e outros meios de informação menosprezaram e desdenharam esta “exportação de ideologia”. Habituados a comprar carros, produtos tecnológicos, e outros afins, não contavam com uma mundividência tipicamente alemã, cujas raízes têm outros insondáveis contornos. Por um lado uma visão etnocêntrica da supremacia alemã, que felizmente ainda não é uma potência média ao nível do nuclear, mas que no domínio do conhecimento é extraordinária. Nela revestem dois factores interligados, não só os méritos como o orgulho, como sinónimo da mesma moeda. E nas suas faces grava-se uma tenacidade íntima e um “espécie de paixão” que irrompe com aquilo que tem “sabor” italiano ou francês.

Atrevo-me a dizer que a “menoridade latina”, sobretudo espanhola e portuguesa, carecia de um “ilustramento”, no sentido kantiano, que hoje certos profetas nos anunciam.

Mas esta “ilustração” encontra-se tipicamente misturada do “estaticismo” hegeliano. Por outro um lado revela a pretensão de nos ilustrar, e de nos dar a “ousadia de pensar” (?), mas sempre dentro do “espírito hegeliano”. Ora o “espírito do povo” alicerça-se evidentemente no “espírito alemão”.

Seria bom citar Kierkegaard, de outra forma : “que nos interessa conhecer o sistema se andámos completamente perdidos nele!....”.




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE 305: "Um tango em Paris"




A dita “sociedade civil” talvez esteja mais bem informada que a “classe política”, em certos aspectos sobre a realidade angolana.
E as reacções da “sociedade civil” são, por vezes, bastante díspares.
Neste universo podemos encontrar os “velhos saudosistas” que inundam a Internet com a eterna saudade, os “traumatizados com a guerra do ultramar e os “traumatizados” pelo abandono sofrido, os aventureiros que deambularam por muitas razões, os trabalhadores que são simplesmente emigrantes, aqueles que deixaram tudo por um sonho africano, aqueles que anseiam por uma “nova vida” em terras africanas, aqueles que lutaram e  simplesmente se juntam em convívios, aqueles que estudaram em terras lusas, os escritores angolanos que dialogam com o público português, os artistas que sobrevoam as questões políticas, as organizações não-governamentais que desenvolvem projectos de formação e ajuda humanitária, os jornalistas nas suas múltiplas perspectivas, os meios de informação com as suas mundividências e obstáculos, aqueles que fazem viagens esporádicas, aqueles que fazem cooperação, aqueles que fazem intercâmbio cultural, aqueles que anseiam por um país mais justo e humanitário, aqueles que nunca estiveram em África e reagem de múltiplas formas, os residentes angolanos em terras lusas com as suas comunidades, ou seja, toda uma panóplia de relações humanas, para além das “questões políticas e diplomáticas”.
Basta dizer que quase 14.000 portugueses, por mês, deambulam entre Portugal e Angola, num universo calculado de mais 140.000 portugueses, constituindo-se Luanda como o primeiro porto de relacionamento com Portugal. Nenhum país africano ultrapassa o tráfego dos portugueses.
Claro que se desenvolve uma consciência da “política externa” entre a dita “sociedade civil”, para além do relacionamento institucional e oficial.
Mas, também, por causa deste relacionamento, desenvolveu-se uma estruturação oficial, em devido tempo, nas suas orgânicas, desde os tempos de Ramalho Eanes e Jaime Gama.
A reconstrução de um país não culmina logicamente e rapidamente num modelo económico, social e democrático de tipo europeu!... Além disso, seria puro etnocentrismo!...
A realidade africana debate-se com situações de desenvolvimento que implicam um amadurecimento das suas instituições.
Por tudo isto parece que existe um vínculo de fraternidade que ultrapassa as concepções daqueles que nunca estiveram ligados às terras africanas.
Analisar, sociologicamente, sob um único ponto de vista é infringir as regras da sociologia.
Em vez do “anátema de Lutero” preferimos a “benção da paz” da lusofonia, porque falámos a mesma língua, sem citar Pessoa.
E dizia o “inteligente” francês (faz lembrar a “Tourada”): “não temos nada a ver com Angola!...”

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE: A Angola de Martin Schulz/Tango argentino na Sorbonne




“Como eu, a maioria terá uma ligação a Angola e a Portugal!....”

“Great”!... – Martin Schulz - Presidente do Parlamento Europeu

Se por causa de Angola perdemos o nosso “modelo económico, social e democrático”, perdemos a nossa identidade europeia, porque falar de “cidadania europeia” é quase um mito, e certos comentários de um Representante dos Cidadãos Europeus é pura e divina música.

Não é de agora que ouvimos franceses e alemães falar acerca das nossas relações com Angola. Aliás, um adjunto da campanha de “Marketing de François Miterrand”, numa cidade portuguesa algarvia, mais exactamente, Faro, comungava das vossas ideias.

Portanto, a história é velha!...

Caro Representante dos Cidadãos Europeus já estamos habituados a essa música.
É pena não ter andado com eles na escola em Lisboa ou Paris.


P.S.
"Lamento muito que tenha havido pessoas que tenham tentado interpretar mal algo que não pode ser mal interpretado" = "Grande Música" - Tango argentino na Sorbonne!...

A Sorbonne tem:
Anfiteatros para música argentina
Salas par exibição de filmes angolanos
Salas para alunos em filosofia moral e política.("sociedade civil" minimamente organizada!...)


EURO POLITIQUE 304: O "Correio da Manhã" dá 30 milhões à China.



O pomposo título do Correio da Manhã: “Estado oferece milhões à China” situa-se naquele êxito deste diário vespertino, construído à base de 50% de “crónica negra” e 25% de “crónica cor de rosa”, criado à imagem e semelhança do “Parisien Libére´”.
Além disso, reverte uma apologia que se aproxima da tradição católica, avessa aos juros e lucros, e pouco condizente com a ideologia protestante, para não mencionar o rancor sistemático de uma certa esquerda ao capital.
E, no mesmo dia em que faço a leitura sumária de dois matutinos, por mera coincidência, recebo um telefonema da “concorrência espanhola”, ou, da liberalização dos preços da energia eléctrica, afirmando categoricamente que “a EDP é chinesa”!...
Os chineses compraram 780 milhões de acções da EDP, que lhes podem render, em bruto, 132, 6 milhões de euros, se houver 0,17 cêntimos por acção. E, pelo facto, de serem compradores arrecadam o bónus como qualquer comprador, e como qualquer comprador devem pagar dividendos ao Estado.
Todavia, o Correio da Manhã, omitiu que cada accionista paga uma média de 20% sobre cada acção, e neste sentido o Estado Português deve arrecadar 26, 52 milhões de euros.
Se, por acaso, o Estado Português anda distraído, será função do Correio da Manhã alertar para que tal entidade não perca perto de 30 milhões de euros.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE: 304 - A Madeira de Merckel



Evocam-se os mais célebre pensadores alemães para que encontrem uma “luz ao fundo do túnel”, que se torne como um “raio luminoso” nesta “Razão Europeia”, como projecto político.
Confundir um “projecto político” com um projecto de “pontes, túneis e viadutos bonitos” numa ilha perdida no Oceano Atlântico, tem um sabor a “Madeira Wine”.
Por isso, não sei se “espírito germânico” invadiu a Madeira, nem sei se um tal dito “espírito de um povo”, no sentido de Hegel, domina a Europa, secundado pelo “seguidismo” francês, e, se alicerça unicamente no contexto produtivo e económico.
Por agora, “a razão europeia” e sua “racionalidade”, como projecto político, parece que se desvincula dos antigos ideais da “democracia grega”, caso paradigmático e actual, para se suster na dimensão do “Homem unicamente económico”, ou do “Homem Unidemensional” de Herbert Marcuse.
A dita globalização perpassa por esta “unidimensionalidade”, meramente económica e mercantil, em que todos os outros espaços definham, tal como a Ilha da Madeira devia estiolar, apesar de ser um “cartão de visitas” da dita Europa.
Portanto, todos os espaços da dita “Lebenswelt” de Marcuse reduzem-se à componente económica, em que os “impérios financeiros” determinam a mundividência das pobres criaturas humanas, desprovidas daquilo que é mais essencial para a sua existência.
A “superestrutura da economia”, desvinculada do “real valor do trabalho” adquire espaços de divergência que permite que esta flutue como uma autêntica prisão que devora os seus produtores, sobretudo quando são “empregados do turismo” e da “indústria do lazer”.
O “ócio”, ou, a “capacidade de reflexão” devem-se reduzir à capacidade mecânica e de embrutecimento do trabalho e do labor económico.
Infelizmente, a riqueza acumulada pela humanidade não tem a mesma fecundidade que a natureza, no sentido de Locke, tornando-se , muitas vezes, supérflua e aleatória no seu exibicionismo e esbanjamento.
Porventura, também, será a Madeira?...

EURO POLITIQUE. 303 - "Cartão Europeu"


Por “consentimento tácito” dizem-nos que somos europeus.
Alguns países utilizaram o “referendo”, outros não.
“É cidadão da União qualquer pessoa que tenha a nacionalidade de um Estado-Membro. A cidadania da União é complementar da cidadania nacional e não a substitui” (TCE, art.º 17).
Apesar de tudo “a cidadania da União não comporta, até à data, quaisquer deveres para os cidadãos da União, o que representa uma diferença substancial relativamente à cidadania dos Estados-Membros.
Quando se fala dos “direitos dos animais”, fala-se em direitos, mas não em “deveres”. Isto não quer dizer que com um milhão de aderentes se possa modificar algumas leis na Comunidade Europeia. Mas a clivagem da “sociedade civil” e a dita “sociedade política” é mais que evidente.
Antes da crise europeia falava-se do divórcio da sociedade ( a dita, “sociedade civil”), sob os comandos da “sociedade política”.
O “vínculo jurídico” do indivíduo com a União carece do beneplácito de cada Estado.
Grosso modo, é através de uma espiral de instituições que se construi a Europa, ou, respeitando a “pequenas oligarquias”, para culminar numa cúpula abrangente que se torna divergente.
Ainda que se apele à solidariedade, como valor essencial, ela permanece como disparidade, ou, como último recurso de execução, porque existe o Estado-nação.
Segundo os “experts”, a União Europeia não reuna capacidade da sua própria defesa, o que parece uma contradição aos “olhos do Povo”; nem exibe um conceito internacional de representação.
No entanto, a analogia é interessante: “os animais têm direito, mas não têm deveres”.
Nega-se ao povo a capacidade de interpretação dos “tratados”, já que uma certa “elite” decide sobre a sua implementação e aplicação.
Somente porque os “cidadãos europeus” são “seres sencientes”, mas desprovidos de razão, devem integrar esta União?
Há quem advogue que “no momento actual, em especial na União Europeia assume um carácter supra-nacional podendo o seu conceito ser usado de forma independente ou desvinculado do Estado-nação.”
Uma carta efectiva dos “direitos e deveres” dos cidadãos europeus, com o devido “cartão europeu”, credenciada pelos actuais meios informáticos, afigura-se como expressão de uma autêntica cidadania europeia.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...