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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE. 307 - "Tudo para manter o Euro"



A imagem interna de que “Portugal não é Grécia” tem dificuldades em passar a nível externo, e o poder da “imagem é tudo”, excepto quando a realidade a desmente.


As expectativas dos europeus no Parlamento Europeu são demasiado fracas, apesar da orientação de certos fundos para o relançamento económico; e, a imagem deixada pelo actual Presidente Martin Schulz, apesar de todas as interpretações e elogios de alguns parlamentares lusos, revela-se de contornos bastante obscuros!...

Desde que Durão Barroso tentou impregnar a ambição da “política externa” com certo tipo de diplomatas, aliada à inocente “expulsão dos ciganos romenos” de França, ao seu exíguo terreno de afirmação governamental que lhe foi retirado o tapete de efectivo Presidente da Comissão Europeia.

Esta sensação de certa impotência da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, instituições supremas desta Europa, corrói a maioria dos cidadãos europeus na sua confiança política, concedendo um espaço de manobra para o “rigor alemão”.

Uma moeda forte em 17 países tornou-se num desafio difícil de gerir. Se alternativas houvesse a esta política económica, elas foram combatidas pela dinâmica e força da segunda moeda mundial que tem imensas dificuldades em provar o seu real valor.

A identificação do “euro” com o “antigo marco” num edifício que estremece por todos os cantos exige uma perícia de funâmbulo.

A corda tensa deste trapézio procura manter-se firme sob a batuta da Alemanha.

A “política externa” e as exportações talvez sejam dois indicadores que nos afastam da Grécia. Todavia a amarga realidade sentida pelos portugueses desafia qualquer tipo de estoicismo. Existem certos indicadores que a sua diferença é de 5 para 1, longe da saída do euro, o que condiz com a advertência externa de uma possível saída da “moeda única”.

Certo “senso comum” alemão afirma que Sra Merckel “está a fazer tudo para manter o euro”, apesar das previsões pessimistas de Giscard D’Estaing .

Esta ambição alemã até que ponto resistirá aos contínuos sobressaltos dos seus países satélites.

Até que ponto este sistema planetário susterá estes pequenos satélites com água e vida, antes que se tornem em duros e rochosos “meteoritos”!...




domingo, 12 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE 307: "Nunca falei com Genscher"



“Nunca falei com o Genscher”, e vira-se logo um alemão, - “onde estava a segurança”?

O episódio passado na capital portuguesa, pouca relevância tem.

Aliás, não é preciso ser perito em semiótica para perceber certas leituras.

As leituras actuais no contexto das críticas à “política externa” portuguesa merecem que a confiança de “antigos estadistas” não condizem com as interpretações de novos arautos, plantados em salas de Bruxelas, olhando perplexos certas . Desde o “senso comum” à “ilustração de certos peritos” subjaz uma palavra simples de “inveja”.

Por mais interpretações que possam dar ao texto e ao contexto é que “nunca falei com Genscher”.


EURO POLITIQUE:306 - "Portugal não é a Grécia"


 
















A  primeira vez que visitei a Alemanha pernoitei numa casa em que a sua patroa já tinha visitado a ilha da Madeira. Portanto, todo o meu apoio vai para o convite da Senhora Merckel para visitar a Madeira.

Claro que não quero ouvir falar da “inocente questão” da venda das ilhas gregas. Aliás, a “questão nada tem de inocente”.

A Alemanha detém na Europa o “poder económico”, falta-lhe o “poder militar”, mas logicamente exibe o “poder político”.

Portanto a chamada e inocente “polis” grega, não pode ficar somente pela simples “organização social” contra os bávaros da Europa, mas deve submeter-se aos seus desígnios. As leis do “sistema de mercado” não se compadece com as “lógicas” das empresas estatais gregas, com uma certa “economia paralela ou subterrânea”, com uma “economia de elite” dos seus armadores náuticos, nem com o despesismo de uma certa classe média. Estado que não está organizado deve submeter-se à lógica do estado hegeliano e à moral kantiana, dignos mestres da “ideologia alemã”. Uma vez desmantelada a Grécia, irrompe em força o “espírito alemão”, por isso é que os gregos se revoltam.

Se, porventura outras alternativas ou perspectivas existissem, elas foram submetidas a este esplendor do “espírito alemão”.

Ainda não sei porque não nos aconselharam a vender a Madeira, tal como outrora um extinto líder sobre ela opinou!...

Todavia, a Ilha da Madeira faz parte de uma “política externa” que o mar nos concedeu.

( A título jocoso, já ouvi um alemão que queria comprar um pouco de mar português.)

Mas o problema não é só o “mar português” e a “Ilha da Madeira”. A extensão desse mar prolonga-se por outras regiões que nada tem a ver com o “espírito alemão”, nem com a sua base territorial. Aí começam as divergências portuguesas com o “sentido absoluto” da filosofia hegeliana.

Certos políticos dizem que “Portugal não é a Grécia”.

A pequenez de um David não sei se chega para um grande Golias!...

O futuro é uma linha no horizonte e de facto e de direito veremos se “Portugal não é a Grécia”!....


sábado, 11 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE: "Três alemães numa semana" (Expresso)

Três alemães numa semana




Urge evitar as clivagens nesta Europa Unida, sobretudo a nível da “sociedade civil”, já que a “elite política” navega em águas turvas e o tempo é de austeridade.

1) Dava gosto ver aqueles alemães em fim de semana em Paris. Os autocarros deambulavam pela “Cidade Luz”, repletos pelo esplendor da cidade, ainda mais quando um copo de “champagn”e soltava as suas borbulhas na zona do “Pigalle”. E, aquele rigor austero, repleto de moral kantiana soltava-se em plena gargalhada pelo “underground”, subway” ou “metro”. Aliava a tensão do intenso “arbeit” alemão pela “coquetterie” francesa.

2) No que respeita à investigação científica repelia-se ferozmente tudo o que tinha sabor a italiano ou francês, já que se tivesse origem ibérica era de cortar páginas e páginas, nada condizente com o estilo alemão. Basta dizer que a única língua capaz de suster a filosofia era o alemão, nas intenções de Heidegger; mas neste campo perfilava-se com grande estilo a filosofia alemã em terras gaulesas.

3) A imprensa e outros meios de informação menosprezaram e desdenharam esta “exportação de ideologia”. Habituados a comprar carros, produtos tecnológicos, e outros afins, não contavam com uma mundividência tipicamente alemã, cujas raízes têm outros insondáveis contornos. Por um lado uma visão etnocêntrica da supremacia alemã, que felizmente ainda não é uma potência média ao nível do nuclear, mas que no domínio do conhecimento é extraordinária. Nela revestem dois factores interligados, não só os méritos como o orgulho, como sinónimo da mesma moeda. E nas suas faces grava-se uma tenacidade íntima e um “espécie de paixão” que irrompe com aquilo que tem “sabor” italiano ou francês.

Atrevo-me a dizer que a “menoridade latina”, sobretudo espanhola e portuguesa, carecia de um “ilustramento”, no sentido kantiano, que hoje certos profetas nos anunciam.

Mas esta “ilustração” encontra-se tipicamente misturada do “estaticismo” hegeliano. Por outro um lado revela a pretensão de nos ilustrar, e de nos dar a “ousadia de pensar” (?), mas sempre dentro do “espírito hegeliano”. Ora o “espírito do povo” alicerça-se evidentemente no “espírito alemão”.

Seria bom citar Kierkegaard, de outra forma : “que nos interessa conhecer o sistema se andámos completamente perdidos nele!....”.




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE 305: "Um tango em Paris"




A dita “sociedade civil” talvez esteja mais bem informada que a “classe política”, em certos aspectos sobre a realidade angolana.
E as reacções da “sociedade civil” são, por vezes, bastante díspares.
Neste universo podemos encontrar os “velhos saudosistas” que inundam a Internet com a eterna saudade, os “traumatizados com a guerra do ultramar e os “traumatizados” pelo abandono sofrido, os aventureiros que deambularam por muitas razões, os trabalhadores que são simplesmente emigrantes, aqueles que deixaram tudo por um sonho africano, aqueles que anseiam por uma “nova vida” em terras africanas, aqueles que lutaram e  simplesmente se juntam em convívios, aqueles que estudaram em terras lusas, os escritores angolanos que dialogam com o público português, os artistas que sobrevoam as questões políticas, as organizações não-governamentais que desenvolvem projectos de formação e ajuda humanitária, os jornalistas nas suas múltiplas perspectivas, os meios de informação com as suas mundividências e obstáculos, aqueles que fazem viagens esporádicas, aqueles que fazem cooperação, aqueles que fazem intercâmbio cultural, aqueles que anseiam por um país mais justo e humanitário, aqueles que nunca estiveram em África e reagem de múltiplas formas, os residentes angolanos em terras lusas com as suas comunidades, ou seja, toda uma panóplia de relações humanas, para além das “questões políticas e diplomáticas”.
Basta dizer que quase 14.000 portugueses, por mês, deambulam entre Portugal e Angola, num universo calculado de mais 140.000 portugueses, constituindo-se Luanda como o primeiro porto de relacionamento com Portugal. Nenhum país africano ultrapassa o tráfego dos portugueses.
Claro que se desenvolve uma consciência da “política externa” entre a dita “sociedade civil”, para além do relacionamento institucional e oficial.
Mas, também, por causa deste relacionamento, desenvolveu-se uma estruturação oficial, em devido tempo, nas suas orgânicas, desde os tempos de Ramalho Eanes e Jaime Gama.
A reconstrução de um país não culmina logicamente e rapidamente num modelo económico, social e democrático de tipo europeu!... Além disso, seria puro etnocentrismo!...
A realidade africana debate-se com situações de desenvolvimento que implicam um amadurecimento das suas instituições.
Por tudo isto parece que existe um vínculo de fraternidade que ultrapassa as concepções daqueles que nunca estiveram ligados às terras africanas.
Analisar, sociologicamente, sob um único ponto de vista é infringir as regras da sociologia.
Em vez do “anátema de Lutero” preferimos a “benção da paz” da lusofonia, porque falámos a mesma língua, sem citar Pessoa.
E dizia o “inteligente” francês (faz lembrar a “Tourada”): “não temos nada a ver com Angola!...”

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EURO POLITIQUE: A Angola de Martin Schulz/Tango argentino na Sorbonne




“Como eu, a maioria terá uma ligação a Angola e a Portugal!....”

“Great”!... – Martin Schulz - Presidente do Parlamento Europeu

Se por causa de Angola perdemos o nosso “modelo económico, social e democrático”, perdemos a nossa identidade europeia, porque falar de “cidadania europeia” é quase um mito, e certos comentários de um Representante dos Cidadãos Europeus é pura e divina música.

Não é de agora que ouvimos franceses e alemães falar acerca das nossas relações com Angola. Aliás, um adjunto da campanha de “Marketing de François Miterrand”, numa cidade portuguesa algarvia, mais exactamente, Faro, comungava das vossas ideias.

Portanto, a história é velha!...

Caro Representante dos Cidadãos Europeus já estamos habituados a essa música.
É pena não ter andado com eles na escola em Lisboa ou Paris.


P.S.
"Lamento muito que tenha havido pessoas que tenham tentado interpretar mal algo que não pode ser mal interpretado" = "Grande Música" - Tango argentino na Sorbonne!...

A Sorbonne tem:
Anfiteatros para música argentina
Salas par exibição de filmes angolanos
Salas para alunos em filosofia moral e política.("sociedade civil" minimamente organizada!...)


EUROPOLITIQUE: Recordando "Platero y Yo" ....Juan Ramón Jiménez

  Na minha tenra idade escutava os poemas de “ Platero y yo” , com uma avidez e candura própria da inocente e singela juventude, que era o ...