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domingo, 24 de maio de 2020

EUROPOLITIQUE: O "TERRENO DA NORA" E A PARCELA DO ADVOGADO


“Que o diabo leva a burra e mais quem a carregue” - já que decidi vender o “terreno da nora” em que estava uma enorme e verde figueira, que a escondia dos raios de sol, que da ria se espraiavam até ao pequeno outeiro.  

As ruas, ainda em terra batida, deixavam entrever lá em baixo um verde escuro, que parecia um pequeno oásis, no descampado e seco monte de sobreiros e pinheiros. Era essa miragem que tinha atraído o jovem suíço, encantado pelo “terreno da nora”.

 O traçado da urbanização galgava tempo e espaço, já que em obras os dias perdidos são dinheiro deitado ao chão. Ainda não fizera a escritura, apesar de ter recebido uma pequena avença, pelo “terreno da nora”, cujo compromisso aguardava o Verão que tardava em chegar.

O compromisso da palavra dada tornava-se revogável face à urgência de capitalização, porque estamos em tempos, em que o tempo é dinheiro, embora o suíço estivesse na terra dos relógios. 

Embora, “os homens se conhecem pela palavra e os bois pelos cornos”, uma estocada ao suíço far-lhe-ia acordar que “o tempo é dinheiro”, e, que os compromissos não são para prolongar. Ou seja, à menor interpelação exibir-se-ia qualquer relação escrita contra palavra dita. 

De outro modo, à palavra dada que nada conferia, restava o argumento escrito que rege e manda em assuntos de registo de bens, em que a escritura é válida até à sepultura. Estamos na era da escrita e documento, cujo sacramento é do século anterior. 

As palavras voam, mas a escrita fica. E, palavra de advogado não é palavra de aldrabão. É ciência de escrivão.  


sexta-feira, 22 de maio de 2020

EUROPOLITIQUE: "O COVID 19" , em horas de melancolia, visto em Camilo Castelo Branco


Escrevia Camilo Castelo Branco, em “As Pessoas Melancólicas” (Edições Aletheia) sobre estes sinais que parecem manifestar-se, hoje:


«Horas e dias terríveis passam por nós como períodos negros da existência». (pág.144)


Sem antes relembrar em “Coração, Cabeça e Estômago”, (pág. 144) o seguinte: «se acontece uma febre que devora centenares de pessoas, os conselhos de saúde…» e, seguem-se alguns alertas adequados ao seu tempo.

 

Mas, o alvo mais certeiro de Camilo elucida-se nestas sentenças. «Cai-nos a fronte para o seio, onde o coração nos dói premido por mão de ferro. Não há lembrança feliz que possa estrelar-nos o caos da imaginação; não há raio de sol que faça abrir flor de esperança em nossa alma arada pelo desconforto».


«Cai-nos a fronte para o seio...». Realmente, parece que andamos cabisbaixos, sem o olhar alegre do outro, sem a palavra amiga que nos consola, sem o gesto que nos liberta. 


Até os raios da praia que nos espera são de desconforto para o espírito e para o corpo. 


E, no céu ou nas estrelas não reluz qualquer sonho que alimente a nossa imaginação. Estamos cercados e confinados, não por mão de ferro, mas por luva de alpaca, que parece que nos tira a nossa liberdade e que nos mata!...


Mas, no seu optimismo Camilo Castelo Branco, no seu artigo "as pessoas melancólicas", quer dar-nos um "antídoto contra a melancolia"  porque que é "a coisa que mais brutaliza a alma." 

Cf.Camilo Castelo Branco, "Coração, Cabeça e Estômago", Edições Expresso, Lisboa 2017.

domingo, 10 de maio de 2020

EUROPOLITIUQE: «O "bem-estar" do povo é suprema lei» - SALUS POPULI EST SUPREMA LEX


Entre “saúde” ou “segurança” situa-se o “bem-estar” que o Príncipe deve providenciar aos seus cidadãos como “suprema lei”.


Esta máxima ou princípio que nos advém desde Cícero (106- 43 AC.), no seu livro “de legibus” (lib. III, part. III , sub..VII) não deve ser traduzida no futuro como : «a segurança do povo será a lei mais alta». O “ser ou não ser” se não é metafísica, é filosofia política, implicando um silogismo jurídico. Por isso, a frase original de “salus populi est suprema lex”, usada até 1737, merece a devida atenção, por oposição aos  trocadilhos de “salus populi suprema lex est”, ou, da americanizada tradução de “salus populi suprema lex esto”, ou, finalmente de “sallus populi suprema esto” pelo juiz Sérgio Moro.


As várias teorias de governo que remetem para os tempos agitados ou de crise incorrem no poder conferido ao “principie ou rei” na condução da ordem legal ou constitucional, na pragmática filosofia inglesa. A tradução da palavra “salus” se não é saúde, nem segurança, é uma espécie de felicidade ou “bem comum” que a todos interessa e que determina a decisão do Príncipe, não no sentido absoluto de Hobbes (controlo do Estado), mas na tentativa democrática de Locke, de proporcionar a maior felicidade aos seus cidadãos.


Para Locke a questão da “saúde” é um dever e um direito particular do cidadão do qual ele é responsável. Deve estimá-lo e tratar dele. Não tem o aspeto societário de hoje, nem tão pouco a procura da independência do domínio de outrem. Mas o aspeto de “segurança” está implícito na sua conceção,  ao contrário de “saúde”, que hoje tanto nos preocupa.



Hoje, o nosso corpo pertence ao Estado e a sua existência está parcialmente consignada à sua determinação, salvo se qualquer imperativo individual se erga na sua negação. Nestes tempos de “saúde coletiva, onde a individual se inscreve” parece que voltamos à determinação de Hegel!...

Obs:    Locke, John -   An Essay Concerning the True Original, Extent and End of Civil Government. (Chapt. XIII, sect. 158) - 1689.

sábado, 9 de maio de 2020

EUROPOLITIQUE: Sigurd I - "O Cruzado" ou "O Viajante de Jerusalém" - "From Spain to Cintra..." por aquém e além mar.

 

Sigurd I, Magnusson foi rei da Noruega, durante 27 anos, ou seja, desde 1103-1130, partilhando o poder com outro irmão. Na força da sua juventude e no fervor da sua crença, dirige-se até Santiago de Compostela, onde confirma a sua fé e se entusiasma pela Terra Santa. Realiza-se, assim, a “primeira cruzada norueguesa”, conduzida por Sigurd I, durante quatro anos, ou seja, nos anos de 1107 a 1111. Constata-se que tenha sido o “primeiro rei europeu” a peregrinar em direção ao Oriente, sem os consagrados éditos papais que marcaram as “Cruzadas”. O Império Romano do Oriente, que perdura até ao século XV, ainda gozava de um digno estatuto religioso e cristão, de tal forma que, no Ocidente, se reclamava a sua filiação bizantina e sua ortodoxia, sobretudo no século X, por causa dos escândalos no papado de Roma. A sua influência e declínio acontece com o “Grande Cisma do Oriente”, em 1140.


Com um grupo destemido de guerreiros e uma frota razoável de barcos, Sigurd I zarpou de Santiago de Compostela, depois de passar o Inverno, nesta região. A sua estadia não foi muito pacífica por causa da escassez de víveres e mantimentos, devido ao grande número de homens e embarcações. Os normandos, habituados ao comércio e à pilhagem, se as coisas não lhes corriam bem, facilmente criavam reféns e resgaste. Passada esta fase conturbada dirigem-se para Lisboa, onde enfrentam e afundam sete embarcações árabes, nas costas e arredores de Sintra, cumprindo o ditame do Apóstolo de “Matamouros”, ditando-lhes uma sentença de conversão. (Quarenta anos, após, em 1154, o “Castelo de Sintra” recebe o seu foral das mãos do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques).


Nada impedia a navegação dos seus barcos, tal era a técnica e perfeição da sua construção. De forma que, após Sintra, o mar Mediterrâneo estava aberto à sua exploração, pelo menos, durante dois anos. Depois de Gibraltar, as ilhas Baleares e da Sicília eram baluartes da sua entrada em Jerusalém, onde dizem que foi batizado no rio Jordão, apadrinhado pelo rei Balduíno. Após a visita à Terra Santa, e, reconfortado de muitas conquistas, esta comitiva de marinheiros passa a guerreiros, regressando por terra, até à Noruega. O Norte de África, dominado pelos árabes, foi incapaz de suster esta pequena cruzada, já que Constantinopla, somente caiu, em 1453.


Apesar da “primeira cruzada” oficial ser decretada pelo Papa Urbano II, em 1095, com a duração de quatro anos, nada minimiza a expedição de Sigurdo I – “O Cruzado”. O seu epíteto consagra-o como um dos pioneiros destes audazes “combatentes da fé” em direção à Terra Santa, que culmina na “terceira cruzada” com a criação do “Reino Latino de Jerusalém”, em 1099; e, infelizmente, continua com a sucessão de outras. (Os romances de cavalaria engrandecerão os seus louvores). Ainda que esta “rota de navegação” seja o seu primeiro rumo no caminho inverso ao do Apóstolo, ela será o lema e emblema de muitas cruzadas dos “Homens do Norte” e das Flandres em direção ao Oriente. Seja, por inspiração de Santiago - “Matamouros”; seja, pela ousadia de Sigurdo I; estão abertos os "caminhos através do mar", que, tanto irão beneficiar a Reconquista dos homens portucalenses. Estes, de certo modo, terão as suas costas ou retaguarda protegida por “forças marítimas” que causarão medo e terror às embarcações árabes.


Considerado, também, “O Viajante de Jerusalém”, Sigurd I conquista Sidon, em 1110. No ano seguinte, retorna à Noruega, introduzindo a “cobrança do dízimo” aos seus cidadãos. Se, certos autores, lhe determinam a rota do “Caminho Inglês” no roteiro dos “Caminhos de Santiago”, ele é o pioneiro da rota dos “Caminhos do Oeste” a nível marítimo, que se estendem pelas costas da Península até Jerusalém. Um breve relato da sua biografia surge na “Heimskringla”, saga dos reis nórdicos, escrita por Snorri Sturluson, em 1225.


“From Spain I have much news to tell
Of what our generous king befell
And first he routs Viking crew,
At Cintra next the heathens slew…"    (Heimskringla)

quinta-feira, 7 de maio de 2020

EUROPOLITIQUE: - ULF - O Galego" e os senhores da Galiza do Sul

Se a terceira incursão viking, comandada por Gunderedo ao Noroeste Peninsular, foi a mais longa e terrível a que a Galiza assistiu em 968, já que este chefe ou “rei dos mares” dominou completamente Santiago de Compostela e arredores; o quarto ataque normando da história da Galiza, a mando de Olaf, não ficou sem deixar sangrentos rastos ou vestígios da sua destruição, aos quais não escapou a diocese de Tui.



 Na senda destas aventuras de rapina e de saque, seguiu-se a chegada de “ULF – O Galego”, por volta do ano de 1028. Este epíteto deriva mais da longevidade da sua estadia, do que da sua bravura. A sua permanência nas costas da Galiza é de tal forma constante que a sua estadia que se tornava incómoda e intolerável. Apesar dos esforços na construção naval, a Galiza não possuía barcos capazes de enfrentar estes náuticos inimigos, que até os árabes temiam.


A este bando de proscritos, não lhes chegando as zonas costeiras, onde tinham os seus barcos ancorados, nada os impedia de se afoitarem até aos íngremes penhascos para se aliarem a qualquer senhor leigo, carente de algum auxílio. Porventura é demasiado situá-los nas pedras do que hoje é o santuário da Penha, para exibição dos seus dotes de guerreiros e aventureiros. Todavia, consta-se, que já pelos anos de 1032, à semelhança de outras alianças árabes desta época, prestam um precioso auxílio ao conde galego Rodrigo Ramoriz na sua luta contra “uns mercenários bascos” que se tinham instalado nos penhascos de uma “Penna”. Esta aliança deu os seus frutos e manteve-se noutros ataques, junto da região de Lugo, mas continuando a controlar as zonas marítimas galegas, em frente à ria de Vigo.

 

Todavia, o primeiro desaire de Ulf em relação à cidade de Compostela, tornou-o num espécie de aventureiro, num “salteador de terra e mar”, num “mercenário de rios e costas” que desafiavam as pacatas gentes da Galiza, habituadas ao trabalho dos campos e ao pastoreio. Aliás, o lema dos monges agrícolas era “reza e trabalha” – “ora et labora”. Por isso, as alianças com certos senhores leigos corriam-lhe de feição, já que também beneficiavam do apoio de “alguns patrícios” espalhados pelas costas e areais da Galiza do Sul. Disso é testemunha, o célebre grupo de pescadores da Póvoa desta época, peritos na arte da pesca, cuja origem é normanda, e cuja lancha “poveira” mantém a sua marca simbólica.



Este “bando de mercenários ou proscritos” não se coaduna com a tradição dos usos e costumes que começam a imperar nos peregrinos e “caminhos de Santiago”. Nos meados do século X, Santiago de Compostela já goza de algumas peregrinações que se dirigem ao seu santuário. Uma das primeiras peregrinações é justamente do bispo francês Gotescaldo, da região de Puy de Dome, pelos anos de 950 ou 951. Ou seja, desde o ataque de Gunderedo a Compostela, em 968, que os caminhos estão abertos até esta cidade, mas somente no século XII atingem o seu auge. Os seus devotos e romeiros rumavam junto ao túmulo do Apóstolo, que suscitava a conversão ao cristianismo de muitos normandos.



As costas e a ria de Vigo, com as suas redondezas, eram o “espaço marítimo” de eleição de Ulf- “O Galego”, durante os seus 15 anos de estadia, nesta região. Todavia, pelos anos de 1047 ou 1048, as cavalgadas de Ulf vão encontrar um adversário temível. Crescónio era bispo de Iria Flavia e amigo da diocese de Compostela, cujas muralhas lhe devem o seu reforço. Como chefe espiritual e comandante militar, Crescónio já tinha mandado refortificar as famosas “Torres de Oeste” (Castellum Honestium), na baía de Arousa. Frente a este ousado adversário armou um exército organizado e apetrechado que afastou das suas costas e limites, este chefe viking e seu grupo.

 



As cavalgadas de “Ulf- O Galego” pelo Condado de Toronho, que duraram 15 anos, deixaram vestígios de grande razia e favoreceram os senhores portucalenses. Cada vez mais, as planícies de Braga, Famalicão e Guimarães se fortalecem nas suas gentes e nas suas atividades agrícolas, criando as condições para uma maior riqueza, independência e autonomia. A “Era Viking” caminhava lentamente para o seu declínio, que acontece por volta do ano de 1066, quando acontece a morte de Crescónio, junto às Torres de Oeste. Se o ano de 966 marca a chegada de Gunderedo, o ano de 1066 assinala o fim da “Era Viking”, e, o ano de 1166 culmina com a conquista de Évora, por Geraldes "Sem Pavor" e Afonso Henriques. Os encontros belicosos e conflituosos entre escandinavos e galegos transformaram-se em relações amistosas e cooperativas. Por ironia do destino, anos mais tarde, serão chamados arquitetos normandos para a reconstrução da catedral de Santiago de Compostela. 


Obs: "Mas em 1049, o Papa Leão IX (1048-1054) temendo um cisma excomungou o Bispo Crescôncio por pretensão de querer equiparar Santiago de Compostela a Roma".   (Peregrinos e Peregrinação na Idade Média, vários autores, Ed. Vozes - São Paulo, 2018).

segunda-feira, 27 de abril de 2020

EUROPOLITIQUE: São Martinho de Tours (316-397) e São Martinho de Dume (520-579) na encruzilhada de Lanhelas


«A capela de São Martinho, construída a Norte da freguesia nos limites com Gondarém, foi a igreja primitiva de Lanhelas. Reza a tradição ter servido os paroquianos de Seixas, Sopo e Vilar de Mouros. (Arq. J. da freguesia de Lanhelas)

Já com o título de “igreja paroquial “ e “vigararia” que lhe advém desde o século XIII, São Martinho de Lanhelas congregava as gentes ao seu redor, debaixo do seu manto protetor. Por isso, estendia-se por terras de Sopo, Vilar de Mouros e até mesmo Seixas. Ao seu lado, permanecia a abadia e padroado de Gondarém, com cuja margem ou fronteira se limitava, "paredes meia" a capela de São Martinho. Esta capela, erguendo-se sobre um outeiro sobranceiro à estrada nacional n.º 13, prolonga-se numa estreita colina que se espraia sobre as águas do rio Minho. A capela sempre manteve um certo enigma acerca da sua origem e desenvolvimento. Se a sua devoção recai sobre São Martinho de Tours, ou, sobre São Martinho de Dume, eis um dilema que permanece algo oculto e insondável na sua história. Se popularmente se evocar os festejos das “castanhas e do vinho” remetemo-nos para o seu padroeiro, isto é, para São Martinho de Tours. Se, dermos crédito ao desembarque de uma figura emblemática da sua diocese, relembramos o grande bispo de Dume, que conduziu o II Concílio de Braga, em 572. Ora, consta que, São Martinho de Dume, desembarcou num porto ou ponto da Galiza, após uma longa viagem em que foi venerar o seu homónimo. Portanto, provavelmente, este local mantém-se como "marca ou peugada" do desembarque da sua comitiva, onde os livros e discípulos faziam parte da sua companhia. Mas, seja em veneração do seu patrono, seja na feliz coincidência de ser aqui o seu "porto de abrigo", estes dois Martinhos tem a mesma marca e registo. Ambos são santos, e, ambos descendem da província romana de Pannonia (hoje,Hungria), em que um “capitel visigótico” desta capela regista que os seus vestígios remontam à Idade Média.


«O atual edifício, debruçado sobre o Minho e a vizinha Galiza, foi restaurado em 1822, como pode ler-se numa lápide mandada afixar no interior pelos beneméritos que custearam a operação. Uma observação do edifício atenta permite descortinar uma cruz de Malta e um capitel de visigótico» (Arq. J. Freguesia de Lanhelas).


Após, o colapso do Império Romano do Ocidente, nos séculos IV e V, e, após a invasão dos Bárbaros, a região da Galiza foi ocupada pelos Suevos. Durante um século e meio, os Suevos dominaram esta região, até ao ano de 585, em que gozaram de alguma prosperidade. O grande apóstolo dos Suevos foi Martinho de Braga, tornado bispo de Braga, em 572, tendo convertido o rei Teodomiro, três anos antes. Já, em 556, tinha fundado um mosteiro em Dume, pelo qual também ficou conhecido como Martinho de Dume. A sua obra “de correctione rusticorum” (Acerca da Correção dos Costumes) é um dos elementos de orientação do seu monaquismo, e da instalação de comunidades de eremitas pelo Noroeste Peninsular. Durante o século VI, a influência de Martinho foi importante para a diocese de Braga, em que predominou uma grande organização eclesiástica, através das suas paróquias, que seguiam o percurso das vias romanas, segundo o “parrochiale suevorum”. As circunscrições religiosas delimitavam as redes de "habitats", ou, pequenos povoados. Um século após, São Frutuoso de Braga (656-665) continuará a obra deste emérito bispo, através da difusão dos seus mosteiros rústicos, dedicados à produção agrícola..

Ora, em 585, os visigodos que conquistaram a Espanha em dois anos, apoderaram-se, finalmente, do reino dos Suevos. A existência de “um capitel visigótico” e de uma “cruz de Malta” vem demonstrar a antiguidade desta capela, que remonta à Idade Média. Presume-se que acompanhado de alguns discípulos, e, carregado com os seus livros, o jovem monge Martinho, com os seus trinta anos de idade, na sua ansia de combater as heresias da sua época e de evangelização, assumou a esta colina e caminhou até aos arredores de Braga, quando aqui aportou no ano de 550. 
E, tudo aponta para que a partir do século VI , e, sobretudo VII, o  orago da igreja paroquial de Lanhelas e seu patrono seja São Martinho, na sequência da via romana para Vilar de Mouros e  da via "per loca maritima", e, também segundo o "parrochiale suevorum". 

OBS:
Doc. 1 - Carta de Recomendação, Padre Manuel Dantas da freguesia de São Martinho de Lanhelas - 26.06.1777. (Arq. de Braga).
Doc  2 - Os Santos Padroeiros de Caminha by Lourenço Alves, Caminha, 1984.
Doc. 3 - "Inculturas Ruprestes do Alto Minho" (Abel Viana, pg.7).
Doc .4 - Julgado de Cerveira (Arq. Distrital de V.C.) ref. 1615, séc. XIII (1258)
Doc. 5 - Historia Medieval da Pen+insula Ibéwrica, Adeline Rucquoi, Editorial Estampa,Lisboa, 1995.
Doc..6 - A Civilização do Ocidente Medieval, Jacques Le Goff,, Editorial Estampa, Lisboa, 1985.
Obs. 1 - Os numetanos - Lanhelas - "Aqua lae"
Obs. 2 - Vilar de Mouros doado a Tui, em 1071.
Obs .3  - Bouça Velha, Chã das Carvalheiras, Chã das Castanheiras". 










domingo, 26 de abril de 2020

EUROPOLITIQUE: Amor e ódio à JAKOBSLAND


JAKOBSLAND – “terra mítica” para os normandos escondia vários tesouros que despertavam a sua cobiça. A terra de Santiago, não só despertava a avidez dos homens “adoradores de fogo” – “madjus” -  que vinham do Norte da Europa, ou seja, os  “normandos”, como também do Sul, os “homens azuis” –blamenn-  os  árabes; estes, sim, os autênticos infiéis,  contra os quais se erguia ousadamente,  o Apóstolo “Matamouros”.


Estamos em plena Alta Idade Média, em que três sociedades e três culturas, (bastante diferentes e opostas), se desafiavam mutuamente nos seus costumes, nas suas tradições e nas suas religiões. Este confronto e simbiose cultural vai durar até ao fim da “Era Viking”, por volta do ano de 1066, quando já muitos normandos se tinham convertido ao cristianismo.


Em 1108, o rei da Noruega, Sigurd – “O Cruzado” (1103-1130), torna-se no primeiro peregrino a visitar Santiago de Compostela. O seu exemplo é seguido por outras personagens, que se tornaram santos, como: “Santo André” de Slagelse da Dinamarca e “Santa Brígida” da Suécia. Estes romeiros e peregrinos ao túmulo Apóstolo somente começaram a definhar com a Reforma Protestante do século XVI.



Portanto, à fúria e à raiva desencadeada sobre Compostela por vários ataques dos normandos, surgiu um movimento de reconciliação e romagem, que se redimiu na reconstrução das torres da catedral de Santiago, e se consubstanciou em vários casamentos. O rei da Galiza casa com a princesa “Agatha” da Normandia, de onde partiram os “normandos”. Mas, os dois amores do rei Valdemar II, em que ambas se tornaram rainhas na Dinamarca, demonstram esta “camuflada aliança” entre vikings e portucalenses. Não só, o rei da Dinamarca, Valdemar II – “O Vitorioso” (1202-1241), se casa com a jovem princesa portuguesa Berengária, como também o seu filho, Valdemar III (1254-1257), desposa Leonor de Portugal, filha de D. Sancho II. Assim, desde a conversão de Rolão da Normandia, em 911, “A Concha de Santiago” entrou como símbolo da heráldica escandinava.

EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...