“Que o diabo leva a burra e mais quem a carregue” - já que decidi vender o “terreno da nora” em que estava uma enorme e verde figueira, que a escondia dos raios de sol, que da ria se espraiavam até ao pequeno outeiro.
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domingo, 24 de maio de 2020
EUROPOLITIQUE: O "TERRENO DA NORA" E A PARCELA DO ADVOGADO
“Que o diabo leva a burra e mais quem a carregue” - já que decidi vender o “terreno da nora” em que estava uma enorme e verde figueira, que a escondia dos raios de sol, que da ria se espraiavam até ao pequeno outeiro.
As palavras voam, mas a
escrita fica. E, palavra de advogado não é palavra de aldrabão. É ciência de
escrivão.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
EUROPOLITIQUE: "O COVID 19" , em horas de melancolia, visto em Camilo Castelo Branco
Escrevia Camilo Castelo Branco, em “As Pessoas Melancólicas” (Edições Aletheia) sobre estes sinais que parecem manifestar-se, hoje:
«Horas e dias terríveis passam por nós como períodos negros da existência». (pág.144)
Sem antes relembrar em “Coração, Cabeça e
Estômago”, (pág. 144) o seguinte: «se acontece uma febre que devora centenares de pessoas,
os conselhos de saúde…» e, seguem-se alguns alertas adequados ao seu tempo.
Mas, o alvo mais certeiro de Camilo
elucida-se nestas sentenças. «Cai-nos a fronte para o seio, onde o coração nos
dói premido por mão de ferro. Não há lembrança feliz que possa estrelar-nos o
caos da imaginação; não há raio de sol que faça abrir flor de esperança em
nossa alma arada pelo desconforto».
«Cai-nos a fronte para o seio...». Realmente, parece que andamos cabisbaixos, sem o olhar alegre do outro, sem a palavra amiga que nos consola, sem o gesto que nos liberta.
Até os raios da praia que nos espera são de desconforto para o espírito e para o corpo.
E, no céu ou nas
estrelas não reluz qualquer sonho que alimente a nossa imaginação. Estamos
cercados e confinados, não por mão de ferro, mas por luva de alpaca, que parece que nos
tira a nossa liberdade e que nos mata!...
Mas, no seu optimismo Camilo Castelo Branco, no seu artigo "as pessoas melancólicas", quer dar-nos um "antídoto contra a melancolia" porque que é "a coisa que mais brutaliza a alma."
Cf.Camilo Castelo Branco, "Coração, Cabeça e Estômago", Edições Expresso, Lisboa 2017.
domingo, 10 de maio de 2020
EUROPOLITIUQE: «O "bem-estar" do povo é suprema lei» - SALUS POPULI EST SUPREMA LEX
Entre “saúde” ou “segurança” situa-se o “bem-estar” que o Príncipe deve providenciar aos seus cidadãos como “suprema lei”.
Esta máxima
ou princípio que nos advém desde Cícero (106- 43 AC.), no seu livro “de legibus”
(lib. III, part. III , sub..VII) não deve ser traduzida no futuro como : «a
segurança do povo será a lei mais alta». O “ser ou não ser” se não é metafísica,
é filosofia política, implicando um silogismo jurídico. Por isso, a frase
original de “salus populi est suprema lex”, usada até 1737, merece a devida
atenção, por oposição aos trocadilhos de
“salus populi suprema lex est”, ou, da americanizada tradução de “salus populi
suprema lex esto”, ou, finalmente de “sallus populi suprema esto” pelo juiz Sérgio
Moro.
As várias
teorias de governo que remetem para os tempos agitados ou de crise incorrem no
poder conferido ao “principie ou rei” na condução da ordem legal ou
constitucional, na pragmática filosofia inglesa. A tradução da palavra “salus” se não é saúde, nem segurança, é
uma espécie de felicidade ou “bem comum” que a todos interessa e que determina
a decisão do Príncipe, não no sentido absoluto de Hobbes (controlo do Estado), mas
na tentativa democrática de Locke, de proporcionar a maior felicidade aos seus
cidadãos.
Para Locke
a questão da “saúde” é um dever e um direito particular do cidadão do qual ele
é responsável. Deve estimá-lo e tratar dele. Não tem o aspeto societário de
hoje, nem tão pouco a procura da independência do domínio de outrem. Mas o aspeto
de “segurança” está implícito na sua conceção, ao contrário de “saúde”, que hoje tanto nos preocupa.
Hoje, o
nosso corpo pertence ao Estado e a sua existência está parcialmente consignada
à sua determinação, salvo se qualquer imperativo individual se erga na sua negação.
Nestes tempos de “saúde coletiva, onde a individual se inscreve” parece que
voltamos à determinação de Hegel!...
Obs: Locke, John - An Essay Concerning
the True Original, Extent and End of Civil Government. (Chapt. XIII, sect. 158) - 1689.
sábado, 9 de maio de 2020
EUROPOLITIQUE: Sigurd I - "O Cruzado" ou "O Viajante de Jerusalém" - "From Spain to Cintra..." por aquém e além mar.
Sigurd I, Magnusson foi rei da Noruega, durante 27 anos, ou
seja, desde 1103-1130, partilhando o poder com outro irmão. Na força da sua
juventude e no fervor da sua crença, dirige-se até Santiago de Compostela, onde
confirma a sua fé e se entusiasma pela Terra Santa. Realiza-se, assim, a “primeira
cruzada norueguesa”, conduzida por Sigurd I, durante quatro anos, ou seja, nos
anos de 1107 a 1111. Constata-se que tenha sido o “primeiro rei europeu” a
peregrinar em direção ao Oriente, sem os consagrados éditos papais que marcaram as
“Cruzadas”. O Império Romano do Oriente, que perdura até ao século XV, ainda gozava
de um digno estatuto religioso e cristão, de tal forma que, no Ocidente, se reclamava a sua filiação
bizantina e sua ortodoxia, sobretudo no século X, por causa dos escândalos no
papado de Roma. A sua influência e declínio acontece com o “Grande Cisma do Oriente”, em
1140.
Com um grupo destemido de guerreiros e uma frota razoável de
barcos, Sigurd I zarpou de Santiago de Compostela, depois de passar o Inverno, nesta
região. A sua estadia não foi muito pacífica por causa da escassez de víveres e
mantimentos, devido ao grande número de homens e embarcações. Os normandos, habituados ao
comércio e à pilhagem, se as coisas não lhes corriam bem, facilmente criavam
reféns e resgaste. Passada esta fase conturbada dirigem-se para Lisboa, onde
enfrentam e afundam sete embarcações árabes, nas costas e arredores de Sintra, cumprindo o
ditame do Apóstolo de “Matamouros”, ditando-lhes uma sentença de conversão. (Quarenta anos, após, em 1154, o “Castelo
de Sintra” recebe o seu foral das mãos do primeiro rei de Portugal, D. Afonso
Henriques).
Nada impedia a navegação dos seus barcos, tal era a técnica e
perfeição da sua construção. De forma que, após Sintra, o mar Mediterrâneo estava aberto à
sua exploração, pelo menos, durante dois anos. Depois de Gibraltar, as ilhas Baleares e da
Sicília eram baluartes da sua entrada em Jerusalém, onde dizem que foi batizado
no rio Jordão, apadrinhado pelo rei Balduíno. Após a visita à Terra Santa, e, reconfortado de muitas conquistas, esta comitiva de marinheiros passa a
guerreiros, regressando por terra, até à Noruega. O Norte de África, dominado
pelos árabes, foi incapaz de suster esta pequena cruzada, já que Constantinopla,
somente caiu, em 1453.
Apesar da “primeira cruzada” oficial ser decretada pelo Papa
Urbano II, em 1095, com a duração de quatro anos, nada minimiza a expedição de Sigurdo
I – “O Cruzado”. O seu epíteto consagra-o como um dos pioneiros destes audazes “combatentes
da fé” em direção à Terra Santa, que culmina na “terceira cruzada” com a
criação do “Reino Latino de Jerusalém”, em 1099; e, infelizmente, continua com a sucessão de
outras. (Os romances de cavalaria engrandecerão os seus louvores). Ainda que esta “rota de navegação” seja o seu primeiro rumo no
caminho inverso ao do Apóstolo, ela será o lema e emblema de muitas cruzadas dos
“Homens do Norte” e das Flandres em direção ao Oriente. Seja, por inspiração de
Santiago - “Matamouros”; seja, pela ousadia de Sigurdo I; estão abertos os "caminhos através
do mar", que, tanto irão beneficiar a Reconquista dos homens portucalenses. Estes, de certo modo, terão as suas costas ou retaguarda protegida por “forças marítimas” que causarão medo e
terror às embarcações árabes.
Considerado, também, “O Viajante de Jerusalém”, Sigurd I
conquista Sidon, em 1110. No ano seguinte, retorna à Noruega, introduzindo a “cobrança
do dízimo” aos seus cidadãos. Se, certos autores, lhe determinam a rota do “Caminho Inglês” no
roteiro dos “Caminhos de Santiago”, ele é o pioneiro da rota dos “Caminhos do
Oeste” a nível marítimo, que se estendem pelas costas da Península até
Jerusalém. Um breve relato da sua biografia surge na “Heimskringla”, saga dos
reis nórdicos, escrita por Snorri Sturluson, em 1225.
“From Spain I have much news to tell
Of what our generous king befell
And first he routs Viking crew,
At Cintra next the heathens slew…" (Heimskringla)quinta-feira, 7 de maio de 2020
EUROPOLITIQUE: - ULF - O Galego" e os senhores da Galiza do Sul
Se a terceira incursão viking, comandada por
Gunderedo ao Noroeste Peninsular, foi a mais longa e terrível a que a Galiza
assistiu em 968, já que este chefe ou “rei dos mares” dominou completamente Santiago
de Compostela e arredores; o quarto ataque normando da história da Galiza, a
mando de Olaf, não ficou sem deixar sangrentos rastos ou vestígios da sua destruição,
aos quais não escapou a diocese de Tui.
Na senda destas aventuras de rapina e de saque,
seguiu-se a chegada de “ULF – O Galego”, por volta do ano de 1028. Este
epíteto deriva mais da longevidade da sua estadia, do que da sua bravura. A sua permanência
nas costas da Galiza é de tal forma constante que a sua estadia que se tornava
incómoda e intolerável. Apesar dos esforços na construção naval, a Galiza não
possuía barcos capazes de enfrentar estes náuticos inimigos, que até os árabes
temiam.
A este bando de
proscritos, não lhes chegando as zonas costeiras, onde tinham os seus barcos
ancorados, nada os impedia de se afoitarem até aos íngremes penhascos para se
aliarem a qualquer senhor leigo, carente de algum auxílio. Porventura é
demasiado situá-los nas pedras do que hoje é o santuário da Penha, para exibição
dos seus dotes de guerreiros e aventureiros. Todavia, consta-se, que já pelos
anos de 1032, à semelhança de outras alianças árabes desta época, prestam um
precioso auxílio ao conde galego Rodrigo Ramoriz na sua luta contra “uns mercenários
bascos” que se tinham instalado nos penhascos de uma “Penna”. Esta aliança deu
os seus frutos e manteve-se noutros ataques, junto da região de Lugo, mas
continuando a controlar as zonas marítimas galegas, em frente à ria de Vigo.
Todavia, o
primeiro desaire de Ulf em relação à cidade de Compostela, tornou-o num espécie
de aventureiro, num “salteador de terra e mar”, num “mercenário de rios e
costas” que desafiavam as pacatas gentes da Galiza, habituadas ao trabalho dos
campos e ao pastoreio. Aliás, o lema dos monges agrícolas era “reza e trabalha”
– “ora et labora”. Por isso, as alianças com certos senhores leigos corriam-lhe
de feição, já que também beneficiavam do apoio de “alguns patrícios” espalhados
pelas costas e areais da Galiza do Sul. Disso é testemunha, o célebre grupo de
pescadores da Póvoa desta época, peritos na arte da pesca, cuja origem é
normanda, e cuja lancha “poveira” mantém a sua marca simbólica.
Este “bando de
mercenários ou proscritos” não se coaduna com a tradição dos usos e costumes
que começam a imperar nos peregrinos e “caminhos de Santiago”. Nos meados do
século X, Santiago de Compostela já goza de algumas peregrinações que se
dirigem ao seu santuário. Uma das primeiras peregrinações é justamente do bispo
francês Gotescaldo, da região de Puy de Dome, pelos anos de 950 ou 951. Ou
seja, desde o ataque de Gunderedo a Compostela, em 968, que os caminhos estão
abertos até esta cidade, mas somente no século XII atingem o seu auge. Os seus
devotos e romeiros rumavam junto ao túmulo do Apóstolo, que suscitava a
conversão ao cristianismo de muitos normandos.
As costas e a ria
de Vigo, com as suas redondezas, eram o “espaço marítimo” de eleição de Ulf- “O
Galego”, durante os seus 15 anos de estadia, nesta região. Todavia, pelos anos de 1047 ou 1048, as
cavalgadas de Ulf vão encontrar um adversário temível. Crescónio era bispo de
Iria Flavia e amigo da diocese de Compostela, cujas muralhas lhe devem o seu
reforço. Como chefe espiritual e comandante militar, Crescónio já tinha mandado
refortificar as famosas “Torres de Oeste” (Castellum Honestium), na baía de
Arousa. Frente a este ousado adversário armou um exército organizado e
apetrechado que afastou das suas costas e limites, este chefe viking e seu
grupo.
As cavalgadas de “Ulf-
O Galego” pelo Condado de Toronho, que duraram 15 anos, deixaram vestígios de
grande razia e favoreceram os senhores portucalenses. Cada vez mais, as
planícies de Braga, Famalicão e Guimarães se fortalecem nas suas gentes e nas
suas atividades agrícolas, criando as condições para uma maior riqueza, independência e autonomia.
A “Era Viking” caminhava lentamente para o seu declínio, que acontece por volta
do ano de 1066, quando acontece a morte de Crescónio, junto às Torres de Oeste. Se o ano de 966 marca a chegada de Gunderedo, o ano de 1066 assinala o fim da “Era Viking”, e, o ano de 1166 culmina com a conquista de Évora, por Geraldes "Sem Pavor" e Afonso Henriques. Os encontros belicosos e
conflituosos entre escandinavos e galegos transformaram-se em relações
amistosas e cooperativas. Por ironia do destino, anos mais tarde, serão
chamados arquitetos normandos para a reconstrução da catedral de Santiago de Compostela.
Obs: "Mas em 1049, o Papa Leão IX (1048-1054) temendo um cisma excomungou o Bispo Crescôncio por pretensão de querer equiparar Santiago de Compostela a Roma". (Peregrinos e Peregrinação na Idade Média, vários autores, Ed. Vozes - São Paulo, 2018).
segunda-feira, 27 de abril de 2020
EUROPOLITIQUE: São Martinho de Tours (316-397) e São Martinho de Dume (520-579) na encruzilhada de Lanhelas
«A capela de São Martinho, construída a Norte da freguesia nos limites com Gondarém, foi a igreja primitiva de Lanhelas. Reza a tradição ter servido os paroquianos de Seixas, Sopo e Vilar de Mouros. (Arq. J. da freguesia de Lanhelas)
Já com o título de “igreja paroquial “ e “vigararia” que lhe
advém desde o século XIII, São Martinho de Lanhelas congregava as gentes ao seu
redor, debaixo do seu manto protetor. Por isso, estendia-se por terras de Sopo,
Vilar de Mouros e até mesmo Seixas. Ao seu lado, permanecia a abadia e padroado
de Gondarém, com cuja margem ou fronteira se limitava, "paredes meia" a capela de São Martinho. Esta capela, erguendo-se sobre
um outeiro sobranceiro à estrada nacional n.º 13, prolonga-se numa estreita colina
que se espraia sobre as águas do rio Minho. A capela sempre manteve um certo
enigma acerca da sua origem e desenvolvimento. Se a sua devoção recai sobre São
Martinho de Tours, ou, sobre São Martinho de Dume, eis um dilema que permanece algo
oculto e insondável na sua história. Se popularmente se evocar os festejos das “castanhas e
do vinho” remetemo-nos para o seu padroeiro, isto é, para São Martinho de Tours.
Se, dermos crédito ao desembarque de uma figura emblemática da sua diocese,
relembramos o grande bispo de Dume, que conduziu o II Concílio de Braga, em
572. Ora, consta que, São Martinho de Dume, desembarcou num porto ou ponto da Galiza, após
uma longa viagem em que foi venerar o seu homónimo. Portanto, provavelmente, este local
mantém-se como "marca ou peugada" do desembarque da sua comitiva, onde os livros
e discípulos faziam parte da sua companhia. Mas, seja em veneração do seu patrono,
seja na feliz coincidência de ser aqui o seu "porto de abrigo", estes dois
Martinhos tem a mesma marca e registo. Ambos são santos, e, ambos descendem da província romana de Pannonia
(hoje,Hungria), em que um “capitel visigótico” desta capela regista que os seus vestígios
remontam à Idade Média.
«O atual edifício,
debruçado sobre o Minho e a vizinha Galiza, foi restaurado em 1822, como pode
ler-se numa lápide mandada afixar no interior pelos beneméritos que custearam a
operação. Uma observação do edifício atenta permite descortinar uma cruz de Malta
e um capitel de visigótico» (Arq. J. Freguesia de Lanhelas).
Após, o colapso do
Império Romano do Ocidente, nos séculos IV e V, e, após a invasão dos Bárbaros,
a região da Galiza foi ocupada pelos Suevos. Durante um século e meio, os
Suevos dominaram esta região, até ao ano de 585, em que gozaram de alguma
prosperidade. O grande apóstolo dos Suevos foi Martinho de Braga, tornado bispo
de Braga, em 572, tendo convertido o rei Teodomiro, três anos antes. Já, em
556, tinha fundado um mosteiro em Dume, pelo qual também ficou conhecido como
Martinho de Dume. A sua obra “de correctione rusticorum” (Acerca da Correção
dos Costumes) é um dos elementos de orientação do seu monaquismo, e da instalação
de comunidades de eremitas pelo Noroeste Peninsular. Durante o século VI, a
influência de Martinho foi importante para a diocese de Braga, em que
predominou uma grande organização eclesiástica, através das suas paróquias,
que seguiam o percurso das vias romanas, segundo o “parrochiale suevorum”. As
circunscrições religiosas delimitavam as redes de "habitats", ou, pequenos
povoados. Um século após, São Frutuoso de Braga (656-665) continuará a obra
deste emérito bispo, através da difusão dos seus mosteiros rústicos, dedicados à produção agrícola..
Ora, em 585, os visigodos que conquistaram a Espanha em dois anos,
apoderaram-se, finalmente, do reino dos Suevos. A existência de “um capitel
visigótico” e de uma “cruz de Malta” vem demonstrar a antiguidade desta capela, que remonta à Idade Média. Presume-se que acompanhado
de alguns discípulos, e, carregado com os seus livros, o jovem monge Martinho, com os seus trinta anos de idade, na sua
ansia de combater as heresias da sua época e de evangelização, assumou a esta colina e caminhou até aos arredores de Braga, quando aqui aportou no ano de 550.
E, tudo aponta para que a partir do século VI , e, sobretudo VII, o orago da igreja paroquial de Lanhelas e seu patrono seja São Martinho, na sequência da via romana para Vilar de Mouros e da via "per loca maritima", e, também segundo o "parrochiale suevorum".
OBS:
Doc. 1 - Carta de Recomendação, Padre Manuel Dantas da freguesia de São Martinho de Lanhelas - 26.06.1777. (Arq. de Braga).
Doc 2 - Os Santos Padroeiros de Caminha by Lourenço Alves, Caminha, 1984.
Doc. 3 - "Inculturas Ruprestes do Alto Minho" (Abel Viana, pg.7).
Doc .4 - Julgado de Cerveira (Arq. Distrital de V.C.) ref. 1615, séc. XIII (1258)
Doc. 5 - Historia Medieval da Pen+insula Ibéwrica, Adeline Rucquoi, Editorial Estampa,Lisboa, 1995.
Doc..6 - A Civilização do Ocidente Medieval, Jacques Le Goff,, Editorial Estampa, Lisboa, 1985.
Obs. 1 - Os numetanos - Lanhelas - "Aqua lae"
Obs. 2 - Vilar de Mouros doado a Tui, em 1071.
Obs .3 - Bouça Velha, Chã das Carvalheiras, Chã das Castanheiras".
E, tudo aponta para que a partir do século VI , e, sobretudo VII, o orago da igreja paroquial de Lanhelas e seu patrono seja São Martinho, na sequência da via romana para Vilar de Mouros e da via "per loca maritima", e, também segundo o "parrochiale suevorum".
OBS:
Doc. 1 - Carta de Recomendação, Padre Manuel Dantas da freguesia de São Martinho de Lanhelas - 26.06.1777. (Arq. de Braga).
Doc 2 - Os Santos Padroeiros de Caminha by Lourenço Alves, Caminha, 1984.
Doc. 3 - "Inculturas Ruprestes do Alto Minho" (Abel Viana, pg.7).
Doc .4 - Julgado de Cerveira (Arq. Distrital de V.C.) ref. 1615, séc. XIII (1258)
Doc. 5 - Historia Medieval da Pen+insula Ibéwrica, Adeline Rucquoi, Editorial Estampa,Lisboa, 1995.
Doc..6 - A Civilização do Ocidente Medieval, Jacques Le Goff,, Editorial Estampa, Lisboa, 1985.
Obs. 1 - Os numetanos - Lanhelas - "Aqua lae"
Obs. 2 - Vilar de Mouros doado a Tui, em 1071.
Obs .3 - Bouça Velha, Chã das Carvalheiras, Chã das Castanheiras".
domingo, 26 de abril de 2020
EUROPOLITIQUE: Amor e ódio à JAKOBSLAND
JAKOBSLAND – “terra mítica” para os
normandos escondia vários tesouros que despertavam a sua cobiça. A terra de
Santiago, não só despertava a avidez dos homens “adoradores de fogo” – “madjus”
- que vinham do Norte da Europa, ou
seja, os “normandos”, como também do Sul,
os “homens azuis” –blamenn- os árabes; estes, sim, os autênticos infiéis, contra os quais se erguia ousadamente, o Apóstolo “Matamouros”.
Estamos em plena Alta Idade Média, em que três
sociedades e três culturas, (bastante diferentes e opostas), se desafiavam
mutuamente nos seus costumes, nas suas tradições e nas suas religiões. Este
confronto e simbiose cultural vai durar até ao fim da “Era Viking”, por volta do
ano de 1066, quando já muitos normandos se tinham convertido ao cristianismo.
Em 1108, o rei da Noruega, Sigurd – “O
Cruzado” (1103-1130), torna-se no primeiro peregrino a visitar Santiago de Compostela.
O seu exemplo é seguido por outras personagens, que se tornaram santos, como: “Santo
André” de Slagelse da Dinamarca e “Santa Brígida” da Suécia. Estes romeiros e peregrinos
ao túmulo Apóstolo somente começaram a definhar com a Reforma Protestante do
século XVI.
Portanto, à fúria e à raiva desencadeada sobre
Compostela por vários ataques dos normandos, surgiu um movimento de
reconciliação e romagem, que se redimiu na reconstrução das torres da catedral
de Santiago, e se consubstanciou em vários casamentos. O rei da Galiza casa com
a princesa “Agatha” da Normandia, de onde partiram os “normandos”. Mas, os dois
amores do rei Valdemar II, em que ambas se tornaram rainhas na Dinamarca,
demonstram esta “camuflada aliança” entre vikings e portucalenses. Não só, o
rei da Dinamarca, Valdemar II – “O Vitorioso” (1202-1241), se casa com a jovem princesa
portuguesa Berengária, como também o seu filho, Valdemar III (1254-1257), desposa
Leonor de Portugal, filha de D. Sancho II. Assim, desde a conversão de Rolão da
Normandia, em 911, “A Concha de Santiago” entrou como símbolo da heráldica
escandinava.
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