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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Angola.2

 "Palancas negras"


Enfatuados à parisiense, os "palancas negras" exibem o sorriso de modelos africanos.
O brilho do Ocidente contrasta com o azeviche encaracolado.
O "leader" anuncia que o esforço ferroviário, é aquele que mantém o combóio nos trilhos. E a máquina carece do óleo que desenferruga os músculos. Nem o joelho de Mantorras deve ser um óbice ao desempenho desportivo. O treino é o hábito do trabalho e da "performance". Mantorras, ou seja, mãos torradas na queima do trabalho tornam-se o lema do "manager".
Ao brilho do azeviche acresce-se o fulgor do "11 de Novembro", recém recinto do espectáculo. O sorriso contido do jogador "Edu" acalentava a esperança de um dia ver luzir a "palanca".
"Avança, avança" - veloz como uma lança, como uma seta na ponta esquerda, aquele que escondia de Angola um enigma da sua pujança!...
Aliando o dueto do brilho, na tese e na antítese, aguarda-se com fulgor a síntese, do "avança, avança", com a tua força e a tua pujança!...
Avante, "palancas negras", com recordação
de um futuro cheio de esperança!....

P.S. Os pinheiros bordegavam o campo pelado do trio angolano na "riva-gauche" do Douro, antes do tapete do verdejante campo universitario lisbonense.
O enigma angolano manifestava-se pesaroso!...
O orgulho angolano escondia a máscara do colonialismo!...
E o silêncio acalentava suavemente a voz do tempo!...
"L'important c'est la rose!... L'important...!..

sábado, 26 de dezembro de 2009

Portugal-Angola.1




Reli o ponto 2 do artigo de Miguel Sousa Tavares no "Expresso".
Em Paris asssisti a um documentário sobre o "colonialismo português", exibido por angolanos.
Em Portugal, estudei com angolanos que diziam "como posso falar, com 500 anos de colonialismo".
Foi também lá que descobri uma poetisa - Sofia Melo Breyner.
Somente não compreendo a sua aversão às "redes sociais"!....
Partilho da sua ideia, ou de "John Locke", que "a riqueza de um país pertence a todo o seu povo".
Aquele a quem chamo de "Edu" - ou seja, o "rei do Congo", deve ter alguma ancoragem em escritores como Luandino Vieira!...
Por mais críticos que sejámos, a nau precisa sempre de um timoneiro.
Construir um país não é tarefa fácil.
Admiro os professores portugueses em Angola, e, aqueles que arriscaram a sua riqueza intelectual e material em Angola.
Os nossos laços afectivos devem criar os ideiais por que, muitas vezes, sonhámos.
Por isso, no nosso imaginário, fica sempre a nostalgia de Angola!...

domingo, 29 de novembro de 2009



Escondiam as águas meus amores
de juvenis e insanas flores
em cardos tornados rosas
que os ventos em ardores
removiam suas lindas cores.









Escondiam as gálias musas
a inspiração e suas rusas
em novelo de encantar.

E tu
nos crepúsculos rubros
descias em sonhos e devaneios
cristalina, ainda sem seios,
de brancura de espuma,
e como gota
perfuravas de permeio,
estremecendo-me em cheio






.

domingo, 25 de outubro de 2009

SARATOGA.2




Pelo teu Deus!...
Voava a toalha do amoroso casal japonês
da areia de Copacabana
e do medo tremia mais uma vez
quando saía da choupana
ou do hotel de cada vez
que visitava na carripana
a cidade linda do rio!..
Pelo teu Deus!...
alguém invocava esmola
hirsuto e sem sacola
quente, húmido e frio
mas soava  nos céus
Pelo teu Deus!...
O apelo da angústia
surgia ávido na aflição
de certos momentos de traição.
Pelo teu Deus!...
Eis-me morto e sem perdão
perdido no lugar do mundo
feito de escuridão lá no fundo
mas o cântico punjente surgia
e a vida e a luz resplandecia!...
Pelo teu Deus!...
Qual mendigo deste mundo.
Pelo teu Deus!... 
Pelo teu Deus!...
que desconheço
mas surge quando esmoreço!...
Pelo teu Deus!...
E pela história
feita memória
que não esqueço:
Pelo teu Deus!...
Na praia de Copacabana!...
Em simples choupana!...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SARATOGA.1



Caim matou Abel
comeu-lhe o fígado
com sabor a fel.
O povo de Israel
sem lei, nem grei
vagueava pelo deserto
sem caminho certo.
Adorava deuses e mulheres
comia mel em colheres,
ávido de prazer e riqueza
em insana festa.
O seu Deus lá longe estava
cheio de amor pela sua amada
mas o povo gostava da espada
e desprezava o seu amor
esperando em vão o redentor!..
Histórias de incesto e latrocínio
escondem o oculto destino
que um dia um profeta
traçou em estrada deserta
traçou caminho de amor
em único mandamento
como sentimento
que os homens devem ter
no âmago do seu ser.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...