“Esqueça o que está escrito aí” – dizia um representante de um país da CPLP, apesar dele ser o autor de tal escrito, já que o tratado com Portugal - “nem sei a data”.
A alto nível da diplomacia, os tratados e as burocracias esfumam-se, quando, concretamente, os valores económicos surgem nas suas implicações.
Na presente relação entre a Guiné Equatorial e os países da CPLP, talvez não seja o dinheiro que está em causa, mas a sua distribuição.
Se não fosse a pressão diplomática dos USA e da França, o contexto sócio-político na Guiné Equatorial, não seria aconselhável neste relacionamento. Todavia, para o espaço lusófono é de saldar o apadrinhamento de José Eduardo dos Santos à iniciativa da Guiné Equatorial.
“Obiang disse que depois do adiamento na cimeira de Maputo, o seu país procura sensibilizar os países de expressão portuguesa para que a Guiné Equatorial, que já detém o estatuto de observador associado, seja aceite como membro da CPLP. “O meu irmão assegurou que vai apoiar a entrada da Guiné Equatorial na próxima cimeira”, declarou” (Jornal de Angola).
Do mesmo modo que o petróleo é o principal produto de exportação de Angola, com o sector petrolífero a representar 45% do Produto Interno Bruto, 70% das receitas fiscais e 90% das exportações, a Guiné Equatorial encontra-se em idêntica posição.
Portanto, a conivência angolana requer este apadrinhamento como natural convivência, sobretudo quando se trata de um certo desvinculamento hispânico
Todavia as reticências de Maputo, com actual direcção da CPLP, ecoam:« apesar de elogiar os esforços já desenvolvidos pelas autoridades do país, com vista ao cumprimento do programa de adesão condiciona a sua entrada ao “convergir com os objectivos e princípios orientadores da comunidade”, para o que deve contar com o apoio de “um grupo permanente de acompanhamento conjunto”».
Apesar de todas as contradições no relacionamento de vários países, todavia persiste um conjunto de valores que sedimentam essas mesmas relações, às quais os seus actores não podem, nem devem, furtar-se.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
EUROPOLITIQUE: "Zézu" padrinho da Guiné Equatorial.
“Esqueça o que está escrito aí” – dizia um representante de um país da CPLP, apesar dele ser o autor de tal escrito, já que o tratado com Portugal - “nem sei a data”.
A alto nível da diplomacia, os tratados e as burocracias esfumam-se, quando, concretamente, os valores económicos surgem nas suas implicações.
Na presente relação entre a Guiné Equatorial e os países da CPLP, talvez não seja o dinheiro que está em causa, mas a sua distribuição.
Se não fosse a pressão diplomática dos USA e da França, o contexto sócio-político na Guiné Equatorial, não seria aconselhável neste relacionamento. Todavia, para o espaço lusófono é de saldar o apadrinhamento de José Eduardo dos Santos à iniciativa da Guiné Equatorial.
“Obiang disse que depois do adiamento na cimeira de Maputo, o seu país procura sensibilizar os países de expressão portuguesa para que a Guiné Equatorial, que já detém o estatuto de observador associado, seja aceite como membro da CPLP. “O meu irmão assegurou que vai apoiar a entrada da Guiné Equatorial na próxima cimeira”, declarou” (Jornal de Angola).
Do mesmo modo que o petróleo é o principal produto de exportação de Angola, com o sector petrolífero a representar 45% do Produto Interno Bruto, 70% das receitas fiscais e 90% das exportações, a Guiné Equatorial encontra-se em idêntica posição.
Portanto, a conivência angolana requer este apadrinhamento como natural convivência, sobretudo quando se trata de um certo desvinculamento hispânico
Todavia as reticências de Maputo, com actual direcção da CPLP, ecoam:« apesar de elogiar os esforços já desenvolvidos pelas autoridades do país, com vista ao cumprimento do programa de adesão condiciona a sua entrada ao “convergir com os objectivos e princípios orientadores da comunidade”, para o que deve contar com o apoio de “um grupo permanente de acompanhamento conjunto”».
Apesar de todas as contradições no relacionamento de vários países, todavia persiste um conjunto de valores que sedimentam essas mesmas relações, às quais os seus actores não podem, nem devem, furtar-se.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
EUROPOLITIQUE. O Governo económico de Hollande
Com 400 jornalistas inscritos para audição de F. Hollande, as teses lançadas por este dirigente geraram um certo mutismo nos seus consórcios. Os governos do Sul da Europa, habituados ao jogo de “ping-pong” entre a Alemanha e a França, e, demasiado concentrados nas suas questiúnculas internas, parecem paralisados por algo inovador, que carece de uma reflexão institucional que atravessa varias patamares até produzir alguma ideia válida e digna de execução. Neste campo, a analogia com os USA é uma contradição europeia na sua própria dialéctica, além que hodiernamente “time is money”.
A paralisia europeia, dada a sua complexidade institucional, carece de um “timing” que as instituições financeiras não perdoam, onde elas habilmente sabem jogar nos seus interesses e proventos. Se, por um lado, existe letargia num ponto ou local do globo, dado o movimento acelerado do sistema financeiro, os seus tentáculos jogam-se em novos mercados, sempre emergentes e ávidos de alguns dos seus benefícios.
F. Hollande ao propor um “governo económico”, com um “presidente” e uma “reunião mensal” não pode passar sem alguma reacção dos países do Sul da Europa.
Torna-se, cada mais urgente, se queremos permanecer na Europa que surja um governo económico, militar e político com a harmonização das instituições que caminhe no escalonamento das taxas, impostos, política de emprego, prestações sociais e velhice.
O peso e poder dos países do Sul da Europa, e, também as suas fraquezas, face a uma certa hegemonia alemã, somente com o recurso inovador do Hexágono conseguirão obter um movimento que os torne mais eficientes nesta conjuntura desfavorável.
Apesar das muitas contradições que atravessam a Europa, ainda nela existem recursos para fazer frente ao processo de globalização. Mas para lá de toda a problemática que ensombra os vários universos europeus, a eficiência e o tempo, são duas faces de uma moeda fraca, face a um "euro" ambicioso.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
EUROPOLITIQUE: Segurança Social em Portugal
domingo, 12 de maio de 2013
EUROPOLITIQUE: As contradições da Cidadania Europeia
1) O ano de 2013 reaparece como o ano de debate sobre os “pilares da integração europeia: os cidadãos”, por iniciativa da Comissão e Parlamento Europeu.
2) Grosso modo, a “cidadania europeia” realça os “Direitos”. Nada de “Deveres”, o que logicamente e extremamente remete para um estatuto, atrozmente concedido aos animais.
3) “Os dados mostram que apenas 59% dos portugueses se identificam como cidadãos da União Europeia e, destes, apenas 35% afirmam conhecer os seus direitos”. (A identificação é fraca e o conhecimento é débil). Mas, a questão podia colocar-se, ao contrário: e os seus deveres? (Coloquemos, a última confirmação, não há o dever de votar!...)
(Se há um conflito com a Líbia, isso é com os franceses, alemães e americanos!...)
4) Quando os políticos falam de tratados, somente os eruditos e iluminados tem acesso a tais prerrogativas, como é o caso do “Tratado de Lisboa”, gabando-se das suas altas performances, ou seja, são “negócios políticos”, vedados à compreensão dos "humanos"!...
5) Pelo meio das altas esferas da política surgem as instituições que zelam e informam os cidadãos de uma forma exaustiva, cuja forma de esclarecimento deve merecer o aplauso de cada “cidadão europeu”!... Aliás, os cidadãos europeus votam em estruturas intermédias que “jogam” nos tratados europeus, aguentando com um sistema legislativo que justamente respeita os elementares direitos territoriais!...
6) Por outro lado, o acesso às instituições europeias é de uma facilidade extraordinária!...
7) Se, por acaso, estiver em plano de igualdade com outros cidadãos europeus, as regras funcionam, muitas vezes, numa xenofobia, digna de registo!...
8) E, que dizer, das várias “sociedades civis” de cada país?... Vegetam ao som dos meios de comunicação, com grande esplendor de reflexão!....
9) E, quando os problemas económicos e financeiros surgem remete-se para os "pobres cidadãos europeus" que paguem a crise, porque a sua incapacidade de "personalidade jurídica" voa na inteligência dos deuses!...
quinta-feira, 25 de abril de 2013
EUROPOLITIQUE: L'espoir
As horas difíceis de 39 anos depois de 25 Abril 74!.........
Ilustração sintomática:
Apesar de 8.000 empresas exportarem para a China e 1.200 estarem instaladas neste país, a França tem um déficit comercial da ordem dos 26,5 mil milhões de euros, enquanto que a Alemanha se situa nos 17,7 mil milhões de euros.A seguir à Alemanha, a China é o segundo fornecedor de França, ainda que seja o seu sétimo cliente, atrás da Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, Reino Unido e USA.
Em 2012, França e Alemanha somam, nada menos, de 44,2 mil milhões de euros a favor da China, ou seja, 57 mil milhões de dólares.
São os efeitos da globalização!...
Ilustração sintomática:
Apesar de 8.000 empresas exportarem para a China e 1.200 estarem instaladas neste país, a França tem um déficit comercial da ordem dos 26,5 mil milhões de euros, enquanto que a Alemanha se situa nos 17,7 mil milhões de euros.A seguir à Alemanha, a China é o segundo fornecedor de França, ainda que seja o seu sétimo cliente, atrás da Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, Reino Unido e USA.
Em 2012, França e Alemanha somam, nada menos, de 44,2 mil milhões de euros a favor da China, ou seja, 57 mil milhões de dólares.
São os efeitos da globalização!...
sábado, 20 de abril de 2013
EUROPOLITIQUE: Esboço angolano - 1904
========Enquanto na África do Sul, em 1904, germinava uma nova metodologia de “não-cooperação”, tendo como objectivo central a oposição ao domínio britânico na Índia, a “revolução pacífica” liderada por Muhatma Gandhi, insere-se nos conflitos entre as potências imperialistas e os movimentos do nacionalismo, que desde então são emergentes neste princípio de século XX.
“Em Angola, onde Portugal era a potência colonial desde há mais de 300 anos, um dos povos nativos, os cuanhamas, tinha atacado uma coluna isolada de tropas comandadas por oficiais portugueses...”. (1)
O Império Britânico debate-se com enormes sublevações e revoltas na Índia, África do Sul e outras regiões. Por influência ou contágio destes recentes movimentos nacionalistas, a tribo angolana dos cuanhamas, certamente influenciada pelas revoltas na África do Sudoeste, revolta-se contra o colonialismo português.
A tribo dos Cuanhamas, internacionalmente conhecida por Kwanyamas, no dia 25 de Setembro de 1904, ataca uma coluna militar de soldados portugueses que tentavam atravessar o rio Cunene. A armadilha ou emboscada preparada pelos Kwanyamas fez uma razia quase completa neste pequeno contingente que Martin Gilbert, célebre historiador francês, relata na “morte de 254 militares”, mas cujo número deve ser reportado para uma época posterior, ou seja, para a expedição que partiu de Lisboa em 10 de Dezembro de 1914.
Os comandantes destacados deste confronto foram os distintos guerreiros Kalola Kashihetela e Mwatilefu va Hautoni que sob as ordens de Nande ya Heidimbi, rei dos Kwanyamas, desferiram ataques mortais contra os colonialistas portugueses.
A tradição desta tribo era a caça. Por isso, era um povo de caçadores nómadas, oriundos do Sudoeste Africano, ou, Namíbia, que se estabeleceram como pastores entre os rios Cunene e Cubango. As suas origens remontam à região de Donga, no Sudoeste Africano, formando com os povos da Ovambolândia, os chamados ovambos de Angola, em que coexistem cinco tribos: os Cuamatos, os Evales, os Cafimas e os Dombondolas, sendo os Cuanhamas (Kwanyamas), o grupo mais numeroso.
Criadores de gado, nómadas tornados sedentários no sudoeste de Angola eram homens armados até aos dentes, e, os seus guerreiros viajavam protegidos por amuletos suspensos dos pescoços com cifres recheados de cinzas obtidas dos destemidos corações de companheiros mortos em combate.
A partir do ano de 1904, o distrito que abrangia o território das actuais províncias do Kuando-Kubango, Namibe e Huíla torna-se um território de luta constante ou guerra permanente contra o colonialismo português.
====================================================================================================Por outro lado, também sabemos que o kwanza, a nossa moeda nacional, adopta a designação do maior rio de Angola". Associada à água, cmo símbolo de riqueza, a palavra kwanza, cuja origem deriva do dialecto banto, nada deve à tribo dos Kwanyamas?
Se os latinos associaram à fortuna e ao dinheiro, a pecúnia como sinal de riqueza, porque motivo o kwanza não está associado à “criação de gado” e aos “Kwanyamas”?.
===============================
(1) Gilbert Martin, História do Século XX, pg. 39
sábado, 6 de abril de 2013
EUROPOLITIQUE: A Expansão chinesa e Angola.
=======Com reversas de câmbio na ordem de 3.440 mil milhões de dólares, em Dezembro de 2012,(30% das reservas mundiais), nada menos de 475 mil milhões de euros, ou seja, grosso modo, 500 mil milhões de dólares constituem o universo do investimento chinês no mundo, já que a China investe mil milhões de dólares, por semana. Em Portugal situa-se em 3,1 mil milhões de euros, que correspondem a um terço do investimento chinês em Angola.
O Jornal Expresso publica uma infografia, onde não são referenciados os investimentos chineses em Angola e Moçambique. Aliás, Moçambique não merece qualquer referência, quando ultimamente os investidores chineses compraram parte da ENI italiana, no negócio do gás. Ainda que o gás angolano esteja desde já comprometido para as necessidades americanas, Angola situa-se num valor intermédio com o Brasil.
Se a política externa chinesa tem sido, muitas vezes, criticada pelo seu pendor, exclusivamente, económico, parece que o seu sistema começa a dar alguns frutos de desenvolvimento local. Claro que a sua actividade económica não se situa naquela linha de “em vez de dar um peixe, ensina-o a pescar”, provérbio de origem chinesa, já que a procura de matérias primas é mais que evidente, o processo chinês de não-ingerência nos assuntos políticos, opõe-se ao sistema de dádivas e da apregoada defesa dos direitos humanos.
Em Angola, cuja capital rodopia com mais de 2 milhões de automóveis, os interesses chineses atingem um valor superior a 10 mil milhões de dólares. Somente na habitação situam-se, nada menos de 2 mil milhões de dólares. Em outras empresas os valores são mais reduzidos, mas são da ordem dos milhões. Mas, é, sobretudo, no financiamento da empresa estatal angolana Sonangol que os valores sobem até aos 8 mil milhões de dólares.
Mais de 50% do O.G.E. angolano é financiado pelas exportações de Angola para a China.
Quando o carvão e ferro de Angola começarem a ser explorados, juntamente com o gás angolano e a energia eléctrica, muito, proximamente, Angola atingirá os valores do Brasil que são da ordem 27 mil milhões de dólares.
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